quinta-feira, novembro 26, 2009

Uma mulher na vida de Antero.Apresentação da dr.ª Ana Maria de Almeida Martins - Henrique Barreto Nunes

É pouco vulgar o apresentador de um conferencista não possuir quase nenhuns dados biográficos acerca da pessoa sobre quem vai falar.
É este, porém, o meu caso hoje. Da Drª Ana Maria Almeida Martins só poderei falar a partir da sua obra sobre Antero.
Caso raro este, de uma singular discrição num país que cada vez mais se cultiva o protagonismo, a evidência a qualquer custo.
Ana Maria Almeida Martins é, hoje em dia, a figura principal da bibliografia activa e passiva Anteriana.
Assim poderá perguntar-se como entrou Antero na vida desta mulher, que o trata com verdadeira paixão.
Uma entrevista publicada no “Público” de 7 Jun. 91 revela-nos a origem desse interesse: “O meu primeiro encontro com Antero vem da fascinação que senti pela personagem nos seus tempos de Coimbra.
Comecei por achar desusado que um jovem de 20 anos chegue a Coimbra e abane aquilo tudo...
...a coragem de desafiar o que não presta
...o tipo que dá o passo em frente sem pedir licença a ninguém
...que nunca dobra a espinha
...que ousa desafiar Castilho
Pode imaginar-se a força que era precisa a um jovem de pouco mais de 20 anos para fazer as coisas que fez na Coimbra do séc. XIX.
Achei isso fascinante.
Só muito mais tarde é que veio o encontro com a poesia e de seguida com o resto da obra.
Nada fazia prever que eu ia publicar coisas. Escrever [sobre Antero] veio por acréscimo”.
O acréscimo produziu a bibliografia fundamental que passarei a citar:
  • CARTAS DE VILA DO CONDE
    Porto: Lello, 1981

Uma colectânea que inclui muitas das cartas que Antero escreveu durante os quase 10 anos que viveu em Vila do Conde.
Constituem uma parte indispensável da sua obra, um testemunho humano, intelectual e moral de enorme importância para o seu conhecimento.
Em muitos pontos esta correspondência representa como que um diário do escritor, pois o Homem está inteiro nelas, confiando-nos o seu coração, as suas preocupações filosóficas e pessoais, devido à diversidade dos destinatários e às intenções e objectivos que as cartas
perseguiam.

  • CARTAS INÉDITAS DE ANTERO PARA OLIVEIRA MARTINS: UMA PROCURA PARTILHADA
    “Prelo”, Lisboa, 7, Abr.-Jun. 1985 (em colaboração com Guilherme Oliveira Martins)

Dezasseis cartas que testemunham uma intensa amizade intelectual que se transformou numa autêntica comunhão de espíritos.

  • CARTAS INÉDITAS A ALBERTO SAMPAIO
    Lisboa: O Jornal, 1985

Possuem características únicas na epistolografia anteriana. São o testemunho de uma longa (de 30 anos) e profunda amizade que as 97 cartas reunidas perpetuam, constituindo um documento imprescindível para o estudo de alguns dos protagonistas da Geração de 70.

Mas desta amizade certamente nos falará hoje com grandedetalhe a Drª Ana Maria Almeida Martins.

  • O ESSENCIAL SOBRE ANTERO DE QUENTAL
    Lisboa: Imprensa Nacional — C.M., 1985

Uma breve e concisa introdução à biografia de AQ, que cumpre inteiramente os objectivos da colecção em que se integra e serve para criar a vontade de ir mais longe, de partir à descoberta da obra de “uma das mais fascinantes, se não a mais fascinante figura da nossa literatura”.

  • ANTERO DE QUENTAL: FOTOBIOGRAFIA
    Lisboa: IN-CM/ Sec. Reg. Educação e Cultura Açores, 1986

Não se pode falar de Antero sem paixão, mas uma paixão lúcida e consciente tem obrigatoriamente que resultar do seu conhecimento.
E Antero era, até há pouco, praticamente desconhecido apesar de muito referenciado ou mesmo utilizado como bandeira.
Neste livro, feito essencialmente para ser visto, a Autora procurou reproduzir a verdadeira efígie de Antero, que este desenhou e subscreveu, sobretudo na célebre carta autobiográfica dirigida a
Wilhelm Storck em 1887, para servir de prefácio à tradução alemã dos sonetos.
Uma carta a Cândido de Figueiredo (1881) e excertos de outras dirigidas a vários amigos constituem as fontes originais que permitam traçar com grande segurança e fidelidade o itinerário anteriano.
Mas este livro é, sobretudo, imagem, constituída por uma riquíssima iconografia que nos permite acompanhar, a par e passo, o percurso de Antero, pontuado com textos judiciosamente seleccionados que explicam ou completam as ilustrações.
E assim começamos a percorrer demoradamente, preguiçosamente, mas com um prazer imenso, as imagens deste livro, partindo das origens ¾ físicas e familiares ¾ açorianas.

E como num filme envolvente, vemos perpassar as pessoas e as casas, as palavras e os livros, as revistas e os jornais, os sonhos, os projectos, os movimentos, as realizações. E os amigos. E os lugares.
Castilho e os manos Sampaios, Eça e Germano Meireles, Michelet e Oliveira Martins, a Geração de 70 aqui nos surgem em carne e osso.
De S. Miguel a Coimbra, de Paris a Lisboa, de Vila do Conde (e Boamense) a Ponta Delgada (e ao campo de S. Francisco, e ao tiro necessário) Ana Maria Almeida Martins leva-nos na companhia de Antero e do seu inconformismo, da sua lucidez, da sua revolta e do seu génio, da sua angústia.
De uma documentação iconográfica extremamente rica, fruto de um conhecimento exaustivo sobre a época e sobretudo de uma investigação paciente, aturada e rigorosa, resulta uma obra fascinante e reveladora que nos permite reconstruir fielmente o retrato do homem e da sua circunstância.

  • CARTAS
    Lisboa: Comunicação ¾ Univ. Açores, 1989-1990 (Obra completa de Antero de Quental; 6/7)


Eis a correspondência quase completa de um dos nossos “raros heróis culturais” (E. Lourenço), porventura a personalidade mais fascinante que alguma vez surgiu no panorama literário e cultural português.
As cartas, para além de tudo o que nos trazem para o conhecimento da vida e da obra de AQ, vêm ampliar o nosso conhecimento sobre a prosa de um autor que segundo A. Sérgio seria “o mais sóbrio, o mais puro, o mais clássico dos prosadores da língua portuguesa”.
Foi Joel Serrão que em 1982 incitou Ana Maria Almeida Martins a iniciar a recolha de todas as cartas de AQ já conhecidas em livro ou dispersas por jornais e revistas, com intenção de posteriormente as publicar.
O ponto de partida desta recolha teria de ser a biografia de Bruno Carreiro, cuja importância é desnecessário encarecer.

Uma edição das cartas, subordinadas às exigências do rigor, impunha como tarefa prioritária a localização dos originais, tais as incongruências e deficiências detectadas no confronto de diversas
edições em que vêm sendo publicadas.
Tarefa morosa e difícil porque não se conseguiram localizar algumas cartas, mas de qualquer modo a grande maioria é pela primeira vez apresentada na íntegra.
Algumas inéditas foram incluídas neste volume mas outras ainda poderão existir na posse de particulares.
Foi um longo peregrinar que levou mesmo a autora até Veneza, para analisar o espólio de Joaquim de Araújo, e a uma infinidade de contactos com pessoas e instituições onde as cartas publicadas se podem encontrar.
Das 704 cartas recolhidas, 516 foram directamente cotejadas com os originais, sendo 203 inéditas ou pela 1ª vez publicadas em volume.
As cartas são publicadas por ordem cronológica havendo naturalmente diversos problemas de datação que a autora procurou resolver a partir do seu conhecimento sobre Antero.
O critério cronológico permite acompanhar o percurso biográfico de Antero.
Os critérios de transcrição das cartas são rigorosamente apresentadas na introdução.
O volume é substancialmente enriquecido com uma bibliografia sobre as publicações onde anteriormente apareceu a correspondência anteriana.
Preciosos índices (destinatários, onomástico, geográfico e toponímico, temático e de ilustrações e ainda um analítico das cartas) completam este trabalho feito com um rigor, uma seriedade, uma
qualidade inexcedíveis.
Magníficos livros, estes.
Não se poderá voltar a estudar Antero sem recorrer à fotobiografia e sobretudo às cartas que ajudam a esclarecer dúvidas e interrogações que a sua vida tantas vezes levanta.
As comparações são sempre pouco simpáticas mas, para mim, a investigação de Ana Maria Almeida Martins sobre Antero só pode encontrar paralelo naquela que Alexandre Cabral dedicou a Camilo, o outro genial suicida da nossa literatura ¾ e para Antero ou Camilo, o suicídio é um desenlace inevitável feito de lucidez e coragem.
Não duvido que a cultura portuguesa ficará eternamente devedora à Drª Ana Maria Almeida Martins, que a SMS em boa hora convidou, por estes trabalhos, que tanto contribuem para melhor conhecer uma das personalidades mais perturbantes da sua história.

Revista de Guimarães, n.º 102, 1992, pp. 321-325

terça-feira, novembro 24, 2009

Catálogo - Fundo Local (Biblioteca Pública Regional - Biblioteca Digital)

Faria, José Cupertino - O arquipelago da Madeira : guia descritivo ilustrado com fotogravuras/ José Cupertino Faria. - Setúbal : Tip. J. L. Santos & C.ª, 1901.

http://www.bprmadeira.org/imagens/documentos/File/bprdigital/ebooks/archip_madeira1901.pdf

Silva, Fernando Augusto da - O arquipélago da Madeira na legislação portuguesa / Fernando Augusto da Silva. - Funchal : C.M.F., 1941.

http://www.bprmadeira.org/imagens/documentos/File/bprdigital/ebooks/ArqMadLegislacao1941.pdf

Gomes, J. Reis - O cavaleiro de Santa Catarina : de Varna à Ilha da Madeira / J. Reis Gomes. - [S.l. : s.n.], 1941.

http://www.bprmadeira.org/imagens/documentos/File/bprdigital/ebooks/VarnaIlhaMadeira.pdf

Ferreira, Manuel Juvenal Pita - O infante D. Henrique e a descoberta e povoamento do Arquipélago da Madeira / Pe. Manuel Juvenal Pita Ferreira. - Funchal : [s.n.], 1960.

http://www.bprmadeira.org//imagens/documentos/File/bprdigital/ebooks/InfDHenriqueDescMadeira.pdf

Herédia, A. C. - Observações sobre a situação económica da Ilha da Madeira e sobre reforma de alfândegas / A. C. Herédia. - Lisboa : Tip. Matos Moreira, 1888.

http://www.bprmadeira.org/imagens/documentos/File/bprdigital/ebooks/ObsRefAlfandega.pdf

Sarmento, Alberto Arthur - Os alicerces para a história militar da Madeira / Alberto Arthur Sarmento. - Funchal : Heraldo da Madeira,1908.

http://www.bprmadeira.org/imagens/documentos/File/bprdigital/ebooks/historia_militar.pdf

Silva, Fernando Augusto da - Vocabulário popular do Arquipélago da Madeira : alguns subsídios para o seu estudo / Fernando Augusto da Silva. - Funchal : Junta Geral, 1950.

http://www.bprmadeira.org/imagens/documentos/File/bprdigital/ebooks/VocPopularMad.pdf

Vasconcelos, Francisco de Paula Medina e - Zargueida : descobrimento da Ilha da Madeira, poema heroico / Francisco de Paula Medina e Vasconcelos. - Lisboa : Simão Thaddeo Ferreira, 1806.

http://www.bprmadeira.org/imagens/documentos/File/bprdigital/ebooks/Zargueida1806b.pdf

segunda-feira, novembro 23, 2009

Estudos sobre vida e obra de Pedro Nunes - BNP

  • Albuquerque, Luís de - Sobre as prioridades de Pedro Nunes / por Luís de Albuquerque. - Lisboa : Academia das Ciências, 1972. - p. 393-405 ; 25 cm. - Separata de : Memórias da Academia das Ciências de Lisboa, classe de Ciências, t. 16.
  • Albuquerque, Luís de - Pedro Nunes e Diogo de Sá / Luís de Albuquerque. - Lisboa : Academia das Ciências, 1976-77. - p. 339-357 - Separata de : Memórias da Academia das Ciências de Lisboa, classe de Ciências, t. 21.
  • Baião, António - O matemático Pedro Nunes e sua família à luz de documentos inéditos / por António Baião. - Coimbra : Imprensa da Universidade, 1915. - Separata do "Boletim de Segunda classe" [da] Academia das Sciências de Lisboa, vol. 8.
  • Bosmans, Henri - L' algèbre de Pedro Nuñes / por H. Bosmans In : Annaes Scientificos da Academia Polytechnica do Porto / dir. F. Gomes Teixeira. - Coimbra : Imprensa da Universidade, 1908. - Vol. 3, n.º 4, p. 222- 271.
  • Carvalho, Joaquim de - Pedro Nunes : defensão do tratado da rumação do globo para a arte de navegar / Joaquim de Carvalho. - Coimbra : [Universidade], 1952. - (Inedita ac Rediuiua : subsídios para a História da Filosofia e da Ciência em Portugal). - Separata de : Rev. da Universidade de Coimbra, vol. 17.
  • Carvalho, Joaquim Martins Teixeira de - Dois capítulos da vida do Doutor Pedro Nunes : 1557-1578 / Teixeira de Carvalho. - Coimbra : Imprensa da Universidade, 1916.
  • Costa, A. Fontoura da - Pedro Nunes : 1502-1578 /A. Fontoura da Costa. - Lisboa : Agência Geral das Colónias, 1938. - (Pelo Império ; 47).
  • Guimarães, Rodolfo - Sur la vie et l'œuvre de Pedro Nunes / Rodolphe Guimarães. - Coimbre : Imprimerie de l'Université, 1915. - Separata dos Annaes Scientificos da Academia Polytechnica do Porto, vol. 9, n.º 1- 4 e vol. 10, n.º 1.
  • Guimarães, Rodolfo - Vida e descendência de Pedro Nunes / por Rodolfo Guimarães. - Coimbra : Imprensa da Universidade, 1915. - Separata do "Boletim da Segunda Classe" [da] Academia das Sciências de Lisboa, vol. 9.
  • Santos, António Ribeiro dos - Memória da Vida e Escritos de Pedro Nunes / António Ribeiro dos SantosIn : Memorias de Litteratura Portugueza. - Lisboa : Academia das Ciências, 1806. - T. 7, p. 250- 283.
  • Silva, Luciano Pereira da - Os dois doutores Pedro Nunes / Luciano A. Pereira da Silva. - Coimbra : Imprensa da Universidade, 1914. - Separata da Revista da Universidade de Coimbra, vol. 2, n.º 1.
  • Silva, Luciano Pereira da - As obras de Pedro Nunes : sua cronologia bibliográfica / por Luciano Pereira da Silva. - Coimbra : Imprensa da Universidade, 1925. - Separata do Arquivo de História e Bibliografia, vol. 1.
  • Silva, Luciano Pereira da - Pedro Nunes espoliado por Alonso de Santa Cruz / Luciano Pereira da Silva. [Lisboa : s.n., 1925]. - Separata de Lusitânia : revista de estudos portugueses, vol. 3, fasc. 8.
  • Stockler, Francisco de Borja Garção - Ensaio historico sobre a origem e progressos das mathematicas em Portugal / Francisco de Borja Garção-Stockler. - Pariz : Na Officina de P. N. Rougeron, 1819.
  • Teixeira, Francisco Gomes - Elogio histórico de Pedro Nunes In : Panegíricos e Conferências / por F. Gomes Teixeira ; [ed. lit.] Academia das Ciências de Lisboa. - p. 83 ; 24 cm. - Coimbra : Imprensa da Universidade, 1925.
  • Teixeira, Francisco Gomes - História das Matemáticas em Portugal / por Francisco Gomes Teixeira. - Lisboa : Academia das Ciências de Lisboa, 1934.
  • Ventura, Manuel de Sousa - Vida e obra de Pedro Nunes / por Manuel Sousa Ventura. - Lisboa : Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1985. - (Biblioteca Breve. Pensamento e Ciência ; vol. 99).

Adaptado de:http://purl.pt/40/1/estudar-vida-obra.html

Pedro Nunes a vida / cronologia (BNP)


1502 Nasce em Alcácer do Sal ca. 1517: Inicia estudos universitários

1523 Casa com D. Guiomar Áreas (Aires). [Deste casamento nasceram dois rapazes (Apolónio e Pedro) e quatro raparigas (Briolanja, Francisca, Isabel e Guiomar).] Toma o grau de bacharel médico

1527 Regressa de Salamanca. Dá aulas ao infante D. Luís (até Julho de 1531), a Martim Afonso de Sousa (até 1530) e a D. João de Castro

1529 É nomeado cosmógrafo do reino (a 16 de Novembro).Ingressa no Estudo Geral como lente substituto da cadeira de Filosofia Moral (a 4 de Dezembro).

1531 Lecciona Lógica na Universidade, em Lisboa. Em Outubro começa a dar aulas ao infante D. Henrique (até 1534).

1532 Exame de licentia na Sé de Lisboa (a 17 de Fevereiro).Toma grau de doutor (a 23 de Fevereiro) em Lisboa, na capela do Hospital Real. ca. 1534: Redige o manuscrito do Livro de Álgebra.

1537 A 27 de Setembro obtém autorização do rei para mandar imprimir todas as obras que "tivesse feitas". A 1 de Dezembro é publicado o Tratado da Sphera com a Theorica do Sol e da Lua, em Lisboa, por Germão Galhardo.

1542 Em Janeiro, sai dos prelos: Petri Nonii Salaciensis de Crepusculis libri unu

1544 É nomeado Professor de Matemática na Universidade, em Coimbra (a 16 de Outubro).

1546 É publicado em Coimbra De erratis Orontii Finaei.

1547 É nomeado Cosmógrafo-Mor do Reino (a 22 de Dezembro).

1549 Diogo de Sá publica De navigatione Libri tres, em Paris. O livro contem críticas a Pedro Nunes.

1555 Eleito para proceder à Reforma dos Estatutos universitários.Morre o infante D. Luís (em Novembro).

1562 Aposenta-se da Universidade (a 4 de Novembro).

1566 Petri Nonii Salaciensis Opera, Basileia.

1571 É publicado um volume contendo o De Crepusculis e o De erratis Orontii Finaei.

1573 Segunda edição de Petri Nonii Salaciensis Opera.

1577 É consultado pelo Papa Gregório XIII, sobre o projecto de Reforma do calendário.

1578 Episódio da Cutilada. Morre em Coimbra, (a 11 de Agosto)

http://purl.pt/40/1/pn-cronologia.html

Introducção à exposição Pedro Nunes, 1502-1578 - Henrique Leitão

A posição de Pedro Nunes na história da ciência em Portugal não necessita de grandes esclarecimentos. Ele foi, sem dúvida, o mais importante matemático da história portuguesa. Esta apreciação não é feita tendo por base um qualquer critério subjectivo, ou simplesmente a partir de uma opinião sobre a "genialidade" ou "novidade" das suas obras. É certo que a inspecção dos trabalhos de um homem de ciência, quando cotejada com os conhecimentos que estavam disponíveis na época em que escreveu, permite pôr em evidência a originalidade das suas contribuições e a capacidade do seu talento. Mas a ciência tem um critério implacável de aferição da importância e do valor das contribuições de qualquer autor, que não se limita ao exame interno da sua produção. É apenas na medida em que as ideias e inovações de um autor são integradas na obra de outros que se pode falar em importância científica. No século XVI, como hoje, o principal critério de avaliação da qualidade científica era o da opinião dos pares, o que reflecte a natureza essencialmente colectiva da actividade científica. Assim, no julgamento do valor de um homem de ciência, pouco importa a opinião popular, ou a de não-especialistas. Como escreveu Nicolau Copérnico, um dos mais célebres contemporâneos de Pedro Nunes: Mathemata mathematicis scribuntur [as Matemáticas escrevem-se para os matemáticos]. O que interessa registar é a apreciação dos seus pares, isto é, a dos outros grandes cientistas do seu tempo.
No caso de Pedro Nunes, essa apreciação foi quase unânime. Em finais do século XVI, o matemático jesuíta Cristóvão Clavius, uma das personalidades mais influentes no panorama matemático da altura, referia-se a Nunes apelidando-o de "célebre matemático", "engenho penetrantíssimo", "inferior a nenhum outro em matemática no nosso tempo". Confirmando estas palavras, algumas das importantes contribuições científicas de Clavius, por exemplo relativamente ao problema dos crepúsculos ou ao nónio, têm a sua origem e apoiam-se essencialmente em trabalhos e especulações de Pedro Nunes. O também célebre matemático e cosmógrafo inglês John Dee, em 1558 nomeou-o seu executor testamentário apelidando-o de "esse homem eruditissimo [...] que é para nós o único depósito e coluna das artes matemáticas", palavras que ganham ainda mais significado quando se recorda que Dee privava com alguns dos mais consagrados homens de ciência da altura e que é quase certo nunca ter conhecido em pessoa o cosmógrafo português. Edward Wright, também ele um famoso matemático de Inglaterra, fez começar o seu influente Certaine errors of navigation (1599), com a cândida confissão de que importantes partes dessa obra eram traduzidas, "palavra por palavra", dos trabalhos de Pedro Nunes. Por iniciativa dos padres Giovanni Battista Riccioli e Francesco Grimaldi, fundadores da selenografia - o estudo científico da Lua - uma das crateras do nosso satélite passou a chamar-se "Petrus Nonius". Em Espanha, o cosmógrafo Simón de Tobar designava Nunes o "mayor mathematico de quantos a avido en nuestros tiempos" e, no nosso país, Luís Serrão Pimentel, figura central da ciência portuguesa de seiscentos, não poupava encómios cada vez que referia o nome de Pedro Nunes.
Em praticamente todos os grandes matemáticos, astrónomos e cosmógrafos da segunda metade do século XVI e do século XVII é possível encontrar, se não referências directas ao trabalho de Pedro Nunes, pelo menos alguns traços da sua influência. Mesmo os que lhe apontaram erros, como por exemplo Giovanni Battista Benedetti, no seu Speculationum mathematicarum et physicarum (1586), ou os que lhe criticaram o estilo, como Claude De Chales, no Mundus seu cursus mathematicus (1690), confirmam com essa atenção que lhe dirigiram - muitas vezes largos anos após a morte do matemático português - a vitalidade dos seus escritos.A par do reconhecimento pelos outros cientistas e da atenção prestada pelos estudiosos de épocas seguintes, há também um desejável conhecimento pelo grande público. Dar a conhecer junto do grande público um autor como Pedro Nunes tem os seus problemas. No século XVI era muito reduzido o número dos que podiam entender os trabalhos do matemático português; no século XXI, esse número é diminuto. Se exceptuarmos algumas palavras de circunstância que Pedro Nunes fez incluir nas suas obras, e o facto de ter dado ao prelo algumas traduções portuguesas, a verdade é que Nunes, como qualquer outro grande criador de ciência, dirigiu-se sempre à audiência selecta, mas muito reduzida, dos matemáticos mais competentes da sua era. A divulgação é uma tarefa nobre, mas não é quase nunca uma preocupação dos grandes criadores científicos e não foi certamente uma preocupação de Pedro Nunes. Acresce ainda que o melhor da produção noniana foi impresso em latim, a língua de cultura científica até finais do século XVIII, o que torna o conhecimento desses trabalhos pelo público dos nossos dias ainda mais difícil.
A celebração de um matemático de primeiro nível, como Pedro Nunes, é, portanto, algo problemática. Deixando de lado o reduzidíssimo número de especialistas que aproveita estas comemorações para aprofundar o conhecimento da história científica do século XVI, ou de algum aspecto menos conhecido da biografia do nosso maior matemático, o grande público sentirá naturais dificuldades em aproximar-se destas comemorações. As obras de Pedro Nunes, quando são interessantes, são técnicas e complexas, e é muito difícil - em alguns casos, impossível de todo - explicar simplificadamente o melhor das reflexões nonianas. As instituições e os poderes de cada momento, sejam eles quais forem, aproveitam geralmente a ocasião destas celebrações para sublinhar algum aspecto caro à mentalidade do tempo e que, de uma maneira ou outra, procuram recolher da personalidade histórica que se comemora. Assim, se em épocas passadas Pedro Nunes foi celebrado sobretudo como uma "glória da nação portuguesa", nos nossos dias ele é sobretudo anunciado como o "humanista" e o "arauto da modernidade". Nenhuma destas apreciações é incorrecta, mas tem de reconhecer-se que qualquer uma delas nos diz muito mais sobre o modo como cada geração se procura descrever a si própria do que sobre o perfil da figura histórica em apreço.
Permanece, portanto, o facto de a justiça reclamar uma homenagem a um português que se distinguiu, e a curiosidade do público estar aí, atenta, e à espera de alguma resposta. Que fazer? Não se trata de explicar em pormenor as várias contribuições científicas de Pedro Nunes. Um tal objectivo, mesmo admitindo que fosse realizável, exigiria uma iniciativa de tipo radicalmente distinto e, convenhamos, interessaria a poucos. Uma solução - discutível, e longe de ser perfeita - é a de procurar mostrar Pedro Nunes inserido no fluxo do fascinante processo histórico que foi a constituição da ciência dos nossos dias. Encontrá-lo, a ele e à sua obra, entre os outros nomes e as contribuições dos homens que marcaram de forma determinante a evolução histórica da ciência. Isto é, de alguma maneira, modelar o próprio processo pelo qual o desenvolvimento científico se constrói: uma grande conversa no tempo entre grandes figuras.
O que parece ser realizável, e ao mesmo tempo revelador do perfil intelectual de Pedro Nunes, é dar a conhecer um pouco o seu mundo intelectual. Mostrar que as suas fontes são o melhor que o mundo científico do século XVI tinha para oferecer e que o seu conhecimento dos autores mais importantes parece ser quase absoluto. Mostrar que, mesmo várias décadas após o seu falecimento, o seu nome continuou intimamente associado a muitos problemas científicos. Ora o livro, este objecto tão familiar e tão misterioso, testemunha silenciosa mas eloquente de uma vida no passado, presta-se admiravelmente bem para este fim.
O que se pretende é deixar patente qual era o mundo intelectual de Pedro Nunes.
Mostrar que os seus interlocutores, os seus seguidores e os seus críticos não foram tanto os "homens de mar" que, ontem como hoje, mal podiam imaginar aquilo que o ocupava intelectualmente, mas sim os maiores que o antecederam e os maiores que o sucederam. A incompreensão que alguns dos seus contemporâneos portugueses manifestaram pelas suas obras é, em grande medida, estrutural à criação científica e matemática de alto nível. Poucos podiam entendê-lo, como poucos podem hoje em dia entender o melhor da produção matemática dos nossos dias. Para o bem e para o mal, qualquer grande matemático é membro de uma comunidade muito reduzida e selecta; está como que prisioneiro num mundo mental acessível a pouquíssimos.
Esta Exposição está ordenada em três núcleos que, centrados nas Obras de Pedro Nunes, se projecta a partir daí, para o passado, com as Fontes de Pedro Nunes, e para o fututro, com a Difusão da obra noniana. Nesta articulação, a presente iniciativa distingue-se de outras mostras bibliográficas sobre Pedro Nunes realizadas em anos transactos e em outras instituições que não a Biblioteca Nacional. Todas as obras que aqui se apresentam têm uma relação directa com Pedro Nunes e foi apenas nessa medida que se escolheram para exibir.
Seleccionar as obras a expor foi a parte mais importante e a mais difícil deste trabalho, pois facilmente se multiplicariam as obras que constituíram as suas fontes e as que testemunham a difusão das suas ideias. Considerando que a multiplicação de espécies bibliográficas, para além de levantar problemas de ordem logística, em pouco auxiliaria os propósitos que nortearam esta exposição, optou-se por seleccionar um total de cerca de 100 obras. A selecção que foi feita não tem, nem poderia ter, qualquer pretensão de ser exaustiva, mas procurou, tanto quanto possível, ser representativa. Quer quanto às fontes usadas por Pedro Nunes, quer quanto às obras que testemunham a difusão europeia das suas ideias, procurou-se escolher trabalhos que correctamente identifiquem as principais linhas de força do pensamento científico de Pedro Nunes. Embora o estudo teórico da náutica tenha sido um dos assuntos que mais celebrizou o matemático português, não foi de maneira nenhuma o único tema que o interessou. Por isso, nesta mostra de livros, houve o cuidado de apresentar materiais de essas outras temáticas, que passam pela álgebra, a trigonometria, a geometria, a óptica, a mecânica teórica, a astronomia matemática, etc.
Para o bibliófilo e o interessado em história do livro cremos que o presente Catálogo tem também alguns motivos de interesse. O livro científico coloca problemas de estudo muito particulares. A sua produção eficiente levou a importantes melhorias na arte tipográfica e, dado que os mercados a que se destinava eram, em geral, de reduzida dimensão, obrigou ao aparecimento de formas pouco comuns de mecenato e financiamento. Todos estes assuntos têm motivado, nos últimos anos, uma crescente aproximação de interesses entre historiadores de ciência e especialistas de história do livro.
Para além da informação bibliográfica relevante para cada espécie, incluíram-se umas breves notas explicativas. Essas anotações não se dirigem, como é evidente, ao especialista. O seu propósito é proporcionar ao público geral um conjunto mínimo de dados - científicos, históricos, biográficos - que possibilitem uma melhor compreensão do contexto e relevância de cada obra apresentada. Por outro lado, parte-se do princípio de que os visitantes têm uma familiaridade mínima com os aspectos fundamentais da biografia e produção científica de Pedro Nunes. Não se trata de uma exposição sobre a figura histórica de Pedro Nunes mas, de forma mais restrita, de uma exposição dos livros onde se espelha o mundo mental do mais importante matemático da história portuguesa.


HENRIQUE LEITÃO
Comissário Científico, Faculdade de Ciências
da Universidade de Lisboa

Pedro Nunes, 1502-1578 - (BNP)

http://purl.pt/40/1/
Nota: Foi uma magnífica exposição sobre Pedro Nunes, com links e
informações muito úteis para quem deseja conhecer a vida e obra deste matemático.

domingo, novembro 22, 2009

Pedro Nunes - obras digitalizadas (BNP)

Petrii Nonii Salaciensis, De Crepusculis Liber Vnus. Item Allacen Arabis vetustissimi, de causis Crepusculorum Liber vnus, à Gerardo Cremonensi iam olim Latinitate donatus & per eundem Petrum Nonium denuò recognitus. - Secunda editio. - Conimbricae : excudebat Antonius à Marijs, 1573.
http://purl.pt/14449

Petri Nonii Salaciensis De Arte Atque Ratione Nauigandi Libri Duo. Eiusdem in theoricas Planetarum Georgij Purbachiij annotationes, & in Problema mechanicum Aristotelis de motu nauigij ex remis annotatio vna. Eiusdem De erratis Orontij Finoei Liber vnus. Eiusdem de Crepusculis lib. I. Cum libello Allacen de causis Crepusculorum. - Conimbricae : in aedibus Antonij à Marijs, 1573.
http://purl.pt/14448

Petri Nonnii Salaciensis Opera, quae complectuntur, primum, duos libros in quorum priore tractantur pulcherrima problemata. In altero traduntur ex Mathematicis disciplinis regulae & instrumenta artis nauigandi, quibus uaria rerum Astronomicarum... circa coelestium corporum motus explorare possumus. : Deinde, Annotationes in Aristotelis Problema Mechanicum de Motu nauigij ex remis : Postremo, Annotationes in Planetarum Theoricas Georgii Purbachii.... - Basileae : ex Officina HenricPetrina, 1566.

Petri Nonii Salacie[n]sis, de Crepusculis liber unus, nu[n]c rece[n]s & natus et editus. Item Allacen Arabis uetustissimi, de causis Crepusculorum Liber unus, à Gerardo Cremonensi iam olim Latinitate donatus.... - Nunc uero omniu[m] primum in lucem editus. - Olyssippone : Ludouicus Rodericus, 1542.

Tratado da sphera com a Theorica do Sol e da Lua. E ho primeiro liuro da Geographia de Claudio Ptolomeo Alexa[n]drino. Tirados nouamente de Latim em lingoagem pello Doutor Pero Nunez Cosmographo del Rey do[m] Ioão ho terceyro deste nome nosso Senhor. E acrece[n]tados de muitas annotações e figuras per que mays facilmente se podem entender. Item dous tratados q[u]e o mesmo Doutor fez sobre a carta de marear. Em os quaes se decrarão todas as principaes duuidas da nauegação. Co[m] as tauoas do mouimento do sol: e sua declinação. E o Regime[n]to da altura assi ao meyo dia: como nos outros tempos. - Lixboa : per Germão Galharde empremidor, 1 Dezembro 1537.
Nota: Estas obras fizeram parte da exposição Estrelas de papel: livros de astronomia dos séculos XIV a XVIII.

On the Edge. The Hidden Art of Fore-Edge Book Painting - Boston Public Library












http://foreedge.bpl.org/

Fore Edge Painting - An Introduction por Anne C. Bromer (BPL)

From the earliest period when books began to be printed and accumulated, artists and bookbinders embellished their covers with designs and illustrations. The painting of book edges developed later, but few readers have ever seen these decorations. They are an obscure art form, hidden beneath a surface of gold. When revealed, there is only wonderment! It is as if you discovered magic on a book before you even read its opening lines. The story of how this idea began and the extraordinary collection of these edge paintings at The Boston Public Library follows.
When you hold the covers of a book in your hands, you will see three edges and a spine. The top edge and bottom edge are obviously named, but the edge at which you open the book has an unfamiliar title. It is referred to as the FORE-EDGE. Originally this edge of the book was titled in ink for the purpose of identification. Then the old books were stacked one on top of the other with the edge facing outwards in order to read its title. In the beginning, there was no effort to beautify the fore-edge.
By the sixteenth century, a Venetian artist, Cesare Vecellio, devised a way to enhance the beauty of a book by painting on its edges. The images, mostly portraits, were easily viewed when the covers of the book were closed. A century later in England, Samuel Mearne, a bookbinder to the royal family, developed the art of the “disappearing painting” on the fore-edge of a book.
“Imagine a flight of stairs, each step representing a leaf of the book. On the tread would be the painting and on the flat surface would be gold. A book painted and gilt in this way must be furled back before the picture can be seen.” (Kenneth Hobson, 1949). This is how a fore-edge painting works. When the book is closed, you do not see the image because the gilding hides the painting. But, when you fan the pages to show the painting at its best and hold them between your fingers or in a display press, the colorful picture appears as if by magic.
In the late eighteenth and early nineteenth centuries, fore-edge painting reached its height in England. The famous bookbinding firm, which is always referred to with “the territorial suffix” Edwards of Halifax, was responsible for this surge of interest. Artists were employed to paint landscape scenes with country estates on the fore-edges of books, which were then handsomely bound in painted vellum covers or in exotic leather bindings.
Most fore-edge painters working for binding firms did not sign their work, which explains why it is difficult to pinpoint and date the hidden paintings. A few binders did leave their marks. Taylor & Hessey, working in the early nineteenth century, stamped their name on the edge of the binding. The binder/painter from Liverpool working at the end of the century, John Fazakerly, combined colorful decorations with gold embossing on the edges of his bindings, which in themselves are works of art and easily identifiable. In the early twentieth century, Miss C. B. Currie painted and signed her fore-edges, which are often found on bindings with painted ivory insets by Miss Currie. These are the exceptions, as most paintings are recognized only by their design. The “Dover” painter and the “Thistle” painter, for example, are twentieth century fore-edge artists whose paintings are presented unsigned. Through observation and study, we are able to learn the style of each.
Hidden paintings hold broader interest today and include more subjects than the early landscape and architectural scenes. Some of the themes depicted on fore-edge paintings are outdoor sports, such as fox hunting and angling, and indoor sports, such as chess and billiards. Biblical tableaus, historic sea battles, views of American cities, exotic depictions of “the Orient,” and even erotic scenes are shown beneath the gold.
In the twentieth century, the single fore-edge painting was expanded to include double fore-edges, an astounding feat of craftsmanship, where two different paintings can be viewed by fanning the pages in first one direction and then the opposite. Neither painting interferes with your view of the other. Another technique is to use all three edges of the book – top, bottom, and fore-edge – to paint a continuous picture, which surrounds the book. In recent times, miniature books less three inches in height have been used as palettes to paint a fore-edge. The smallest of these are the three volumes produced in 1929, 1930, and 1932 by the Kingsport Press in Tennessee. In a fore-edge space of less than one inch, the portraits of Abraham Lincoln, Calvin Coolidge, and George Washington are painted to accompany the text related to each of the presidents.
The collection of fore-edge paintings of The Boston Public Library is outstanding; one of the finest in the country. The nucleus of 258 books was first given to the Library by Albert H Wiggin in 1951. Since that time it has been a hidden treasure of the Library. This virtual exhibition is the first time the books have been publicly viewed. These magical paintings have come to light and are now able to be shared through this exhibition to be enjoyed by everyone.
References cited:
Hanson, T.W. “Edwards of Halifax,” A Family of Book-Sellers, Collectors and Book-Binders. 1912.Hobson, Kenneth. “On Fore-Edge Painting of Books”. In The Folio. 1949.Weber, Carl J. Fore-Edge Painting, A Historical Survey of a Curious Art in Book Decoration. 1966.
Nota: Na galeria deste site poderá encontrar autênticas obras de arte deste género de pintura/decoração de livros.

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