História da Madeira e dos Açores; Livros Antigos e Novos;Alfarrabistas; Literatura Portuguesa; Camilo Castelo Branco; Ex-libris; História da Medicina Portuguesa; Guerra Peninsular (Recolha de artigos e informações dispersas pela net)
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quinta-feira, novembro 03, 2011
O valeroso Lucideno. E triumpho da liberdade. : Primeira parte. - Manuel Calado (1648)
Calado, Manuel - O valeroso Lucideno e triumpho da liberdade : primeira parte / composta por o P. Mestre Frei Manoel Calado... - Em Lisboa : por Paulo Craesbeeck, 1648.http://purl.pt/13989
Nota: Algumas referências à Madeira e muitas ao madeirense: «João Fernandes Vieira».
Existe outra cópia disponível em: http://www.archive.org/details/ovalerosoluciden00cala
sexta-feira, julho 16, 2010
«João Fernandes Vieira» - O Panorama (1839)
«João Fernandes Vieira» in O Panorama. Jornal litterario e instructivo da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Uteis, nº 118, Agosto 1839, págs. 241-244.http://www.archive.org/details/opanoramasemanar03sociuoft
terça-feira, julho 13, 2010
Dominio hollandez no Brasil, especialmente no Rio Grande do Norte - A. Tavares de Lyra (1915)
Lyra, A. Tavares de - Dominio hollandez no Brasil, especialmente no Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro : Typ. do Jornal do Commercio, 1915.http://www.archive.org/details/dominiohollandez00lyra
quinta-feira, outubro 29, 2009
Odes Pindaricas - António Dinis da Cruz e Silva (1801)
João Fernandes Vieira - Lúcia Gaspar
Apesar das muitas dúvidas e controvérsias sobre a origem de João Fernandes Vieira, um dos heróis da Restauração Pernambucana, pode-se afirmar que se chamava Francisco de Ornelas, nasceu em Funchal, na Ilha da Madeira, em 1610, filho ilegítimo de Francisco de Ornelas Muniz e uma mulher de condição humilde e talvez até de cor.
Fugiu para o Brasil, especificamente para Pernambuco, em 1620, aos dez anos de idade, onde mudou o nome para João Fernandes Vieira.
Não se conhece os motivos que o levaram a deixar seu país e tudo indica que viajou sozinho e por iniciativa própria.
Quando chegou a Pernambuco, trabalhou como assalariado e foi auxiliar de um açougue. Em poucos anos tornou-se feitor-mor.
Apresentou-se como voluntário, para o serviço da guerra, nos primeiros dias da invasão holandesa, quando defendeu os portugueses no Forte de São João, até a sua rendição no dia 1º de março de 1630.
Ativo, ambicioso e inteligente, ficou rico graças aos seus esforços e a doações que recebeu do seu patrão, Affonso Rodrigues Serrão e de sua mulher, assim como pela amizade com o conselheiro político e senhor de engenho holandês Jacob Stachhouwer, de quem foi primeiro criado, depois feitor e mais tarde procurador.
Em 1639, Vieira já era uma pessoa importante na sociedade portuguesa de Pernambuco, uma vez que foi indicado para o cargo de Escabino (membro da Câmara Municipal da época) de Olinda.
Foi efetivamente elevado à condição de Escabino de Maurícia (Recife) de julho de 1641 a junho de 1642, sendo depois reconduzido no exercício de 1642 a 1643.
Em 1643, casou-se com Maria César, filha do madeirense Francisco Berenguer de Andrada e Joana de Albuquerque, descendente de Jerônimo de Albuquerque. Com o casamento, João Fernandes Vieira juntou ao seu prestígio econômico a nobreza rural pernambucana.
Foi um dos mais importantes senhores-de-engenho de Pernambuco, dono de mais de mil escravos, chegando a possuir 16 engenhos, localizados em Pernambuco e na Paraíba, a saber: do Meio; Ilhetas; Sant'Ana; Santo Antônio; São João; Inhobim ou dos Santos Cosme e Damião; São Gabriel; Gargaú; Inhaman; Molinote; Cumaúpa; Jacaré; Abiaí; Tibiri de Baixo; Tibiri de Cima e Santo André.
Pessoa de confiança do governo holandês, seu colaborador e conselheiro em assuntos brasileiros, Vieira também tinha o apoio da comunidade luso-brasileira através do seu prestígio econômico e social, das suas doações para igrejas, confrarias e pessoas necessitadas, além do seu ingresso, pelo casamento, na nobreza da terra.
Gozava assim da consideração de holandeses e portugueses. Era também um dos maiores devedores da Companhia das Índias Ocidentais. Em 1642, sua dívida já era estimada em 219.854 florins.
Quando a insatisfação dos senhores de engenho de Pernambuco se intensificou, especialmente após a partida do conde Maurício de Nassau para a Holanda, em 1644, o inteligente e astuto Vieira sentiu que os tempos estavam mudando e, percebendo as vantagens a serem alcançadas com a expulsão dos holandeses e da Companhia das Índias Ocidentais, se afastou dos flamengos e tornou-se um dos líderes da chamada Insurreição Pernambucana e um dos heróis da Restauração.
Participou e venceu junto com sua tropa a Batalha das Tabocas, realizada em Vitória de Santo Antão, no dia 3 de agosto de 1645 e a Batalha de Casa Forte, junto com André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão, no dia 17 de agosto do mesmo ano.
Após a tomada do engenho Casa Forte, Vieira voltou com seus homens ao seu engenho São João, na Várzea, e de lá iniciou um sistema de estâncias militares, espécie de fortificações onde pudessem estar seguros e guardar pólvora e munições de guerra.
Participou, também de forma brilhante, das duas Batalhas dos Guararapes, sob o comando do general Barreto de Meneses, nos dias 19 de abril de 1648 e 19 de fevereiro de 1649, respectivamente, colaborando para a vitória final e definitiva.
Como recompensa pelos serviços prestados na guerra foi nomeado Governador da Paraíba (1655-1657) e concedido-lhe o posto de capitão general do Reino de Angola (1658-1661).
Exerceu também o cargo de Superintendente das Fortificações do Nordeste do Brasil, de 1661 a 1681.
Vieira encomendou a frei Rafael de Jesus um livro para contar sua vida, exaltando seus feitos, a exemplo do que Gaspar Barléu havia escrito sobre o conde Maurício de Nassau, surgindo assim o Castrioto lusitano, no qual o autor o compara ao príncipe guerreiro albanês Jorge Scanderberg Castrioto, que lutou intensamente contra os turcos e a Sérvia pela recuperação da Albânia, que havia sido anexada à Turquia.
João Fernandes Vieira morreu no dia 10 de janeiro de 1681, em Olinda.
Em 1886 seus restos mortais foram descobertos na capela-mor da igreja do Convento de Olinda.
Em 1942, seus ossos foram trasladados para a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes, sendo depositados na parede da capela-mor, com uma inscrição comemorativa.
Fugiu para o Brasil, especificamente para Pernambuco, em 1620, aos dez anos de idade, onde mudou o nome para João Fernandes Vieira.
Não se conhece os motivos que o levaram a deixar seu país e tudo indica que viajou sozinho e por iniciativa própria.
Quando chegou a Pernambuco, trabalhou como assalariado e foi auxiliar de um açougue. Em poucos anos tornou-se feitor-mor.
Apresentou-se como voluntário, para o serviço da guerra, nos primeiros dias da invasão holandesa, quando defendeu os portugueses no Forte de São João, até a sua rendição no dia 1º de março de 1630.
Ativo, ambicioso e inteligente, ficou rico graças aos seus esforços e a doações que recebeu do seu patrão, Affonso Rodrigues Serrão e de sua mulher, assim como pela amizade com o conselheiro político e senhor de engenho holandês Jacob Stachhouwer, de quem foi primeiro criado, depois feitor e mais tarde procurador.
Em 1639, Vieira já era uma pessoa importante na sociedade portuguesa de Pernambuco, uma vez que foi indicado para o cargo de Escabino (membro da Câmara Municipal da época) de Olinda.
Foi efetivamente elevado à condição de Escabino de Maurícia (Recife) de julho de 1641 a junho de 1642, sendo depois reconduzido no exercício de 1642 a 1643.
Em 1643, casou-se com Maria César, filha do madeirense Francisco Berenguer de Andrada e Joana de Albuquerque, descendente de Jerônimo de Albuquerque. Com o casamento, João Fernandes Vieira juntou ao seu prestígio econômico a nobreza rural pernambucana.
Foi um dos mais importantes senhores-de-engenho de Pernambuco, dono de mais de mil escravos, chegando a possuir 16 engenhos, localizados em Pernambuco e na Paraíba, a saber: do Meio; Ilhetas; Sant'Ana; Santo Antônio; São João; Inhobim ou dos Santos Cosme e Damião; São Gabriel; Gargaú; Inhaman; Molinote; Cumaúpa; Jacaré; Abiaí; Tibiri de Baixo; Tibiri de Cima e Santo André.
Pessoa de confiança do governo holandês, seu colaborador e conselheiro em assuntos brasileiros, Vieira também tinha o apoio da comunidade luso-brasileira através do seu prestígio econômico e social, das suas doações para igrejas, confrarias e pessoas necessitadas, além do seu ingresso, pelo casamento, na nobreza da terra.
Gozava assim da consideração de holandeses e portugueses. Era também um dos maiores devedores da Companhia das Índias Ocidentais. Em 1642, sua dívida já era estimada em 219.854 florins.
Quando a insatisfação dos senhores de engenho de Pernambuco se intensificou, especialmente após a partida do conde Maurício de Nassau para a Holanda, em 1644, o inteligente e astuto Vieira sentiu que os tempos estavam mudando e, percebendo as vantagens a serem alcançadas com a expulsão dos holandeses e da Companhia das Índias Ocidentais, se afastou dos flamengos e tornou-se um dos líderes da chamada Insurreição Pernambucana e um dos heróis da Restauração.
Participou e venceu junto com sua tropa a Batalha das Tabocas, realizada em Vitória de Santo Antão, no dia 3 de agosto de 1645 e a Batalha de Casa Forte, junto com André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão, no dia 17 de agosto do mesmo ano.
Após a tomada do engenho Casa Forte, Vieira voltou com seus homens ao seu engenho São João, na Várzea, e de lá iniciou um sistema de estâncias militares, espécie de fortificações onde pudessem estar seguros e guardar pólvora e munições de guerra.
Participou, também de forma brilhante, das duas Batalhas dos Guararapes, sob o comando do general Barreto de Meneses, nos dias 19 de abril de 1648 e 19 de fevereiro de 1649, respectivamente, colaborando para a vitória final e definitiva.
Como recompensa pelos serviços prestados na guerra foi nomeado Governador da Paraíba (1655-1657) e concedido-lhe o posto de capitão general do Reino de Angola (1658-1661).
Exerceu também o cargo de Superintendente das Fortificações do Nordeste do Brasil, de 1661 a 1681.
Vieira encomendou a frei Rafael de Jesus um livro para contar sua vida, exaltando seus feitos, a exemplo do que Gaspar Barléu havia escrito sobre o conde Maurício de Nassau, surgindo assim o Castrioto lusitano, no qual o autor o compara ao príncipe guerreiro albanês Jorge Scanderberg Castrioto, que lutou intensamente contra os turcos e a Sérvia pela recuperação da Albânia, que havia sido anexada à Turquia.
João Fernandes Vieira morreu no dia 10 de janeiro de 1681, em Olinda.
Em 1886 seus restos mortais foram descobertos na capela-mor da igreja do Convento de Olinda.
Em 1942, seus ossos foram trasladados para a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes, sendo depositados na parede da capela-mor, com uma inscrição comemorativa.
Recife, 21 de outubro de 2004.
(Atualizado em 28 de agosto de 2009).
(Atualizado em 28 de agosto de 2009).
FONTES CONSULTADAS:
MELLO, José Antônio Gonsalves de. Restauradores de Pernambuco: biografias de figuras do século XVII que defenderam e consolidaram a unidade brasileira: João Fernandes Vieira. Recife: Imprensa Universitária, 1967. 2 v.
VASCONCELLOS, Telma Bittencourt de. Dona Anna Paes. Recife: Edição do Autor, 2004. p. 188-191.
Fonte: GASPAR, Lúcia. João Fernandes Vieira. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
João Fernandes Vieira e os heróis da Insurreição Pernambucana - José Maria dos Santos
João Fernandes Vieira e os heróis da Insurreição Pernambucana
Juntamente com Vidal de Negreiros, Felipe Camarão e Henrique Dias, Fernandes Vieira liderou a expulsão dos hereges holandeses que invadiram nosso território e oprimiam o povo católico
Entre as várias potências estrangeiras que cobiçaram e mesmo invadiram o território nacional, a que mais nele permaneceu foi a Holanda, de 1630 a 1654. Contra os invasores levantaram-se representantes das três raças que formariam nossa nação –– portugueses, índios e negros –– irmanados no amor à Religião e à terra em que nasceram, ou que adotaram como sua. Entre esses ressaltam as figuras de João Fernandes Vieira –– que sacrificou seu bem-estar, a fortuna e a própria energia para expulsar o herege invasor do solo pátrio –– Vidal de Negreiros, o índio Felipe Camarão e o ex-escravo Henrique Dias.João Fernandes Vieira nasceu em Funchal, ilha da Madeira, em 1613. Era filho do fidalgo Francisco d'Ornelas Muniz e de uma mulher de condição humilde. Aos 11 anos emigrou para o Brasil, vindo a estabelecer-se em Olinda, Pernambuco, onde se empregou no comércio. Quando os holandeses invadiram Pernambuco em 1630, ele resistiu aos invasores no forte de São Jorge, com 20 homens, por quase um mês. Durante a trégua estabelecida entre Portugal e Holanda, ele viveu na Pernambuco ocupada, associando-se ao mercador judeu Jacob Stachower, conselheiro da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, e fez boa fortuna. Ao casar-se com rica herdeira pernambucana, tornou-se um dos mais prósperos senhores de engenho do nordeste. Era muito caritativo e esmoler.
Organiza-se a insurreição contra os invasores protestantes
Em 1644, tendo voltado o conde Maurício de Nassau para a Holanda e piorado a opressão a que os hereges submetiam os pernambucanos, João Fernandes Vieira julgou que era o momento para romper o jugo do invasor.
Nessa época, passando em Pernambuco o Tenente-general André Vidal de Negreiros, paraibano vindo da Bahia para visitar seus parentes, com ele traçou os planos para uma sublevação. Decidiram escrever ao governador e capitão geral de todo o Estado do Brasil, Dom Antônio Teles da Silva, “na qual carta foram assinados os mais principais e mais fiéis homens de Pernambuco, assim eclesiásticos como seculares, na qual lhe manifestaram por extenso todas as calamidades e aflições daquela miserável Província, e outrossim as traições, aleivosias, afrontas, roubos, tiranias e crueldades que os pérfidos holandeses executavam nos pobres e angustiados moradores, pelo que já quase desesperados, estavam resolutos em se defender daqueles carniceiros atrozes e vender-lhes, à custa de sangue derramado, a terça parte das vidas que lhes haviam deixado”.(1) João Fernandes Vieira escreveu também ao índio poti Antônio Felipe Camarão –– que, por sua valentia e lealdade à Coroa Portuguesa, havia recebido título de nobreza e de “Governador e Capitão-general de todos os índios do Estado do Brasil” –– pedindo-lhe para juntar-se, com os seus, aos insurretos. Escreveu, no mesmo sentido, ao ex-escravo Henrique Dias, a quem El-Rei dera o cargo de “Governador dos pretos, crioulos, minas e mulatos”. João Fernandes Vieira foi aclamado “governador da independência”. O governador geral Antônio Teles da Silva enviou em 1644 para Pernambuco experientes militares, liderados por Antônio Dias Cardoso, para que atuassem como instrutores. Mas tudo isso foi feito muito secretamente, porque a trégua assinada entre Portugal e Holanda não permitia que se agisse às claras.
“Durante o período de treinamento da tropa por Dias Cardoso, a liderança do movimento insurgente assinou secretamente em Ipojuca, a 23 de maio de 1645, o ‘Compromisso Imortal’. Nesse documento, em que pela primeira vez aparece a palavra pátria no continente americano, os luso-brasileiros manifestam a disposição de lutar até o fim pela libertação de uma terra com a qual já mantinham vínculos indissolúveis”.(2)
A batalha do Monte das Tabocas
Os holandeses, tendo lutado contra os luso-brasileiros em escaramuças diversas, com grande poderio os surpreenderam num matagal de tabocas (espécie de bambu muito espinhoso), querendo acabar de vez com sua reação. Mas os nossos heróis lhes fizeram face e o combate foi renhido de parte a parte. Dada a inferioridade numérica, e sobretudo de munições, os insurretos foram perdendo terreno e começaram a desfalecer. Foi então que um sacerdote, que estava com uma imagem de Cristo crucificado, fez uma patética preleção pedindo ao Senhor que, pelo seu Sangue, pelas angústias e dores de Maria, “não atentasse para nossos pecados, merecedores de eterno castigo, senão para Seu amor e misericórdia, e que não permitisse que os inimigos de Sua santa Fé, que tantos agravos lhe tinham feito, profanando Seus templos e despedaçando as sagradas imagens dos Santos, triunfassem do seu povo católico, que estava pelejando por Sua honra; e que, pois a empresa era Sua, nos desse vitória contra aqueles tiranos hereges, para que o mundo soubesse que aos que pelejavam por a honra de Deus, não lhes faltava o divino favor e adjutório. [...] Todos prometeram cilícios, disciplinas, jejuns, romarias e esmolas; e o Governador João Fernandes Vieira, como não é menos cristão que bom e valoroso soldado, prometeu de levantar duas igrejas, uma a Nossa Senhora de Nazaré, e outra a Nossa Senhora do Desterro”.(3)Nossa Senhora com o Menino socorre os católicos
Fortalecidos por um espírito sobrenatural, os nossos bravos atacaram o inimigo de tal modo, que Fernandes Vieira teve que deter seus guerreiros, tal o ardor com que se entregaram ao ataque. Entretanto, tendo acuado o inimigo, este voltou-se contra os agressores com grande ímpeto, o que mudou outra vez a sorte da batalha. Foi aí que Fernandes Vieira, vendo o perigo, gritou: “Valorosos portugueses: viva a Fé de Cristo. A eles, a eles”. O padre Manuel de Morais, erguendo a imagem de Cristo, pediu a todos que rezassem uma Salve Rainha à Mãe de Deus, pedindo-lhe auxílio. “E em dizendo todos em alta voz ‘Salve Rainha, Madre de Misericórdia’, se viu logo o favor da Mãe de Deus, porque o inimigo se começou a retirar descomposto e ir perdendo terra a olhos vistos, e os nossos começaram a gritar ‘Vitória, Vitória’, e acometeram com tanto ímpeto, que o desalojaram e deitaram fora do campo, ficando a gloriosa vitória alcançada pelos merecimentos da Virgem Maria Mãe de Deus”.(4)
No dia seguinte, os católicos ouviram dos holandeses aprisionados este impressionante testemunho: “viam andar entre os portugueses uma mulher muito formosa com um menino nos braços, e junto a ela um velho venerando, vestido de branco, os quais davam armas, pólvora e balas aos nossos soldados, e que era tanto o resplendor que a mulher e o menino lançavam, que lhes cegava os olhos e não podiam olhar para eles de fito a fito. E que esta visão lhes fez logo virar as costas e retirar-se descompostamente”.(5) O mesmo fato é narrado por Frei Manuel Calado. Aí se fundou a vila de Vitória de Santo Antão, em honra do ancião que com a Virgem aparecera.As batalhas de Guararapes e a reconquista
No mesmo ano João Fernandes Vieira participou ainda da batalha de Casa Forte; e nos anos de 1648 e 1649, das duas batalhas dos Guararapes. Na primeira delas, que se deu no dia 19 de abril, domingo da Pascoela e festa de Nossa Senhora dos Prazeres, Fernandes Vieira e Vidal de Negreiros, auxiliados por Felipe Camarão comandando seus índios, e Henrique Dias os seus negros, levaram à vitória as hostes católicas, apesar da desproporção de 2.200 homens para 7.400 hereges holandeses.Na segunda batalha dos Guararapes, que se deu no dia 19 de fevereiro de 1649, a desproporção era menor, se bem que considerável: 5.000 holandeses contra 2.600 luso-brasileiros, índios e pretos. Nela morreram 2 mil holandeses e apenas 47 coligados. Mas entre estes estava o heróico Henrique Dias, que deu assim a sua vida em defesa da Religião e da Pátria.
As perdas das duas batalhas, que somavam quase 5 mil homens, fizeram ver aos protestantes vindos da Holanda que estava custando muito caro a invasão e conquista de nossa terra.Em 1654 João Fernandes Vieira tomou os fortes de Salinas e Altenar, enquanto o inimigo abandonava os de São Jorge e da Barreta.
Enfim, os holandeses retiraram-se definitivamente do Brasil. E a 27 de janeiro desse mesmo ano assinaram a capitulação da Campina do Taborda, pela qual deveriam entregar Recife e todas as fortalezas que ainda lhes restavam. E João Fernandes Vieira tomou posse de Recife em nome de Sua Majestade, o Rei D. João IV de Portugal. Ficava assim o Brasil definitivamente livre dos hereges que tentaram várias vezes assenhorear-se de parte de nosso imenso território.
Governador da Paraíba, Capitão-geral de Angola
João Fernandes Vieira foi recompensado pelo Rei Dom João IV com os cargos de governador da Paraíba (1655-1657) e de capitão-geral de Angola (1658-1661). Em 1672 foi nomeado administrador e superintendente das fortificações de Pernambuco e capitanias vizinhas, até o Ceará. Esse grande herói de nossa Pátria faleceu em 1681 em Olinda. Por sua relevante participação na Insurreição Pernambucana, foi escolhido como um dos patriarcas do Exército Brasileiro.
Notas:
1. Frei Manoel Calado, O Valeroso Lucideno e triunpho da liberdade, Edições Cultura, São Paulo, 1943, tomo I, p. 318.
2. Texto: Colaboração do Cel. Rosty/COTER. http://www.exercito.gov.br/05Notici/VO/175/tabocas.htm
3. Frei Manoel Calado, Id., Ib., tomo II, p. 12.
4. Id. Ib., p. 14.
5. Diogo Lopes Santiago, História da Guerra de Pernambuco, Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, Recife, 1984, p. 258.
João Fernandes Vieira - Wikipédia
João Fernandes Vieira (Funchal, c. 1613 — Olinda, 1681) foi um dos principais chefes militares nas lutas pela expulsão dos holandeses de Pernambuco.O historiador português Veríssimo Serrão, recorda que a biografia deste militar:
"(...) se mantém coberta de sombras e que se tornou uma personagem quase lendária da Restauração no Brasil. Nascido ao redor de 1610 na ilha da Madeira, era mulato e de origem humilde. Tendo emigrado para Pernambuco, ali exerceu pequenos mesteres até 1635, quando a proteção dos holandeses lhe fez adquirir alguns meios de fortuna. Pouco depois era senhor de cinco engenhos, exerceu o cargo de vereador de Maurícia e obteve a contratação dos dízimos sobre o pau-brasil e o açúcar." (Veríssimo Serrão. História de Portugal, v. V, p. 111)
Afirma-se assim que era natural da Ilha da Madeira, com ascendência africana. No dizer de Oliveira Lima, "João Fernandes Vieira, apesar de ser de cor, governou Angola e Pernambuco" [O Movimento da Independência (1821-1822), Melhoramentos, 1922].
Já segundo o "Nobiliário da Ilha da Madeira", de Henrique Henriques, também mencionado na obra de José Antonio Gonsalves de Mello, o verdadeiro nome de Vieira era Francisco de Ornellas, filho segundo do fidalgo Francisco de Ornellas Moniz e de sua esposa D. Antônia Mendes, que, sendo rapaz, fugiu para o Brasil, onde mudou de nome. Teria nascido na capitania de Machico em 1613. Os sobrenomes Fernandes e Vieira homenageavam os seus ancestrais Pedro Vieira, o grande morgado da Ribeira de Machico, e António Fernandes, sesmeiro nas Covas do Faial, no Norte da ilha.
Tradicionalmente, considera-se que chegou à Capitania de Pernambuco, no Brasil, em 1620, com dez ou onze anos de idade. Humilde, trabalhou no comércio em Olinda, tendo participado, ao lado das forças de Matias de Albuquerque, da resistência à segunda das Invasões holandesas do Brasil em 1630. Poucos anos mais tarde, trabalhava na cidade para um abastado comerciante judeu ligado à Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (W.I.C.). No convívio e no trato com os invasores, conhecendo bem Maurício de Nassau, acumulou propriedades rurais, enriqueceu, tornando-se abastado senhor de engenho que, pelos destinos da guerra, veio a perder.
Ainda de acordo com Veríssimo Serrão:
"(...) em 1642, aumentou os seus bens, e viu-se feito capitão de um Corpo de Ordenanças, continuando a beneficiar de empréstimos da Companhia para manter seus negócios. Ser-lhe-ia, portanto, mais fácil garantir a dependência financeira, em vez de obedecer a razões de ordem religiosa para hostilizar os holandeses, como o veio a fazer desde 1644. O seu comportamento posterior, assente em actos de coragem, mostra que Vieira sentiu o ideal da Restauração e o antepôs, com todos os riscos, ao valimento social que auferia em Pernambuco." (op. cit.)
Após a partida de Nassau, em 1644, passou a se opôr aos invasores, assumindo a liderança da insurreição de 1645, vindo a receber apoio de seu amigo, o frei Manuel Calado, que do seu púlpito convocou o povo à luta contra os hereges e redigiu "O Valeroso Lucideno" (Lisboa, 1648).
Em 1645 foi o primeiro signatário do pacto então selado - no qual figura o vocábulo pátria pela primeira vez utilizado em terras brasileiras. Na função de Mestre-de-Campo, comandou o mais poderoso Terço do Exército Patriota nas duas batalhas dos Guararapes (1648 e 1649). Por seus feitos, foi aclamado Chefe Supremo da Revolução e Governador da Guerra da Liberdade e da Restauração de Pernambuco.
Os principais chefes militares do movimento de restauração de Pernambuco contra o domínio holandês foram, além de Vieira, André Vidal de Negreiros; Antônio Filipe Camarão, à frente dos índios da costa do Nordeste; Henrique Dias no comando de pretos, crioulos e mulatos; e o capitão Antônio Dias Cardoso, tendo-se transformando em heróis do imaginário nativista pernambucano. A "guerra da liberdade divina", nas palavras do padre Antônio Vieira, durou nove anos, sendo de assinalar que o governador de Pernambuco, António Teles da Silva, dava apoio encoberto à revolta, enquanto os holandeses pensavam que se tratava apenas de uma sublevação na capitania de Pernambuco. A diplomacia de D. João IV de Portugal, entretanto, tentava, na Europa, não indispor a Holanda. O que ocorria no Recife não tinha o apoio da Coroa, por isso o conflito entre o governador e os colonos revoltados, na primavera de 1646. Antônio Teles da Silva chegou a ser mandado regressar a Lisboa, onde esteve detido em São Gião como colaborador dos movimentos de Pernambuco, mas aproveitando da vitória de Tabocas, foi possível recuperar outras zonas em poder dos flamengos, os fortes de Sergipe, do rio São Francisco, do Porto Calvo, de Serinhaem e de Nazaré.
Com a paz, após 1654, recuperou os seus bens e, entre outros cargos, foi nomeado Governador e Capitão-Geral da Capitania da Paraíba (1655-57) e, mais tarde, governador e Capitão-general de Angola (1658-61).
In:http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Fernandes_Vieira
Castrioto Lusitano (...) - Rafael de Jesus (1844)

Jesus, Rafael de - Castrioto Lusitano ou historia da guerra entre o Brazil e a Hollanda, durante os annos de 1624 a 1654, terminada pela gloriosa restauração de Permanbuco e das capitanias confinantes; Obra em que se descrevem os heroicos feitos do illustre João Fernandes Vieira, e dos valorosos capitães que com elle conquistárão a independencia nacional, Por Fr. Raphael, monge benedictino. Nova edição segundo a de 1679, impresa em Lisboa, por Craesbeeck, dedicada a sua Majestade Imperial o Senhor Dom Pedro II, Imperador do Brazil; Ornada com o retrato de João Fernandes Vieira e duas estampas historicas. Pariz, J. P. Aillaud, 1844.ou
Castrioto Lusitano (...) - Rafael de Jesus (1679)
Jesus, Rafael de - CASTRIOTO LVSITANO PARTE I. ENTREPRESA, E RESTAVRAC,AÕ de Pernambuco; das Capitanías Confinantes. VARIOS, E BELLICOS SVCC,ESSOS ENTRE PORTUGUEZES, E BELGAS. ACONTECIDOS PELLO DISCURSO DE VINTE E QUATRO ANNOS, E tirados de noticias, relaço(ë)s, memorias certas. COMPOSTOS EM FORMA DE HISTORIA pello Muyto Reverendo Padre Prégador Géral Fr. Raphael de Iesvs Natural da muyto Nobre, sempre Leal Villa de Guimara(ë)s. RELIGIOSO DA ORDEM DO PRINCIPE DOS PATRIARCHAS S. BENTO. PROFESSO NA SUA REFORMADA CONGREGAC,AM DE Portugal, nella D.Abbade do Insigne Mosteyro de S.Bento de Lisboa este presente anno de 1679. OFFERECIDOS A IOAÕ FERNANDES VIEIRA CASTRIOTO LVSITANO E POR ELLE DEDICADOS AO SERENISSIMO PRINCIPE D.PEDRO NOSSO SENHOR. REGENTE DA LUSITANA MONARCHIA, Lisboa, Antonio Craesbeeck de Mello, 1679.
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