Mostrar mensagens com a etiqueta Biografias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Biografias. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, junho 03, 2014

Marck Anahory Athias (1875-1946) - Isabel Amaral (Ciência em Portugal)

Marck Anahory Athias (1875-1946)
Marck Athias, de ascendência judaica, nasceu no Funchal, a 11 de Dezembro de 1875. Concluiu o curso de Medicina na Faculdade de Medicina de Paris, em 1897, onde teve oportunidade de privar com histologistas e fisiologistas de renome internacional, entre os quais se contava Mathias Duval, discípulo de Santiago Ramón Y Cajal, Prémio Nobel da Medicina e Fisiologia de 1906. Foi muito influenciado pelas ideias e pelos trabalhos de histofisiologia nervosa de Santiago Ramón y Cajal, que na época geraram grandes controvérsias.
Marck Athias chegou a Lisboa em 1897, e foi acolhido por Miguel Bombarda que com ele partilhava a defesa da teoria do neurónio de Cajal. Logo que iniciou a sua actividade científica em Portugal, foi congregando em torno de si jovens interessados em prosseguir uma carreira científica. Unidos por um ideal comum de universidade e de investigação científica, constituíram um grupo coeso e com identidade própria, ficando indelevelmente ligados à "geração de 1911".
A actividade de investigação de Athias foi-se diversificando por diferentes instituições: o Hospital de Rilhafoles, o Instituto Bacteriológico Câmara Pestana, o Instituto Pasteur de Lisboa, a Escola Médico-Cirúrgica, o Instituto de Fisiologia da Faculdade de Medicina de Lisboa, o Instituto de Investigação Científica Bento da Rocha Cabral, e, o Instituto Português de Oncologia.
Athias deixou uma obra de 138 publicações, que incluem biografias científicas (D. Carlos I, Miguel Bombarda, Fernando Matoso Santos, A. Laveran, Santiago Ramón y Cajal, Albert Dustin, Max Askanazy, Henrique Parreira e Carlos França); textos didácticos escritos para os alunos da Faculdade de Medicina (os guias dos trabalhos práticos de fisiologia, e os exercícios de química fisiológica); artigos de divulgação, relatórios de viagens ao estrangeiro ou das instituições em que trabalhou ou dirigiu e, artigos científicos.
Gráfico 1.1 - As publicações de Marck Athias efectuadas entre 1895 e 1946


No conjunto dos 35 artigos de divulgação, que constituem a segunda maior percentagem de publicações, estão incluídos vários tipos de trabalhos: relatórios de viagens científicas e de actividade desenvolvida nalgumas instituições; trabalhos de estudo prévio sobre o cancro e o seu combate, e, as conferências de âmbito científico, que realizou no Instituto Rocha Cabral, constituídas por sínteses temáticas, dirigidas a um público especializado mas diversificado nos seus interesses de ensino e investigação.
Os artigos científicos, aqueles que representam a maior contribuição de Athias, distribuem-se pelas áreas segundo as quais orientou a sua escola de investigação, a histologia, a histofisiologia, a histopatologia, a fisiologia e química fisiológica. O programa de investigação desenvolvido pela escola de Marck Athias iniciou-se pela histofisiologia nervosa, em 1897, área na qual Athias fizera as primeiras contribuições científicas em 1895, e prolongou-se até 1915. Esta área alargou-se para abranger a histofisiologia geral a partir de 1905 e diversificou-se para a fisiologia e a química fisiológica, a partir de 1911, e a histopatologia a partir de 1923. Pode afirmar-se que os métodos e técnicas da histofisiologia, “migraram para novas áreas de ignorância” das quais se destaca endocrinologia. Podemos assim dizer que o programa da escola de investigação de Athias operou duas mudanças importantes: primeiro consolidou na investigação fisiológica portuguesa uma abordagem ao nível da célula e não somente ao nível do órgão; com a química fisiológica anunciou a transição do nível celular para o molecular, no âmbito da fisiologia.
Marck Athias e os seus discípulos defenderam um conjunto de ideais, alguns deles de inspiração positivista, característicos do ideário republicano e advogaram um modelo de universidade e de investigação científica inspirado na reforma universitária germânica, iniciada em Berlin em 1809. Os discípulos de Athias, particularmente Celestino da Costa e Ferreira de Mira, ecoaram através dos seus escritos doutrinários os debates sobre estas questões ocorridos na Europa e, muito especialmente em França, entre 1870 e a I Guerra Mundial. Para além de defenderem uma prática universitária baseada na pesquisa, na qual a escola de investigação era uma peça fundamental, defenderam ainda a divulgação e a propaganda científicas na sociedade em geral, a promoção da cultura científica entre os investigadores por forma a contrabalançar a excessiva especialização, o intercâmbio científico entre pessoas e instituições, e, finalmente, a criação de sociedades científicas e de publicações especializadas. Neste capítulo, Athias envolveu-se na criação de duas sociedades científicas vocacionadas para as ciências biomédicas, de pendor experimental. Em 1907 fundou juntamente com A. Celestino da Costa e Abel Salazar a Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, e, em 1920, a Sociedade Portuguesa de Biologia. Para além disso, controlou a actividade editorial destas sociedades, nomeadamente, as correspondentes revistas, cujo objectivo visava, por um lado, difundir a sua produção científica, por outro, controlar a produção científica nacional nas áreas de influência da escola. Foi precisamente através destes canais de difusão do conhecimento que Marck Athias e a sua escola não só internacionalizaram a medicina portuguesa durante a primeira metade do séc. XX, como também criaram na comunidade científica local a necessidade de uma produção científica original e regular, orientada por padrões internacionais.
A escola de Marck Athias não se extinguiu pois com o desaparecimento do mestre. Nomeadamente, as novas áreas disciplinares originadas pelo desenvolvimento do seu programa de investigação tiveram continuidade pela mão dos seus discípulos, como sejam, a histopatologia oncológica, a endocrinologia e a química fisiológica. Neste contexto se entende a importância que Athias teve na contextualização da medicina experimental portuguesa na primeira metade do século XX, na senda de uma maior cientificidade desta área do conhecimento humano.


Isabel Amaral

Bibliografia
Alves, M. V., 1911 – O Ensino Médico em Lisboa no Início do Século, Sete Artistas Contemporâneos Evocam a Geração Médica de 1911, (Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1999).
Amaral, I., As escolas de Investigação de Marck Athias e de Kurt Jacobsohn e a Emergência da Bioquímica em Portugal, (Dissertação de Doutoramento, Lisboa, 2001)
Athias, M., O Cinquentenário da Teoria do Neurónio, (Lisboa, Imprensa Lucas, 1941).
Bettencourt, J. M., Miscelanea, (Lisboa, Faculdade de Medicina, 2000).
Celestino da Costa, A., “A Vida e Obra Científica de Marck Athias,” Arquivo de Anatomia e Antropologia, 26, (1948), 144-227.
Ferreira de Mira, “Athias e a Investigação Científica,” Clínica Higiene e Hidrologia, 13, (1947), 269-270.
Guimarães, J. A., “A Personalidade do Professor Marck Athias,” Clínica, Higiene e Hidrologia, 13 (1947), 266-273. Rico, T., “Mark Athias,” Arquivo de Patologia, 21, (1949), 117-140.

Adaptado de:

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Vida de Gomes Freyre de Andrada (...) - Domingos Teixeira (1724)


Teixeira, Domingos - Vida de Gomes Freyre de Andrada, general da Artelharia do reyno do Algarve governador, e capitaõ general do Maranhaõ, Parà, e Rio das Amazonas no estado do Brasil, Primeira Parte, Lisboa Occidental:  na Officina da Musica, 1724.
http://www.archive.org/details/vidadegomesfreyr00teix


Teixeira, Domingos - Vida de Gomes Freyre de Andrada, general da Artelharia do reyno do Algarve governador, e capitaõ general do Maranhaõ, Parà, e Rio das Amazonas no estado do Brasil, Segunda Parte, Lisboa Occidental: Officina de Pedrozo Galram, 1724.
http://www.archive.org/details/vidadegomesfreyr01teix

terça-feira, abril 05, 2011

Acúrsio das Neves (1766-1834) - Instituto Camões (2004)

Frontispício da Memória sobre os Meios de Melhorar a Indústria Portuguesa, de 1820.


Acúrsio das Neves (1766-1834)

José Acúrsio das Neves nasceu em 14 de Dezembro de 1766, em Cavaleiros de Basto, concelho de Fajão, distrito de Coimbra. Em 1782 matriculou-se na Faculdade de Leis da Universidade de Coimbra, tendo concluído o curso em 1787. Iniciou então uma carreira na magistratura. Em 1794 publicou a sua primeira obra, um elogio ao presidente do tribunal da Mesa do Desembargo do Paço, Luís de Vasconcelos. Em 1795 foi enviado para a cidade de Angra, como Juiz de Fora, de 1795 a 1799 e depois como Corregedor, de 1799 a 1802.
Após ter terminado as suas funções de corregedor nos Açores, casou com Delfina Maria das Neves, uma senhora rica e viúva de um seu tio. Regressou ao continente em 1807, tendo assistido em Lisboa à partida da corte para o Brasil, na altura da primeira vaga de invasões francesas. Quando se formou a Junta Provisória do Porto retirou-se para a Beira, onde iniciou a redacção de 12 opúsculos, que viria a intitular de Obras Patrióticas, destinados a promover a reacção das populações contra os invasores.
Em 1810 foi nomeado por D. João VI para Desembargador da Relação do Porto, ocupando ainda o lugar de Deputado e Secretário da Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação, de Deputado da direcção da Real Fábrica de Sedas e Obra das Águas Livres, e Deputado da Junta de Liquidação dos Fundos da Extinta Companhia do Pará e Maranhão. Foi entretanto agraciado com as Ordens de Cristo e de Nossa Senhora da Conceição. Publicou a sua primeira grande obra, a História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal, e da Restauração deste Reino (5 volumes) em 1810 e 1811. A partir de 1814 começou a publicar Variedades sobre objectos relativos às artes, comércio e manufacturas, considerados segundo os princípios de Economia Política (2 vols.). No âmbito da Junta do Comércio defendeu, em 1818 e 1820, a utilização da máquina a vapor, procurando contribuir para o melhoramento da estrutura produtiva do país.
Com a revolução liberal de 24 de Agosto de 1820 iniciou um intenso trabalho de luta política e ideológica, publicando diversas obras entre 1821 e 1824. Em 1821 foi demitido dos principais cargos que ocupava. Foi eleito deputado às Cortes de 1822 por Arganil. Na sequência da Vilafrancada (movimento contra-revolucionário desencadeado a 27 de Maio de 1823), foi readmitido na Junta do Comércio, de onde viria a ser demitido de novo em 1824, sendo preso como suspeito de participação na Abrilada (movimento contra-revolucionário desencadeado pelo infante D. Miguel em 29 de Abril de 1824). Em 1826, após a morte de D. João VI, foi readmitido nos seus cargos, publicando os Entretenimentos Cosmológicos, Geográficos e Históricos (1826) e as Noções Históricas, Económicas e Administrativas sobre a produção e manufactura das Sedas em Portugal e particularmente sobre a Real Fábrica do subúrbio do Rato e suas anexas (1827).
Em 1828 viria a ser nomeado Procurador Letrado da Cidade de Lisboa na Junta dos Três Estados, ficando politicamente associado ao governo absolutista de D. Miguel. Publicou a sua última obra em 1830, as Considerações Políticas e Comerciais sobre os Descobrimentos e Possessões dos Portugueses em África e na Ásia. Em 1833, durante a guerra civil entre liberais e absolutistas, que decorreu de 1832 a 1344, abandonou a cidade de Lisboa, devido a um surto de cólera. Passou algum tempo nas Caldas da Rainha, onde redigiu o boletim do exército de D. Miguel. Fixou depois residência em Sarzedo, Arganil, onde viria a morrer em 6 de Maio de 1834, sozinho e abandonado, num palheiro onde se refugiava das perseguições que eram movidas contra os partidários de D. Miguel.

O Pensamento Económico de José Acúrsio das Neves

Acúrsio das Neves foi autor de uma obra vasta e diversificada, tendo escrito textos políticos e históricos, entre os quais se destacam a História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal, e da Restauração Deste Reino (1811) e Cartas de Um Cidadão Português a seus Considadãos sobre Diferentes Objectos de Utilidade Geral e Individual (1822).
Os textos mais importantes dizem respeito à Economia. Acúrsio das Neves era um reformista, que defendia o fortalecimento do aparelho do Estado e a criação de estruturas que permitissem um desenvolvimento apoiado do desenvolvimento da agricultura e da indústria. Apontado normalmente como um absolutista, Acúrsio das Neves foi, na realidade, um apoiante da orientação política de D. Miguel, que tentou recuperar o regime absolutista em Portugal. No entanto, do ponto de vista económico alinhou com as teorias dos economistas liberais seus contemporâneos.
António Almodovar considera que existem duas linhas de força no pensamento de Acúrsio das Neves: a afirmação da necessidade de efectuar reformas de forma a garantir a sobrevivência das sociedades, e a necessidade de impedir que essas reformas tenham custos sociais desnecessários e excessivos. (V. António Almodovar, “O Pensamento Político-Económico de José Acúrsio das Neves. Uma Proposta de Leitura”, in Obras Completas de José Acúrsio das Neves, vol. 1, p. 33)
A indústria é somente quem pode salvar-nos, porque só ela dá a riqueza, base principal da força, e prosperidade dos povos. Mas a indústria não fortifica senão auxiliada por um bom Governo, e em um terreno livre de obstáculos, e convenientemente preparado por meio de instituições sábias, e reformas bem meditadas. A falta destas é a que limita o génio nacional…” (Memória de 1820, p. 7)
Na linha de Adam Smith ((1723-1790), considerava que era necessário estimular a indústria privada, sendo que esta só existiria pelo respeito da propriedade privada. Defendia a necessidade de estimular a actividade económica em geral. Propunha como essencial para que se atingisse esse objectivo a criação de associações literárias e económicas e a criação de bibliotecas públicas. Considerava essencial a divulgação dos conhecimentos científicos, e tecnológicos e considerava que se impunha a criação de sociedades/associações que complementassem a acção teórica da Universidade de Coimbra e da Academia das Ciências. Desta forma promover-se-iam “as aplicações práticas, propagadas de tal modo com os princípios elementares, que penetrem até às aldeias, e aos campos, onde devem ter o exercício.” (Variedades, t. II, 306-307)
Para além de Adam Smith, Acúrsio das Neves seguia os princípios de economia política de Jean-Baptiste Say (1767-1832) e J. - C. L. Sismondi (1773-1842), bem como do português Duarte Ribeiro de Macedo (1618-?).
A sua obra insere-se num esforço de industrialização com sinais bem visíveis entre 1814 e 1823, período em que o número de estabelecimentos industriais quase duplicou, no mesmo momento em que foram introduzidas em Portugal as primeiras máquinas a vapor. Acúrsio das Neves foi o principal doutrinador deste impulso industrial, opondo-se, por um lado, aos que pretendiam reduzir o país a uma economia agrícola (fisiocratas), e por outro, aos mercantilistas, que encaravam a moeda como base da riqueza de uma nação. Defendia a aplicação de um proteccionismo moderado, com a defesa da produção nacional relativamente à concorrência estrangeira, especialmente a inglesa. Defendia ainda a livre circulação de produtos em todo o país, e a abolição dos morgados, melhor repartição da propriedade rural, redução ou eliminação das rendas sobre os agricultores, aproveitamento de terras incultas e investimentos na agricultura. Muitas destas medidas viriam a ser postas em prática pela política de Mouzinho da Silveira (1780-1849) em 1832.
Defendia a criação de aulas de Economia Política, maior liberdade de imprensa, e a regulação das rendas do Estado. Esta última vertente implicava, na sua perspectiva, a protecção das fontes tradicionais de rendimentos do Estado e o seu desenvolvimento, e ainda a criação de novas fontes de rendimento, através da criação e desenvolvimento apoiado de um conjunto de actividades, desenvolvidas por indivíduos oriundos das várias ordens, sem quaisquer privilégios, e por isso tributáveis.
A criação de um Estado moderno, implicava que os seus funcionários tivessem uma formação adequada, conhecendo bem os princípios da Economia Política.
Ainda segundo Almodovar, o pensamento económico de Acúrsio das Neves e dos reformistas distingue-se tanto dos liberais como dos tradicionalistas:
para os primeiros, a sociedade civil economicamente «liberalizada» é uma necessidade decorrente das necessidades do Estado; para os segundos, o Estado é uma necessidade decorrente das necessidades da sociedade civil, pelo que só controlando e «liberalizando» o Estado podem atingir o seu objectivo basilar de liberalizar a sociedade civil; para os terceiros, a questão fundamental era a de evitar a todo o custo a separação entre o Estado e a sociedade civil, procurando para tal dissolver esse Estado de novo nas ordens, nos seus privilégios e nas suas hierarquias.” (Almodovar, pp. 44-45)
José Tengarrinha afirma que “José Acúrsio das Neves pode considerar-se um dos mais lúcidos espíritos da nossa primeira metade do século XIX e, sem dúvida, uma das maiores figuras do pensamento económico em Portugal.”

Publicações
Textos sobre Economia
  • Memória Económico-Política sobre a liberdade do Comércio dos grãos com a sua aplicação às Ilhas dos Açores, manuscrito de 1800, publicado em 1941.
  • Variedades sobre objectos relativos às artes, comércio e manufacturas consideradas segundo os princípios da economia política, Lisboa, 1814, 1817, 2 tomos.
  • Memória sobre os meios de melhorar a Indústria Portuguesa, considerada nos seus diferentes ramos, 1820.
  • Memória sobre alguns acontecimentos mais notáveis da administração da Real Fábrica das Sedas desde o ano de 1810, e sobre o seu restabelecimento. Dirigida à Corte do Rio de Janeiro em 1819, Lisboa, 1821.
  • Noções Históricas, Económicas e Administrativas sobre a produção e manufactura das Sedas em Portugal, e particularmente sobre a Real Fábrica do Subúrbio do Rato, e suas Anexas, 1827.  
  • Considerações Políticas e Comerciais sobre os Descobrimentos e Possessões na África e na Ásia, 1830.
Textos Históricos e Políticos
  • Ao ILL.mo E Ex.mo Senhor Luís de Vasconcelos e Sousa, do Conselho de Sua Majestade e Presidente do Desembargo do Paço em sinal de gratidão O. D. C.. 1794.
  • Manifesto da Razão contra as usurpações francesas oferecido à Nação Portuguesa, aos Soberanos e aos Povos, 1808.
  • A Voz do Patriotismo na Restauração de Portugal e Espanha, 1808.
  • O Despertador dos Soberanos e dos Povos, 1808.
  • Post-Scriptum ao Despertador dos Soberanos e dos Povos, 1809.
  • Reflexões sobre a Invasão dos Franceses em Portugal, 1809.  
  • A Salvação da Pátria. Proclamação sobre a sua honra e o seu dever nas actuais circunstâncias da Monarquia, 1809.
  • Observações sobre os recentes acontecimentos das Províncias de Entre-Douro-e-Minho e Trás-os-Montes, 1809.
  • A Generosidade de Jorge III e a ambição de Bonaparte. Wellesley e os Generais Franceses, 1809.  
  • Discurso sobre os principais sucessos da Campanha do Douro oferecido aos ilustres guerreiros que nela se distinguiram, 1809.  
  • Paráfrase ao Capítulo XIV do Livro de Isaías, 1809.  
  • História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal, e da Restauração deste Reino, 1810-1811, 5 vols.
  • Elogio Fúnebre do Marquês de La Romana, D. Pedro Caro de Sureda, recitado na Assembleia Ordinária da Academia Real das Ciências de Lisboa de 23 de Fevereiro de 1811, 1811.  
  • Cartas de um Português aos seus concidadãos sobre diferentes objectos de utilidade geral e individual, 1822.  
  • Manifesto em que o Desembargador José Acúrsio das Neves expõe e analisa os procedimentos contra ele praticados pelos ex-regentes do Reino, e os seus fundamentos, 1822.
  • Entretenimentos Cosmológicos, Geográficos e Históricos, 1826.
Todos estes textos estão incluídos em Obras Completas de José Acúrsio das Neves, estudos introdutórios de António Almodovar e Armando de Castro, Porto, Afrontamento, 6 volumes.

Bibliografia
  • ALMODOVAR, António, “O pensamento Político-Económico de José Acúrsio das Neves: Uma Proposta de Leitura”, in Obras Completas de José Acúrsio das Neves, Porto, Ed. Afrontamento, Vol. I, pp. 15-60.
  • ALMODOVAR, António, “Acúrsio das Neves e a Penetração da Economia em Portugal”, in Obras Completas de José Acúrsio das Neves, Porto, Ed. Afrontamento, Vol. III, pp. 81-110.
  • ALMODOVAR, António, “Acúrsio das Neves: Um Pensamento e o seu Contexto”, in Obras Completas de José Acúrsio das Neves, Porto, Ed. Afrontamento, Vol. VI, pp. 7-25.
  • AMZALAK, Moses Bensabat, A Economia Política em Portugal – O Economista José Acúrsio das Neves. I – Bio-bibliografia, Lisboa, 1920.
  • AMZALAK, Moses Bensabat, A Economia Política em Portugal – O Economista José Acúrsio das Neves. II – Doutrinas Económicas, Lisboa, 1921.  
  • CASTRO, Armando, “José Acúrsio das Neves, um doutrinador da sua época historicamente atrasado”, in Obras Completas de José Acúrsio das Neves, Porto, Ed. Afrontamento, Vol. 1, pp. 61-136.
  • CASTRO, Armando, “O Sistema Económico Conceitual de José Acúrsio das Neves”, in Obras Completas de José Acúrsio das Neves, Porto, Ed. Afrontamento, Vol. III, pp. 5-79.
  • LARANJO, José Frederico, Economistas Portugueses, Subsídios para a história das doutrinas económicas em Portugal, Lisboa, Guimarães Eds., 1976 (reedição do texto original de 1881-1884).
  • LOUREIRO, Fernando Pinto, Vida e Ideias Económicas de José Acúrsio das Neves, primeiro grande defensor da indústria moderna em Portugal (1766-1834), Lisboa, 1957.
  • Obras Completas de José Acúrsio das Neves, Porto, Ed. Afrontamento, s. d., 6 volumes.
  • PEDREIRA, Jorge Miguel, “Neves, José Acúrsio das”, PEREIRA, José Costa (coord.), Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, Lisboa, Alfa, 1990, Vol. II.  
  • TENGARRINHA, José, “Neves, José Acúrsio das (1766-1834)”, in Serrão, Joel (dir.), Dicionário de História de Portugal, Porto, Figueireinhas, 1981, vol. IV.
Adaptado de: http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p45.html

sábado, abril 02, 2011

The sea fathers: a series of lives of great navigators of former times - Clements R. Markham (1884)


Markham, Clements R. (Clements Robert) - The sea fathers: a series of lives of great navigators of former times, London : Cassell & Company, Limited., 1884.
http://www.archive.org/details/seafathersseries00mark
 
Algumas breves referências à Madeira e a navegadores portugueses.

quarta-feira, março 23, 2011

Manuel Gregório Pestana Júnior - in Secretaria Geral Ministério das Finanças)

MANUEL GREGÓRIO PESTANA JÚNIOR

Manuel Gregório Pestana Júnior nasceu em Porto Santo, a 16 de Agosto de 1886, e aí veio a falecer, a 19 de Agosto de 1969.
Era filho de Manuel Gregório Pestana, proprietário, e de Maria Carolina de Andrade Pestana.
Começou os estudos secundários no Funchal e veio a completá-los, entre 1899 e 1905, no Colégio Jesuíta de Campolide, em Lisboa. Na última dessas datas, matricula-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e aí conclui, em 1910, o respectivo bacharelato, vindo a seguir a carreira profissional de advogado,
embora tivesse também desempenhado cargos na magistratura, como o de juiz de direito doFunchal, em 1916.
Filiado, desde bem cedo, no Partido Republicano Português, manifesta as suas simpatias políticas nos tempos em que frequentou a Universidade, quando participa no greve académica de 1907, de que resultou ser julgado e absolvido.
É, aliás, em Coimbra, na loja “Revolta”, que se iniciará, em 1913, na Maçonaria, recebendo o apodo de Bakunine.
Com o advento da República, assume, logo em 1910, o lugar de administrador do concelho do Funchal, em cujo exercício se demora até 1913, momento em que regressa ao parlamento (em 1911, fora eleito deputado à Assembleia Constituinte pelo círculo do Funchal), mas, desta vez, tomando o respectivo assento até 1917, sem interrupções.
Não seriam os seus últimos mandatos como deputado, uma vez que voltou a ser eleito entre 1922 e 1926, pelo círculo de Lisboa.
Entretanto, no biénio de 1924-1925, desempenhou o lugar de ministro das Finanças (de 22 de Novembro daquele ano a 15 de Fevereiro seguinte) e integrou a vereação da Câmara Municipal de Lisboa, além de ter
dissidido para a Esquerda Democrática (em meados de 1925), onde, à semelhança do que tinha acontecido no seu anterior partido, vem a ser membro do respectivo Directório.
Desfechada a Ditadura Militar em 28 de Maio de 1926, volta a fixar residência no Funchal e a exercer advocacia, tal como nos primeiros tempos pós-universitários, vindo a ser, em 1945, presidente da delegação funchalense da Ordem dos Advogados.
Proprietário e director do jornal O Radical (órgão do Partido Republicano Português na Madeira, entre 1912 e 1916), colaborou no Diário de Notícias, n’O Mundo e n’A Luta, entre outros, além de ter sido autor de obras de carácter jurídico e histórico.

In: http://213.58.158.155/NR/rdonlyres/9AF52295-B6B6-4960-BF99-8D59A7F218DF/3093/ManuelGreg%C3%B3rioPestanaJ%C3%BAnior.pdf

Manuel Gregório Pestana Júnior - Wikipedia

Manuel Gregório Pestana Júnior (Porto Santo, 16 de Agosto de 1886 — Porto Santo, 19 de Agosto de 1969) foi um advogado, magistrado, publicista e político republicano madeirense que, entre outras funções, foi deputado e Ministro das Finanças de um dos governos da Primeira República Portuguesa. Teve papel relevante na Revolta da Madeira.

Biografia

Pestana Júnior, nome pelo qual ficou conhecido nas lides políticas, foi filho de Manuel Gregório Pestana, proprietário, e de Maria Carolina de Andrade Pestana, uma família originária da ilha do Porto Santo, onde, alternando com o Funchal, residia por largos períodos.
Fez os seus estudos primários e iniciou os secundários no Funchal, mas, depois de abandonar o Liceu do Funchal, entre 1899 e 1905 foi aluno do Colégio Jesuíta de Campolide, em Lisboa, onde concluiu os estudos secundários.
Em Outubro de 1905 matriculou-se na Universidade de Coimbra, onde se formou em Direito no ano de 1910. Durante a sua estadia em Coimbra aderiu aos ideais republicanos, filiando-se no Partido Republicano Português e participando na Greve Académica de 1907, de que resultou ser julgado e absolvido.
Regressou ao Funchal, cidade onde iniciou a carreira profissional de advogado, mas com o advento da Primeira República Portuguesa a 5 de Outubro de 1910, foi convidado para assumir, logo naquele ano, o lugar de administrador do concelho do Funchal, cargo que exerceu até 1913. Entretanto, em 1911 foi eleito deputado pelo círculo eleitoral do Funchal à Assembleia Constituinte da República, cargo que acumulou com a administração do concelho funchalense.
Em 1913 foi eleito deputado ao Congresso da República, cessando as funções como administrador do concelho e fixando-se em Lisboa. Neste mesmo ano de 1913 foi iniciado na Maçonaria, ingressando na loja Revolta, de Coimbra, com o nome simbólico de Bakunine. Manteve o assento parlamentar, sem interrupções, até 1917.[1]
Entretanto, também desempenhou transitoriamente cargos na magistratura judicial, entre os quais o de juiz de direito do Funchal no ano de 1916.
Voltou a ser eleito deputado, pelo eleitoral de círculo de Lisboa, no ano de 1922, mantendo-se no cargo até ao derrube do regime em 1926.
Integrou o Directório Nacional do Partido Republicano Democrático e desempenho as funções de Ministro das Finanças entre 22 de Novembro de 1924 e 15 de Fevereiro de 1925, no governo presidido por José Domingues dos Santos. Também foi vereador da Câmara Municipal de Lisboa.
Em meados de 1925 integrou o grupo de militantes republicanos que fundaram a Esquerda Democrática, partido do qual viria a ser membro do respectivo Directório Nacional.[2]
Com a queda do regime democrático e a instalação da Ditadura Nacional, consequência da do Golpe de 28 de Maio de 1926, fixou residência no Funchal e reiniciou a sua actividade como advogado. Esteve envolvido na Revolta da Madeira, em Março de 1931.
Em 1945 foi eleito presidente da delegação da Ordem dos Advogados Portugueses no Funchal. Para além de uma vasta obra jornalística e de opinião dispersa por múltiplos periódicos, em especial n’O Radical, jornal fundou e dirigiu e que entre 1912 e 1916 foi o órgão do Partido Republicano Português na Madeira, é autor de obras de carácter jurídico e histórico.

Adaptado de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Greg%C3%B3rio_Pestana_J%C3%BAnior
Foto: http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=182307

sexta-feira, março 18, 2011

In Memorium José Pereira da Costa (1922-2010) - Dr. Alberto Vieira

IN MEMORIAM

José Pereira da Costa (1922-2010)
 
A noticia da morte de alguém com quem partilhamos muitos momentos da nossa actividade profissional é sempre algo que nos toca, mas que não nos deve deixar esmorecer nesta caminhada de valorização do conhecimento e do saber dos espaços insulares. Nesta árdua travessia profissional ao serviço do Centro de Estudos de História do Atlântico fomos por diversas vezes surpreendidos por algumas destas noticias.
Primeiro a 22 de Janeiro de 1992 o falecimento do Prof. Luís de Albuquerque, então Presidente do CEHA,
isto num momento em que na vila de S. Vicente se procedia ao lançamento oficial da minha tese de doutoramento sobre os “Escravos no Arquipélago da Madeira. Séculos XV a XVII”, cuja coordenação científica havia estado a cargo do mesmo e do prof. Manuel Lobo Cabrera.
Depois a 5 de Março de 2008 fomos de novo surpreendidos com a morte de Prof. Joel Serrão, que também apadrinhou esta instituição e foi seu presidente de 1992 a 1996. Agora foi a vez do Dr. Pereira da Costa, com quem tivemos oportunidade de privar por largos anos e cuja acção em prol das ilhas e valorização do mundo insular em muito ficamos devedores.
Para nós madeirenses assume particular significado pelo facto de ter sido Director do então Arquivo Distrital da Madeira, entre 1955 e 1966, lugar que deixou para assumir funções nos Arquivos nacionais onde se manteve até 1989. Depois de aposentado regressou à Madeira, a sua terra de adopção, onde manteve por largos anos uma actividade relevante em termos científicos, na qualidade de investigador e dirigente do CEHA.
Como arquivista, que foi, e que sempre se quis diferenciar dos historiadores, deixou-nos um inestimável trabalho, não só pela sua luta e iniciativa de dar um espaço condigno à memória da nação, como da criação de condições aos investigadores para acesso à documentação. Para a Madeira o seu trabalho, como director do arquivo distrital nas décadas de cinquenta e sessenta do século XX, e depois como investigador e dirigente do CEHA deu provas de grande empenho e dedicação na preservação e divulgação do nosso património documental. Ao ser-viço do CEHA publicou vários estudos e participou em todos os eventos realizados, seja conferências, seminários, colóquios e congressos. A sua presença nestes eventos era notada pela forma cordata como acolhia as novas gerações de investigadores e procurava animar os debates.
Para nós, que tivemos a felicidade de o conhecer pela primeira vez na década de setenta, quando ainda estudante do curso de História na Faculdade de Letras de Lisboa, são gratas e inúmeras as recordações que guardámos do seu convívio. Ainda hoje recordo o primeiro dia em que pela primeira vez tive acesso ao ANTT nas velhas instalações da actual Assembleia da República. O facto de ser madeirense, embora ainda estudante, não passou despercebido e permitiu a nós, como a muitos outros, a simpatia e apoio indispensáveis, para quem como nós dava os primeiros passos na investigação. Depois, recordo na década de oitenta a sua participação sempre activa nas reuniões que mantivemos da Comissão Instaladora do CEHA, e o apoio inequívoco que sempre demonstrou a este projecto.
Penso que a sua memória ficará sempre presente entre muitos os que tiveram oportunidade de privar mais de perto com ele, mas também, de todos aqueles que se cruzaram ao longo da sua vida profissional, na qualidade de arquivista e dirigente.
Para nós resta-nos a nossa gratidão por todo o empenho e aquilo que fez no sentido da afirmação do CEHA, como da Madeira e demais ilhas dos espaços oceânicos. Para a memória dos presentes e vindouros fica a obra expressa em múltiplas acções como inúmeros trabalhos. De certeza que os madeirenses e os
demais ilhéus, “do mundo que o português2, nunca esquecerão e não deixarão de manifestar o seu volumoso apreço pelo facto de ter sido um entre muitos de nós que publicou até hoje o livro mais volumoso e pesado, conhecido como “O Livro das Ilhas”.
A nossa memória e recordação será tão grande como o volume em apreço.
Quanto à sua vasta obra queremos deixar aqui apenas a memória daqueles que publicou sobre a chancela do CEHA.

Trabalhos editados pelo CEHA


• Livros de Contas da Ilha da Madeira, Funchal, 1989,

• Livros de Matrícula do Cabido da Sé do Funchal (15381558), Funchal, 1994,

• Vereações do Funchal do Século XV, Funchal, 1995,

• Vereações do Funchal. Primeira metade do Século XVI//

Vereações do século XVI: Santa Cruz, Funchal, 1998,

• Vereações do Funchal. Segunda Metade do Século XVI, Funchal, 1998,

Trabalhos com participação sua


• Actas do I Colóquio Internacional de História da Madeira, Funchal, 1990,

• Actas do II Colóquio Internacional de História da Madeira, Funchal, 1993,

• Os Vinho Licorosos e a História, Actas do Seminário Internacional, Funchal, 1998,

• O Município no Mundo Português, Actas do Seminário Internacional, Funchal, 1998.

• Documentação e Arquivos Insulares. Actas do Seminário Internacional, Funchal, 1999,

• As Ilhas e o Brasil. Actas do Colóquio Internacional, Funchal, 2000,

• Imigração e Emigração nas Ilhas, Funchal, 2001,

• História dos Municípios: Administração, Eleições e Finanças, Funchal, 2001,

• A Madeira e a História de Portugal, Funchal, 2001,

• ACTAS do III Simpósio da Associação Internacional de História e Civilização da Vinha e do Vinho,

Funchal, 2004,

• Recepção Académica ao Prof. Doutor D. Manuel Lobo Cabrera, Funchal, 2004,

• O Exercício do Poder Municipal na Madeira e Porto Santo na Época Pombalina e Post-Pombalina, Funchal,2004,

• As Cidades do Vinho. II Seminário Internacional de Historia do Vinho, Funchal, 2006,

• História do Municipalismo – Poder Local e Poder Central no Mundo Ibérico Funchal, 2006, tradução

do texto de Alberto Silbert:

• Uma Encruzilhada do Atlântico Madeira (1640-1820) / Un Carefour de L’Atlantique Madère (1640-1820), Funchal, 1997,
 
Para o fim deixamos algumas fotos do álbum ilustrativo do nosso convívio profissional, cientifico e pessoal.
Ver nas páginas seguintes.

Alberto Vieira
(Presidente do CEHA)
adaptado de: http://www.madeira-edu.pt/LinkClick.aspx?fileticket=8BKPblPWv4k%3d&tabid=1413&mid=6067&language=pt-PT

segunda-feira, março 07, 2011

João Cabral do Nascimento - (Revista Olhar - Jornal da Madeira 17 de Novembro de 2007)

João Cabral do Nascimento

Da palavra eu fiz a minha ferramenta

João Cabral do Nascimento nasceu na freguesia da Sé, Funchal, a 22 de Março de 1897, sendo filho de João Crawford do Nascimento e de D. Palmira Alice de Meneses Cabral. Casou com D. Maria Franco, pintora e novelista, de quem teve um filho: Dr. João Crawford de Meneses Cabral, casado com D. Matilde Cabral.
Tirou o curso do Liceu do Funchal, depois do qual se matriculou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se formou em 1926. Poeta, prosador e professor, faleceu em Lisboa a 2 de Março de 1978, tendo-se realizado o funeral no dia 3, de S. Domingos de Benfica para o jazigo de família no cemitério do Alto de S. João.
Bem cedo publica o seu primeiro livro de versos. Em 1916, tinha o poeta dezanove anos, saía a público «As Três Princesas mortas num Palácio em Ruínas», expressando-se «numa linguagem harmoniosa e pura».
Em 1917, em plena Grande Guerra, João Cabral fica a residir na Ilha onde inicia o seu «Descaminho».
Após a assinatura do Armistício vai para Coimbra onde, interessado pela renovação da literatura, publica a folha «Ícaro».
Em 1922 regressa à Madeira, onde, certamente, pouco atraído pelas causas da advocacia dedica-se ao ensino.

Em defesa do património
do Arquipélago

Sai da Ilha em 1937. Mas a Madeira não é esquecida, sendo, prova disso a muita correspondência que manteve sempre com familiares e amigos.
Conviveu em Lisboa com alguns poetas da geração do Orfeu e publicou em 1916 o seu primeiro livro de versos, «As Três Princesas Mortas num Palácio em Ruínas», Lisboa, 1916, a que Fernando Pessoa dedicou uma crítica na revista «Exílio», considerando a obra como integrada no movimento sensacionalista. Em Coimbra, ainda estudante, fundou com outros a revista «Ícaro», na qual colaboraram Eugénio de Castro e Teixeira de Pascoais, e dirigiu o jornal «Restauração». De regresso à Madeira foi professor no Liceu Jaime Moniz, ingressando mais tarde no ensino técnico.
Senhor de uma extraordinária capacidade criativa, investigador e observador perspicaz, salienta-se na defesa do património artístico e cultural da Ilha e enquanto director do Arquivo Distrital do Funchal (1931/1935 begin_of_the_skype_highlighting 1931/1935 end_of_the_skype_highlighting) organiza uma colectânea das Estampas Antigas da Madeira, um catálogo dessas interessantes e valiosas estampas, muitas delas, hoje, já bastante raras, e todas necessárias para o estudo dos costumes, trajes e arquitectura civil e religiosa da Madeira.
Foi o fundador e director do Arquivo Histórico da Madeira. Publicou nove volumes sob a sua direcção, os quais constituem um repositório histórico de grande interesse. Regeu aulas do Curso de Férias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Uma vasta obra
de valor incalculável

Tem colaboração em várias revistas e jornais e fez crítica literária no «Diário Popular». Escreveu e publicou: «Descaminhos», Lisboa, 1926; «Litoral», Funchal, 1932; «Poesias Escolhidas», Lisboa, 1936; «33 Poesias», Lisboa, 1941; «Cancioneiro», Lisboa, 1943; a que foi atribuído o Prémio Antero de Quental; «Confidência», Lisboa, 1945; «Dispersão», 1953; e «Fábulas», 1955.
Em prosa publicou: «Estampas Antigas da Madeira» (6 volumes, direcção e colaboração); «Épica Ultramarina Portuguesa Política Africana de D. Manuel I» (no tomo I das «Memórias e Comunicações do Congresso do Mundo Português»); «Gentes das lhas nas Guerras da Restauração» (Anais Academia da História).
É autor de numerosas traduções, tendo feito, para a Editorial Estúdios Cor, as seguintes: «Ciclone na Jamaica», de Richard Hubles; «A Harpa de Ervos», de Truman Capote, que também prefaciou «O Fim da Noite», de François Mauriac; «Reflexos nuns olhos de Oiro» e «Balada do Café Triste», de Carson Mc. Cullers, e ainda, de parceria com Maria Franco, «A Vida de Dostoievski», de Henry Troyat, e a «Vida de Toulouse Lautrec», de Lawrence e Elisabeth Hanson. Traduziu ainda mais as seguintes obras inglesas: «O Moinho à Beira do Rio», de George Eliot; «Filhas e Amantes» e «Mulheres Apaixonadas» de D. H. Lawrence; «Retrato de Uma Senhora», de Henry Jones; «O Estranho Caso do Dr. Jekyel e do Sr. Hyde» e «Clube dos Suicidas», de R. S. Stevenson; «Os Crimes da Rua Marques» e a «Carta Roubada», de Edgar Poe; «História da Literatura Inglesa», de colaboração com Luis Cardim de Ifor Evans; versão livre de um romance de Dostoievski («A Granja de Stepanckikov»).
Estas obras foram todas editadas em Lisboa. Colaborou ainda em vários jornais e revistas, nomeadamente: «Ocidente», «Presença», «Revista de Portugal», «Atlântica», «Panorama» e «Das Artes e da História da Madeira». Foi colaborador da Grande «Enciclopédia Portuguesa e Brasileira». Pertencia à Academia Portuguesa de História.
O Instituto Português de Arqueologia, História e Etnograf?a e a Associação dos Arqueólogos Portugueses fazem-no seu sócio honorário. Mais tarde em 1976 é elevado a Académico Jubilado pela Academia Portuguesa de História.

Jornal da Madeira / Suplemento / Revista Olhar / 2007-11-17

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

General José Vicente de Freitas (Wikipédia)

José Vicente de Freitas (Calheta, Madeira, 22 de Janeiro de 1869 — Lisboa, 6 de Setembro de 1952) foi um militar, cartógrafo e político português ligado ao golpe de 28 de Maio de 1926 e ao governo da Ditadura Nacional que se lhe seguiu.
Republicano conservador e inspirador da União Nacional. Entre vários cargos políticos foi ministro do interior e presidente do ministério (de 18 de Abril de 1928 a 8 de Julho de 1929), e presidente da Câmara Municipal de Lisboa, lugar de onde é demitido (1933), por António de Oliveira Salazar, por ter criticado publicamente a transformação da União Nacional em partido político. Como militar atingiu o posto de general em 1928, com uma boa folha de serviços, entre os quais se incluía um subcomando de brigada na Primeira Guerra Mundial, em terras francesas, numa altura em que já era tenente-coronel. Foi condecorado com a grã-cruz da Ordem da Torre e Espada.

Biografia

Natural da Calheta, Madeira, onde nasceu a 22 de Janeiro de 1869, filho de José Joaquim de Freitas e de Sofia Amélia de Freitas. Ingressou na carreira de oficial do Exército, sendo alferes em 1891 e tenente-coronel em 1917. Era coronel aquando do golpe de 28 de Maio de 1926. Depois da sua passagem pela vida política reingressou na carreira militar, terminando-a como comandante da Academia Militar (1935-1939) no posto de general.
Nas suas funções militares coordenou trabalhos de cartografia, entre os quais a realização da Planta de Lisboa com todos os melhoramentos feitos e projectados na cidade (circa 1910), uma carta de notável qualidade técnica e artística.
Para além do Exército e da Política, dedicou-se também ao ensino, quer como autor de manuais escolares (Desenho) para o ensino secundário quer como organizador de cursos para a escola de cabos e sargentos do Exército. Foi professor da Escola Nacional a partir de 1895, instituição de que foi director depois de 1917.
Faleceu em Lisboa, com o posto de general do Exército, a 6 de Setembro de 1952.

Carreira política

De formação republicana inicia a sua participação política sendo nomeado Governador Civil do Distrito Autónomo do Funchal, Madeira, em 1914, a que se seguiu a sua eleição para o cargo de deputado pela Madeira (em 28 de Abril de 1918).
Encabeçou o grupo republicano apoiante do 28 de Maio, com António Osório, Tamagnini Barbosa, Pestana Lopes e Ferreira Martins, tornando-se numa das figuras cimeiras da Ditadura Nacional que se lhe seguiu.
Inicia a sua carreira ministerial como Ministro do Interior a 26 de Agosto de 1927, no ministério presidido por Óscar Carmona. Manteve-se nesse cargo até 18 de Abril de 1928, data em que assume a presidência do ministério na sequência da eleição de Óscar Carmona para Presidente da República. Foi Presidente do Conselho de Ministros de 18 de Abril de 1928 a 8 de Julho de 1929, acumulando a pasta do interior que já anteriormente detinha.
No ministério por si presidido, foi Ministro das Finanças interino de 18 a 26 de Abril de 1928, sendo substituído nesse cargo por António de Oliveira Salazar que, formalmente a seu convite, entra na vida política, iniciando o percurso que o conduzirá à chefia do Governo e do Estado Novo.
Foi nomeado Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
Quando era Presidente da Câmara de Municipal de Lisboa, em conjunto com o tenente-coronel Pestana de Vasconcelos, director do jornal O Portugal, toma a iniciativa de criar uma União Nacional Republicana, inspirada no modelo espanhol da União Patriótica de Primo de Rivera. Tenta igualmente, com os oficiais mais jovens que tinham participado no golpe do 28 de Maio de 1926, criar a Liga Nacional 28 de Maio.
Em 1933, no âmbito da discussão do projecto de Constituição, depois de ter sido recebido por Salazar a 19 de Janeiro, a quem anunciou a intenção de dirigir ao Presidente da República um exposição contra o projecto, a 12 de Fevereiro, dirige uma carta a Óscar Carmona que foi publicada em O Século. Nessa exposição considera expressamente que dentro do 28 de Maio, além de uma corrente nacionalista, há outra francamente republicana que sem, de maneira nenhuma defender o regresso à desordem política criada pela Constituição de 1911, é francamente liberal e democrática. Critica assim a perspectiva dominante, que defendia a transformação da União Nacional em partido político, por temer que se assim acontecesse os seus aderentes constituiriam uma casta privilegiada que pretenderia confundir-se com o Estado. A exposição termina, afirmando que a ... a Assembleia Nacional a eleger será de facto nomeada na sede da União Nacional e no Ministério do Interior e representará, não a vontade da nação, mas a vontade do Governo ... se o Estado tem realmente de ser forte, o pensamento não pode deixar de ser livre.
Em consequência dessa posição pública, que teria sido redigida conjuntamente, ou pelo menos inspirada, por António Osório, é demitido por Salazar, que emite em 15 de Fevereiro uma nota oficiosa onde o acusa de incoerência depois de, em 21 de Maio de 1932, ter aderido publicamente à União Nacional, concordando com a sua orientação. José Vicente de Freitas respondeu reafirmando o seu convencimento numa posterior alteração e na certeza de que a mesma não seria transformada em partido político.

Adaptado de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Vicente_de_Freitas

domingo, janeiro 23, 2011

Os Cantos. A tragédia de uma família açoreana - Maria Filomena Mónica (2010)

Mónica, Maria Filomena - Os Cantos. A tragédia de uma família açoreana, Alêtheia Editores, 2010.

Num magistral e longo trabalho de investigação de Maria Filomena Mónica surge-nos esta excelente obra, que nos retrata a história de uma família açoreana, com especial destaque ao seu membro mais ilustre José do Canto.
Um livro para ler e reler.
Foto: http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/Maria_Filomena_Monica.htm

quarta-feira, janeiro 05, 2011

The life and correspondence of Andrew Combe - George Combe (1850)














Combe, George - The life and correspondence of Andrew Combe, Edinburgh: Maclachlan and Stewart; [etc.], 1850.

O Dr. Andrew Combe visitou a Madeira por duas vezes em tratamento.
As cartas escritas a um amigo descrevendo a Madeira e o seu clima são muito interessantes, razão pela qual aqui coloco uma das mesmas.

Biografia de Andrew Combe extraída de http://en.wikipedia.org/wiki/Andrew_Combe

«Andrew Combe (1797-1847), Scottish physician and phrenologist; was born in Edinburgh on the October 27, 1797, and was a younger brother of George Combe.
After attending the Royal High School, he served an apprenticeship in a surgery, and in 1817 passed at Surgeon's Hall. He proceeded to Paris to complete his medical studies, and whilst there he investigated phrenology on anatomical principles. He became convinced of the truth of the new science, and, as he acquired skills in the dissection of the brain, he subsequently gave additional interest to the lectures of his brother George, by his practical demonstrations of the convolutions. He returned to Edinburgh in 1819 with the intention of beginning practice; but showing the first symptoms of tuberculosis, he sought to improve his health in the south of France and Italy during the two following winters. He began to practise in 1823, and by careful adherence to the laws of health he was enabled to fulfil the duties of his profession for nine years. During that period he assisted in editing the Phrenological Journal and contributed a number of articles to it, defended phrenology before the Royal Medical Society of Edinburgh, published his Observations on Mental Derangement (1831), and prepared the greater portion of his Principles of Physiology Applied to Health and Education, which was issued in 1834, and immediately obtained extensive public favor.
In 1836 he was appointed physician to King Léopold I of Belgium, and removed to Brussels, but he speedily found the climate unsuitable and returned to Edinburgh, where he resumed his practice. In 1836 he published his Physiology of Digestion, and in 1838 he was appointed one of the physicians extraordinary to the Queen in Scotland. Two years later he completed his last work Physiological and Moral Management of Infancy, which he believed to be his best. His latter years were mostly occupied in seeking some alleviation of his disease at various health resorts; he spent two winters in Madeira, and tried a voyage to the United States, but was compelled to return within a few weeks of the date of his landing at New York. He died at Gorgie, near Edinburgh, on the August 9, 1847.
His biography, written by George Combe, was published in 1850.»...

terça-feira, novembro 09, 2010

Marquesa de Alorna: A mulher da cultura (Mulher Portuguesa)

Vítima das perseguiçõs do Marquês de Pombal para com a sua família, Leonor de Almeida de Portugal Lorena e Lencastre, nascida a 31 de Outubro de 1750, passou a maior parte da sua infância na cadeia, mas foi a primeira mulher portuguesa a estimular a revolução do bom gosto

O atentado contra D. José, na noite de 3 de Setembro de 1758, teve como suspeito o Duque de Aveiro e como cúmplices o Marquês e a Marquesa de Távora, os seus filhos e o Conde de Atouguia, D. Jerónimo de Almeida. D. José foi atingido na carruagem e os suspeitos presos e barbaramente justiciados em Belém.

O pai de Leonor, D. João de Almeida, Marquês de Alorna, era filho dos Marqueses de Távora e foi acusado de ter emprestado uma das armas usadas no atentado. Foi encarcerado no Forte da Junqueira e a mulher e as duas filhas, Leonor com oito anos e Maria, de seis, foram enclausuradas no Convento de S. Félix, em Chelas, local frequentado por muitos homens de letras.

Apenas o irmão, Pedro, de quatro anos de idade, ficou livre e foi admitido no Paço, vindo a morrer mais tarde, após uma carreira militar, em Koenigsberg, depois de ter acompanhado Napoleão à Rússia. Com a sua morte, o título dos Marqueses de Alorna passa para Leonor.

No convento, as duas crianças aplicam-se ao estudo das línguas e à poesia, que Leonor faz durante os dez anos de clausura. A morte de D. José e a subida ao trono de D. Maria I, liberta a família.

De enorme beleza, Leonor casa aos 18 anos com o Conde de Ceynhausen, um jovem oficial hanoveriano, vindo para Portugal com o conde reinante de Schaumbourg-Lippe. Os pais não aprovaram logo o casamento, uma vez que este significava o afastamento da filha do país. Após a sua nomeação como ministro é enviado para Viena de Aústria em 1801.

Em Viena, a vida foi difícil economicamente. Os filhos iam nascendo e o conde acaba por morrer em 1793 com 54 anos. Deixa a mulher com cinco filhos menores e uma pensão baixa, que mantêm a pobreza a rondar de perto. A Marquesa de Alorna sonha com ideias de liberdade e a sua poesia torna-se revolucionária.

De volta a Portugal, é de novo perseguida pelas suas ideias, desta vez por Pina Manique. Vê a sua casa revistada e é exilada em Londres, país que detesta. Só volta a Portugal em 1814, com enorme alegria, apesar de enfrentar enormes dificuldades financeiras. Empenha todos os seus bens, quadros e jóias e fica à mercê dos credores.

Mantém apenas uma pequena parte da casa de Alorna, onde recebe sempre os amigos, numa miséria dourada. Até com as filhas, a felicidade anda longe. Uma é amante de Junot, militar francês, sendo casada, e a outra fora raptada por um médico português fixado em Londres.

A sua residência transforma-se num foco de ebulição cultural, onde se debatem as novas ideias políticas e também as novas correntes estéticas e literárias. Presentes estão Bocage e Alexandre Herculano, em períodos diferentes. Escolhe o pseudónimo de Alcipe e trabalha em traduções de latim, alemão, inglês e francês, cultiva a epistolografia e escreve poesia, reunida em seis volumes das "Obras Poéticas da Marquesa de Alorna" (1844)

Com tantas contrariedades, Leonor, marquesa de Alorna morre em Lisboa no ano de 1839, mas a sua influência literária produziu efeitos numa época de pré-romantismo, que marca a sua poesia, aberta que era a todas as culturas do seu tempo.

Liberal, atacou as formas de despotismo, de que foi vítima e exaltou a liberdade. As suas cartas a amigos e família, constituem um documento histórico da sua época, de um espirito que viveu para lá do seu tempo.

http://www.mulherportuguesa.com/sociedade/na-historia/3379

Marqueza de Alorna (Infopedia)

Marquesa de Alorna


Nome: D. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre
Nascimento: 1750, Lisboa
Morte: 1839, Lisboa

Poetisa, tradutora e pedagoga portuguesa, nascida em 1750 e falecida em 1839, D. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, mais conhecida por Marquesa de Alorna, foi uma figura de rara erudição, autora de uma obra epistolar ainda por descobrir e grande divulgadora das novas ideias vindas da Europa.
Neta da marquesa de Távora, foi encerrada, ainda menina, no convento de Chelas, pelo facto de o seu pai ter sido preso, acusado de participar no atentado ao rei D. José. Aí passou a sua juventude (1758-1777), saindo apenas após a morte do Marquês de Pombal. No recinto eclesiástico, onde viveu desde os 8 anos, ocupava o tempo com música, poesia e com os amigos e pretendentes literatos que alimentavam a sua formação arcádica. Entre estes homens iluminados destaca-se o Padre Francisco Manuel do Nascimento, mais conhecido pelo seu pseudónimo Filinto Elísio, que lhe deu lições e a baptizou com o nome arcádico de Alcipe, alimentando as suas precoces tendências filosóficas, tolerantistas, cientistas e progressistas. Em 1779, casou com um oficial alemão naturalizado português, o conde de Oeynhausen, e viajou por Viena - onde ele foi nosso ministro -, Berlim e Londres. Nessas estadias desenvolveu o gosto pela poesia sentimentalista ou descritiva, traduzindo ou imitando Delille, Wieland, Buerger, Goëthe, Young, o pseudo-Ossian, Gray e Thomson. Falecido o irmão primogénito, herdou o título de Marquesa de Alorna, por que se tornou mais conhecida. Em Paris, D. Leonor frequentou o salão de Madame Necker e conheceu, em 1780, Madame de Staël, com quem depois, no seu exílio londrino, se relacionou mais intimamente. No entanto, o francesismo da marquesa de Alorna é mais de divulgação de autores pré-românticos ou já românticos, franceses ou conhecidos através da França, do que de funda consciência cultural. Enviuvou em 1793, ficando com seis filhos para educar. A fundação, por parte da marquesa, da Sociedade da Rosa, concebida para frustrar a ameaça napoleónica, levou à desconfiança de Pina Manique e ao consequente exílio em Londres numa quase miséria. De regresso a Portugal, fez dos seus salões de S. Domingos de Benfica focos das novas ideias estéticas, pela frequência de literatos de diversas gerações, desde os últimos árcades até aos primeiros românticos como Herculano. A sua extensa obra denuncia tendências diversas como o arcadismo, presente nas suas traduções de autores greco-latinos, que vão a par de outras traduções de autores modernos; a poesia cientista (Recreações Botânicas) e o sentimentalismo e melancolia expressos em algumas composições. Percorreu os mais variados subgéneros e estruturas formais (epístolas, odes, sonetos, éclogas, elegias, canções, apólogos, epigramas, cantigas), colorindo-os ora de laivos de filosofismo, ora de sentimentalismo pré-romântico. Denunciam esta última tendência a forma como concebe a poesia, desabafo de mágoas: A lira move mais lavada em pranto (Poesias, ed. Sá da Costa, 1941, p. 28); o fatalismo que impregna a sua visão das coisas: O Fado contra mim tudo provoca (p. 114); o gosto da solidão melancólica; a tendência para o devaneio; a obsessão do nocturno e do fúnebre e a projecção do estado de alma no mundo circundante. Também no estilo, apesar da mitologia e dos epítetos clássicos, revela um coração nitidamente romântico pelas exclamações e adjectivação violenta.

Bibliografia: Obras Poéticas, 1844, em 6 volumes.
http://www.infopedia.pt/$marquesa-de-alorna

A marqueza d'Alorna; algumas noticias authenticas para a historia da muito illustre e eminente escriptora que os poetas seus contemporaneos denominaram Alcipe - Marquez d' Avila e de Bolama (1916)

 
Avila e de Bolama, Marquez de - A Marqueza d'Alorna; algumas noticias authenticas para a historia da muito illustre e eminente escriptora que os poetas seus contemporaneos denominaram Alcipe, Lisboa: Imprensa de Manuel Lucas Torres, 1916.
http://www.archive.org/details/marquezadalornaa00avil

segunda-feira, outubro 25, 2010

António José da Silva Pinto - Infopédia (Porto Editora)

Silva Pinto

Nome: António José da Silva Pinto
Nascimento: 14-4-1848, Lisboa
Morte: 4-11-1911, Lisboa

Crítico literário, ensaísta, dramaturgo e romancista português, da segunda metade do século XIX, nascido a 14 de Abril de 1848, em Lisboa, e falecido a 4 de Novembro de 1911, na mesma cidade. Foi um dos principais doutrinadores do Realismo-Naturalismo, privilegiando a estética de Balzac, de cuja obra foi tradutor e grande admirador, e a crítica de Gustavo Planche.Depois de uma passagem pelo colégio de jesuítas de Campolide, começa a trabalhar como ajudante de despachante de alfândega. A partir de 1872, dedica-se ao jornalismo, estreando-se como colaborador no jornal O Trabalho e fundando, juntamente com Magalhães Lima, Gomes Leal, Guilherme de Azevedo e Luciano Cordeiro, a revista literária O Espectro de Juvenal. Ao longo da sua vida, deixará uma imensa colaboração dispersa por periódicos como O Ocidente, Jornal da Tarde, A Actualidade, A Voz do Povo, Revista do Norte e Revista Literária, parte da qual foi posteriormente recolhida nos três volumes dos Combates e Críticas. Em Espanha, combate ao lado dos republicanos contra os carlistas. Depois de uma estada de dois anos no Brasil, regressa a Portugal. Em 1887, recolhe os poemas de Cesário Verde, organizando a edição do seu livro póstumo, que prefaciou e anotou. A partir de 1889, dedica cada vez mais a sua atenção à obra de Camilo, publicando a correspondência mantida com o escritor.

Bibliografia: O Padre Maldito, 1873 (romance); Os Homens de Roma, 1875 (drama); O Padre Gabriel, 1878 (drama); Controvérsias e Estudos Literários (1875-1878), 1878 (ensaio e crítica literária); Realismos, 1880 (romance); Combates e Críticas (1875-1881), 1882 (ensaio e crítica); Novos Combates e Críticas (1875-1884), 1884 (ensaio e crítica); Terceiro Livro de Combates e Críticas (1874-1886), 1886 (ensaio e crítica); Saldos, 1912 (ensaio e crítica)

http://www.infopedia.pt/$silva-pinto

segunda-feira, outubro 18, 2010

Curriculum Vitae Dr. José Eduardo Franco

Embora não esteja actualizado o curriculum vitae do Dr. José Eduardo Franco permite uma recolha de dados bibliográficos sobre os trabalhos publicados deste historiador.
http://www.iecc-pma.eu/_fich/15/JEF.pdf
Foto: http://www.clepul.eu/investigadores.asp?id=176

sábado, setembro 25, 2010

Alberto João Jardim. O Rei da Madeira - Maria Henrique Espada (2010)

Espada, Maria Henrique - Alberto João Jardim. O Rei da Madeira, A Esfera dos Livros, 2010.

Presumo que esta seja a terceira biografia sobre este político madeirense e é até agora, apesar de alguns erros factuais, a mais conseguida.
Mas a razão principal para a aquisição desta obra foi o facto do meu pai (J. Campos) ser mencionado na mesma, como destacado membro da FLAMA (Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira), que o foi e sempre o assumiu enquanto vivo foi. Ao contrário de alguns que agora querem parecer mais do que foram.
Este movimento separatista surgiu após o 25 de Abril, dentro das suas fileiras conviviam pessoas de ideologias políticas diferentes, tanto de direita como de esquerda.
Desafio aos historiadores a fazerem um estudo aprofundado e imparcial sobre este movimento separatista e sobre o seu congênere açoriano (FLA), enquanto os seus intervenientes (fontes vivas dos acontecimentos) ainda entre nós estejam presentes.

quarta-feira, julho 14, 2010

"O Aleijadinho" (esboço biographico) - J. P. Xavier da Veiga (1896)

Veiga, J. P. Xavier da - "O Aleijadinho" (esboço biographico), in Revista do Archivo Publico Mineiro, Anno I - Fascículo 1º, Janeiro a Março de 1896, págs. 161 - 174, Ouro Preto : Imprensa Official de Minas-Geraes, 1896.

Historie del S.D. Fernando Colombo - Fernando Colón

Colón , Fernando; Ulloa , Alfonso de; Pané , Ramón  - Historie del S.D. Fernando Colombo; : nelle quali s'ha particolare, & v...