domingo, março 15, 2009

«Germano Francisco Dee» - Dr. Manuel Pedro Freitas

Germano Francisco Dee, era o pseudónimo de Germano Francisco de Barros Henriques.
Era natural do Estreito de Câmara de Lobos, onde nasceu em 1805, tendo falecido por cólera em 1856. Era filho de Francisco Policarpo de Barros Henriques e de Luísa de Barros Henriques. Era provavelmente neto paterno de Francisco Policarpo de Barros Henriques e de Ana Antónia Júlia, casados na freguesia do Estreito de Câmara de Lobos em 1774
[1].
Foi escrivão, professor público em Câmara de Lobos, destacando-se ainda como escritor e poeta. De acordo com o poeta Joaquim Pestana, Germano Francisco de Barros Henriques era dotado de grande génio poético, compondo versos com rara facilidade e tendo particular predilec­ção pelo soneto. Seguiu a escola literária de Filinto Elísio. Escreveu um livro intitu­lado "Lições de arte poética"
[2] e colaborou em "A Discussão" e no "Novo Almanaque Luso-Brasileiro". Distinguiu-se ainda como poliglota, falando correctamente latim, francês, inglês e espanhol.

[1] Livro 349 de registos paroquiais - casamentos - da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, fls. 17.
[2] Esta obra não se encontra registada nos arquivos da RAM. Contudo, encontramos sob o título "Lições de Arte Poética, em vista de J. Soares Barbosa e de outros autores, dedicadas ao ... Sr. António Silvino Gonsalves.." uma obra na Biblioteca Nacional, escrita por um anónimo e publicada no Funchal, em 1861, pela Typ. Do Noticioso. Corresponderá este livro ao escrito por Germano Francisco Dee, ainda que publicado após a sua morte?

A UMA DAMA [3]
(Imitado de Victor Hugo)
Donzella, s'eu fôra rei,
oh! de bom grado daria
toda a rica pedraria,
de valor... que nem eu sei!...
E nem só joias, e oiro,
mas outro maior thesoiro:
meu septro e c'roa de rei
por um só olhar dos teus!...
Se rei não fôra, mas Deus,
daria os mares, e a terra,
e os milhões d'astros que encerra
o amplo espaço dos céos;
os sons do mar gemebundo,
a eternidade e o mundo,
tudo, tudo te daria
por um só beijo dos teus!...

[3] Novo Almanach de Lembranças Luso-Brazileiro para o anno de 1873. Lisboa, 1872, pág
195.

AO SUICIDIO [4,5]
Pôde a sábia mão Omnipotente
formar da maça rude esta grandeza,
com tantas perfeições, tanta belleza,
que aos olhos dos mortais é pasmo ingente.
Pôde o barro animar, e de repente
mudar-lhe a velha em nova natureza;
sem que, das obras suas na certeza
o homem reconhece este presente.
Debalde a humana frágil creatura,
ostenta no composto a imagem sua,
quando um Deus imitar em vão procura.
Quem fez os céos, a terra, o sol e a lua?
—Deus!—E o homem que faz?—Com mão impura
dá na própria existencia morte crua!

[4] In Novo Almanach de Lembranças Luso-Brazileiro para o anno de 1877. Lisboa, 1876, pág 159.
De acordo com Joaquim Pestana em nota publicada anexa a este poema, "O author d'estes versos, fallecido em 1856 do cholera morbus, na edade de 57 anos, era natural da fr eguezia do Estreito, filho de Francisco Polycarpo de Barros Henriques e de Luiza de ...
Sabia vários idiomas, entre elles latim, francez, inglez e hespanhol. Residio por muito tempo em Câmara de Lobos, sendo n'esta villa escrivão da Câmara e professor publico.
Assim terminou seus dias no meio d'aquella epidemia, que levou no seu horror 12.000 vitimas!"
[5] MARINO, Luís. Musa Insular, pág.80-81.

PORTUGAL E OS ESTRANGEIROS - Manuel Gomes Branco

Branco , Manuel Gomes – PORTUGAL E OS ESTRANGEIROS ,  Lisboa: Livraria A. M. Pereira, Imprensa Nacional, 1879-1895. 5 volumes.  In...