sábado, outubro 31, 2009

Obras digitalizadas de Manuel Álvares - BNP/Biblioteca Nacional Digital

Emmanuelis Alvari... De institutione grammatica libri tres. Antonij Vellesij Amiensis... Opera...
1608, PURL 14009

Emmanuelis Alvari... De instructione grammatica libri tres. Antonii Velesii Amiensis... Operâ...
1699 , PURL 14014

Emmanuelis Alvari... De institutione grammatica libri tres. Antonii Vellesii Amiensis... Opérâ...
1694 , PURL 14122

Emmanuelis Alvari... De institutione grammatica libri tres. Antonij Vellesij Amiesis... Operâ...
1680 , PURL 14124

Emmanuelis Alvari... De instructione grammatica libri tres. Antonii Vellesij Amiensis... Opera...
1695, PURL 14126

Explicationes in partem primi libri artis P. Emmanuelis Alvari... novis curis in lucem editae opera...
1697, PURL 14128

Explicationes in partem primi libri artis P. Emmanuelis Alvari... novis curis in lucem editae opera...
1689, PURL 14145

Emmanuelis Alvari... De instructione grammatica libri tres. Antonij Vellesij Amiensis... Opera...
1689
PURL, 14202

Epanaphoras de varia historia portuguesa (...) -Francisco Manuel de Melo (1660)

Melo, Francisco Manuel de - Epanaphoras de varia historia portugueza... em cinco relaçoens de sucessos pertencentes a este reyno... / por Dom Francisco Manuel. - Lisboa : na Off. de Henrique Valente de Oliveira, 1660.
http://purl.pt/771

Para a história da Madeira tem particular interesse:
Descobrimento da Ilha da Madeira. Anno 1420.

Orthographia ou modo para escrever certo na lingua portuguesa - Álvaro Ferreira de Vera (1631)

Vera, Álvaro Ferreira de - Orthographia ou modo para escrever certo na lingua portuguesa / Alvaro Ferreira de Véra. - Lisboa : Mathias Rodriguez, 1631.
http://purl.pt/45

Breves louvores da lingua portuguesa - Álvaro Ferreira de Vera (1631)

Vera, Álvaro Ferreira de - Breves lovvores da lingva portvgvesa, com notaveis exemplos da muita femelhança, que tem com a lingua latina / per Alvaro Ferreira de Vera. - Lisboa : Mathias Rodriguez, 1631.

Grammatica latina (...) - Domingos de Araujo (1627)

Araujo, Domingos de - Grammatica latina : novamente ordenada, e convertida em portugues pera menos trabalho dos que começaõ aprender... / por Domingos de Araujo... - Em Lisboa : por Pedro Craesbeeck, 1627.
http://purl.pt/14015

De institutione grammatica libri tres - Manuel Alvares (1608)

Alvares, Manuel - Emmanuelis Alvari... De institutione grammatica libri tres. Antonij Vellesij Amiensis... Opera aucti et illustrati. - Eborae : excudebat Emmanuel de Lyra, 1608.
http://purl.pt/14009

Regras que ensinam a maneira de escreuer a orthographia da lingua portuguesa - Pedro de Magalhães Gandavo (1574)

Gandavo, Pedro de Magalhães - Regras que ensinam a maneira de escreuer a orthographia da lingua portuguesa : com hum Dialogo que adiante se segue em defensam da mesma lingua / autor Pero de Magalhães de Gandauo. - Em Lisboa : na officina de Antonio Gonsaluez, 1574.
http://purl.pt/12144

Dictionarium latinolusitanicum (...) - Jerónimo Cardoso (1570;1592)

Cardoso, Jerónimo - Dictionarium latinolusitanicum & vice versa lusitanico latinu[m] : cum adagiorum feré omnium iuxta seriem alphabeticam perutili expositione, ecclesiasticorum etiam vocabulorum interpretatione... / noué omnia per Hieronymu[m] Cardosum Lusitanum congesta ; recognita vero omnia per Sebast. Stockhamerum Germanum. Qui libellum etiam de propriis nominibus regionu[m] populorum, illustrium virorum... adiecit. - Conimbricae : excussit Joan. Barrerius, 12 Kal. Iulij 1570 [20 Junho 1570].
http://purl.pt/14265

Está disponível na Biblioteca Digital uma edição de 1592:

Cardoso, Jerónimo - Dictionarium latino lusitanicum et vice versa lusitanico latinum : cum adagiorum feré omnium iuxta seriem alphabeticam perutili expositione... / per Hieronymum Cardosum Lusitanum congesta ; recognita vero omnia per Sebast. Stokhamerum Germanum. Qui libellum etiam de propriis nominibus regionum, populorum, illustrium virorum... adiecit. - Adhuc noui huic ultimae impressioni adjuncti sunt varij loquendi modi ex praecipuis auctoribus decerpti praesertim ex Marco Tullio Cicerone. - Olyssipone : excussit Alexander de Syqueira : expensis Simonis Lopezij, bybliopolae, 1592.

Grammatica da lingua portuguesa - João de Barros (1540)

Barros, João de - Grammatica da lingua portuguesa / [João de Barros]. - Olyssipone : apud Lodouicum Rotorigiu[m], Typographum, 1540.
http://purl.pt/12148

Grammatica da lingoagem portuguesa - Fernão de Oliveira (1536)

Oliveira, Fernão de - Grammatica da lingoagem portuguesa / [Fernão Doliueira]. - Em Lixboa : e[m] casa d`Germão Galharde, 27 Ianeyro 1536.
http://purl.pt/120

Origem da lingoa portuguesa - Duarte Nunes de Leão (1606)

Leão, Duarte Nunes de - Origem da lingoa portvgvesa / per Dvarte Nvnez de Lião.... - Em Lisboa : por Pedro Crasbeeck, 1606.
http://purl.pt/50

Ortografia da lingua portugueza - João Franco Barreto (1671)

Barreto, João Franco - Ortografia da lingua portugueza / per Joam Franco Barretto... - Em Lisboa : na officina de Joam da Costa : a custa de Antonio Leyte mercador de livros, na Rua Nova, 1671.

Orthographia da lingoa portuguesa - Duarte Nunes de Leão (1576)

Leão, Duarte Nunes de - Orthographia da lingoa portuguesa : obra vtil & necessaria assi pera bem screuer a lingoa Hespanhol como a Latina & quaesquer outras que da Latina teem origem ; Item hum tractado dos pontos das clausulas / pelo licenciado Duarte Nunez do Lião. - Em Lisboa : per Ioão de Barreira, 1576.
http://purl.pt/15

sexta-feira, outubro 30, 2009

Catalogo dos livros, que se haõ de ler para a continuaçaõ do diccionario da lingua Portugueza ... (1799)

Macedo, Agostinho José da Costa - Catalogo dos livros, que se haõ de ler para a continuaçaõ do diccionario da lingua Portugueza mandado publicar pela Academia Real das Sciencias de Lisboa, Lisboa, Na typograhia da mesma academia, 1799.
http://www.archive.org/details/catalogodoslivr00lisbgoog

Catálogo da Camiliana (..) Livraria Moraes (1921)

Catálogo da Camiliana, que deverá ser vendido em leilão promovido pela Livraria Moraes em 6 de Fevereiro de 1922, em local que em devido tempo será anunciado, Lisboa, João d'Araujo Moraes Limitada, 1921.
http://www.archive.org/details/catlogodacamil00morauoft

Catalogo da Camoneana da Bibliotheca Publica Municipal do Porto - (1897)

Calheiros, José Pedro de Lima - Catalogo da Camoneana da Bibliotheca Publica Municipal do Porto, 2ª edição, Porto, Imprensa Civilisação, 1897.

Bibliographia camoniana - Teófilo Braga (1880)

Braga, Theophilo - Bibliographia camoniana, Lisboa, Imprensa de Christovão A. Rodrigues, 1880.

Insecta maderensia























Memorias de litteratura portugueza, publicadas pela Academia real das Sciencias - (1806)


Memorias de litteratura portugueza, publicadas pela Academia real das ... (1806)
em construção

Catálogo de la Biblioteca de Salvá - Pedro Salvá y Mallen (1872)


Mallen, Pedro Salvá y - Catálogo de la Biblioteca de Salvá, Tomo I e Tomo II, Valencia, Imprenta de Ferrer de Orga, 1872.

Manual bibliographico portuguez de livros raros, classicos e curiosos - Ricardo Pinto de Mattos (1878)

Matos, Ricardo Pinto de; Branco, Camilo Castelo - Manual bibliographico portuguez de livros raros, classicos e curiosos / Coordenado por Ricardo Pinto de Mattos / Revisto e prefaciado pelo Snr. Camillo Castello Branco, Porto, Livraria Portuense, 1878.
http://www.archive.org/details/manualbibliogra01brangoog

Catalogo dos livros raros, manuscriptos e impressos que compunham a bibliotheca de Sir G*** - 1867

Catalogo dos livros raros manuscriptos e impressos que compunham a bibliotheca de Sir G*** (Carlos Gubian) , e que hão de ser vendidos em leilão no domingo 10 de Novembro de 1867, e dias seguintes, livros raros e curiosos, classicos,Lisboa, Imprensa de Joaquim Germano de Sousa Neves, 1867.
http://www.archive.org/details/catalogodoslivr00ggoog

quinta-feira, outubro 29, 2009

Six Years of a Travellr´s Life in Western Africa - Francisco Travassos Valdez (1861)


Valdez, Francisco Travassos - Six Years of a Traveller's Life in Western Africa, In two volumes, Vol. I, London, Hurst and Blackett Publishers, 1861.

Valdez, Francisco Travassos - Six Years of a Traveller's Life in Western Africa, In two volumes, Vol. II, London, Hurst and Blackett Publishers, 1861.

Catalogue raisonné des coléoptères du nord de l'Afrique - Louis Bedel (1895)

Bedel, L. - Catalogue raisonné des coléoptères du nord de l'Afrique (Maroc, Algérie, Tunisie et Tripolitaine) avec notes sur la faune des iles Canaries et de Madère, Paris, Société Entomologique de France, 1895.

Bibliographie des ouvrages portugais (...) - Brito Aranha (1900)

Aranha, Brito - Bibliographie des ouvrages portugais pour servir à l'étude des villes, des villages, des monuments, des institutions, des murs et contumes, etc., du Portugal, Açores, Madère et possessions d'outremer, Lisbonne, Imprimerie Nationale, 1900.
Nota: Editado aquando da Exposição Universal de Paris em 1900. Contém algumas referências bibliográficas sobre a Madeira.

The voyages & discoveries of early travellers and missionaries - Maggs Bros ([1921])

The voyages & discoveries of early travellers and missionaries ([1921])

The Life of Prince Henry of Portugal - Richard Henry Major (1868)

Major, Richard Henry - The life Prince Henry of Portugal, surnamed the Navigator and its results : comprising the discovery, within one century, of half the world... , London, A. Asher & Co., 1868.
http://purl.pt/14656/2/

The discoveries of Prince Henry the Navigator - Richard Henry Major (1877)

Major, Richard Henry - The discoveries of Prince Henry the Navigator, and their results, being the narrative of the discovery by sea, within one century, of more than half the world, London, Sampson Low, Marston, Searle, & Rivington, 1877.

Odes Pindaricas - António Dinis da Cruz e Silva (1801)


Silva, António Dinis da Cruz e - Odes Pindaricas, Posthumas de Elpino Nonacriense, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1801.
Nota: Elpino Nonacriense era o o pseudónimo arcádico de António Dinis da Cruz e Silva.

João Fernandes Vieira - Lúcia Gaspar


Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
pesquisaescolar@fundaj.gov.br

Apesar das muitas dúvidas e controvérsias sobre a origem de João Fernandes Vieira, um dos heróis da Restauração Pernambucana, pode-se afirmar que se chamava Francisco de Ornelas, nasceu em Funchal, na Ilha da Madeira, em 1610, filho ilegítimo de Francisco de Ornelas Muniz e uma mulher de condição humilde e talvez até de cor.

Fugiu para o Brasil, especificamente para Pernambuco, em 1620, aos dez anos de idade, onde mudou o nome para João Fernandes Vieira.

Não se conhece os motivos que o levaram a deixar seu país e tudo indica que viajou sozinho e por iniciativa própria.

Quando chegou a Pernambuco, trabalhou como assalariado e foi auxiliar de um açougue. Em poucos anos tornou-se feitor-mor.

Apresentou-se como voluntário, para o serviço da guerra, nos primeiros dias da invasão holandesa, quando defendeu os portugueses no Forte de São João, até a sua rendição no dia 1º de março de 1630.

Ativo, ambicioso e inteligente, ficou rico graças aos seus esforços e a doações que recebeu do seu patrão, Affonso Rodrigues Serrão e de sua mulher, assim como pela amizade com o conselheiro político e senhor de engenho holandês Jacob Stachhouwer, de quem foi primeiro criado, depois feitor e mais tarde procurador.

Em 1639, Vieira já era uma pessoa importante na sociedade portuguesa de Pernambuco, uma vez que foi indicado para o cargo de Escabino (membro da Câmara Municipal da época) de Olinda.

Foi efetivamente elevado à condição de Escabino de Maurícia (Recife) de julho de 1641 a junho de 1642, sendo depois reconduzido no exercício de 1642 a 1643.

Em 1643, casou-se com Maria César, filha do madeirense Francisco Berenguer de Andrada e Joana de Albuquerque, descendente de Jerônimo de Albuquerque. Com o casamento, João Fernandes Vieira juntou ao seu prestígio econômico a nobreza rural pernambucana.

Foi um dos mais importantes senhores-de-engenho de Pernambuco, dono de mais de mil escravos, chegando a possuir 16 engenhos, localizados em Pernambuco e na Paraíba, a saber: do Meio; Ilhetas; Sant'Ana; Santo Antônio; São João; Inhobim ou dos Santos Cosme e Damião; São Gabriel; Gargaú; Inhaman; Molinote; Cumaúpa; Jacaré; Abiaí; Tibiri de Baixo; Tibiri de Cima e Santo André.

Pessoa de confiança do governo holandês, seu colaborador e conselheiro em assuntos brasileiros, Vieira também tinha o apoio da comunidade luso-brasileira através do seu prestígio econômico e social, das suas doações para igrejas, confrarias e pessoas necessitadas, além do seu ingresso, pelo casamento, na nobreza da terra.

Gozava assim da consideração de holandeses e portugueses. Era também um dos maiores devedores da Companhia das Índias Ocidentais. Em 1642, sua dívida já era estimada em 219.854 florins.

Quando a insatisfação dos senhores de engenho de Pernambuco se intensificou, especialmente após a partida do conde Maurício de Nassau para a Holanda, em 1644, o inteligente e astuto Vieira sentiu que os tempos estavam mudando e, percebendo as vantagens a serem alcançadas com a expulsão dos holandeses e da Companhia das Índias Ocidentais, se afastou dos flamengos e tornou-se um dos líderes da chamada Insurreição Pernambucana e um dos heróis da Restauração.

Participou e venceu junto com sua tropa a Batalha das Tabocas, realizada em Vitória de Santo Antão, no dia 3 de agosto de 1645 e a Batalha de Casa Forte, junto com André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão, no dia 17 de agosto do mesmo ano.

Após a tomada do engenho Casa Forte, Vieira voltou com seus homens ao seu engenho São João, na Várzea, e de lá iniciou um sistema de estâncias militares, espécie de fortificações onde pudessem estar seguros e guardar pólvora e munições de guerra.

Participou, também de forma brilhante, das duas Batalhas dos Guararapes, sob o comando do general Barreto de Meneses, nos dias 19 de abril de 1648 e 19 de fevereiro de 1649, respectivamente, colaborando para a vitória final e definitiva.

Como recompensa pelos serviços prestados na guerra foi nomeado Governador da Paraíba (1655-1657) e concedido-lhe o posto de capitão general do Reino de Angola (1658-1661).

Exerceu também o cargo de Superintendente das Fortificações do Nordeste do Brasil, de 1661 a 1681.

Vieira encomendou a frei Rafael de Jesus um livro para contar sua vida, exaltando seus feitos, a exemplo do que Gaspar Barléu havia escrito sobre o conde Maurício de Nassau, surgindo assim o Castrioto lusitano, no qual o autor o compara ao príncipe guerreiro albanês Jorge Scanderberg Castrioto, que lutou intensamente contra os turcos e a Sérvia pela recuperação da Albânia, que havia sido anexada à Turquia.

João Fernandes Vieira morreu no dia 10 de janeiro de 1681, em Olinda.

Em 1886 seus restos mortais foram descobertos na capela-mor da igreja do Convento de Olinda.

Em 1942, seus ossos foram trasladados para a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes, sendo depositados na parede da capela-mor, com uma inscrição comemorativa.

Recife, 21 de outubro de 2004.
(Atualizado em 28 de agosto de 2009).


FONTES CONSULTADAS:

MELLO, José Antônio Gonsalves de. Restauradores de Pernambuco: biografias de figuras do século XVII que defenderam e consolidaram a unidade brasileira: João Fernandes Vieira. Recife: Imprensa Universitária, 1967. 2 v.

VASCONCELLOS, Telma Bittencourt de. Dona Anna Paes. Recife: Edição do Autor, 2004. p. 188-191.
Fonte: GASPAR, Lúcia. João Fernandes Vieira. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

João Fernandes Vieira e os heróis da Insurreição Pernambucana - José Maria dos Santos

João Fernandes Vieira e os heróis da Insurreição Pernambucana


Juntamente com Vidal de Negreiros, Felipe Camarão e Henrique Dias, Fernandes Vieira liderou a expulsão dos hereges holandeses que invadiram nosso território e oprimiam o povo católico

Entre as várias potências estrangeiras que cobiçaram e mesmo invadiram o território nacional, a que mais nele permaneceu foi a Holanda, de 1630 a 1654. Contra os invasores levantaram-se representantes das três raças que formariam nossa nação –– portugueses, índios e negros –– irmanados no amor à Religião e à terra em que nasceram, ou que adotaram como sua. Entre esses ressaltam as figuras de João Fernandes Vieira –– que sacrificou seu bem-estar, a fortuna e a própria energia para expulsar o herege invasor do solo pátrio –– Vidal de Negreiros, o índio Felipe Camarão e o ex-escravo Henrique Dias.

João Fernandes Vieira nasceu em Funchal, ilha da Madeira, em 1613. Era filho do fidalgo Francisco d'Ornelas Muniz e de uma mulher de condição humilde. Aos 11 anos emigrou para o Brasil, vindo a estabelecer-se em Olinda, Pernambuco, onde se empregou no comércio. Quando os holandeses invadiram Pernambuco em 1630, ele resistiu aos invasores no forte de São Jorge, com 20 homens, por quase um mês. Durante a trégua estabelecida entre Portugal e Holanda, ele viveu na Pernambuco ocupada, associando-se ao mercador judeu Jacob Stachower, conselheiro da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, e fez boa fortuna. Ao casar-se com rica herdeira pernambucana, tornou-se um dos mais prósperos senhores de engenho do nordeste. Era muito caritativo e esmoler.

Organiza-se a insurreição contra os invasores protestantes

Em 1644, tendo voltado o conde Maurício de Nassau para a Holanda e piorado a opressão a que os hereges submetiam os pernambucanos, João Fernandes Vieira julgou que era o momento para romper o jugo do invasor.

Nessa época, passando em Pernambuco o Tenente-general André Vidal de Negreiros, paraibano vindo da Bahia para visitar seus parentes, com ele traçou os planos para uma sublevação. Decidiram escrever ao governador e capitão geral de todo o Estado do Brasil, Dom Antônio Teles da Silva, “na qual carta foram assinados os mais principais e mais fiéis homens de Pernambuco, assim eclesiásticos como seculares, na qual lhe manifestaram por extenso todas as calamidades e aflições daquela miserável Província, e outrossim as traições, aleivosias, afrontas, roubos, tiranias e crueldades que os pérfidos holandeses executavam nos pobres e angustiados moradores, pelo que já quase desesperados, estavam resolutos em se defender daqueles carniceiros atrozes e vender-lhes, à custa de sangue derramado, a terça parte das vidas que lhes haviam deixado”.(1) João Fernandes Vieira escreveu também ao índio poti Antônio Felipe Camarão –– que, por sua valentia e lealdade à Coroa Portuguesa, havia recebido título de nobreza e de “Governador e Capitão-general de todos os índios do Estado do Brasil” –– pedindo-lhe para juntar-se, com os seus, aos insurretos. Escreveu, no mesmo sentido, ao ex-escravo Henrique Dias, a quem El-Rei dera o cargo de “Governador dos pretos, crioulos, minas e mulatos”. João Fernandes Vieira foi aclamado “governador da independência”.
O governador geral Antônio Teles da Silva enviou em 1644 para Pernambuco experientes militares, liderados por Antônio Dias Cardoso, para que atuassem como instrutores. Mas tudo isso foi feito muito secretamente, porque a trégua assinada entre Portugal e Holanda não permitia que se agisse às claras.
“Durante o período de treinamento da tropa por Dias Cardoso, a liderança do movimento insurgente assinou secretamente em Ipojuca, a 23 de maio de 1645, o ‘Compromisso Imortal’. Nesse documento, em que pela primeira vez aparece a palavra pátria no continente americano, os luso-brasileiros manifestam a disposição de lutar até o fim pela libertação de uma terra com a qual já mantinham vínculos indissolúveis”.(2)
A batalha do Monte das Tabocas

Os holandeses, tendo lutado contra os luso-brasileiros em escaramuças diversas, com grande poderio os surpreenderam num matagal de tabocas (espécie de bambu muito espinhoso), querendo acabar de vez com sua reação. Mas os nossos heróis lhes fizeram face e o combate foi renhido de parte a parte. Dada a inferioridade numérica, e sobretudo de munições, os insurretos foram perdendo terreno e começaram a desfalecer. Foi então que um sacerdote, que estava com uma imagem de Cristo crucificado, fez uma patética preleção pedindo ao Senhor que, pelo seu Sangue, pelas angústias e dores de Maria, “não atentasse para nossos pecados, merecedores de eterno castigo, senão para Seu amor e misericórdia, e que não permitisse que os inimigos de Sua santa Fé, que tantos agravos lhe tinham feito, profanando Seus templos e despedaçando as sagradas imagens dos Santos, triunfassem do seu povo católico, que estava pelejando por Sua honra; e que, pois a empresa era Sua, nos desse vitória contra aqueles tiranos hereges, para que o mundo soubesse que aos que pelejavam por a honra de Deus, não lhes faltava o divino favor e adjutório. [...] Todos prometeram cilícios, disciplinas, jejuns, romarias e esmolas; e o Governador João Fernandes Vieira, como não é menos cristão que bom e valoroso soldado, prometeu de levantar duas igrejas, uma a Nossa Senhora de Nazaré, e outra a Nossa Senhora do Desterro”.(3)
Nossa Senhora com o Menino socorre os católicos

Fortalecidos por um espírito sobrenatural, os nossos bravos atacaram o inimigo de tal modo, que Fernandes Vieira teve que deter seus guerreiros, tal o ardor com que se entregaram ao ataque. Entretanto, tendo acuado o inimigo, este voltou-se contra os agressores com grande ímpeto, o que mudou outra vez a sorte da batalha. Foi aí que Fernandes Vieira, vendo o perigo, gritou: “Valorosos portugueses: viva a Fé de Cristo. A eles, a eles”. O padre Manuel de Morais, erguendo a imagem de Cristo, pediu a todos que rezassem uma Salve Rainha à Mãe de Deus, pedindo-lhe auxílio. “E em dizendo todos em alta voz ‘Salve Rainha, Madre de Misericórdia’, se viu logo o favor da Mãe de Deus, porque o inimigo se começou a retirar descomposto e ir perdendo terra a olhos vistos, e os nossos começaram a gritar ‘Vitória, Vitória’, e acometeram com tanto ímpeto, que o desalojaram e deitaram fora do campo, ficando a gloriosa vitória alcançada pelos merecimentos da Virgem Maria Mãe de Deus”.(4)
No dia seguinte, os católicos ouviram dos holandeses aprisionados este impressionante testemunho: “viam andar entre os portugueses uma mulher muito formosa com um menino nos braços, e junto a ela um velho venerando, vestido de branco, os quais davam armas, pólvora e balas aos nossos soldados, e que era tanto o resplendor que a mulher e o menino lançavam, que lhes cegava os olhos e não podiam olhar para eles de fito a fito. E que esta visão lhes fez logo virar as costas e retirar-se descompostamente”.(5) O mesmo fato é narrado por Frei Manuel Calado. Aí se fundou a vila de Vitória de Santo Antão, em honra do ancião que com a Virgem aparecera.



As batalhas de Guararapes e a reconquista
No mesmo ano João Fernandes Vieira participou ainda da batalha de Casa Forte; e nos anos de 1648 e 1649, das duas batalhas dos Guararapes. Na primeira delas, que se deu no dia 19 de abril, domingo da Pascoela e festa de Nossa Senhora dos Prazeres, Fernandes Vieira e Vidal de Negreiros, auxiliados por Felipe Camarão comandando seus índios, e Henrique Dias os seus negros, levaram à vitória as hostes católicas, apesar da desproporção de 2.200 homens para 7.400 hereges holandeses.
Na segunda batalha dos Guararapes, que se deu no dia 19 de fevereiro de 1649, a desproporção era menor, se bem que considerável: 5.000 holandeses contra 2.600 luso-brasileiros, índios e pretos. Nela morreram 2 mil holandeses e apenas 47 coligados. Mas entre estes estava o heróico Henrique Dias, que deu assim a sua vida em defesa da Religião e da Pátria.
As perdas das duas batalhas, que somavam quase 5 mil homens, fizeram ver aos protestantes vindos da Holanda que estava custando muito caro a invasão e conquista de nossa terra.

Em 1654 João Fernandes Vieira tomou os fortes de Salinas e Altenar, enquanto o inimigo abandonava os de São Jorge e da Barreta.
Enfim, os holandeses retiraram-se definitivamente do Brasil. E a 27 de janeiro desse mesmo ano assinaram a capitulação da Campina do Taborda, pela qual deveriam entregar Recife e todas as fortalezas que ainda lhes restavam. E João Fernandes Vieira tomou posse de Recife em nome de Sua Majestade, o Rei D. João IV de Portugal. Ficava assim o Brasil definitivamente livre dos hereges que tentaram várias vezes assenhorear-se de parte de nosso imenso território.
Governador da Paraíba, Capitão-geral de Angola
João Fernandes Vieira foi recompensado pelo Rei Dom João IV com os cargos de governador da Paraíba (1655-1657) e de capitão-geral de Angola (1658-1661). Em 1672 foi nomeado administrador e superintendente das fortificações de Pernambuco e capitanias vizinhas, até o Ceará.
Esse grande herói de nossa Pátria faleceu em 1681 em Olinda. Por sua relevante participação na Insurreição Pernambucana, foi escolhido como um dos patriarcas do Exército Brasileiro.

Notas:
1. Frei Manoel Calado, O Valeroso Lucideno e triunpho da liberdade, Edições Cultura, São Paulo, 1943, tomo I, p. 318.
2. Texto: Colaboração do Cel. Rosty/COTER. http://www.exercito.gov.br/05Notici/VO/175/tabocas.htm
3. Frei Manoel Calado, Id., Ib., tomo II, p. 12.
4. Id. Ib., p. 14.
5. Diogo Lopes Santiago, História da Guerra de Pernambuco, Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, Recife, 1984, p. 258.

Na Ilha da Madeira: hospital improvisado - António Balbino Rego (1901)

Rego , António Balbino - Na ilha da Madeira : hospital improvisado , Porto : Vap. da Emprêsa Litteraria e Typographica, 1901. https://a...