terça-feira, junho 03, 2014

Marck Anahory Athias (1875-1946) - Isabel Amaral (Ciência em Portugal)

Marck Anahory Athias (1875-1946)
Marck Athias, de ascendência judaica, nasceu no Funchal, a 11 de Dezembro de 1875. Concluiu o curso de Medicina na Faculdade de Medicina de Paris, em 1897, onde teve oportunidade de privar com histologistas e fisiologistas de renome internacional, entre os quais se contava Mathias Duval, discípulo de Santiago Ramón Y Cajal, Prémio Nobel da Medicina e Fisiologia de 1906. Foi muito influenciado pelas ideias e pelos trabalhos de histofisiologia nervosa de Santiago Ramón y Cajal, que na época geraram grandes controvérsias.
Marck Athias chegou a Lisboa em 1897, e foi acolhido por Miguel Bombarda que com ele partilhava a defesa da teoria do neurónio de Cajal. Logo que iniciou a sua actividade científica em Portugal, foi congregando em torno de si jovens interessados em prosseguir uma carreira científica. Unidos por um ideal comum de universidade e de investigação científica, constituíram um grupo coeso e com identidade própria, ficando indelevelmente ligados à "geração de 1911".
A actividade de investigação de Athias foi-se diversificando por diferentes instituições: o Hospital de Rilhafoles, o Instituto Bacteriológico Câmara Pestana, o Instituto Pasteur de Lisboa, a Escola Médico-Cirúrgica, o Instituto de Fisiologia da Faculdade de Medicina de Lisboa, o Instituto de Investigação Científica Bento da Rocha Cabral, e, o Instituto Português de Oncologia.
Athias deixou uma obra de 138 publicações, que incluem biografias científicas (D. Carlos I, Miguel Bombarda, Fernando Matoso Santos, A. Laveran, Santiago Ramón y Cajal, Albert Dustin, Max Askanazy, Henrique Parreira e Carlos França); textos didácticos escritos para os alunos da Faculdade de Medicina (os guias dos trabalhos práticos de fisiologia, e os exercícios de química fisiológica); artigos de divulgação, relatórios de viagens ao estrangeiro ou das instituições em que trabalhou ou dirigiu e, artigos científicos.
Gráfico 1.1 - As publicações de Marck Athias efectuadas entre 1895 e 1946


No conjunto dos 35 artigos de divulgação, que constituem a segunda maior percentagem de publicações, estão incluídos vários tipos de trabalhos: relatórios de viagens científicas e de actividade desenvolvida nalgumas instituições; trabalhos de estudo prévio sobre o cancro e o seu combate, e, as conferências de âmbito científico, que realizou no Instituto Rocha Cabral, constituídas por sínteses temáticas, dirigidas a um público especializado mas diversificado nos seus interesses de ensino e investigação.
Os artigos científicos, aqueles que representam a maior contribuição de Athias, distribuem-se pelas áreas segundo as quais orientou a sua escola de investigação, a histologia, a histofisiologia, a histopatologia, a fisiologia e química fisiológica. O programa de investigação desenvolvido pela escola de Marck Athias iniciou-se pela histofisiologia nervosa, em 1897, área na qual Athias fizera as primeiras contribuições científicas em 1895, e prolongou-se até 1915. Esta área alargou-se para abranger a histofisiologia geral a partir de 1905 e diversificou-se para a fisiologia e a química fisiológica, a partir de 1911, e a histopatologia a partir de 1923. Pode afirmar-se que os métodos e técnicas da histofisiologia, “migraram para novas áreas de ignorância” das quais se destaca endocrinologia. Podemos assim dizer que o programa da escola de investigação de Athias operou duas mudanças importantes: primeiro consolidou na investigação fisiológica portuguesa uma abordagem ao nível da célula e não somente ao nível do órgão; com a química fisiológica anunciou a transição do nível celular para o molecular, no âmbito da fisiologia.
Marck Athias e os seus discípulos defenderam um conjunto de ideais, alguns deles de inspiração positivista, característicos do ideário republicano e advogaram um modelo de universidade e de investigação científica inspirado na reforma universitária germânica, iniciada em Berlin em 1809. Os discípulos de Athias, particularmente Celestino da Costa e Ferreira de Mira, ecoaram através dos seus escritos doutrinários os debates sobre estas questões ocorridos na Europa e, muito especialmente em França, entre 1870 e a I Guerra Mundial. Para além de defenderem uma prática universitária baseada na pesquisa, na qual a escola de investigação era uma peça fundamental, defenderam ainda a divulgação e a propaganda científicas na sociedade em geral, a promoção da cultura científica entre os investigadores por forma a contrabalançar a excessiva especialização, o intercâmbio científico entre pessoas e instituições, e, finalmente, a criação de sociedades científicas e de publicações especializadas. Neste capítulo, Athias envolveu-se na criação de duas sociedades científicas vocacionadas para as ciências biomédicas, de pendor experimental. Em 1907 fundou juntamente com A. Celestino da Costa e Abel Salazar a Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, e, em 1920, a Sociedade Portuguesa de Biologia. Para além disso, controlou a actividade editorial destas sociedades, nomeadamente, as correspondentes revistas, cujo objectivo visava, por um lado, difundir a sua produção científica, por outro, controlar a produção científica nacional nas áreas de influência da escola. Foi precisamente através destes canais de difusão do conhecimento que Marck Athias e a sua escola não só internacionalizaram a medicina portuguesa durante a primeira metade do séc. XX, como também criaram na comunidade científica local a necessidade de uma produção científica original e regular, orientada por padrões internacionais.
A escola de Marck Athias não se extinguiu pois com o desaparecimento do mestre. Nomeadamente, as novas áreas disciplinares originadas pelo desenvolvimento do seu programa de investigação tiveram continuidade pela mão dos seus discípulos, como sejam, a histopatologia oncológica, a endocrinologia e a química fisiológica. Neste contexto se entende a importância que Athias teve na contextualização da medicina experimental portuguesa na primeira metade do século XX, na senda de uma maior cientificidade desta área do conhecimento humano.


Isabel Amaral

Bibliografia
Alves, M. V., 1911 – O Ensino Médico em Lisboa no Início do Século, Sete Artistas Contemporâneos Evocam a Geração Médica de 1911, (Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1999).
Amaral, I., As escolas de Investigação de Marck Athias e de Kurt Jacobsohn e a Emergência da Bioquímica em Portugal, (Dissertação de Doutoramento, Lisboa, 2001)
Athias, M., O Cinquentenário da Teoria do Neurónio, (Lisboa, Imprensa Lucas, 1941).
Bettencourt, J. M., Miscelanea, (Lisboa, Faculdade de Medicina, 2000).
Celestino da Costa, A., “A Vida e Obra Científica de Marck Athias,” Arquivo de Anatomia e Antropologia, 26, (1948), 144-227.
Ferreira de Mira, “Athias e a Investigação Científica,” Clínica Higiene e Hidrologia, 13, (1947), 269-270.
Guimarães, J. A., “A Personalidade do Professor Marck Athias,” Clínica, Higiene e Hidrologia, 13 (1947), 266-273. Rico, T., “Mark Athias,” Arquivo de Patologia, 21, (1949), 117-140.

Adaptado de:

The Spirit Of Discovery; Or, The Conquest Of Ocean - William Lisle Bowles (1804)




Bowles, William Lisle - The Spirit Of Discovery; Or, The Conquest Of Ocean. A Poem, In Five Books: With Notes, Historical And Illustrative, London : Cadell, 1804.

De Rerum Natura: Sobre Marck Athias (1875-1946)

De Rerum Natura: Sobre Marck Athias (1875-1946): Novo post do historiador António Mota Aguiar: Marck Athias, nasceu no Funchal em 1875, com pai de ascendência judaica, director de um est...

sábado, janeiro 04, 2014

Cadernos de Design e Tipografia, Nr. 26, Setembro de 2013

Culturas 25

Temas — CULTURAS Nr. 26 / Setembro de 2013

Azulejos4
Eduardo Nery5
Maria Keil, obra artística17
A mostra Deutscher Werkbund em Portugal19
História do Design19
O Deutscher Werkbund21
1925: A revista Die Form30
Weissenhofsiedlung, 192733
Film und Foto37
Hermann Muthesius40
Wo stehen wir?41
Onde estamos? 46
Zusammenfassung54
Basta de lixo!62
A gestão do lixo municipal63
Um catamarã feito de 12 mil garrafas PET72
A produção de bauxite81
As caligrafias de Brody Neuenschwander89
Relembrando Posada93
O mensageiro da Caveira94
Skellets and skulls98
Magazine105
Alphabet Book105
Outro copy-book: Sloane 1448109

http://www.tipografos.net/cadernos/Culturas26.pdf

 


 

Cadernos de Design e Tipografia, Nr. 25, Dezembro de 2012

Culturas 25

Temas — CULTURAS Nr. 25 / Dezembro de 2012

Modo de usar Culturas — 4
Fotografia
Mestre do convencional: Juan Gyenes — 6
Walde Huth: que senhora! — 12
Leica X2 Edition Paul Smith — 18
Lytro: quase uma revolução — 20
Corporate Publishing
Revistas de clientes — 27
Património
Arquitectura popular: espigueiros e hórreos — 47
Volkstümliche Architektur im Norden der iberischen Halbinsel — 58
Desenho de letras — 63
Como pintar letras? — 65
Design étnico, 2
Hamaca: Repousar suspenso no ar — 89
Ab in die Hängematte! — 96
Góticas em Portugal — 110
A «Góticho-quadrada», epigráfica — 111
Livro da Nobreza e Perfeição das Armas — 138
Livros e Cursos
Dá Asas à tua Voz, 142 — Layout, 146 — Tipos & Fontes, 147 — Design Gráfico em Portugal, 1870 a 1970, 148 — Prova de bala, 149 — Revistas para Clientes, 149 — Megalitismo. Antas, menires e cromeleques, 150 — Os Romanos na Península Ibérica, 151 — Letras dos Romanos, 152 —A Cultura Visigótica, 153

http://www.tipografos.net/cadernos/Culturas-25.pdf

Cadernos de Design e Tipografia, Nr. 24, Agosto de 2012

Culturas 24 Néons

Temas — CULTURAS Nr. 24 / Agosto de 2012

Modo de usar Culturas — 4
Neon — 5
Gosto de néons — 31
The making of a Coca-Cola neon sign for Piccadilly Circus, 1954 — 39
Design étnico, 1 — 42
Kayak, Faltboot, caiaque — 44
In die Freiheit paddeln — 55
Design Nacional — 62
Fred Kradolfer: o pacto com o Fascismo — 63
ETP – Estúdio Técnico de Publicidade — 82
O «Sachplakat», 1920-1950 — 86
Kradolfer, der «visuelle Denker» des portugiesischen Fachismus — 92
Bonecos Portugueses — 95
Afinal, da alma de uma nação — 96
Desenho de letras — 104
O corpus epigráfico de San Martin de Salas — 105
Quatro vezes visigóticas, em fontes digitais — 122
Cursos & Workshops — 129
Dá Asas à tua Voz! — 130
Paginação profissional com InDesign, Módulo Central — 132
Paginação profissional com InDesign, Módulo Avançado — 133
Livros — 134
Design Editorial — 135
Tipos & Fontes — 136
Design Gráfico em Portugal, 1870 a 1970 — 137
Megalitismo. Antas, menires e cromeleques — 138
Os Romanos na Península Ibérica — 139
Letras dos Romanos — 140
A Cultura Visigótica — 141

http://www.tipografos.net/cadernos/Culturas-24-Neon.pdf

Cadernos de Design e Tipografia Nr. 23, Maio de 2012

Papel

 

 

Índice de Temas — Caderno Nr. 23 / Maio de 2012

O livro completo mais antigo...4

Design alemão do pós-guerra... 6

Onde colocar os botões? Dieter Rams sabe...11

Hans Gugelot...22

A «Era Rams»...24

Papel... 36

O Moinho do Papel em Leiria...38

O Museu Papeleiro em Paços de Brandão...39

O Moinho de Chuva...44

Molí Paperer de Capellades...46

Papel online...47

Pontusais, corondéis, marcas d’água...48

Marcas de papeleiro...52

Brevíssima história do papel...54

30 tipos de papel... 63

Papel no qual o ouro brilha...71

Buntpapier aus Augsburg....72

Colher flores no jardim...83

Papel de parede...84

Moda de papel... 89

Bonecas de papel... 91

A indústria do papel nos EUA... 99

Papéis orientais... 106

Papel Hanji, da Coreia...108

A versatilidade do papel japonês...115

Dobrar papel... 135

Transformers, afinal existem!...139


 http://www.tipografos.net/cadernos/CT23-Papel.pdf




 


 


Cadernos de Design e Tipografia Nr. 22, Fevereiro de 2012

China

Índice de Temas — Caderno Nr. 22 / Fevereiro de 2012

Tipografia de bordo —4
Hieróglifos Dongba —9
Dr. Rock decifra a peculiar escrita dos dongba —16
Escrita chinesa —31
«Coisas da China», uma espécie de introdução —40
Notas gerais sobre a Escrita chinesa —44
Prelúdios neolíticos —46
A Escrita dos Oráculos [Jia Gu Wen] —47
Escrita dos Vasos de Bronze [Jin Wen] —52
O Estilo Sigilar [Zuan Shu] —59
O Estilo de Chancelaria [Li Shu] —63
O Estilo Comum [Kai Shu] —66
Estilo Cursivo [Tsao Shu] —68
Uma biblioteca de pedra —69
Mapa das 7 Províncias Costeiras —76
Escrita chinesa, hoje —77
O fracasso da Tipografia histórica chinesa —78
Glifos simplificados, da etapa maoísta —81
Romanização total? —82
Decalques —87
A técnica de fazer decalques —89
Arte caligráfica contemporânea —95
Caligrafia, ou arte? —96
Modo de usar os Cadernos —123

Caderno Nr. 22 (PDF — 41 MB)

Cadernos de Design e Tipografia Nr. 21, Outubro de 2011

Cadernos de Tipografia e Design 21 - Garamond

Assim, sim! 2
1. A juventude francesa da Tipografia moderna — 3
Tailleur de caractères, fondeur de lettres — 5
Idade de Ouro da Tipografia de França — 10
O valor dos tipos! — 15
La Parade des Garamonds — 18
A Sabon — 26
2. Os franceses na Holanda — 28
François Guyot — 29
Guillaume Le Bé — 32
Van den Keere — 34
3. O Arquitipógrafo Régio — 35
Christoffel Plantin — 36
Os holandeses portugueses — 42
4. Provas de texto, com várias Garamondes — 46
Bibliografia comentada — 50
Civilité, a gótica cursiva francesa — 52
5. Um logótipo mutante — 57
O excelente design gráfico da Casa da Música, no Porto — 59
6. Notação musical, apontamentos — 65
Breve síntese — 66
Antifonários do Canto moçárabe — 69
Antifonário de León: música notada há 1.300 anos — 70
Um manuscrito flamengo renascentista, em Coimbra — 75
Índice remissivo — 78
Modo de usar os Cadernos — 86

Caderno Nr. 21 (PDF — 21 MB)

Cadernos de Design e Tipografia Nr. 20, Julho de 2011

Cadernos de Tipografia e Design 19

Índice de Temas — Caderno Nr. 20 / Julho de 2011

Introdução — 3
Dedicatória — 4
Summary — 5
Zusammenfassung — 6
Cronologia (no Ocidente) — 7
1. Stencils para colorir
Cartas de jogar — 10
Stencil no Artesanato — 14
Faiança portuguesa (1900 - 2011) — 16
2. Stencils para letras
Stencils de letras, muito antigos — 22
Composição com stencils, 1840 — 29
Controlando os espaçamentos de letra — 31
Stencil Business, 1873 — 33
Monogramas stencil — 37
A placa universal — 39
Máquinas para fazer stencils — 42
Sinaléticas stencil em Veneza — 48
3. Stencils japoneses
Masi, Tapa — 52
Katagamis — 54
Katazome — 68
Têxteis da Wiener Werkstätte — 73
Usos contemporâneos, novos paradigmas
76 Jean Prouvé e Le Corbusier — 77
4. Stencils geométricos
Alfabetos stencil: Albers e Tschichold — 81
Exemplos de publicidade — 87
5. Stencils na Arte
Folkart norte-americana — 91
Charles Rennie Mackintosh — 93
6. Bases de dados
7. Fontes digitais
Fontes stencils: uma selecção — 106
Escantilhões DIN de plástico — 113
A invasão Stenso — 119
A qualidade tipográfica — 124
A fonte Fragulho Stencil — 127
Bibliografia: Stencils e papel recortado — 137
Índice remissivo — 139
Anúncios — 142
Modo de usar os Cadernos — 144

Caderno Nr. 20 (PDF — 21 MB)

Cadernos de Design e Tipografia Nr. 19, de Abril de 2011

Cadernos de Tipografia e Design 19

Índice de Temas — Caderno Nr. 19 / Abril de 2011

  • Ajudemos os Japoneses atingidos pelas catástrofes... 3
  • Descobrindo o Japão... 6
  • Japonismo, Ukiyo-e, Arte Nova... 12
  • Hokusai, o louco... 26
  • Um bel di vidremo... 30
  • O Jardim do Encanto Perdido... 36
  • Uma introdução ao ... 42
  • Very trendy, very cool: Muji agora em Portugal... 46
  • Vieira, Bartolozzi, Bodoni... 50
  • Letras de metal... 56
  • Defixiones em chumbo... 57
  • Diplomas militares romanos... 66
  • Letras romanas, de metal... 68
  • Letras metálicas dos séculos xix e xx... 75
  • Letras y tipos desde una perspectiva semiótica... 90
Caderno Nr. 19 (PDF — 11 MB)

Cadernos de Design e Tipografia Nr. 18, Janeiro de 2011


 

 

Cadernos de Tipografia e Design 18
 

Índice de Temas — Caderno Nr. 18 / Janeiro de 2011

  • A fonte Lobster .... 6
  • Othmar Motter, 84 .... 8
  • Viajando... com estilo (etiquetas de bagagem) .... 9
  • Gyotaku. A arte de imprimir com peixes .... 15
  • Os forais da chancelaria manuelina,
    a letra com que foram escritos .... 26
  • Uncialis, round versal letters .... 46
  • Entwicklung der Unziale .... 47
  • Unciais: as versais redondas .... 48
  • Unciais em pedra .... 97
Caderno Nr. 18 (PDF — 14 MB)