quarta-feira, outubro 20, 2010

Tesouros da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra - A. E. Maia do Amaral (2009)


Amaral, A. E. Maia do (coordenação) - Tesouros da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2009.

(...)
Este livro destina-se a dar a conhecer os mais importantes livros e fundos da Biblioteca Geral. O conceito de “tesouro” não se restringe ao conceito corrente. O livro não se fixa apenas nos livros em si mesmos mais raros ou preciosos. Procura também apresentar documentos que, sendo ou não preciosos, tenham uma história interessante, tenham algo a dizer a um leitor dos nossos dias, mesmo aquele que não seja particularmente amante de livros e que talvez já esteja enfastiado de imagens e de eruditas prelecções.
 
Na história de uma biblioteca que está a completar 500 anos de bons serviços à Universidade e à comunidade, acumularam-se muitos “tesouros”, muitos livros por exemplo que são únicos e, por isso, preciosos (cerca de cinco mil documentos caberão nessa definição). Mas preciosos não serão também aqueles modestos livros de criança de posse da Biblioteca Geral que foram os primeiros do poeta Mário de Sá-Carneiro? E preciosos não serão também os originais dos desenhos de arquitectura da Reforma pombalina?
 
Se o leitor quiser aceitar a proposta do roteiro, em vez dos “tesouros” esperados, talvez encontre tesouros inesperados na Biblioteca Geral, que não é só mais uma antiga biblioteca universitária, mas é também a segunda mais importante biblioteca do país. E que coroa verdadeiramente, como diz o letreiro da Joanina, “a testa da cidade de Coimbra”, no topo da sua “colina sagrada”.
 
Esta traz como novidades absolutas algumas descobertas muito recentes: a identificação de um texto inédito e ilustrado de D. João Ribeiro Gaio, um espólio de António Feliciano de Castilho, uma importante colecção de desenhos do pintor José Contente, a identificação do primeiro fragmento conhecido de música para uma ópera de António José da Silva “o Judeu”, o primeiro estudo de conjunto das bíblias manuscritas iluminadas, a descrição dos magníficos super-libros que a Universidade usou nos séculos XVI e XVII e até a revelação de uma mão-cheia de pormenores completamente desconhecidos e nunca vistos do – paradoxalmente – mais visitado edifício da cidade, a Biblioteca Joanina da Universidade.
 
Na esteira da valorização daquilo que está para além da mera raridade bibliográfica, estes “Tesouros da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra” têm um plano que passa pelos edifícios da biblioteca, pelos seus manuscritos desde o século XIII, seus códices e belas iluminuras, pelas edições quinhentistas, o “período de ouro” da nossa tipografia, mas também pelas revistas científicas, pelos livros mais recentes pela fotografia e pela imagem de todas as formas, até a imagem da própria biblioteca , representada seja na sua materialidade por mais de um século de fotografia, seja na sua identidade, na forma das suas marcas bibliográficas.
 
Para este plano concorrem diversos colaboradores, distribuídos pelos seguintes capítulos:
 
  • “Uma coroa na testa da cidade”: a Biblioteca Geral, passado e futuro - Carlos Fiolhais
  • A Biblioteca da Universidade e os seus espaços - António Filipe Pimentel
  • Bibliotecas eruditas e espólios literários e científicos - A. E. Maia do Amaral
  • Fundos musicais : uma breve apresentação - Flávio de Pinho
  • Manuscritos iluminados - Saúl António Gomes
  • Tipografia Quatrocentista e Quinhentista - Maria da Graça Pericão
  • Imprensa periódica portuguesa - Iuliana Gonçalves
  • A imagem fotográfica na Biblioteca da Universidade - Alexandre Ramires
  • O Instituto de Coimbra: breve história de uma academia científica, literária e artística - António José Leonardo, Décio Ruivo Martins e Carlos Fiolhais
  • Marcas bibliográficas da “Livraria da Universidade” (sécs. XVI-XXI) - A. E. Maia do Amaral
  • A BGUC e as bibliotecas da Universidade de Coimbra - Carlos Fiolhais e João Carlos Marques
 Uma das características mais marcantes deste volume é a relevância que nele ganha a imagem. Ilustrações completamente novas e para muitos inesperadas. Nesta vertente, quase todo o encanto da obra se fica a dever à fotografia radiosa e “científica” de Paulo Mendes e à fotografia mais obscura e poética de João Armando Ribeiro, sem esquecer o charme de todos os grandes fotógrafos ali invocados e que, desde o inglês Charles Thurston Thompson, em 1866, até à alemã Candida Hoefer, em 2005, fixaram esse objecto fotográfico de excelência que é a Biblioteca Joanina.