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segunda-feira, novembro 30, 2009

Jaime Constantino de Freitas Moniz - Elucidário Madeirense

Moniz (Jaime Constantino de Freitas). Foi um dos mais distintos filhos da Madeira no ultimo século decorrido. Nasceu na freguesia da Sé desta cidade a 18 de Fevereiro de 1837, sendo filho de António Caetano da Costa Moniz e de D. Eufemia de Freitas Moniz.
Terminados os preparatorios no Liceu do Funchal, matriculou-se na faculdade de direito da Universidade de Coimbra, em 1857, e concluiu a formatura em 1862, obtendo os primeiros premios em todos os anos de seu curso.
Logo se dedicou á advocacia, mas foi curta, embora brilhantissima, a sua carreira através dos tribunais. Neste periodo de sua vida, deu-se a lamentavel tragedia, que emocionou o país inteiro, de ter o deputado José Cardoso Vieira de Castro assassinado a sua propria mulher. 0 julgamento desta causa despertou um interesse até então nunca observado entre nós. Jaime Moniz encarregara-se da defesa do seu desgraçado amigo e antigo companheiro nas lides académicas. A causa foi das mais célebres que se julgaram em Portugal, e a defesa ficou assinalada nos anais do fôro português, como um dos mais brilhantes triunfos oratorios da eloquencia forense. 0 magistrado que representava a acusação dissera que Jaime Moniz era um verdadeiro meteoro que surgira a brilhar intensamente no fôro, ao que êle logo retorquiu-que era realmente um meteoro, não pelo brilho com que fulgia, mas pela rapidez com que passava-aludindo dêste modo á sua curta carreira de advogado, que em breve e para sempre abandonou.
Dessa brilhante defesa se ocuparam com os mais alevantados louvores Pinheiro Chagas e Camilo Castelo Branco, e os portugueses residentes no Rio de Janeiro enviaram uma coroa de ouro a Jaime Moniz, como preito de homenagem ao autor daquele monumental discurso. Esta oração e todo o processo do julgamento foram publicados num volume, de que se fêz larga tiragem, que em breve se esgotou.
Jaime Moniz também, percorreu como em geral outros homens de mérito da sua época, os meandros tortuosos da politica nacional, mas saíu incolume dêsse tremedal em que tantos chafurdam a própria dignidade. Foi deputado pelo circulo de Castelo Branco nas três legislaturas decorridas de 1870 a 1874 e pelo circulo de Goa na sessão legislativa de 1871 a 1875. Quando uma lei permitiu que os estabelecimentos e corpos cientificos elegessem um seu representante para a camara dos pares, foi Jaime Moniz escolhido unanimemente para desempenhar essa alta e honrosa missão. A estreia de Jaime Moniz no parlamento, em 1871, constituiu um verdadeiro acontecimento politico e logo conquistou os foros dum notavel parlamentar. Sempre que erguia a voz no seio da representação nacional, tôda a camara o escutava atentamente e os aplausos saíam espontaneos, ainda das bancadas da oposição. Os assuntos que predilectamente versava, e com indiscutivel autoridade o fazia, diziam respeito á instrução pública e a questões coloniais.
Com a queda do marquez de Avila e Bolama, foi em 1871 Fontes Pereira de Melo chamado a organizar um ministerio da sua presidencia, em que Jaime Moniz sobraçou a pasta da marinha, fazendo parte dêsse ministerio homens da envergadura de Rodrigues Sampaio, Barjona de Freitas e Andrade Corvo. Apesar de não ser longa a sua permanencia nos conselhos da coroa, o nosso ilustre patriciou deixou assinalada a sua passagem no Ministerio da Marinba e Ultramar, por medidas de grande alcance e ainda o seu nome é hoje citado como um dos estadistas que no nosso país não descuraram as questões coloniais.
Abandonando o fôro e a politica, Jaime Moniz consagrou tôdas as faculdades do seu espirito ao professorado, aos trabalhos da Academia e aos multiplos serviços da instrução publica. Em 1863, fêz concurso para a cadeira de filosofia e historia universal do Curso Superior de Letras, publicando a tese apresentada, que se intitula: Da natureza e extensão do progresso considerado como lei da humanidade e applicação especial dessa lei ás bellas artes. Como lente dêste estabelecimento de ensino superior, foi dos mais distintos, tendo como colegas no magisterio professores da estatura de Viale, Pinheiro Chagas, Adolfo Coelho e Teófilo Braga.
Era socio efectivo da Academia das Ciencias de Lisboa e por muitos anos exerceu o lugar de secretario da primeira Corporação cientifica e literaria do país, lugar que anteriormente tinha sido desempenhado por Latino Coelho e Pinheiro Chagas. A sua acção no seio dêste ilustre areópago salientou-se brilhantemente não só nos relatórios e memorias que redigiu como na organização que deu a alguns dos serviços internos da Academia, tomando além disso parte muito notavel em todos os seus mais importantes trabalhos.
Foi na antiga Junta Consultiva de Instrução Publica e depois no Conselho Superior de Instruçào Pública a que o conselheiro Jaime Constantino de Freitas Moniz presidiu por largos anos que a sua actividade mais notavelmente se evidenciou, tendo uma verdadeira paixão por todos os assuntos que se relacionavam com a instrução, a que consagrou uma parte consideravel da sua existencia. Escreveu muitos relatorios e pareceres, redigiu propostas de lei, proferiu discursos, foi ao estrangeiro em comissões de serviço, deu nova organizaçao àqueles corpos consultivos, etc., criando um nome que, na historia da instrução nacional, ficará aureolado por muitos titulos de benemerencia.
Jaime Moniz foi também director geral da secretaria da Camara dos Deputados e publicou alguns relatorios anuais acêrca dos serviços dessa repartição.
Pertenceu a muitas sociedades literarias e cientificas tanto nacionais como estrangeiras, e depois da sua morte foi, por proposta da Academia das Scienclas de Lisboa, dado o seu nome ao liceu do Funchal.
Morreu em Lisboa a 16 de Setembro de 1917.

terça-feira, maio 26, 2009

«Padre Manuel Alvares» - Elucidário Madeirense

Alvares (Padre Manuel). Dizem antigos nobiliarios madeirenses que Afonso Alvares Columbreiro, natural duma povoação dos subúrbios de Sevilha, foi um dos primeiros e nobres povoadores do lugar da Ribeira Brava e que ali fundara as capelas de Santa Catarina e S. Bento no morgadio por ele instituído e que tinha a sua sede naquela freguesia. Uma sua neta, por nome Brigida Gonçalves e o marido desta João Mealheiro ou Malheiro, que tinham foro de fidalgos, foram os ascendentes do padre Manuel Alvares, que procede portanto de nobre linhagem, o que aliás pouco acrescenta aos seus incontestaveis méritos e virtudes. Seus pais eram Sebastião Gonçalves e Beatriz Alvares, que conservaram as regalias de nobreza herdadas de seus maiores.
Todos os seus biógrafos, incluindo o autor da Synopsis Annalium Societatis Jesu in Lusitania, afirmam que entrou para o instituto da Companhia de Jesus a 4 de Julho de 1546, tendo 20 anos, e que morreu em Évora a 30 de Dezembro de 1583 com 57 anos de idade. Deve, pois, ter nascido em 1526, época em que nesta diocese não era ainda regular o registo dos nascimentos, não se encontrando por isso o respectivo assento no arquivo paroquial da Ribeira Brava, como mais duma vez tivemos ocasião de verificar.
Amanhecera nele a vocação eclesiástica, pois já em 1538 recebera as ordens sacras, chamadas menores, das mãos de D. Ambrosio Brandão, bispo titular de Rocina, que viera a esta ilha exercer temporariamente as funções episcopais. Conta o padre Antonio Franco que aportando ao Funchal uma nau, que navegava para a Índia, lançara em terra por motivo de doença, um religioso da Companhia de Jesus, que se recolhera no hospital a tratar da enfermidade que o acometera. Fora visita-lo Manuel Alvares a fim de obter noticias e informações acerca dum seu antigo e condiscípulo, e do trato que teve com o religioso nasceu o desejo de abraçar a ordem de Santo Inacio, que desde a sua fundação, em 1540, gozava de extraordinária fama e atraía muitas vocações eclesiásticas. Em breve deixou a casa paterna e entrou na congregação dos Jesuítas em 1546, como já fica referido.
Durante os seus trabalhos escolares, em que se revelou um estudante de extraordinário talento, mostrou uma especial predilecção pelo cultivo das línguas mortas latina, grega e hebraica, e em breve se tornou, na primeira delas, uma verdadeira autoridade, sendo tido como um dos mais notáveis latinistas do seu tempo. Tinha também grande conhecimento das línguas siro-caldaica e árabe e conhecia ainda outras línguas orientais.
Das obras que escreveu, foi a sua gramática da língua latina De Institutione Grammatica que lhe deu renome universal. Para bem se aquilatar do seu valor, bastará dizer que, além das inúmeras edições que dela se fizeram em língua latina, foi traduzida em francês, inglês, alemão, espanhol, italiano, boémio, croata, flamengo, hungaro, polaco, chinês e japonês.
Depois dos Lusiadas, nenhuma obra de autor português logrou ser traduzida e reeditada tantas vezes. Edgard Prestage, no seu estudo sobre D. Francisco Manuel de Melo, publicado ha poucos anos, diz: "este trabalho... tem passado por mais de 400 edições, estando traduzido em todas as línguas, e uma versão chinesa foi publicada em Xangai em l869. Pouquíssimos livros scientificos têm tido assim três séculos de vida". José Silvestre Ribeiro, no seu Curso de Litteratura Portuguesa, afirma "que este ilustre madeirense é uma das glórias pedagógicas de Portugal e que o seu livro é a obra mais extensa e intensamente disseminada que tem tido a literatura portuguesa". Acrescenta ainda, para terminar as citações, o célebre e sábio bispo de Viseu, D. Francisco Alexandre Lobo: *ou no estado ecclesiastico ou na republica das letras não vejo outro portuguez que possa ser preferido a Jeronimo Osorio. Na união de uma e outra cousa não vejo portuguez que lhe possa ser igualado+.
Durante duzentos anos foram os livros de Manuel Alvares os tratados clássicos do ensino da língua latina em quasi toda a Europa. O aparecimento, porém, dos trabalhos de Antonio Pereira de Figueiredo e de Luiz Antonio Verney, por meados do século XVIII, deram lugar entre nós a muitas criticas e discussões acerca do valor da obra do célebre jesuíta, e os seus livros, com os progressos da ciência da linguagem no longo período de dois séculos, começaram a perder a autoridade de que gozavam, para o que também bastante concorreu a proibição feita pelo Marquês de Pombal de serem adoptados esses livros no ensino publico ou particular. No entretanto, ainda no segundo quartel do século XIX se fizeram cerca de vinte edições da sua gramática em diversos países da Europa.
Manuel Alvares, além do seu método de ensino da língua latina, escreveu outras obras, algumas das quais ficaram inéditas. A fama que aureolou o seu nome como escritor e erudito e ainda o grande prestigio de que gozava entre os seus confrades, tinham-no indicado para os cargos elevados da sua ordem, e assim foi reitor dos afamados colégios de Lisboa, Évora e Coimbra, revelando sempre a superioridade do seu talento e as eminentes qualidades do seu tacto governativo.
Terminaremos esta nota biográfica com as próprias palavras do autor da Bibliotheca Lusitana:- "De todas as virtudes religiosas era exemplar modelo, merecendo por ellas elogios do seu santo patriarca. Provada a sua tolerancia com uma larga enfermidade, faleceu com grande piedade no Colégio de Évora a 30 de Dezembro de 1583, com 57 anos de idade e 37 de religioso. Passados alguns anos, sendo aberta a sua sepultura em que jaz o seu cadáver se achou incorrupto".
Em Agosto de 1917, veio ao Funchal o Sr. Dr. Urbano Canuto Soares proceder, por ordem do Ministério da Instrução Publica, a alguns trabalhos acerca da vida e obras do padre Manuel Alvares.

Silva, Fernando Augusto da; Menezes, Carlos Azevedo de – ELUCIDÁRIO MADEIRENSE, Volume Primeiro, A-I, Funchal, Tipografia “Esperança”, 1921.
Volume Segundo, J-Z, Funchal, Tipografia “Esperança”, 1922.
Este Elucidário Madeirense já vai na sua quinta ou sexta edição, apesar de tudo continua a ser uma obra de referência. A partir da segunda edição, inclusive, a obra passou a ser publicada em três volumes.

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