quarta-feira, março 25, 2009

«António Aragão» - Vicente Jorge Silva

A doença mantinha-o há longos anos retido em casa, à espera de uma morte anunciada que esta semana chegou. Já pouca gente se lembrava dele e o seu nome já não diria nada às gerações mais novas. Para outros, como eu, António Aragão foi aquele amigo mais velho que participou desde o início na aventura do Comércio do Funchal (CF), onde escreveu crónicas deliciosas, de um humor ácido e penetrante, sobre o quotidiano madeirense de há quatro décadas. Homem de muitos ofícios e curiosidades intelectuais, cultivava o fascínio das vanguardas estéticas e do experimentalismo poético, mas nunca conseguiu libertar-se das suas raízes. E a essa fixação se deve, afinal, o melhor que nos deixou e cujo imaginário transparece num romance muito marcado pela influência de Clarice Lispector: Um Buraco na Boca. Além disso, Aragão projectou um olhar novo sobre a história do Funchal e participou com Artur Andrade (outro amigo saudoso dos tempos do CF) numa recolha inédita da música tradicional e popular da Madeira, trabalho que salvou do esquecimento um património precioso e permitiu a sua recuperação por novos grupos musicais (único movimento marcante que sobrevive no deserto cultural madeirense da actualidade).
publicado a 15 August 08 08:00 AM

PRINCIPIOS DE GRAMMATICA PORTUGUEZA - Francisco de Andrade

Andrade , Francisco de - PRINCIPIOS DE GRAMMATICA PORTUGUEZA ,  Funchal: Typographia Nacional, 1844. https://archive.org/stream/pri...