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quarta-feira, outubro 21, 2009

Poesia Experimental - Cadernos e Catálogos

Para os amantes da Poesia Experimental poderão consultar o seguinte site: http://po-ex.net/.
Site este que disponibiliza informações sobre o chamado Movimento da Poesia Experimental, bem como referências a três autores madeirenses: António Aragão, Herberto Hélder e Silvestre Pestana.

quarta-feira, março 25, 2009

«António Aragão» - Vicente Jorge Silva

A doença mantinha-o há longos anos retido em casa, à espera de uma morte anunciada que esta semana chegou. Já pouca gente se lembrava dele e o seu nome já não diria nada às gerações mais novas. Para outros, como eu, António Aragão foi aquele amigo mais velho que participou desde o início na aventura do Comércio do Funchal (CF), onde escreveu crónicas deliciosas, de um humor ácido e penetrante, sobre o quotidiano madeirense de há quatro décadas. Homem de muitos ofícios e curiosidades intelectuais, cultivava o fascínio das vanguardas estéticas e do experimentalismo poético, mas nunca conseguiu libertar-se das suas raízes. E a essa fixação se deve, afinal, o melhor que nos deixou e cujo imaginário transparece num romance muito marcado pela influência de Clarice Lispector: Um Buraco na Boca. Além disso, Aragão projectou um olhar novo sobre a história do Funchal e participou com Artur Andrade (outro amigo saudoso dos tempos do CF) numa recolha inédita da música tradicional e popular da Madeira, trabalho que salvou do esquecimento um património precioso e permitiu a sua recuperação por novos grupos musicais (único movimento marcante que sobrevive no deserto cultural madeirense da actualidade).
publicado a 15 August 08 08:00 AM

«António Aragão: o génio não morreu» - António Jorge Pinto

Pintor, escultor, historiador, investigador, escritor e poeta, António Aragão foi dos vultos maiores da cultura portuguesa, na última metade do século passado até aos dias da sua morte física, acontecida há pouco mais de uma semana.
Madeirense, nascido em S. Vicente em 1921, cedo quebrou as barreiras do isolamento geográfico para alcandorar-se aos palcos académicos e depois ganhar, com elevado mérito, estética, arte e técnica, um lugar de vanguarda na cultura portuguesa.Homem de criatividade rica, irrequieto, polémico, inconformado, por vezes excêntrico até, deixou a sua marca pessoal indelével por onde passou. Era difícil não dar por ele quando metia mãos à obra, quer fosse na investigação da história e da etnografia, quer quando esculpia, pintava ou escrevia. A proporção do acervo que legou a Portugal, e em particular à Madeira, é muito mais rico, em quantidade e qualidade, do que o reconhecimento e merecimento que devia ter recebido da Região e do país. Desse ponto de vista, ainda está por fazer-se a verdadeira homenagem a António Aragão.António Aragão nasceu na Madeira, em S. Vicente, a 22 de Julho de 1921. Faleceu no Funchal a 11 de Agosto de 2008. Licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e em Biblioteconomia e Arquivismo pela Universidade de Coimbra. Estudou Etnografia e Museologia em Paris, sob a orientação do Director do Conselho Internacional de Museus da UNESCO. Cursou no Instituto Central de Restauro de Roma, onde se especializou em restauro de obras de Arte e estagiou no laboratório de restauro do Vaticano. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris e Roma.Foi director do Arquivo Distrital do Funchal, hoje Arquivo Regional da Madeira.Como investigador da História da Madeira, publicou: Os Pelourinhos da Madeira. Funchal. 1959; O Museu da Quinta das Cruzes. Funchal, 1970; Para a História do Funchal - Pequenos passos da sua memória. Fx. 1979; A Madeira vista por estrangeiros, 1455-1700. Funchal. 1981; As armas da cidade do Funchal no curso da sua história. Funchal. 1984; Para a história do Funchal - 2ª Edição revista e aumentada. Funchal. 1987; O espírito do lugar. A cidade do Funchal. Lisboa. 1992.Dos estudos realizados destaca-se as escavações no lugar do Aeroporto, onde se erguia antes o Convento quinhentista de Nª Sra da Piedade, Santa Cruz, 1961.Das escavações feitas resultou o levantamento da planta geral deste Convento Franciscano e o estudo das suas características tipológicas, além da exumação de variado espólio, do qual se destaca grande diversidade de padrões de azulejaria hispano-mourisca ou mudéjar, proveniente do Sul de Espanha, e também múltiplos exemplares de azulejaria portuguesa seiscentista e de setecentos, assim como elementos primitivos em cantaria lavrada – portais do convento, janelas, arco triunfal da igreja, condutas de águas, lajes tumulares, pavimentos, hoje depositado nos jardins da Qta Revoredo, Casa da Cultura de Sta Cruz,Todos os trabalhos foram devidamente documentados com plantas rigorosas, desenhos e fotografias. Este trabalho encomendado pela Junta Geral do Distrito do Funchal foi entregue nesta Instituição e, por sua vez, na época, depositado, em parte, no Museu Quinta das Cruzes.Na área da etnografia efectuou recolhas ao nível da música tradicional da Madeira e do Porto Santo, em 1973, em co-autoria com o professor e músico Artur Andrade, com divulgação em 2 discos L.P.,em 1984.Na área da literatura participou em acções colectivas, antologias, e outras manifestações significativas: Poesia experimental, 1964 e 1965. (revista de que é co-fundador); Visopoemas, 1965; Ortofonias (com E.M. Melo e Castro), 1965; Operação I. 1967; Hidra I. 1968; Hidra 2. 1969; Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa. 1971; Antologia da Poesia Concreta em Portugal. 1973; Antologia da Poesia Visual Europeia. 1976; Antologia da Poesia Portuguesa. 1940-1977. 1979; Antologia da Poesia Surrealista em Portugal; OVO/POVO. 1978. Lisboa e 1980, Coimbra; PO.EX. 80. Galeria Nacional de Arte Moderna, Lisboa, 1980 e 1981; Filigrama. (Revista de expansão internacional). Co-fundador. 1981, Funchal; Líricas portuguesas. Antologia. 1983; Poemografias. 1985; I Festival Internacional Poesia Viva. 1987, Figueira da Foz; Poesia: outras escritas, Novos suportes. 1988, Setúbal; Electroarte. Vala Comum. Lisboa. 1994.A nível internacional realça-se a sua participação em Sevilha, 1980; em 1982, Itália e Brasil; 1983, Cuenca; 1984, Comuna de Milão, Itália; 1984, São Francisco, U.S. A. e Bacelona; 1985, Israel e New York; 1986, México e Sevilha; 1987, México e França; 1989, Itália e Paris; 1990, Siegen, Alemanha, México e Washington. U.S.A.; e 1992, Madrid.Colaborou em diversas manifestações de Mail-Art and Exchange, divulgando os seus trabalhos em revistas da especialidade.Escreveu no Comércio do Funchal; Línea Sud. Nápoles; Letras e Artes. Lisboa; Express; Colóquio-Artes/Fundação C. Gulbenkian; Diário de Notícias, Lisboa; Comercio do Porto; Espaço Arte. I.S.A.P.M. e DN-Funchal;Na ficção destaque para: Romance de Izmorfismo, 1964; Um buraco na boca, 1971; Os 3 Farros (com Alberto Pimenta), 1984; Textos do Apocalipse, 1992.Na área da poesia referência para: Poema primeiro, 1962; Folhema I e Folhema 2, 1966; Mais excta mente p(r)o(bl)emas, 1968; Poema azul e branco, 1971. Os Bancos, 1975; Poesia espacial POVO/OVO (áudio-visual), 1977; Matenemas, 1981; Pátria, Couves, Deus, etc, 1982; Joyciaba. In Joycina, 1982.Para teatro escreveu o Desastre NU, em 1980, que foi Prémio Nacional.Como artista plástico destacou-se tanto na pintura como na escultura. Na área da escultura realce para a Santa Ana, em cantaria rija, na Câmara Municipal de Santana, 1959; o Padrão / monumento alusivo ao V centenário da morte do Infante D. Henrique (vulgo “Pau de Sabão”), escultura em cantaria rija, integrada no projecto do arquitecto Chorão Ramalho, Porto Santo, 1960; Baixos–relevos, 2 painéis em cerâmica policroma, alusivos á faina marítima e à actividade agrícola. Mercado Municipal de Santa Cruz. 1962.Na área da pintura tornou-se conhecido desde a década de 40, pelas diversas temáticas abordadas e exploração de técnicas diferenciadas. Realizou várias exposições em Portugal (Galeria Divulgação, Quadrante, Galeria III, Galeria Diferença, Fundação Calouste Gubenkian – II Exposição de Pintura Portuguesa) e no estrangeiro – Espanha (Madrid, Sevilha, Barcelona); México, França (Paris); Itália (Roma e Turim) encontrando-se representado em colecções particulares e oficiais em vários países.As últimas duas exposições individuais de António Aragão foram realizadas na Madeira, ambas comissariadas por António RodriguesA primeira, em Abril de 1996, na Casa da Cultura de Santa Cruz, integrou 16 dos últimos quadros concebidos pelo artista na sua galeria “Vala Comum”, em Lisboa, e uma selecção retrospectiva de 13 trabalhos, em diferentes técnicas, realizados nas décadas de 50 e 60 do Sáculo XX.A segunda, Exposição Retrospectiva organização do Cine-Forum do Funchal, teve lugar na “Casa da Luz”, no Funchal.António Aragão concretizou um projecto artístico contemporâneo baseado em novas tecnologias, numa casa que lhe pertenceu, situada à Rua do Meio à Lapa, 75-A r/c, em Lisboa. O projecto enquadrava uma “associação de educação popular” denominada “ARA-VALA COMUM”. Concessão do MECENATO pela Secretaria de Estado da Cultura.

ANTÓNIO JORGE PINTO"in" Tribuna da Madeira(Edição n.º 463, de 22/8 a 28/8)
Este artigo está disponível no seguinte blogue:

«António Aragão» - Blog da BMF

http://bmfunchal.blogs.sapo.pt/23982.html

terça-feira, março 24, 2009

«António Aragão» - Nelson Veríssimo

Nasceu em S. Vicente, Madeira, a 22 de Setembro de 1921.

Morreu no Funchal, em 11 de Agosto de 2008.

Vai não com mãos de fadas
a bailar quimeras…
Que outra voz
te anime o leme;
que outra vela
te guarde a saudade.

António Aragão, Arquipélago, Funchal, 1952, p. 15.

Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Lisboa.
Historiador, poeta, romancista, contista, dramaturgo e pintor.
Antigo director do Arquivo Distrital do Funchal (Arquivo Regional da Madeira).

Preservação do Património Cultural: um alerta de 1979 repetido em 1987

E se a cidade do Funchal é vítima impotente duma espécie de destruição sistemática, que devemos dizer também do que se passa em toda a Madeira? Realmente, se o património urbano do Funchal posterior à época manuelina (séculos XVII e XVIII – cidade do vinho), já profundamente delapidado, caminha para uma breve extinção, outro tanto devemos apregoar quanto às construções tradicionais da Madeira e Porto Santo, as quais constituem as peças mais valiosas do património rural insular e que nos nossos dias rapidamente estão morrendo por toda a parte.

Qualquer dia nada resta. Consumou-se um crime. Aliás um duplo crime. Matou-se uma cultura e, conjuntamente, o homem que a concebeu e viveu – esse homem europeu que, numa agigantada ocasião da sua história, levantou a primeira cidade portuguesa fora da Europa, nas distanciadas paragens do Mar Atlântico.

Para a História do Funchal, Funchal, 1987, p. 284.

OBRAS PRINCIPAIS

HISTÓRIA
Pelourinhos da Madeira, Funchal, 1959.
O Museu da Quinta das Cruzes, Funchal, 1970.
Para a História do Funchal: pequenos passos da sua memória, Funchal, 1979.
A Madeira vista por estrangeiros. Funchal, 1981.
As armas da cidade do Funchal no curso da sua História, Funchal, 1984
Para a História do Funchal, Funchal, 1987 (2.ª ed.).
O espírito do lugar: a cidade do Funchal, Lisboa, 1992.

Lançou, em 1972, a Série Documental do boletim Arquivo Histórico da Madeira, editado pelo Arquivo Distrital do Funchal, a fim de divulgar fontes para a história da Madeira.

LITERATURA
Poema primeiro, Covilhã, 1962.
Romance de Iza Morfismo, Lisboa, 1964.
Folhema 1, Funchal, 1966.
Folhema 2, Funchal, 1966.
Mais exacta mente p(r)o(bl)emas, Funchal, 1968.
Poema azul e branco, Funchal, 1970.
Poema vermelho e branco, Funchal, 1971.
um buraco na boca: romance, Funchal, 1971.
Os Bancos, Setúbal, 1975.
Metanemas, Funchal, 1981.
Desastre nu: peça em quatro episódios, Lisboa, 1981 (2.º Prémio do Concurso de Peças de Teatro Inéditas – 1980, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura).
Pátria, Couves, Deus, etc., Lisboa, 1982.
Textos do Abocalipse, Lisboa, 1992.

Em 1956, organizou o caderno literário, Búzio, onde colaboraram Edmundo Bettencourt, David Mourão-Ferreira, Eurico de Sousa, Esther de Lemos, Herberto Helder, Jorge Sumares e J. Escada, além do próprio António Aragão.

ANTOLOGIAS

Arquipélago, Funchal, 1952.
Musa Insular (poetas da Madeira) / Luís Marino, Funchal, 1959.
Antologia da poesia concreta / José Alberto Marques e E. M. de Melo e Castro, Lisboa, 1973.
O Natal na voz dos poetas madeirenses / José António Gonçalves, Funchal, 1989.
Narrativa Literária de Autores da Madeira do Século XX: antologia / selecção de textos, prefácio e notas de Nelson Veríssimo, Funchal: DRAC, 1990.
Narrativas contemporâneas da Madeira. Récits contemporains de Madère / selecção de textos, choix des textes, Thierry Proença dos Santos, Funchal, 1997.
Contos Madeirenses / org. e nota introdutória de Nelson Veríssimo, Porto: Campo das Letras, 2005.

ETNOGRAFIA
As recolhas de António Aragão e Artur Andrade, com a colaboração de Jorge Valdemar Guerra e Luís Alberto Silva, nos anos de 1972 e 1973, deram origem a diversos discos editados pela DRAC (duplo LP em 1982) ou com o apoio deste departamento governamental (seis CD, 1996 e 1998). Constituem, sem dúvida, significativos contributos para o estudo da cultura popular tradicional madeirense.

Procedeu também a levantamentos de moinhos do Porto Santo e de espécimes da arquitectura tradicional madeirense.

BIBLIOGRAFIA PASSIVA
DIONÍSIO, F. P. (1997). O experimentalismo em António Aragão. Islenha, n.º 20, Funchal, pp. 12-20

Nota do blogue: O nome completo deste autor era António Manuel de Sousa Aragão Mendes Correia.

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