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terça-feira, março 24, 2009

«Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos» - Dr. Manuel Pedro Freitas

Fundada a 13 de Agosto de 1949, com a denominação de Associação do Corpo de Bombeiros Voluntários de Salvação Pública de Câmara de Lobos, a Associação dos Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos, foi o culminar de várias tentativas falhadas, levadas a cabo desde finais do século XIX, no sentido de dotar o concelho de Câmara de Lobos, de um corpo de bombeiros.

Dadas as características dos materiais utilizados nas construções, com o recurso predominante a madeiras e outros materiais inflamáveis, bem como o tipo de iluminação utilizada antes do advento da electricidade, os incêndios eram, em tempos mais recuados, não só frequentes como devastadores.
Sendo assim, é natural que se registasse, por parte dos políticos, alguma preocupação no seu combate, ainda que, nalguns casos não tanta como aquela que seria de esperar. Com efeito, o primeiro corpo de bombeiros devidamente organizado só surge na Madeira, mais precisamente no Funchal, em 1889, facto que não só se poderá atribuir a carências de ordem financeira, como também à aceitação dos incêndios, por parte da população, como fatalidades que faziam parte do destino.

A aquisição de uma bomba
No concelho de Câmara de Lobos, uma das mais antigas referências à tentativa de organização de um corpo de bombeiros surge em Abril de 1889 [1], altura em que a imprensa noticiava que a Câmara Municipal de Câmara de Lobos havia encarregue Terra Viana, um instrutor dos Bombeiros Voluntários Madeirenses de adquirir uma bomba da marca Jauch e mais alguns materiais de incêndios, a fim de ser organizada, na sede do concelho, uma companhia de bombeiros que seria instruída por um dos novos elementos do corpo de bombeiros funchalenses. Em 1890 a Câmara Municipal de Câmara de Lobos adquire a sua primeira bomba contra incêndios [2], [3], bomba essa que, em Novembro de 1891, se encontrava na Alfândega no Funchal a aguardar despacho [4].

A organização de um Corpo de Bombeiros
Apesar da Câmara se encontrar detentora da bomba, desde Novembro de 1891, só muito mais tarde, em Maio de 1896 é que é deliberado organizar o serviço de incêndios [5]. Para o efeito, é mandado construir um depósito para água destinado ao serviço de incêndios, são encomendados os necessários aparelhos e são nomeados para o corpo de bombeiros, António Gonçalves Fragoeiro, António dos Santos, Pedro Figueira, Gregório da Paixão Oliveira, José Gonçalves, Manuel Vieira Pita e como comandante Frederico Augusto da Silva Braga.
Ainda que se desconhecendo o local onde terá ficado a bomba armazenada, sabe-se que, em Outubro de 1897, a Câmara haveria de autorizar o alargamento da porta de uma das várias lojas existentes no rés-do-chão do edifício dos paços do concelho, mais precisamente a que ostentava o número 3 e situada na rua Serpa Pinto, para que, permitindo a entrada da bomba, lhe pudesse servir de depósito [6]. No entanto, notícias vindas posteriormente a público, leva-nos a admitir que esta obra não teria sido realizada e a bomba teria continuado votada ao abandono, o mesmo provavelmente acontecendo com o corpo de bombeiros que a Câmara deliberou organizar, se é que alguma vez foi efectivamente organizado.
Com efeito, não só encontramos, em 1899, a bomba armazenada numa outra loja do rés-do-chão do edifício dos paços do concelho, que não a 3, como, antes em Outubro de 1898 estava-se preparando um nicho para a bomba de serviço de incêndios que estava condenada ao abandono [7] e, no ano seguinte, ou seja, em Janeiro de 1899, justificando também o mesmo motivo, Duarte Montez, bombeiro voluntário do Funchal, mas residente em Câmara de Lobos, oferece-se à vereação para organizar, nesta localidade, uma companhia de bombeiros voluntários e pedindo para que a Câmara colocasse à sua disposição a bomba e mais material de incêndio pertencentes ao município [8], [9].
Em resposta à proposta de Duarte Montez, a Câmara depois de agradecer a sua prova humanitária, viria a colocar à sua disposição a bomba e demais material de incêndio que possuía. Contudo, não deixa de lamentar o facto de João Baptista Serrão, arrendatário da loja 10 existente no rés-do-chão do edifício dos paços do concelho se recusar a entregar a bomba de incêndio da Câmara que se encontrava lá depositada na ocasião em que tomou conta, por arrendamento, da respectiva loja, sendo por isso deliberado proceder executivamente.
Confrontada, por outro lado, com o facto de não possuir instalações adequadas que servissem de depósito da bomba de incêndio e quartel para uma nova companhia de bombeiros que pretendia organizar na vila de Câmara de Lobos, a Câmara haveria de ultrapassar o problema, rescindindo amigavelmente, para o efeito, o contrato de arrendamento da loja arrendada a João Baptista Serrão [10].
Entretanto, o tempo vai passando, vão-se sucedendo os responsáveis pela autarquia e, com cada um deles, novas ideias, novos planos, novas prioridades e a criação do corpo de bombeiros ora vai sendo protelada, ora esquecida.
Em 1918, a Câmara manda proceder ao conserto da bomba e adquire mangueiras, com o objectivo de colocar operacional o equipamento de combate a incêndios a fim de poder ser utilizado quando necessário [11].
Em 1945, num relatório sobre as mais importantes obras a realizar no concelho de Câmara de Lobos, era referida a necessidade de construção de um tanque para abastecer as bocas de incêndio a construir na vila, não só para o combate a incêndios, como para lavagem das ruas. Para além desta obra contribuir para o combate a incêndios, ela viria ainda a permitir, caso se concretizasse, que a Câmara cobrasse o imposto de incêndios, arrecadando cerca de cento e cinquenta mil escudos por ano [12].
A 21 de Agosto de 1946, a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, volta a abordar a temática do combate a incêndios e, finalmente, dá início à concretização de um sonho que se arrastava havia mais de meio século, ao deliberar a criação de um serviço de prevenção e extinção de incêndios, atribuindo para efeitos de aquisição de material e equipamentos e ainda para instalação dos respectivos serviços uma verba de duzentos mil escudos [13]. A esta verba juntar-se-ia depois uma outra atribuída pelo Conselho Nacional de Serviços de Incêndios [14]. Em Dezembro do mesmo ano já se encontravam abertas as inscrições para os bombeiros [15].
Toda esta movimentação no sentido da criação da corporação de bombeiros em Câmara de Lobos, viria no entanto, a sofrer alguns atrasos. Só a 13 de Agosto de 1949, data da outorga dos seus estatutos, é que foi efectivamente fundada, com a denominação de Corpo de Bombeiros de Salvação Pública de Câmara de Lobos, já não sob a forma de um serviço municipal, como inicialmente a deliberação de 21 de Agosto de 1946 dava a entender, mas como uma entidade autónoma e com base no voluntariado. No dia 29 de Outubro os seus estatutos merecem despacho favorável por parte do Governador Civil do Distrito. Contudo, o Regulamento previsto no § único do artigo 35º só viria a ser elaborado em Setembro de 1955 e a merecer a rectificação por parte do Conselho Nacional dos Serviços de Incêndios, um ano depois, mais precisamente no dia 28 de Setembro, não sem antes ter sido sujeito a algumas rectificações impostas, por um parecer emitido a 28 de Março de 1956.

Dr. Vasco dos Reis Gonçalves João Crisótomo Caires Gonçalves

Para além do Dr. Vasco Reis Gonçalves, principal impulsionador da iniciativa, foram fundadores do Corpo de Bombeiros de Câmara de Lobos, João Evangelista Pestana, João de Freitas Gonçalves, Manuel António Teixeira, Manuel João Correia Júnior, Felisberto Gonçalves de Brito, Aires de Abreu, Manuel de Abreu, Amaro de Barros, Manuel de Sousa Júnior, António Agostinho Figueira Pereira, Manuel Gonçalves Pestana, José Guido Pita Ferreira, João Rufino de Faria, Tiago Teles, Augusto Joaquim Lopes Júnior, João Crisóstomo Gonçalves, Abel Beltrão de Nóbrega, José Rafael de Caires e Eduardo Celestino Vieira Caldeira Leal.
No dia 28 de Dezembro de 1949, após o despacho favorável relativamente aos estatutos, teve lugar a primeira Assembleia Geral de sócios fundadores, com a finalidade de elegerem os respectivos corpos sociais, tendo o Dr. Vasco Reis Gonçalves ocupado a presidência da Assembleia Geral e João Crisótomo Caires Gonçalves a presidência da Direcção [16],[17], cargos onde se haveriam de manter até 4 de Maio de 1990.
Empossados no dia 2 de Janeiro de 1950, estes corpos directivos começaram logo a trabalhar no sentido de dotarem a corporação, não só dos meios necessários ao combate a incêndios como do espaço físico que lhe servisse de instalação e quartel [18]. Assim, com a colaboração do Conselho Nacional de Incêndios são adquiridos os primeiros materiais, fazendo parte deles uma moto-bomba rebocável da marca Fiat com um débito de 800 litros por minuto e de 250 metros de mangueira [19],[20],[21]. Um quintal, situado junto ao edifício onde, então funcionava a secção de finanças da vila [22] é, a partir de 1951 reservado para parada e sede de instrução [23],[24].
Em ofício presente na sessão camarária de 14 de Fevereiro de 1951, a Associação de Bombeiros de Câmara de Lobos solicita à Câmara a cedência de uma sala no edifício da escola da vila, para aí instalar os seus serviços de secretaria, bem como uma loja no rés-do-chão do edifício dos paços do concelho para quartel. Em resposta, a Câmara nega a primeira pretensão, mas relativamente à segunda, depois de um pedido de parecer à Direcção das Obras Públicas, delibera favoravelmente. Efectivamente, em Outubro de 1951, na sequência desde pedido, a Câmara Municipal de Câmara de Lobos disponibiliza umas lojas existentes no rés-do-chão dos paços do concelho, à rua de Nossa Senhora da Conceição, para aí ser instalado o quartel dos bombeiros [25].
Sendo Câmara de Lobos um importante centro piscatório, e não sendo raras as vezes em que o flagelo dos naufrágios lhe batiam à porta, a criação do Corpo de Bombeiros cedo viria a despertar entre os seus impulsionadores da iniciativa, o desejo pela instalação de uma sessão de socorros a náufragos, numa iniciativa que se prendia com o apoio à faina da pesca [26]. Aliás, a este propósito, em 1954 [27], o capitão do Porto Funchal defendia, que a vila de Câmara de Lobos, um dos mais importantes portos piscatórios, fosse dotada de uma secção de socorros a náufragos, admitindo que essa tarefa deveria ficar a cargo da Corporação de Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos.
A propósito de socorros a náufragos refira-se, como curiosidade que Câmara de Lobos, em 1893 havia tido uma entidade destinada a prestar socorros a náufragos, não na perspectiva que teria o corpo de bombeiros, mas com fins caritativos, ou seja, não para salvar vidas, mas para minorar as consequências da perda de vidas humanas.
De acordo com a primeira acta desta comissão, foi ela instalada no dia 8 de Maio de 1893, tendo o acto decorrido na sala da administração do concelho de Câmara de Lobos, achando-se presente Luís Soares de Sousa Henriques, administrador do concelho, João António da Veiga, presidente da Câmara Municipal e António Silvino Gonçalves de Andrade, pároco da freguesia de Câmara de Lobos e João Jacinto Froes, secretário da administração do concelho. A criação desta comissão que seria presidida pelo Administrador do concelho e tendo como vice-presidente da Câmara, foi decidida pelo então prelado Diocesano, na sua qualidade vice-presidente da respectiva comissão departamental , dando cumprimento ao regulamento de 9 de Junho de 1892, publicado para execução da lei de 21 de Abril do mesmo ano.
Até 23 de Outubro de 1893, altura em que teve lugar a segunda Assembleia geral desta Comissão, não consta ter havido quaisquer ocorrências com respeito a náufragos, salientando-se por outro lado o facto da Câmara não ter incluído qualquer verba para esse fim, nem existirem quaisquer montantes na caixa que havia sido colocada na igreja matriz da freguesia de Câmara de Lobos com o fim de serem ali depositados donativos para socorros a náufragos.

Primeira escola de Bombeiros

Ainda que em Setembro de 1950 já se tivessem alistado 20 indivíduos e se previsse para breve o início da instrução da primeira escola de bombeiros [28], esta só deverá ter tido início em finais de 1951, princípios de 1952, sob a direcção de Fernão Pereira Camacho, dos Bombeiros Voluntários Madeirenses [29], [30].
No dia 27 de Julho de 1952, têm lugar no sítio da Terra Chã, mais propriamente num edifício que na década de 30 havia sido alvo de um incêndio e conhecido como Casa Ardida, os exercícios finais da primeira escola do Corpo de Bombeiros de Salvação Pública de Câmara de Lobos.
Num acto solene, por essa ocasião realizado, e presidido pelo Dr. Vasco dos Reis Gonçalves, então presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos e um dos principais impulsionadores da fundação da corporação e presidente da sua Assembleia Geral, e onde estiveram as mais altas individualidades do concelho de Câmara de Lobos e das corporações funchalenses congéneres, receberam distintivos de bombeiros: Manuel Agrela Júnior, João de Sousa, Francisco de Abreu Júnior, Aníbal Cristóvão Júnior, Antero Luciano de Freitas, Alvarinho Cândido de Freitas, Luís Francisco dos Santos, Orlando Euripes de Faria, José Victor de Moura, Vasco Adelino Faria e João Augusto dos Santos [31].
Com a realização destes exercícios finais, entrava assim oficialmente, em plena actividade, com um efectivo de 12 homens, comandados por António Avelino de Abreu, a Corporação de Bombeiros de Câmara de Lobos [32], [33]. Três dias depois, o Dr. Vasco Reis Gonçalves, é nomeado 1º Comandante-Médico desta corporação [34] e, no dia 2 de Maio de 1953, o Rev. Pe. Abel Ferreira ficava com a responsabilidade de capelão [35].

A primeira viatura
Por ocasião dos exercícios finais do primeiro corpo de bombeiros, a falta de uma viatura para transporte da sua moto-bomba e restante material, constituía, no entanto, o maior obstáculo à eficácia da sua actuação [36]. Por forma a suplantar esta carência, a Câmara Municipal de Câmara de Lobos havia já, em 1951, chegado a solicitar uma comparticipação ao Estado, destinada à aquisição de um Jeep [37]. Na sua reunião de 21 de Fevereiro de 1952, a Direcção dos Bombeiros volta a exprimir o desejo de adquirir um Jeep, chegando por esse facto a solicitar apoio tanto ao Conselho Nacional de Incêndios como à Direcção Geral de Administração Política e Civil [38].
Ainda que em Fevereiro de 1953 [39], a imprensa noticiasse que os bombeiros voluntários de Câmara de Lobos haviam adquirido, com a colaboração da Câmara Municipal de Câmara de Lobos e o Conselho Nacional de Incêndios, um Jeep Land-Rover, dotado de uma bomba fixa, viatura essa que se encontrava na altura, na Alfândega aguardando despacho, tudo indica que essa aquisição terá tido outros contornos e enfrentado dificuldades só ultrapassados com o empenho da Direcção e em particular do seu vice-presidente.
Com efeito, na sua reunião de 14 de Março de 1953, a direcção dos bombeiros, provavelmente regularizando contactos verbais anteriores, uma vez que o Jeep destinado à corporação já se encontrava no Funchal, desde os primeiros dias de Fevereiro, delibera adquirir um Jeep Land-Rover pela quantia de 85.000$00, quantia que terá sido integralmente adiantada por António Pinto de Abreu, em nome de quem a viatura ficou averbada até que a corporação, lhe pudesse efectuar o seu pagamento integral [40], [41]. Contudo, um ano depois, quando ainda apenas estavam pagos treze mil escudos, faltando, por isso, pagar setenta e dois mil escudos, António Pinto de Abreu, consente que a viatura passe para nome da corporação, ao serviço de quem sempre ela esteve desde a sua aquisição.
A ampliação do quartel
Com a dinâmica que, pouco a pouco, a corporação foi adquirindo, cedo as suas instalações se tornaram inadequadas, tendo provavelmente a aquisição do Jeep e a necessidade de lhe criar um espaço próprio, vindo a acelerar tal situação. Desta forma, importantes obras de adaptação nas suas primitivas instalações são efectuadas, transformando-se o antigo quartel num novo, cuja inauguração teve lugar pelas 11 horas do dia 31 de Maio de 1953 [42]. Ao acto presidido pelo Dr. Vasco Reis Gonçalves, presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos e presidente da Assembleia Geral da Corporação, estiveram presentes, entre outras individualidades, Alberto Malho, em representação dos Bombeiros Voluntários Madeirenses, João Ernesto Pereira, administrador do concelho, Flávio Ferreira Henriques, secretário da Câmara, Vasco Silva, em representação dos Bombeiros Municipais do Funchal, João Crisóstomo Gonçalves presidente da Direcção dos Bombeiros de Câmara de Lobos e Avelino de Abreu, Comandante dos Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos.
O quartel inaugurado dispunha de três compartimentos: gabinete do comandante, dormitórios e balneários e parque de viaturas e materiais. No respeitante a materiais, os Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos dispunham de um Jeep Land Rover com bomba fixa com uma potência de 600 litros/minuto e um reservatório de 300 litros; uma bomba a gasolina ASPI, com capacidade de 1000 litros/minuto, atrelável à viatura, uma bomba manual picota primitiva com uma capacidade de 100 litros/minuto; quatro lanços de escada italiana, dois de ganchos, forquilhas, croques, desforradeiras; 1000 metros de mangueiras, capacetes espias, machados etc. [43].
Em 1961, a corporação volta a ver aumentadas as suas instalações através da cedência da loja contígua ao quartel, na sua Serpa Pinto nº1, onde instalou o dormitório do piquete nocturno dos seus soldados [44].

O transporte de sinistrados
Se o combate a incêndios havia constituído a razão da criação da corporação, a verdade é que o transporte de sinistrados e de doentes não poderia ficar descorado. Por esse facto, na sua reunião de 28 de Fevereiro de 1955, o então presidente da Direcção queixa-se da necessidade de, a par de algum material que julga indispensável para o bom desempenho dos seus serviços, adquirir uma ambulância para socorrer a vários casos, uma vez que para o efeito estavam a serem utilizadas viaturas da praça, sem condições para tal. No dia 31 de Abril de 1955, após análise de duas propostas é deliberado proceder à aquisição de uma viatura usada, de marca International, pela quantia de dezoito mil escudos e adaptá-la a ambulância [45].
Na sua reunião de 31 de Dezembro de 1961, a direcção dos Bombeiros confrontada com a necessidade de efectuar grandes transformações na viatura adaptada a ambulância, para que pudesse continuar ao serviço e consequentes custos delibera colocá-la à venda e adquirir uma nova. Contudo, só em 31 de Julho de 1962 é a ambulância declarada incapaz e consequentemente anunciada a sua venda. Na ausência de compradores é esta viatura alvo de uma troca com outra destinada ao serviço de incêndios, mediante o pagamento de 6.750$00, por parte da corporação [46], juntando-se desta forma, no combate a incêndios, ao Jeep adquirido em 1953. Aliás, também, em 1962, cerca de 10 anos depois da aquisição da primeira, os bombeiros voluntários de Câmara de Lobos passam a dispor de uma outra moto-bomba [47].
Em 30 de Setembro de 1962 é deliberado abrir concurso para fornecimento de uma ambulância, tendo, em 31 de Outubro, sido feita a adjudicação de um veículo Opel Olímpia 1700, pelo valor de 95.000$00 [48].

Bombeiros em dificuldades
Ainda que, no início da década de 70, encontremos uma Corporação de Bombeiros organizada, a revolta militar de 25 de Abril de 1974 e consequentes alterações político-sociais viriam a empurrá-la para um processo de quase auto-extinção.
Na realidade, tratando-se de uma associação frágil, sem grandes meios, totalmente voluntária, com uma sobrevivência fortemente dependente da Câmara Municipal e estando os seus dirigentes, de uma forma ou de outra, ligados quer à Câmara quer ao sistema político destituído pela revolta militar de 1974, a substituição dos dirigentes autárquicos, na altura verificada, bem como o receio de hostilidades viriam a criar condições para um certo desânimo e até nalguns casos auto-afastamento, por parte daqueles que, com grande esforço e sacrifício pessoal, vinham mantendo, desde a sua fundação, o projecto dos bombeiros.
A tudo isto, juntar-se-ia, a necessidade, por parte dos novos dirigentes autárquicos, de rapidamente fazerem frente a um número sem fim, de reivindicações e anseios da população, entretanto surgidas, facto que faria relegar para segundo plano, outras carências, nomeadamente de menor impacto político ou eleitoral, como era a corporação de bombeiros.
Em 1980 reflectindo a grave situação que atravessava, a Associação de Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos, terá apresentando à Câmara Municipal de Câmara de Lobos duas soluções que julgava na altura de suficientes para resolver a crise financeira do corporação [49].
Contudo, apesar de, em termos práticos, a Corporação de Bombeiros de Câmara de Lobos, ter no início da década de 80, deixado de dar uma resposta adequada às exigências para que fora criada, a verdade é que, viria a conseguir garantir, ainda que com alguma irregularidade a prestação do serviço de transporte de doentes.
Por um lado, pese o facto de, em termos de combate a incêndios, ter perdido muita da sua operacionalidade, os seus equipamentos continuaram, como que à espera de melhores dias, a serem alvo de cuidados, cabendo tal tarefa a um dos elementos da sua primeira escola, de nome João de Sousa e que, durante alguns anos, constituiu o mais importante símbolo vivo dos bombeiros camaralobenses. Para além disso, o facto da autarquia, por volta de 1984 ter procedido à adjudicação das obras destinadas à construção de um edifício para albergar o mercado e a sede dos bombeiros, constituía um sinal de que o espírito que levou à criação dos bombeiros em 1949, apenas havia sofrido um abalo circunstancial.
Ainda relativamente ao transporte de doentes, importará dizer que em finais da década de 70 princípios da de 80, a freguesia do Estreito também haveria de passar a dispor de uma ambulância, destinada ao transporte de doentes [50].

A reactivação dos bombeiros
Em 1989, contudo, dão-se os primeiros passos no sentido da reactivação do corpo de bombeiros de Câmara de Lobos, iniciativa que gerou alguma polémica, entre os elementos do partido socialista e do partido social-democrata que, na altura, faziam parte do elenco camarário. Com vista à sua reactivação, constituiu-se um grupo de trabalho liderado por António José de Sousa Rocha que começou por efectuar o levantamento de toda a situação em que se encontravam os bombeiros, nomeadamente em termos de inventariação do material e a que se seguiria a angariação de novos sócios e elaboração do respectivo projecto cujo conteúdo é dado conhecimento ao Serviço de Protecção Civil.
No dia 24 de Maio de 1990 é convocada uma assembleia geral dos sócios da Associação de Bombeiros, por forma a eleger uma Direcção que pudesse, em conformidade com a lei, dar os passos necessários a uma efectiva reactivação da corporação. António José de Sousa Rocha é eleito presidente da Direcção, João Crisóstomo Caires Gonçalves, antigo presidente da Direcção, é eleito presidente da Assembleia Geral e Aníbal Cristovão de Jesus, bombeiro da primeira escola e antigo ajudante, é eleito presidente do conselho fiscal.
Em ofício datado de 25 de Julho de 1990, a Associação dos Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos solicita à Câmara a cedência de instalações sitiadas à rua da Carreira, nº11, dando a Câmara, dois dias depois parecer favorável, mediante a celebração posterior de um protocolo [51], [52].
Em Setembro de 1990, anuncia-se que Câmara de Lobos terá Corporação de Bombeiros no primeiro trimestre de 1991 [53], [54], [55] tendo lugar no mês seguinte a instrução da 1ª escola de bombeiros.
No dia 19 de Janeiro de 1991 tem lugar os exercícios finais do primeiro curso de bombeiros de 3ª classe [56], [57], [58], [59]. Ainda que preparados para iniciar logo a sua actividade, só a 12 de Julho de 1991 [60], [61],[62], com a inauguração da sua sede é que a Associação de Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos, se torna reactivada e inicia a sua actividade. Com esta reactivação, novos meios são colocados ao seu dispor, passando o corpo de bombeiros a servir a população durante 24 horas por dia, não só no combate a incêndios como no transporte de doentes, situação que antes nunca havia sido possível fazer.
Partindo de uma situação de completa ausência de meios de combate a incêndios e transporte de doentes, dado o estado de degradação em que os então existentes se encontravam, os novos dirigentes da corporação encetaram um conjunto de esforços visando o seu apetrechamento e à adequação das actuais exigências de uma organização deste tipo [63], [64], [65].
No dia 3 de Fevereiro de 1994, o Governo Regional da Madeira, através da resolução 70/94, presta homenagem a esta associação declarando-a de instituição de utilidade pública [66].

Os meios dos BVCL
Actualmente, os Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos possuem uma frota de duas dezenas de automóveis, entre ambulâncias e unidades de combate ou apoio no combate a incêndios. Por outro lado, a necessidade de prestar um serviço permanente à população obrigou a que fosse constituído um quadro de pessoal permanente de 15 bombeiros, sendo de, cerca de 45, o número daqueles que são chamados a prestarem serviço voluntário sempre que as circunstâncias assim o exijam. Possui ainda esta corporação, uma fanfarra que se apresentou pela primeira vez em público a 16 de Outubro de 1997 e duas unidades de pessoal especializado, uma no resgate de montanha e outra em socorros a náufragos.

Socorros a náufragos
Relativamente aos socorros a náufragos, concretizando um sonho que vinha desde os primórdios da criação dos bombeiros, esta unidade terá surgido em 1995, dela fazendo parte, para além de um grupo de bombeiros especificamente treinados para o efeito, de um bote cedido pelo SANAS-Madeira, com 4,5 metros de comprimento e que veio substituir um anterior utilizado no treino dos bombeiros. O investimento necessário à aquisição desta embarcação foi suportado pelo SANAS e pelos Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos (BVCL), no cumprimento de um protocolo assinando havia dois anos [67], [68].

Dirigentes dos BVCL
Ao longo dos seus 50 anos de existência, passaram pelos BVCL, como comandantes, Avelino Pinto de Abreu; Gabriel Gregório do Nascimento Ornelas, que assumiu tal cargo, em 1991, a quando da reactivação da Corporação e desde Janeiro de 1999, o Capitão Manuel Rui Nunes.
No que se refere aos seus Corpos Directivos, foi seu primeiro presidente da Direcção, João Crisóstomo Caires Gonçalves, tendo-lhe sucedido, António José de Sousa Rocha, cargo que actualmente ainda ocupa e para o qual tem vindo a ser reconduzido desde 24 de Maio de 1990.
A presidência da Assembleia Geral, foi ocupada pelo Dr. Vasco dos Reis Gonçalves, desde a fundação da Associação, até 24 de Maio de 1990, altura em que é substituído por João Crisóstomo Caires Gonçalves, que por sua vez, viria, posteriormente a dar o lugar a José António Freitas, actual detentor do cargo.

O aniversário dos BVCL
Tal como outras associações, os BVCL também possuem uma data que comemoram como sendo a da sua fundação. Apesar da efeméride utilizada, o 29 de Outubro de 1949, correspondente ao Despacho da aprovação dos estatutos por parte de Sua Exa. o Governador Civil do Distrito, não coincidir com a data utilizada nos primeiros anos de existência da Corporação, não deixa de ter algum significado, ainda que, neste mesmo ano outras datas também o tenham.
Em 1957, mais precisamente no dia 25 de Março, encontramos a Associação de Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos, a comemorar o nono aniversário, altura em que a Corporação aproveita para homenagear o Dr. Vasco dos Reis Gonçalves, presidente do município de Câmara de Lobos e fundador dos BVCL [69]. Através da análise desta data comemorativa, é suposto admitir que os bombeiros teriam sido fundados a 25 de Março de 1948. Não tendo sido encontradas quaisquer referências a acontecimentos de relevante importância nesta data, ficamos na dúvida se há erro jornalístico na referência bibliográfica, se há desconhecimento de dados da nossa parte ou se, por outro lado, foi esta data uma data arbitrária.
Para além desta, outras datas importantes que poderiam ser susceptíveis de ser utilizadas para referenciar a criação dos bombeiros como: a de 21 de Agosto de 1946, altura em que a Câmara delibera criar uma Corporação de Bombeiros, em Câmara de Lobos; a de 13 de Agosto de 1949, data coincidente com a aprovação dos respectivos estatutos pelos sócios e a de 28 de Dezembro de 1949, data da eleição dos primeiros Corpos Gerentes da Associação e em que participaram os sócios fundadores: Dr. Vasco dos Reis Gonçalves, João Evangelista Pestana, João de Freitas Gonçalves, Manuel António Teixeira, Manuel João Correia Júnior, Felisberto Gonçalves de Brito, Aires de Abreu, Manuel de Abreu, Amaro de Barros, Manuel de Sousa Júnior, António Agostinho Figueira Pereira, Manuel Gonçalves Pestana, José Guido Pita Ferreira, João Rufino de Faria, Tiago Teles, Augusto Joaquim Lopes Júnior, João Crisóstomo Gonçalves, Abel Beltrão de Nóbrega, José Rafael de Caires e Eduardo Celestino Vieira Caldeira Leal.
De todas as datas inventariadas e ressalvando o desconhecimento relativamente ao que terá acontecido com a de 25 de Março de 1948, e que poderá corresponder a uma das mais importantes ou primeiras reuniões preparatórias para a constituição da Corporação, parece-me justo ressalvar a importância da data de 13 de Agosto de 1949, uma vez que é o dia da aprovação dos estatutos pelos sócios fundadores e, em que, de acordo com o seu Artigo 59º, os indivíduos que os subscrevem são considerados sócios efectivos e isentos de pagamento de jóia.

BVCL celebram Bodas de Ouro
De qualquer forma, seja o dia 13 de Agosto de 1949, seja o dia 29 de Outubro de 1949, actualmente aceite e preconizado pelos actuais corpos directivos, interessa realçar o facto de, no decurso deste ano de 1999, os Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos poderem celebrar as suas Bodas de Ouro ao serviço da comunidade camaralobense. O facto de, na década de 80, terem atravessado um período de alguma dificuldade, de forma alguma pode ser considerado como tendo sido de interrupção da sua actividade, ou servir de pretexto para manchar o seu historial, uma vez que não só manteve um serviço de transporte de doentes, como o espírito da Corporação, testado através de vários parâmetros, nunca viria a morrer.

[1] Diário de Notícias, 16 de Abril de 1889.
[2] Na sessão Camarária de 23 de Agosto de 1961, é presente um ofício do jornal "O Bombeiro", solicitando à CMCL a cedência da sua bomba manual ao museu do Bombeiro, pedido a que a Câmara acedeu, mas com a condição da bomba regressar ao património municipal caso se verificasse a extinção do museu. Em 1961, ela esteve numa exposição de equipamentos antigos dos bombeiros, numa organização da revista "O Bombeiro".
[3] Campos F., Malho A. O Bombeiro Madeirense e a sua História. Funchal, 1963, p.31.
[4] Na sessão camarária de 12 de Novembro de 1891 é proposto que se mandasse despachar a bomba de incêndio que se encontrava na Alfândega do Funchal.
[5] Na sessão camarária de 13 de Maio de 1896 é deliberado organizar o serviço de incêndios em Câmara de Lobos.
[6] Na sessão da CMCL de 6 de Outubro de 1897 foi autorizado o alargamento da porta nº. 3 dos paços do concelho à rua Serpa Pinto para servir de depósito à bomba de Incêndio.
[7] Semana Illustrada, 16 de Outubro de 1898.
[8] Na sessão da CMCL de 25 de Janeiro de 1899 é presente um ofício de Manuel Duarte Montez, oferecendo-se para organizar na vila de Câmara de Lobos, uma companhia de bombeiros voluntários
[9] Diário de Notícias, 4 de Fevereiro de 1899.
[10] Sessão da CMCL de 20 de Setembro de 1899.
[11] Sessão da CMCL de 9 de Fevereiro de 1918.
[12] Sessão da CMCL de 6 de Junho de 1945.
[13] Esta deliberação surge na sequência de um telegrama enviado pelo Governador Civil do Funchal e em que este pretendia saber se a Câmara Municipal de Câmara de Lobos pretendia assumir o compromisso referido no § 8º, Artº 708 do Código Administrativo, redacção dada pelo Decreto nº 35:746 de 12 de Julho de 1946.
[14] Sessão da CMCL de 15 de Janeiro de 1947.
[15] O Jornal, 21 de Dezembro de 1946.
[16] Campos F., Malho A. O Bombeiro Madeirense e a sua História. Funchal, 1963, pg. 146.
[17] Diário de Notícias, 15 de Janeiro de 1950.
[18] Livro de Actas da Direcção p.3v e 4.
[19] Livro de Actas da Direcção p.4; 6v.
[20] Diário de Notícias, 4 de Setembro de 1950. O Concelho Nacional de Incêndios havia concedido um subsídio de 50 contos, que haviam sido utilizados na aquisição destes equipamentos.
[21] Diário de Notícias, 18 de Novembro de 1951.
[22] O edifício em causa situa-se na rua de São João de Deus e nele esteve até há pouco tempo instalado o Registo Civil
[23] Livro de Actas da Direcção dos BVCL de 21 de Maio de 1951. p.9v e de 22 de Junho de 1951, p. 10.
[24] Sessão da CMCL de 19 de Agosto de 1951.
[25] O Diário de Notícias, 18 Novembro de 1951 informa de que os Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos, dentro em breve iriam possuir um quartel condigno e que para breve se iria iniciar a sua instrução. Informa ainda que o conselho nacional de incêndios enviou uma bomba rebocável e que a câmara municipal de câmara de lobos havia pedido ao estado uma comparticipação para adquirir um Jeep para transporte da moto-bomba. Também dá conta que recentemente haviam sido adquiridos para a corporação, 4 escadas de molas em braços de 3 metros, 12 machados de cinto para bombeiros, em aço com guarda-gume de metal amarelo, mosquetes de aço, baldes. bivaques croquetes, espias finas miões de latão cintos de cabedal etc., tendo também já sido feita a encomenda de fardamento. No dia anterior à publicação desta edição do Diário de Notícias, o sr. Joaquim Quintino Travassos Lopes, comandante dos bombeiros voluntários madeirenses e delegado no Funchal, da liga dos bombeiros portugueses, havia vindo a Câmara de Lobos examinar o material adquirido, bem como o edifício para o futuro quartel, numas lojas existentes na rua de nossa senhora da conceição e cedidas pela Câmara.
[26] Diário de Notícias, 4 de Setembro de 1950.
[27] Eco do Funchal de 17 de Janeiro de 1954.
[28] Notícias do Concelho de Câmara de Lobos. Diário de Notícias, Funchal, 4 de Setembro de 1950.
[29] Ainda que o Diário de Notícias do dia 16 de Março de 1951 anunciasse que tanto Câmara de Lobos, como Machico, possuindo já moto-bombas e mangueiras, se preparavam para recrutar indivíduos entre os 20 e os 25 anos, para serem devidamente instruídos para bombeiros, o Diário de Notícias de 18 de Novembro de 1951, nesta altura previa para breve o início da instrução.
[30] Campos F., Malho A. O Bombeiro Madeirense e a sua História. Funchal, 1963, pg. 160-161.
[31] Diário de Notícias, 28 de Julho de 1952.
[32] Campos F., Malho A. O Bombeiro Madeirense e a sua História. Funchal, 1963, p.160-161.
[33] O Eco do Funchal de 3 de Junho de 1957 refere que no dia anterior haviam realizado exercícios finais, 13 novos bombeiros voluntários de Câmara de Lobos.
[34] O Dr. Vasco Reis Gonçalves é nomeado na reunião da direcção da Associação de Bombeiros do dia 30 de Julho de 1951, 1º comandante-médico por ter, desde o início da fundação manifestado toda a boa vontade, interesse e dinamismo para que Câmara de Lobos fosse dotado com uma Corporação de Bombeiros.
[35] Na sua reunião de 2 de Maio de 1953, a Direcção da corporação de bombeiros delibera nomear o padre Abel de Ferreira, capelão da associação.
[36] Campos F., Malho A. O Bombeiro Madeirense e a sua História. Funchal, 1963, p.161.
[37] Diário de Notícias, 18 de Novembro de 1951.
[38] Reunião a Direcção dos Bombeiros de 22 de Abril de 1952
[39] Diário de Notícias de 13 de Fevereiro de 1953.
[40] Na reunião do dia 14 de Março de 1953, dizia-se que a corporação não possuía verba suficiente para esta aquisição pelo que foi resolvido pagar no acto da compra a quantia de trinta e cinco mil escudos e devendo o saldo em dívida de cinquenta mil escudos, ser pago através de um levantamento dessa importância no Banco de Portugal sob a responsabilidade dos senhores Presidente e Vice-Presidente, respectivamente, João Crisóstomo Gonçalves e António Pinto de Abreu, responsabilidade essa que será desobrigada pelo recebimento de novos subsídios, ficando o mesmo carro averbado em nome do obrigado António Pinto de Abreu, até o pagamento integral do mesmo”. Contudo, na reunião do dia 31 de Março de 1954, o conteúdo da sua acta mostra que António Pinto de Abreu é que terá, afinal, adiantado a totalidade da verba em que importou a aquisição do Jeep, sendo nesta reunião deliberado efectuar-lhe o pagamento de treze mil escudos por conta do Jeep ficando em dívida setenta e dois mil escudos. O pagamento desta verba só viria a ser integralmente satisfeita em Dezembro de 1960, ou seja, cerca de 16 anos após a aquisição do Jeep.
[41] Ainda que a deliberação da aquisição do Jeep date de 14 de Março de 1953, o Diário de Notícias de 13 de Fevereiro de 1953, anunciava já a presença da viatura, na Alfândega, aguardando o seu despacho.
[42] De acordo com o Jornal da Madeira de 2 de Junho de 1953, para além da inauguração do quartel dos bombeiros haviam-se também na altura realizado o exercício final dos novos aspirantes a bombeiros da Associação de Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos.
[43] O Jornal, 2 de Junho de 1953.
[44] O pedido de cedência destas instalações foi decidido na reunião de direcção dos bombeiros, a 31 de Janeiro de 1961 , vindo posteriormente a merecer parecer favorável, por parte da Câmara Municipal de Câmara de Lobos.
[45] O pagamento da viatura foi feito em duas prestações: uma no acto da entrega, no valor de oito mil escudos e outra no valor restante, a ser paga dentro da gerência de 1956. Na reunião onde se deliberou a aquisição desta viatura, surgem também autorizações de pagamento de algumas despesas feitas com trabalhos efectuados na ambulância, o que pressupõe que esta já tivesse na posse da corporação antes da deliberação. Aliás a mesma situação já havia acontecido com a aquisição do Jeep.
[46] Livro de Actas , 31 de Agosto de 1962 p.96v.
[47] O diário de Diário de Notícias de 9 de Fevereiro de 1962 informa que a Associação de Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos haviam recebido do Conselho Nacional de Incêndios uma nova moto-bomba, pela qual, na reunião da Direcção da Corporação de 30 de Junho de 1962 se fica a saber que havia importado em 12.670$00.
[48] De acordo com a deliberação do dia 30 de Novembro de 1962, o pagamento desta ambulância far-se-ia mediante o pagamento de uma entrada inicial de 25.000$00 e uma letra no valor de 70.000$00, cujo valor foi assumido pelos membros da direcção.
[49] Reunião da CMCL de 23 de Outubro de 1980.
[50] Na reunião da CMCL de 29 de Janeiro de 1981, foi presente um ofício da Junta de Freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, informando que a ambulância ao serviço naquela freguesia era requisitada por tudo e por nada designadamente até para deslocações com a finalidade de extrair dentes, perguntando, por isso, se esses serviços ou melhor e todo e qualquer serviço deveria ser pago ou gratuito. Em resposta, a Câmara deliberou aplicar a tabela em vigor nos bombeiros, isto é de 80$00 no arranque e 250 centavos ao quilómetro. Posteriormente, com a reactivação dos bombeiros, passou esta ambulância para a sua dependência.
[51] Corresponde esta sede à actual, situada sob o mercado Municipal.
[52] O protocolo em causa está referenciado na acta da Sessão Camarária de 22 de Julho de 1993.
[53] Segundo o Jornal da Madeira de 8 Setembro de 1990, o Secretário Regional da Administração Pública acompanhado do presidente do Serviço Regional de Protecção Civil deslocara-se a Câmara de Lobos onde reuniu com o presidente da Câmara em exercício, com os deputados eleitos pelo concelho e com os membros dos corpos directivos dos Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos tendo por objectivo a análise do problema relacionado com a activação do Corpo de Bombeiros neste concelho. Na altura, o equipamento indispensável ao início da actividade dos bombeiros estava inventariado em cerca de 3.500 contos, sem contar com os encargos inerentes à aquisição de viaturas e calculava-se que no primeiro trimestres de 1991 a corporação já estaria em actividade.
[54] Diário de Notícias, 9 setembro de 1990.
[55] Na sequência do anúncio feito pelo Secretário Regional da Administração Pública, relativamente à criação dos Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos, Manuel Pedro Freitas, aproveita o momento para fazer vincar a necessidade da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, em ter um posto de polícia, por forma a combater a onda de criminalidade então vigente e ver resolvida uma carência de várias décadas. Para o efeito publica na edição de 11 de Setembro de 1990 do Diário de Notícias, um artigo onde, aproveitando o facto de terem sido cometido um mês antes dois crimes de homicídio, faz vincar, por contraponto com os bombeiros, a necessidade de um posto de polícia do Estreito.
[56] O Jornal da Madeira de 20 de Janeiro de 1991 refere-se à exibição de perícias por parte dos Bombeiros de Câmara de Lobos.
[57] O Diário de Notícias de 26 de Janeiro de 1991, anuncia o início da actividade dos Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos para Março. O Diário de Notícias de 28 de Janeiro de 1991, pública afirmações de Bazenga Marques a anunciar a criação de corporações de bombeiros na Calheta e em Câmara de Lobos.
[58] O Diário de Notícias de 17 Fevereiro de 1991, dá conta que os bombeiros voluntários de Câmara de Lobos tinham estatutos aprovados a 29 de Outubro de 1949 e que haviam estado activos durante 34 anos, após o que se inactivaram, para agora, voltarem a surgir, apontando o mês de Março para o efeito. Anuncia ainda a realização de um curso de primeiros socorros com a duração de 30 horas e com inicio no dia seguinte.
[59] Posteriormente outras escolas se seguiriam. O Diário de Notícias do dia 15 de Março de 1992, noticia o exercício final de 15 novos elementos dos Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos, realizado no dia anterior.
[60] Diário de Notícias de 5 de Julho de 1991.
[61] Jornal da Madeira, 12 de Julho de 1991.
[62] No dia 13 de Julho de 1991 tanto o Diário de Notícias quanto o Jornal da Madeira referem-se à inauguração, por Alberto João Jardim, da nova sede dos Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos, localizada no edifício do mercado e ainda à cerimónia de graduação de 20 novos bombeiros desta corporação.
[63] O Jornal da Madeira de 26 de Setembro de 1991 faz referência a um pronto socorro para os Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos.
[64] O Diário de Notícias de 27 de Maio de 1991 refere que a preços simbólicos, carros de bombeiros e ambulância virão do País de Gales, para a Madeira e provavelmente para os Voluntários de Câmara de Lobos e Ribeira Brava.
[65] Na sua edição de 5 de Julho de 1991, o Jornal da Madeira dá conta da transferência de uma viatura dos Bombeiros da Ribeira Brava para os Bombeiros de Câmara de Lobos, bem como da polémica gerada em seu redor.
[66] A 23 de Setembro de 1993 a Câmara Municipal de Câmara de Lobos delibera emitir parecer favorável à declaração de utilidade pública para a Associação de Bombeiros de Câmara de Lobos. De acordo com a correspondente deliberação, a Associação de Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos está criada há mais de 20 anos e vem exercendo a respectiva actividade com eficiência e resultados positivos comprovados; que a mesma Associação de Bombeiros satisfaz cumulativamente os requisitos exigidos no nº1 do artigo 2º do Decreto-Lei nº460/77 de 7 de Dezembro e que é a única Associação de Bombeiros existente no Concelho, prestando importante apoio às respectivas populações o que a torna imprescindível.
[67] Boletim Municipal de Câmara de Lobos de Abril/Maio de 1995.
[68] Na sua sessão de 22 de Julho de 1993 a Câmara Municipal de Câmara de Lobos celebra, para o efeito, um protocolo entre a Câmara Municipal de Câmara de Lobos e a Associação Humanitária de Bombeiros de Câmara de Lobos.
[69] Eco do Funchal, 28 de Março de 1957.
in:http://www.concelhodecamaradelobos.com/dicionario/bombeiros_voluntarios_camara_lobos.html
Nota do blogue: Mais um óptimo artigo do Dr. Manuel Pedro Freitas. Para aqueles que ainda não conhecem o «Dicionário Corográfico» da autoria do mesmo, aconselho vivamente a sua consulta:
http://www.geocities.com/TheTropics/paradise/4273/index.html. Pena não existirem mais pessoas com o empenho e dedicação deste ilustre pediatra pela preservação da história do seu concelho natal.

segunda-feira, março 23, 2009

«Brasão de Armas dos Condes de Torre Bela» - Dr. Manuel Pedro Freitas



“Escudo de fantasia, posto em cartela – rocaille -, esquertelado de: 1.º de Correia: de ouro, fretado de vermelho, de seis peças; 2.º de Henriques: de vermelho, com um castelo de ouro (Castela); mantelado de prata, carregado de dois leões de púrpura armados e lampassados de azul, o da direita voltado (Leão)” [1].
Existe um exemplar deste brasão de armas em cantaria, datada do século XVIII, sobre a porta principal do antigo palácio Torre Bela, na rua dos Ferreiros, no Funchal. Fernando José Correia Brandão Bettencourt de Noronha Henriques, 1º visconde de torre Bela, nasceu na freguesia da Sé, no Funchal, a 21 de Fevereiro de 1768 e faleceu em Nápoles a 30 de Agosto de 1821 [2], sendo, no ano seguinte, os seus restos mortais transladados para o panteão de família, na capela de Nossa Senhora da Boa Hora, em Câmara de Lobos, onde foi sepultado a 11 de Agosto de 1822.
O título de visconde de Torre Bela foi concedido pela primeira vez em 17 de Dezembro de 1812, sendo sucessivamente renovado em 14 de Julho de 1823, na pessoa de João Correia Brandão Henriques de Noronha 2.º visconde, a 11 de Setembro de 1857, na pessoa da condessa de Torre Bela, D. Filomena Gabriela Correia Henriques de Bettencourt Atouguia Brandão de Noronha 3.º viscondessa, e em 28 de Março de 1889, no seu filho Diogo Murry Kenmure Gordon Correia Henriques, 4.º visconde de Torre Bela..
Por Decreto de 6 de Setembro de 1894, Russell Manners Gordon, marido de D. Filomena Gabriela Correia Henriques de Bettencourt Atouguia Brandão de Noronha viria a ser elevado à grandeza de conde, passando a 1.º conde de Torre Bela e 3.º visconde pelo seu casamento.

[1] SAINZ-TRUEVA, José. Igrejas, casas, fortalezas e capelas brasonadas da ilha da Madeira e Porto Santo. Revista Atlântico, n.º 11, 1987.
[2] Registo de óbitos paroquiais da freguesia de Câmara de Lobos, 1822, pg. 40v. Contudo na lápide tumular encontra-se a data de 29 de Outubro de 1821, como sendo a da sua morte.

«Torre Bela, Condessa de» - Dr. Manuel Pedro Freitas

TORRE BELA, Condessa de

A condessa de Torre Bela, D. Filomena Gabriela Correia Henriques de Bettencourt Atouguia Brandão de Noronha, nasceu a 18 de Março de 1839, em Belém (Lisboa), tendo falecido, aos 86 anos de idade, no Funchal, no dia 9 de Agosto de 1925, no seu Palacete do Largo do Colégio. Inicialmente sepultada no cemitério das Angústias, os seus restos mortais, viriam, posteriormente a serem transladados para jazigo no cemitério de Câmara de Lobos.
Era filha única (uma sua irmã havia falecido aos 2 anos de idade) e herdeira dos segundos viscondes de Torre Bela, João Correia Henriques de Noronha Brandão e D. Isabel Joaquina Correia de Atouguia e Vasconcelos, filha herdeira do morgado João Manuel de Atouguia, Governador do forte da Conceição, do Ilhéu. Era neta do primeiro visconde de Torre Bela, Fernando José Correia Brandão Bettencourt de Noronha Henriques [1] e de D. Emília Henriqueta Pinto de Sousa Coutinho, dama da ordem de S. João de Jerusalém, filha dos primeiros viscondes de Balsemão.
Descendia em linha recta do célebre companheiro de Zarco, João Afonso Correia, que instituiu o morgadio da Torre em Câmara de Lobos, com nobres casas e engenhos e fundou para jazigo de família a capela do Espírito Santo na igreja paroquial de Santa Maria do Calhau, que a cheia de 1803 arrastou para o mar.
Deste foi filho António Correia, a quem os contemporâneos chamavam o Grande, pela sua riqueza e liberalidade tendo gasto mais de 20.000 cruzados no serviço de El-rei, pelo que, em 1509, teve a renovação do fôro, de fidalgo, que pertencia a seus maiores. Morreu com mais de cem anos e foi sepultado na capela de S. Sebastião de Câmara de Lobos. Um bisneto deste e herdeiro dos vários vínculos instituídos pelos seus ascendentes, de nome António Correia de Bettencourt, que nasceu em 1601 e faleceu em 1670, foi quem edificou a ermida de N. S. da Boa Hora na Quinta da Torre.
A Condessa de Torre Bela, casou em St. John's Wood Westminster a 15 de Setembro de 1857, com autorização régia, com Russell Manners Gordon, súbdito britânico, que pelo seu casamento haveria de assumir o título de 3.º visconde e mais tarde, por Decreto de 6 de Setembro de 1894, haveria de ser elevado à grandeza do Reino como 1.º conde de Torre Bela. Russell Manners Gordon [2] nasceu na Quinta do Monte a 23 de Novembro de 1829. Era filho de Diogo David Webster Gordon e de D. Teodósia Arabela Pollock. Foi fidalgo cavaleiro da Casa Real e Comendador de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.
Do casamento da Condessa de Torre Bela com Russel Manners Gordon haveria:

1. Gabriela Maria Gordon Henriques de Noronha (1861).
1. Isabel Constância Gordon Henriques de Noronha (1863) cc Charles van Beneden cc Joseph Gabriel Bolger.
1. James Murray Kenmure Gordson Correia Henriques de Noronha, 4º visconde da Torre Bela.

Na casa dos Correias Henriques incorporaram-se vários morgados, entre os quais os dos Brandões, padroeiros da igreja e hospício do Carmo e senhores da capela da Alegria, em S. Roque, sendo considerada a mais rica, logo depois da do Conde de Carvalhal. O seu solar do Funchal era na casa à rua do Comércio, actual rua dos Ferreiros, que ainda hoje ostenta, sobre a porta principal, as suas armas esculpidas em pedra. A condessa de Torre Bela, residia o antigo solar de Henrique Henriques de Noronha, grande genealogista e historiador madeirense, que a condessa também representava e que fora completamente reedificado por seu marido.
O título de visconde de Torre Bela foi concedido pela primeira vez em 17 de Dezembro de 1812, sendo sucessivamente renovado em 14 de Julho de 1823, na pessoa de João Correia Brandão Henriques de Noronha, a 11 de Setembro de 1857, na pessoa da condessa de Torre Bela, D. Filomena Gabriela Correia Henriques de Bettencourt Atouguia Brandão de Noronha, e em 28 de Março de 1889, no seu filho Diogo Murry Kenmure Gordon Correia Henriques.
Por Decreto de 6 de Setembro de 1894, Russell Manners Gordon, marido de D. Filomena Gabriela Correia Henriques de Bettencourt Atouguia Brandão de Noronha viria a ser elevado à grandeza de conde, passando a 1.º conde de Torre Bela e 3.º visconde pelo seu casamento.
Diogo Murry Kenmure Gordon Correia Henriques, 4.º visconde de Torre Bela, foi diplomata e faleceu solteiro e sem descendência, motivo pelo qual, a representação desta antiga casa viria a passar para o seu sobrinho, Dermot Bolger, filho de sua Irmã D. Isabel Constança, sem que o título de visconde tivesse sido revalidado.
Herdeira dum nobilíssimo e muito prestigioso nome e senhora duma avultada fortuna, a condessa de Torre Bela foi, em vida pela sua representação social, uma primacial figura no meio madeirense. As suas festas, dum cunho genuinamente aristocrático, ficaram tradicionais no meio elegante, marcando-se a entrada no Palacete do Colégio, recheado de preciosas jóias artísticas, como um verdadeiro grau de distinção. Por ali passaram nos seus bailes, nos seus lanches, ou nos seus elegantes chás, os mais categorizados nomes do meio e as mais representativas figuras nacionais e estrangeiras que, no seu tempo, visitaram esta ilha.
À sua nobreza de linhagem correspondia uma vincada fidalguia pessoal, na extrema delicadeza das maneiras e na prática dos seus elevados sentimentos.
A sociedade madeirense ficou a dever à condessa, vários actos de caridade e de assistência, um dos quais seria a oferta da sua propriedade Quinta de S. Filipe para a instalação da Escola de Artes e Ofícios [3].

[1] Fernando José Correia Brandão Bettencourt de Noronha Henriques, era coronel do regimento de milícias da Calheta, por ele levantado organizado e fardado à sua custa, comendador das ordens de Cristo e da Torre e Espada, do conselho de El-rei D. João VI, ministro plenipotenciário e enviado extraordinário a Hamburgo Stockolmo, Berlim, Viena, Nápoles, etc..
[2] Os Gordons eram de origem escocesa. Seu pai era David Webster Gordon, que foi o primeiro desta ilustre família que veio para esta ilha, tendo sido sócio da importante firma exportadora de vinhos Cossart, Gordon & e C.º, tendo construído a Quinta do Monte, que em 1925, pertencia à família Rocha Machado. Seu trisavô era o célebre Lord Kenmure, que foi degolado na Torre de Londres em 24 de Fevereiro de 1716 por ordem de Jorge I, por ser partidário de James Stewar, pretendente à coroa de Inglaterra. Eram seus tios, Murry Gordon, almirante da marinha inglesa e Guilherme Gordon, coronel das Guardas da Rainha (Scots Fusilier Gards) que foi ferido e ficou prisioneiro na batalha de Talavira (Guerra Peninsular).
[3] Diário da Madeira, 11 de Agosto de 1925.

«Torre Bela, 1º visconde de» - Dr. Manuel Pedro Freitas

TORRE BELA, 1.º visconde de

Fernando José Correia Brandão Bettencourt de Noronha Henriques, 1º visconde de Torre Bela, nasceu na freguesia da Sé, no Funchal, a 21 de Fevereiro de 1768 e faleceu em Nápoles a 30 de Agosto de 1821 [1], sendo, no ano seguinte, os seus restos mortais transladados para o panteão de família, na capela de Nossa Senhora da Boa Hora, em Câmara de Lobos, onde foi sepultado a 11 de Agosto de 1822.
Era filho do morgado António João Correia Brandão Bettencourt Noronha Henriques e de Ana Rosa Vilhena.
Foi coronel do regimento de milícias da Calheta, por ele levantado, organizado e fardado à sua custa: Foi comendador das ordens de Cristo e da Torre e Espada. Foi conselheiro de El-rei D. João VI. Seguiu a carreira diplomática e foi enviado extraordinário e ministro plenipotenciário de Portugal em Estocolmo, Berlim, Viena e Nápoles.
Casou em Lisboa, a 22 de Outubro de 1792, com D. Emília Henriqueta Pinto de Sousa Coutinho, dama da Ordem de São João de Jerusalém e filha dos primeiros viscondes de Balsemão, de quem houve:
1. Matilde Adelaide Correia Henriques Noronha (1793) cc Frederico Augusto da Câmara Leme ss
1. João Correia Brandão Bettencourt Henriques de Noronha, 2º visconde da Torre Bela.
1. Maria Carolina Corrêa Henriques de Noronha (1795-1869) cc D. João Frederico da Câmara Leme Homem de Sousa. Um dos seus descendentes, D. António da Câmara Leme França Dória, filho de D. Maria Eugénia da Câmara de Leme (1891-1964) e de Alberto Xavier da França Dória, haveria de requerer para si a atribuição do título de 5º visconde de Torre Bela, título que lhe foi concedido por alvará do concelho de Nobreza de 26 de Setembro de 1996.
1. Luís Augusto Correia Henriques de Noronha (1797- 1847) nc ss
1. Emília Augusta Correia Henriques de Noronha (1799-1824) nc ss
1. Fernando Correia Henriques de Noronha (1800) , governador das ilhas de São Tomé e Príncipe nc ss
1. Henriqueta Cristina Correia Henriques de Noronha * 1809 cc Rodrigo Barba Alardo de Lencastre e Barros, 1º visconde do Amparo.

O seu filho, João Correia Brandão de Bettencourt Henriques de Noronha, 2.º visconde de Torre Bela, foi quem lhe sucedeu na casa. Nasceu a 17 de Novembro de 1794 e faleceu a 7 de Julho de 1875. Foi dos poucos morgados na Madeira que seguiu o partido absolutista, tendo sido, na sua qualidade de militar, ajudante de campo de D. Miguel e seu delegado na conferência com o Marechal Saldanha, no Porto.
Casou a 25 de Maio de 1824, com sua prima D. Isabel Joaquina Correia de Atouguia e Vasconcelos, filha herdeira do morgado João Manuel de Atouguia e Vasconcelos, Governador do forte da Conceição, do Ilhéu, e de D. Isabel Joaquina Correia Henriques de Noronha, irmã do 1.º visconde. Deste casamento houve:

2. Maria do Carmo Correia Brandão Henriques de Noronha (1825- 1827)
2. Filomena Gabriela Brandão Henriques de Noronha, 3ª visconde da Torre Bela

Sucedeu-se na casa, D. Filomena Gabriela Correia Brandão Henriques de Noronha, 3.ª viscondessa e 1.ª Condessa de Torre Bela..
D. Filomena Gabriela Correia Brandão Henriques de Noronha, viria a se casar com Thomaz Russel Menners Gordon (falecido a 7 de Abril de 1906 - Diário Popular 8 de Abril de 1906), 3.º visconde, por casamento e 1.º conde na sequência da sua elevação à grandeza por Decreto de 6 de Setembro de 1894, de quem houve:

3. Gabriela Maria Gordon Henriques de Noronha (D. Ella Gordon Corrêa)(1861)
3. Isabel Constância Gordon Henriques de Noronha (D. Isabel Constança Gordon Corrêa Bolger)(1863) cc Charles van Beneden cc Joseph Gabriel Bolger.
3. James Murray Kenmure Gordson Correia Henriques de Noronha, 4º visconde da Torre Bela

Seu filho Diogo Murray Kenmure Correia, 4.º visconde e 2.º conde de Torre Bela foi quem lhe sucedeu na casa.
Diogo Murray Kenmure Correia, nasceu em Londres, a 17 de Janeiro de 1865 e faleceu em Berlim a 13 de Junho de 1911, solteiro e sem geração. Seguiu a carreira diplomática, tendo sido adido na legação portuguesa em Berlim. Sucedeu-lhe casa, o seu sobrinho Dermot Bolger, filho de sua Irmã D. Isabel Constança, sem que o título de visconde tivesse sido revalidado.

O título de visconde de Torre Bela foi concedido pela primeira vez em 17 de Dezembro de 1812, sendo sucessivamente renovado em 14 de Julho de 1823, na pessoa de João Correia Brandão Henriques de Noronha, a 11 de Setembro de 1857, na pessoa da condessa de Torre Bela, D. Filomena Gabriela Correia Henriques de Bettencourt Atouguia Brandão de Noronha, e em 28 de Março de 1889, no seu filho Diogo Murry Kenmure Gordon Correia Henriques, 4.º visconde de Torre Bela..
Por Decreto de 6 de Setembro de 1894, Russell Manners Gordon, marido de D. Filomena Gabriela Correia Henriques de Bettencourt Atouguia Brandão de Noronha viria a ser elevado à grandeza de conde, passando a 1.º conde de Torre Bela e 3.º visconde pelo seu casamento.

[1] Registo de óbitos paroquiais da freguesia de Câmara de Lobos, 1822, pg. 40v. Contudo na lápide tumular encontra-se a data de 29 de Outubro de 1821, como sendo a da sua morte.

segunda-feira, março 16, 2009

«Dr. António Vitorino de Castro Jorge» - Dr. Manuel Pedro Freitas

Era natural do Funchal, onde nasceu à rua de Santa Maria, freguesia de Santa Maria Maior, a 2 de Novembro de 1913, tendo falecido a 3 de Dezembro de 2004, aos 91 anos de idade. Era filho de Luís Jorge e de D. Josefina Antónia de Castro e Jorge.
Casou em 1944 com D. Matilde Martins da Silva Castro Jorge, de quem teve 3 filhos.
Depois de concluir o curso do Liceu do Funchal, matriculou-se na faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra onde tirou o 1º ano, desistindo depois para se matricular na faculdade de Medicina de Coimbra, acabando posteriormente por se transferir para a Faculdade de Medicina de Lisboa, onde se licenciou a 28 de Junho de 1938.
Terá permanecido em Lisboa até 1942, altura em que vem mobilizado para a Madeira como médico da Marinha. Uma vez na Madeira, ao fim de algum tempo pede passagem à vida civil, surgindo entretanto o casamento e uma sua passagem pelo Porto Santo, como Médico Municipal, cargo que exerceu durante cerca de 6 meses.
A 12 de Julho de 1944 toma posse do lugar de Médico Municipal do Concelho de Câmara de Lobos, no partido médico das freguesias do Estreito de Câmara de Lobos e Curral das Freiras, substituindo nessas funções o Dr. José Sabino de Abreu, que entretanto se havia reformado. Nestas funções manteve-se até à sua reforma ocorrida por volta de 1983. A par das suas responsabilidades, como médico municipal, exerceu até quase completar 90 anos de idade, medicina privada, como Clínico Geral.
Para além de médico, o jornalismo interessou-lhe de forma particular, tendo sido proprietário e Director do Diário da Madeira, Director do Eco do Funchal, cargo que exerceu entre 15 de Janeiro de 1959 e 5 de Janeiro de 1961 e, ainda durante algum tempo Director do semanário Zarco, órgão oficial da APAM (Associação Política do Arquipélago da Madeira), organização de que também foi dirigente e que mais tarde viria a servir de base à fundação do Partido Democrático do Atlântico (PDA).
Relativamente ao Diário da Madeira, o primeiro número tendo o nome do Dr. Castro Jorge como proprietário e Director surge a 16 de Janeiro de 1961 e o último a 2 de Julho de 1982, altura em que aproveita para se despedir dos seus leitores referindo que depois de 25 anos de luta a bem dos madeirenses havia chegado ao fim, e caso curioso coincidindo com a inauguração dum monumento ao emigrante.
Também se interessou pela política, vertente onde tem um percurso de alguma curiosidade. Com efeito, ainda que não escondendo a sua admiração por Salazar, admitindo mesmo, em 1992, numa entrevista, de ser um salazarista convicto [1], tal não impedia que antes do 25 de Abril de 1974, no seu Diário denunciasse os erros e criticasse as autoridades por aquilo que considerava mal, nomeadamente através de rubricas como o Papagaio e o Giz na Parede.
Depois do 25 de Abril de 1974 continua no seu Diário da Madeira a defender os seus ideais e valores políticos e, em consequência de um artigo intitulado "Com Quem Vivemos", cujo conteúdo foi tido como independentista, é em 15 de Maio de 1975 preso por ordem do então Governador Militar da Madeira, Brigadeiro Carlos Azeredo e depois enviado para a prisão de Caxias.
Um comunicado do Quartel General do Comando Territorial Independente da Madeira de 15 de Maio de 1975 [2], dá conta de que em 10 de Maio de 1975 haviam sido publicados no Diário da Madeira, três artigos, nomeadamente "Com quem Vivemos", "Na Madeira Vitória da Social-Democracia", uma razão para a independência e uma carta inserta na secção "Correio da Madeira", com tendências contrárias à unidade nacional e que importava apurar a sua extensão motivo porque haviam sido detidos os seus autores: António de Castro Jorge, Cesário Nunes, M. Macedo de Faria e Manuel Rodrigues.
Ao saber da sua prisão muitos estreitenses ainda se deslocaram ao GAG 2, para pedirem a sua libertação, pretensão que, no entanto, não seria atendida. Depois de dois meses de prisão o Dr. Castro Jorge é libertado e volta ao Estreito e, no dia da sua chegada, o povo presta-lhe uma grande recepção, o que atesta o carinho que lhe dedicava.
Aliás, este carinho pelo Dr. Castro Jorge, já se havia feito sentir pelo menos noutra altura, ou seja em 1955, ainda que por outras razões. No dia 31 de Maio de 1955, por ocasião da recepção popular que organizara em honra do então presidente da República General Craveiro Lopes, na sua passagem pelo Estreito, foi acometido de doença súbita, situação que o levaria posteriormente à capital, para tratamento. No seu regresso, em Julho desse ano, foi alvo de uma importante manifestação de regozijo prestada por parte da população.
Apesar do acidente de percurso, que foi a sua prisão em Caxias e que ele próprio afirma ao Diário de Notícias de 2 de Novembro de 1995, ter sido uma experiência engraçada, não o impediu de continuar a ter uma intervenção activa na política. Para além de continuar a escrever no seu Diário, aceita ser nas eleições autárquicas de 1976, candidato à presidência da Câmara Municipal de Câmara de Lobos, nas listas do CDS - Centro Democrático e Social. Apesar dos bons resultados obtidos, tendo o partido que representava ganho as freguesias do Curral das Freiras e Quinta Grande, apenas conseguiu ser eleito vereador. Apesar de tudo, assume o mandato, mas na sessão camarária de 1 de Junho de 1978 demite-se, descontente com a forma como a maioria PSD estava a exercer o cargo. Segundo afirma ao DN-Revista, em 8 de Março de 1992, cansara-se com o facto do PSD aproveitar as suas ideias e depois chamá-las deles. A este propósito no acto da sua demissão refere mesmo numa alusão ao Dr. Alberto João Jardim de que não era cavalgando no Castro Jorge que o iria continuar no poder.
Antes de se comprometer com o CDS, o Dr. Castro Jorge terá chegado, em 1975, a ser abordado pelo próprio Dr. Alberto João Jardim, que se terá mesmo deslocado a sua casa, convidando-o para integrar as fileiras do PSD, o que recusou.
A 8 de Dezembro de 1978, conjuntamente com o Dr. Aragão de Freitas, Ernesto Pestana, Estevão Silva e outros, o Dr. Castro Jorge foi um dos fundadores do PDA (Partido Democrático do Atlântico), tendo ocupado a presidência da sua Comissão Instaladora e, posteriormente, a presidência da sua Direcção.
Ainda que nos últimos anos se encontre afastado da política activa, não deixa de continuar a surpreender a opinião pública por alguns dos seus apadrinhamentos políticos a nível do concelho de Câmara de Lobos.
Com efeito, em 1993 vê-mo-lo como mandatário da lista, tida como de esquerda, de cidadãos Seremos freguesia do Jardim da Serra, candidata à Junta de Freguesia do Estreito e tendo por objectivo a criação da freguesia do Jardim da Serra, a partir da desanexação da parte alta do Estreito de Câmara de Lobos. Em 1997 vê-mo-lo como mandatário da lista do Partido Socialista, candidata à presidência da Câmara Municipal de Câmara de Lobos.
Apesar das suas convicções políticas não hesita em apostar nas pessoas, mesmo que ideologicamente distantes, se confiar na sua honestidade, qualidade que era aliás, um dos valores que mais admirava em Salazar e sobre quem, em 1989, por ocasião do centenário do seu nascimento, escreveu uma pequena brochura.
Ainda que no concelho de Câmara de Lobos, o prestígio do Dr. Castro Jorge se deva à sua actividade como médico, merecendo mesmo o epíteto de Médico do Povo, o que lhe advém, não só da dedicação com que exerce a sua profissão, como principalmente à forma gratuita ou quase que gratuita como a exerce, a verdade é que ele também há alguns anos atrás esteve ligado a outras importantes iniciativas locais.
Com efeito, o seu nome está ligado a importantes iniciativas da freguesia do Estreito, nomeadamente à criação da festa das cerejas, à criação da Casa do Povo, à participação de uma representação da freguesia do Estreito, no desfile das festas das vindimas realizadas no Funchal, no ano de 1953, à realização, pela primeira vez, na Madeira, de uma festa dedicada a Santo Isidro, padroeiro dos animais.
Sobre o Dr. Castro Jorge, um motorista da Rodoeste de nome Horácio, compôs algumas quadras populares que por exprimirem o sentir do povo, não podem passar sem referência.

Nasceu em Santa Maria Maior
E para Medicina ele teve jeito
Por isso consultas veio dar
Para a freguesia do Estreito

Depois do 25 de Abril de 1974
Havia alguém que metia medo
Mandaram prender o Dr. Castro Jorge
Quem mandou foi o Brigadeiro Carlos Azeredo

De qualquer freguesia
Vêm ao Estreito bater
Vêm ao Dr. Castro Jorge
Para ele atender.

No Dr. Castro Jorge
Vale a pena esperar
Nunca deixa ninguém ir para casa
Sem ele consultar.

O Doutor Castro Jorge
É doutor da Freguesia
Atende sempre as pessoas
Com um sorriso de alegria.

Com mais de 80 anos
Ainda muita gente ele trata
Quando ele morrer
Muita gente vai achar falta.

Atende todas as pessoas
Ele nunca diz que não
Quando o Sr. Dr. morrer
Muitos chorarão.

A 18 de Maio de 1995 ao troço da estrada de acesso ao Jardim da Serra, compreendido entre a Rua da Igreja, no seu cruzamento com a Rua Capitão Armando Pinto Correia e o lugar do Calvário é dado o nome do Dr. António Vitorino de Castro Jorge. Contudo, já anteriormente, por deliberação de 3 de Setembro de 1987 havia sido dado o seu nome à rua entre o Largo do Patim e o Largo das Corticeiras, homenagem que recusou.
Para além desta rua, o nome do Dr. Castro Jorge, foi também por deliberação de 18 de Maio de 1995, dado à azinhaga que dá acesso ao seu consultório e que partindo da Rua Dr. Castro Jorge, acima da entrada para o Caminho Velho da Marinheira se estende até ao caminho Calvário - Estaleiro.

[1] CALDEIRA, Ivo. DN-Revista de 8 de Março de 1992.
[2] Jornal da Madeira do dia 16 de Maio de 1975.


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