segunda-feira, outubro 26, 2009

José Vicente Barbosa du Bocage (1823-1907) - Nöel de Vasconcelos Barbosa

JOSÉ VICENTE BARBOSA DU BOCAGE ( 1823-1907)

Biólogo, naturalista português

Ciências da Terra e da Vida aram, até BOCAGE. áreas do saber submersas na bruma obscura dos teólogos e filósofos, em Portugal.
Desde Aristóteles ( o 1º. Zoólogo ) a Cícero ( Poeta romano que já defendia que os animais provinham de outros mais simples ) a Biologia mergulhou, com o advento da Cristandade, num vazio de natureza mística e mítica, de tal forma que foram precisos dezoito séculos para que Spalanzani reiniciasse a experimentação científica, depois é Treviranos - fundador da Biologia - Lamarck e Darwin que repõem, em bases científicas, o processo histórico da biologia como ciência da vida e da Terra.
A organização da zoologia portuguesa em moldes científicos está estreitamente ligada à renovação em Lisboa e Coimbra, por mérito deste sábio.
Apenas na segunda metade do século XIX se dá um avanço significativo no domínio taxonómico, ou seja, na classificação dos mamíferos, aves, répteis, batráquios, insectos e espongiários do país e das suas denominadas, possessões ultramarinas.
É José Vicente que desenterra do Palácio da Ajuda todo o entulho deixado pelo General Junot que saqueou, com a ajuda de um outro naturalista, expressamente nomeado para classificar e saquear o que, de melhor houvesse em Portugal, e (até hoje 2002, nunca foram devolvidos pelo Museu do Louvre), o naturalista Geodefroi de Saint-Hilaire,faz transportar, o saque para o Museu de Paris, José Vicente, empreendeu reorganizar o Museu de Zoologia da Escola Politécnica, então chamado Colégio dos Nobres, dando ordem e disposição racional ao que se achava disperso e confuso, e enriquecendo as colecções existentes com exemplares de verdadeiro valor científico. Além das dádivas de El-Rei D. Luís I, conseguiu outras, provindas das colónias africanas e classificadas pelo Padre Jesuíta, José Anchieta e as do naturalista viajante, Francisco Newton.
Em 1881 foi eleito Par Do Reino; em 1883 confiou-lhe Fontes Pereira de Melo a pasta da Marinha e Ultramar; em 1890 no Ministério, então presidido por João Crisóstome de Abreu e Sousa, foi Ministro dos Negócios Estrangeiros em pleno ultimato inglês.
Em sua honra foi dado por Augusto Castilho o nome de Bocage a uma baía da costa de Moçambique.
A José Vicente Barbosa Du Bocage se deve uma vasta obra publicada. Entre outros trabalhos:
« Memória sobre a cabra montês da Serra do Gerez »;
« Instruções práticas sobre o modo de coligir, prepara e remeter produtos zoológicos para o Museu de Lisboa »;
«Diagnose de algumas espécies da família squalidae»;
«Notícia acerca de um novo género de mamíferos da África Oriental»;
«Liste des Mamifères et Reptiles observèe en Portugal»
«Ornitologia de Angola»;
«Ornitologia dos Açores»;
«Apontamentos sobre a Ictiologia de Portugal»;
«Memórias Zoológicas»;
«Notícia acerca dos caracteres e afinidades naturais de um novo género de mamíferos insectívoros da África Ocidental - Bayonia velox »
Em Lisboa, José Vicente Barbosa du Bocage, desenvolve uma actividade fundamental no domínio da zoologia descritiva e sistemática e da geografia zoológica, tendo publicado 177 trabalhos e descrito cerca de 100 novas espécies ao longo de quarenta anos, Foi, igualmente, este sábio naturalista que fundou o «MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL DA ESCOLA POLITÉCNICA DE LISBOA» em 1858. A «Sala Bocage» era cópia fiel do Museu de História Natural do Principado do Mónaco.
Um dos discípulos do Professor José Vicente, naturalista do Museu da Politécnica de Lisboa, Francisco de Arruda Furtado, morto prematuramente com 33 anos, em 1887, publicou, vários artigos sobre malacologia açoriana que, até hoje, jaz nos arquivos da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e anseia a sua publicação e divulgação.
O espírito mesquinho, a mediocridade e o ciúme pelos grandes vultos que, fizeram, até hoje esquecer este Titã das Ciências de Portugal muito conhecido nos meios científicos de todo o mundo, os Estados Unidos da América do Norte tem um importante «sítio» na «Net» dedicado e este Titã Lusitano.


PRINCIPIOS DE GRAMMATICA PORTUGUEZA - Francisco de Andrade

Andrade , Francisco de - PRINCIPIOS DE GRAMMATICA PORTUGUEZA ,  Funchal: Typographia Nacional, 1844. https://archive.org/stream/pri...