terça-feira, junho 22, 2010

Leilão da Biblioteca António Capucho Parte IV - Palácio do Correio Velho


Palácio do Correio Velho

Exposição

24 de Junho (5ª feira)-10:00 / 13:30 - 14:30 / 17:00
25 de Junho (6ª feira)-10:00 / 13:30 - 14:30 / 17:00


Leilão

28 de Junho (2ª feira)-15:00
29 de Junho (3ª feira)-15:00
30 de Junho (4ª feira)-15:00


INTRODUÇÃO

Apresentando-se em leilão a quarta parte da biblioteca de António Capucho, podemos observar desta vez mais visivelmente para além dos livros ou manuscritos muito raros e valiosos aqueles que já reflectem a faceta do investigador e aí estão o «Archivo Pittoresco», a «Feira da Ladra», a «Etnografia Portuguesa», a «Revista Municipal de Lisboa», a «Colóquio», a revista «Oceanos».
São muitas as Histórias de Portugal e dos Descobrimentos, destacando-se as obras de Fernão Lopes, do Visconde de Santarém, Fortunato de Almeida, Jaime Cortesão, Armando Cortesão, Joel Serrão, António Baião, Hernâni Cidade. Mas também as literárias ou as do livro antigo abundam, destacando-se obras de Albino Forjaz de Sampaio, Manuel Anselmo, Pina Martins, Leite de Faria, Artur Anselmo, Maria Valentina S. Mendes, Aires do Nascimento, etc.
A secção de Cerâmica está também bem representada, desde a loiça portuguesa, de Coimbra ao Porto e Lisboa, às peças da Companhia das Índias, desde as faianças do Irão às de Inglaterra, com vários títulos raros ou reputados.
Os livros e revistas sobre ex-libris estão de igual modo bem representados, destacando-se ainda uma extensa colecção de ex-libris coligidos pelo próprio António Capucho.
A etnografia, as tradições populares, os provérbios, os romanceiros e cancioneiros surgem também e nomes como Leite de Vasconcelos, Teófilo Braga, Martins Sarmento, Abade de Baçal, Jaime Lopes Dias, Veiga de Oliveira, estão presentes por vezes com vários títulos. Mas há ainda muitas monografias e estudos regionais, até bem recentes, que demonstram o interesse e carinho de António Capucho pela investigação mais moderna.
Sabendo nós do amor de António Capucho à iconografia, e em especial à arte religiosa, não será de estranhar a grande quantidade de registos que oferecemos, em especial ligados ao culto mariano, tão português. Mas são muitas as obras sobre arte sacra, sobre museologia e museus, com os seus roteiros e catálogos de exposições, de que certamente ele foi um grande frequentador e apreciador. Na bibliografia sobre as gravuras e registos, destaca-se o seu exemplar de trabalho da clássica obra de Ernesto Soares, «História da Gravura Artística em
Portugal», anotada e acrescentada com 20 gravuras.
A paixão pelos azulejos, que tornou António Capucho num grande coleccionador e conhecedor do azulejo antigo, reflecte-se não só nas várias obras sobre o tema, como também por uma série de desenhos originais de projectos de painéis, nomeadamente de Jorge Colaço, Abel dos Reis Santos e alguns de Santos Furtado, estes para Angola e que provavelmente, tendo sido destruídos em Benguela, poderão ser agora restaurados a partir destes desenhos originais.
As obras de Heráldica e Genealogia, ou sobre forais e simbólica das vilas e cidades, são também muitas destacando-se os «Carvalhos de Basto» e alguns manuscritos inéditos de D. José de Castro. E obras clássicas de Numismática e Medalhística portuguesa não estão ausentes.
Mesmo os desportos encontram-se representados, desde a arte equestre, a caça (com alguns livros muito procurados ou batidos), a tauromaquia, a arte de velejar ou o esqui (com dois álbuns muito curiosos, cheios de fotografias e notícias das primeiras corridas na Serra de Estrela). Talvez possamos associar a esta sua faceta os muitos livros sobre as viagens dos nossos grandes exploradores de continentes ou mares que juntou, começando no Infante D. Pedro e em Cristóvão Colombo e chegando a Serpa Pinto ou a Capelo e Roberto Ivens, de cujas obras encontramos vários exemplares valiosos.
Do coleccionismo bibliófilo de António Capucho, que a sua biblioteca tão bem ilustra, e que temos visto com excelência, nas partes anteriores já leiloadas, nomeadamente as cartas executórias, os compromissos religiosos, os antifonários, as encadernações reais e os super-libros, além dos «mimosos» diários eclesiásticos e os livros de orações com as suas típicas encadernações de grande beleza, muitos dos quais ainda surgem neste leilão, cumpre agora destacar os livros miniaturas dos quais nos deixou também uma notável colecção, com exemplares muito diminutos, vários deles ainda do séc. XVIII.
Resta-nos anunciar que ainda haverá uma quinta parte e última, cujo conteúdo em trinta e sete caixas surpresas certamente entusiasmará os nossos amigos clientes e bibliófilos.
Nunca é demais lembrar que nos tempos conturbados em que vivemos, a Arte em todas as suas manifestações e o comércio dos livros antigos e raros têm permanecido através das épocas como moeda de refúgio contra depreciações e crises económicas, sobrevivendo a guerras e terramotos, roubos, incêndios e outras catástrofes naturais, e adaptando-se sempre às difíceis necessidades correntes. Um mundo sem arte e sem livros seria impossível de conceber dado o prazer lúdico, a beleza e o infinito conhecimento que proporcionam à alma humana.
Um mundo sem livros? Talvez. Mas não seria a mesma coisa……
Lisboa, 31 de Maio de 2010
Isabel Maiorca
Pedro Teixeira da Mota

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