segunda-feira, março 30, 2009

Noronhas

Estão disponíveis os capítulos IV e V do Nobiliário da Ilha da Madeira, sobre o ramo Noronhas nos seguintes links:
http://www.villamaria.com.pt/capitulo_4_do_nobiliario_da_mad.htm
http://www.villamaria.com.pt/capitulo_5_do_nobiliario_da_ilha.htm

«Títulos Nobiliárquicos do Arquipélago da Madeira»

Títulos Nobiliárquicos do arquipelago da Madeira
O título nobiliárquico mais antigo de que temos conhecimento, referente a pessoas deste arquipélago, é o que foi concedido a Simão Gonçalves da Câmara, 5.° capitão-donatario do Funchal, por alvará régio de 20 de Agosto de 1576 (volume 1, página 188 e 210). Não temos conhecimento da concessão de outro título nos séculos XVI, XVII e XVIII, havendo em 1812, por decreto de 17 de Dezembro, sido conferida a mercê de visconde de Torre Bela ao morgado Fernando José Correia Brandão Bettencourt de Noronha Henrigues que foi representante de Portugal em Hamburgo, Estocolmo, Berlim, Viena e Nápoles (V. Torre Bela). O estadista e diplomata Antonio Saldanha da Gama, que casou com D. Antonia Basilia Heredia de Bettencourt, representante e herdeiro da casa vinculada dos Heredias desta ilha, foi agraciado com o título de conde do Porto Santo, por decreto de 26 de Outubro de 1823. Carlos Stuart, súbdito britanico, que representou o seu país na corte de Lisboa, teve o título de conde de Machico, concedido por decreto de 22 de Novembro de 1826. (V. volume II, página 292). O título de conde de Carvalhal foi concedido, por decreto de 13 de Setembro de 1835, a João Xavier de Carvalhal Esmeraldo Vasconcelos de Atouguia Betencourt de Sá Machado, o mais opulento proprietário desta ilha e um dos mais abastados de todo o país (volume I, página 254 e seguintes). O ilustre madeirense João Gualberto de Oliveira, estadista e parlamentar, foi agraciado com a mercê de barão de Tojal, por decreto de 4 de Abril de 1838, e de conde do mesmo título, por decreto de 17 de Setembro de 1844. (V. Tojal). O Dr. Daniel de Ornelas e Vasconcelos, par do reino, recebeu a graça do barão de S. Pedro, por decreto de 12 de Agosto de 1845 (volume III, página 27). Com o título de visconde de Santa Cruz, vila desta ilha, foi a 15 de Outubro de 1851 agraciado Antonio Manuel de Noronha antigo governador e capitão-general deste arquipélago (volume II. pagina 447). Ao distinto madeirense Antonio Aluisio Jervis de Atouguia (volume I, página 103 ) foi conferido o título de visconde de Atouguia, por decreto de 15 de Março de 1853. Fortunato Joaquim Figueira foi agraciado com o título de barão da Conceição, por decreto de 11 de Setembro de 1855. Era sogro do visconde de Andaluz e do advogado Dr. Nuno Ferreira Jardim, e avô do Dr. Alberto Figueira Jardim. Teve o título de visconde das Nogueiras, concedido por decreto de 16 de Janeiro de 1867, o madeirense Jacinto de Santana e Vasconcelos Moniz de Betencourt, marido da viscondessa das Nogueiras (volume II, página 444) e pai do 2.° visconde das Nogueiras (volume II, página 440). Por decreto de 25 de Fevereiro de 1871,foi contemplado com a mercê de visconde da Calçada o morgado e grande proprietário Diogo de Ornelas de França Carvalhal Frasão Figueiroa (volume I, página 187), que depois teve a graça de conde do mesmo título. O morgado e proprietário Diogo Berenguer de França teve o título de visconde de S. João, por decreto de 3 de Março de 1871. A Francisco Correia Heredia, pelo decreto de 4 de Maio de 1871, foi conferido o título de visconde da Ribeira Brava (V. este nome). Foi concedido ao Dr. João de Freitas da Silva o título de visconde de Monte Belo, por decreto de 24 de Março de 1880 (volume II. página 55). João Bettencourt de Araujo Carvalhal Esmeraldo (volume III, página 211) foi agraciado com o título de visconde do Ribeiro Real, por decreto de 23 de Março de 1882, sendo depois elevado a conde do mesmo título. O Dr. Antonio Evaristo de Ornelas foi agraciado com a mercê de barão de Ornelas, por decreto de 14 de Outubro de 1886 (volume III, página 21). Dos titulares de cujas datas dos respectivos decretos que os agraciaram não temos conhecimento, faremos menção do conde de Canavial (volume I, página 231), visconde de Gonçalves de Freitas (volume II. página 96), visconde da Casa Branca (general Alexandre César Mimoso), visconde de Bianchi (Augusto César Bianchi), visconde de Vale Paraiso {João Antonio Bianchi), barão do Jardim do Mar (Tristão Vaz Teixeira de Bettencourt e Câmara), barão de Uzel (Luis Augusto Ribeiro de Mendonça) e barão da Nora (Frederico Teles de Meneses). D. Alvaro da Costa de Sousa Macedo, governador e capitão-general deste arquipélago (volume II. página 288) teve o título de conde da Madeira, e Domingos Antonio de Sousa Coutinho o de conde e marquês do Funchal (volume II, página 59). Á mesma família pertence Agostinho de Sousa Coutinho, que teve também o título de marquês do Funchal e que por duas vezes exerceu o cargo de governador civil deste distrito (volume II pagina 58).
In: http://www.villamaria.com.pt/titulos_nobiliarquicos_do_aquipe.htm

«Biblioteca Genealógica de Lisboa»

Biblioteca Genealógica de Lisboa

A Biblioteca abriu as suas portas ao público no dia 12 de Junho de 2006 tendo como principal objectivo disponibilizar ao crescente número de interessados na Genealogia as obras de referência. Mas não pretende ser um simples depósito de obras para consulta. É também seu objectivo, constituir-se como um novo instrumento de auxilio para os investigadores, através da base de dados do site.

Site

Na base de dados da BGL estão identificadas e pesquisáveis, por tema, título ou autor, não só todas as obras que constituem o acervo da BGL (disponíveis) mas também milhares de outras que possam ser consultadas noutras bibliotecas (pesquisáveis). Esta base de dados permite também pesquisar, por nome próprio ou por apelido familiar, as obras que os refiram, constituindo-se assim como um instrumento bibliográfico de referência na área da Genealogia.

Autores

Nesta área, procurar-se-á elencar todas as obras publicadas, escritas, dirigidas ou coordenadas por autor, enriquecendo essa informação, sempre que possivel, com dados biográficos e genealógicos.

Famílias e Pessoas

Para cada família ou apelido, indicar-se-ão os títulos de obras, volumes e páginas onde determinado Apelido ou Família seja tratada em trabalhos publicados, sejam livros, revistas ou artigos. O mesmo princípio se aplicará a nomes de Pessoas, Cargos e Títulos, Casas, Locais e Instituições.


Noticias

Neste secção será disponbilizada a lista das novas incorporações da BGL, seja por oferta, seja por compra, e procurar-se-á ir dando conta de noticias que sejam do interesse para os genealogistas.

Actividades

A actividade mais visível desenvolvida na Biblioteca Genealógica de Lisboa é seguramente a manutenção diária do Portal de Genealogia Geneall, sendo o acervo da Biblioteca a fonte fundamental dos dados disponbilizados no portal. Outras iniciativas estão previstas e delas se dará conta na página das notícias.

Acesso

Situada na Calçada Marquês de Abrantes, nome emblemático da Genealogia portuguesa, pelo labor de D. Luis Gonzaga de Lancastre e Tavora, 10º marquês de Abrantes, a Biblioteca é privada, dispõe de 8 lugares para consulta e o acesso é livre.
In: http://www.bgl.org.pt/
Nota do Blogue: Desconhecia a existência desta biblioteca. Possui mais de 10000 obras, algumas das quais raras e muito úteis para aqueles que se dedicam ao estudo da genealogia.
Biblioteca Genealógica de Lisboa
Cç. Marquês de Abrantes, 102
1200-720 Lisboa
Tel.: 213976311
Fax : 213976312
Horário:De 2ª a 6ª, das 14h00 às 18h00
Últimas 5ªs-feiras do mês, até às 24h00

«Registo Genealógico de Famílias que Passaram à Madeira» - Luiz Peter Clode

Clode, Luiz Peter – REGISTO GENEALÓGICO DE FAMÍLIAS QUE PASSARAM À MADEIRA, Funchal, Edição da “Tipografia Comercial”, 1950.

sábado, março 28, 2009

«Torre do Tombo (História)» - ANTT

História
A Torre do Tombo é de uma das instituições mais antigas de Portugal. Desde a sua instalação numa das torres do castelo de Lisboa, ocorrida provavelmente no reinado de D Fernando e seguramente desde 1378, data da primeira certidão conhecida, até 1755, prestou serviço como Arquivo do rei, dos seus vassalos, da administração do reino e das possessões ultramarinas, guardando também os documentos resultantes das relações com os outros reinos.
Além de servir a administração régia, com funções semelhantes às de um arquivo intermédio dos nossos dias, o serviço mais importante prestado pela Torre, foi o das certidões, solicitado pelos particulares e pelas instituições. Mediante autorização régia, facultou a consulta e mesmo o empréstimo de documentos, a alguns estudiosos, cujas obras foram depois impressas.No século XVII, começou a ser organizado o Arquivo do Arquivo, surgindo os primeiros livros do seu registo, fizeram-se alguns índices.No século XVIII, o crescente número de certidões solicitado à Torre do Tombo, onde avultam as pedidas pela Academia de História, fez aumentar o número dos seus oficiais. Neste século, no âmbito da descrição dos documentos, realizaram-se numerosos índices, indo ao encontro da necessidade de se conhecerem os documentos e de se criarem os instrumentos de pesquisa necessários à sua recuperação: este trabalho iniciou-se e decorreu, em boa parte, no edifício da torre do castelo: assim foram elaborados a maioria dos índices das Chancelarias régias (1715-1749), das Leis e Ordenações (1731), das Bulas (1732), dos moradores da Casa Real (entre 1713 e 1742), o inventário das Bulas, Breves e trasuntos pontifícios (1751-1753).
No dia 1 de Novembro de 1755, a torre ruiu durante o terramoto. A documentação foi recolhida dos escombros, e guardada, temporariamente, numa barraca de madeira, construída na Praça de Armas, após autorização do Marquês de Pombal, datada de 6 de Novembro.
Em 26 e 27 de Agosto de 1757, foi transferida para uma parte do edifício do mosteiro de São Bento da Saúde, da lado da Calçada da Estrela, ocupando as instalações designadas por Casa dos Bispos e compartimentos contíguos, que foram arrendados ao mosteiro.
Houve então que proceder à sua instalação, e à sua organização: os maços da Casa da Coroa, foram organizados em colecção do Corpo Cronológico, e em colecção dos Fragmentos. Os oficiais do arquivo fizeram várias cópias de documentos, nomeadamente, a Reforma das Gavetas, a Reforma dos Forais Antigos, e a colecção de Cópias, tendo continuado o trabalho de descrição de documentos de que resultaram os índices do Corpo Cronológico (1764), os sumários e índices dos documentos das Gavetas (1765), os índices dos livros das Ementas (1765), os índice dos maços das Moradias e dos Ofícios da Casa Real (1767, 1770), o inventário dos documentos da Casa da Coroa (1776). Alguns destes instrumentos de descrição, podem ser ainda hoje consultados no Serviço de Referência.
A partir de 1777, pelo Regimento de 1 de Agosto, os livros de registo das mercês dos reinados findos, estavam obrigados a dar entrada na Torre do Tombo. Em 1791, por Aviso de 5 de Fevereiro, o Registo Geral de Mercês foi transferido para a Torre do Tombo, mantendo-se a funcionar nesta instituição até 1927.
No início do século XIX, as atribuições do Arquivo alargaram-se à formação de funcionários e ao ensino da Diplomática, concretizada na criação da Aula de Diplomática.
Até 1823, o Arquivo esteve sujeito ao Conselho da Fazenda, embora dependesse também de outras instituições no período do Antigo Regime. Desde então e até 1887, esteve dependente da Direcção Geral da Instrução Pública do Ministério do Reino.
No período liberal, a Torre do Tombo, designada por Arquivo Nacional no Regulamento de 1823, ou por Real Arquivo da Torre do Tombo, foi chamada a desempenhar funções de âmbito muito mais alargado, encetando uma nova fase na vida institucional, marcada pela incorporação de documentos dos arquivos dos extintos tribunais do Antigo Regime, em 1821 e 1833, e dos cartórios das corporações religiosas, extintas por Decreto de 28 de Maio de 1834. Estão reconhecidos quatro grandes ciclos de incorporações ao longo do século XIX, provenientes de diversas instituições, facto que concorreu para a desorganização dos acervos, que não entraram completos.
Neste ambiente de crescimento da documentação do Arquivo, o Regulamento Provisional de 30 de Abril de 1823, apostava na elaboração de diversos tipos de índices, recomendando a conservação da ordem dos documentos.
O novo Regulamento publicado em 1839, cometia ao Arquivo, o dever de incorporar os documentos considerados desnecessários às próprias instituições e os dos organismos extintos, assegurando a sua boa conservação e instalação.
A Lei de 2 de Outubro de 1862, veio estabelecer a obrigatoriedade de se fazerem acompanhar as remessas de documentos dos respectivos inventários, elaborados com base na proveniência dos documentos.
No século XIX, o Arquivo ressentiu-se do insuficiente número de funcionários, divididos pelo expediente da Secretaria de Registo das Mercês que nele funcionava, e das más condições das suas instalações, só melhoradas em 1861, quando o Arquivo da Torre do Tombo se mudou para a ala direita do mosteiro, do lado da Rua de São Bento, ocupando, sucessivamente, os espaços da igreja, do refeitório, e da Direcção Geral dos Trabalhos Geodésicos, instalações onde se manteve até 1990.
Embora, se tenha investido na descrição documental, a concepção de arquivo como serviço público de divulgação de conteúdos documentais surgiu tardiamente: a consulta pública dos documentos da Torre do Tombo, começou de forma tímida, em 1901, por Decreto de 24 de Dezembro, estando prevista para os estudiosos a quem os conservadores deviam dar apoio.
O Decreto de 18 de Março de 1911 reorganizou os serviços das bibliotecas e dos arquivos dependentes da Direcção Geral da Instrução Secundária, Superior e Especial, denominou, definitivamente, o Arquivo da Torre do Tombo por Arquivo Nacional, acentuou a função de conservação e valorização dos manuscritos destinados ao estudo da História, bem como a função de promover a entrada de cópias de manuscritos portugueses, existentes no estrangeiro, e estabeleceu, pela primeira vez, um horário de abertura ao público.
Nos últimos cem anos, o Arquivo Nacional cresceu significativamente com a integração de diversos serviços de arquivo: o Arquivo dos Feitos Findos (em 1915 por Decreto n.º 1659, de 15 de Junho), o Arquivo dos Registos Paroquiais, acumulando as funções de Arquivo Distrital de Lisboa (desde 1918 até 1992), o Arquivo das Congregações (em 1930), o Arquivo Histórico do Ministério das Finanças (em 1992) e mais recentemente o serviço de Lisboa do Centro Português de Fotografia (2007), para além das múltiplas entradas de documentos, provenientes de diversas instituições públicas, de arquivos senhoriais, e pessoais, muitos deles adquiridos por compra.
Em 1931, por Decreto n.º 19 592, de 31 de Junho, o Arquivo Nacional foi designado por Arquivo Geral, e sujeito técnica e administrativamente à Inspecção das Bibliotecas Eruditas e dos Arquivos, que em 1965 ficou sob tutela da Direcção Geral do Ensino Superior e das Belas Artes, do Ministério da Educação.
Desde 1985, que o Arquivo Nacional se encontra dependente do Ministério da Cultura com autonomia administrativa. A criação dos restantes arquivos distritais, para onde a Inspecção foi enviando os documentos ainda existentes nas repartições da Fazenda, foi sendo feita nos anos de 1927, 1931, 1933, 1965, surgindo a progressiva necessidade de os integrar numa rede nacional, e numa política nacional de arquivos.
Assim, em 1988, foi criado o Instituto Português de Arquivos, pelo Decreto-Lei n.º 152/88, de 29 de Abril, mantendo-se em funções até 1992, ano em que foi fundido com o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, pelo Decreto-Lei n.º 106-G/92, de 1 de Junho, tomando este, o nome de Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (AN/TT).
Depois de 1990 uma vez transferido para o edifício construído propositadamente para albergar o Arquivo Nacional na Alameda da Universidade, dispondo de mais amplas instalações, ocorreram novas incorporações, nomeadamente, em 1992, com a entrada da documentação das Secretarias de Estado, mencionada já no artigo 25.º da Lei de Março de 1911, seguidas de muitas outras aquisições.
A evolução da política nacional de arquivos, estendida à produção dos documentos e à gestão dos arquivos correntes, à avaliação e selecção documental e aos arquivos intermédios, reflectiu-se na mudança do nome do Arquivo Nacional, passando a Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (IAN/TT). A partir de 1997, de acordo com a lei orgânica publicada no Decreto-Lei n.º 60/97, de 20 de Março, competiu-lhe promover e executar a política arquivística nacional, nas suas vertentes de conservação e valorização do património arquivístico nacional, de promoção da qualidade dos arquivos correntes, e da salvaguarda e garantia dos direitos do Estado e dos cidadãos..
A sua identidade própria foi recuperada em 2007 pela vigente lei orgânica, e novamente designado por Arquivo Nacional da Torre do Tombo constituindo-se como arquivo de âmbito nacional na dependência da Direcção Geral de Arquivos.

«Noticia de un nuevo libro de caballerías: el Leomundo de Grecia de Tristão Gomes de Castro» - Aurelio Vargas Díaz-Toledo

NOTICIA DE UN NUEVO LIBRO DE CABALLERÍAS:
EL LEOMUNDO DE GRECIA
DE TRISTÃO GOMES DE CASTRO
Aurelio Vargas Díaz-Toledo
Universidad Complutense de Madrid
A lo largo de los últimos años las investigaciones filológicas en torno a los libros de caballerías han sufrido importantes avances respecto a su valor e interpretación crítica una vez que se han empezado a estudiar al margen de la losa del Quijote, a cuya sombra han permanecido durante siglos.
A este resurgimiento está contribuyendo, en gran medida, el hallazgo constante de testimonios y de nuevos textos caballerescos, todos ellos manuscritos, que nos están ofreciendo, al mismo tiempo, un conocimiento mucho más amplio de uno de los géneros literarios más productivos e influyentes de los siglos XVI y XVII en toda Europa. Debido, sobre todo, a la profunda y generalizada crisis de finales del siglo XVI de la imprenta hispánica, incapaz de correr con los gastos de obras tan voluminosas y apostando por otras de menor formato, los libros de caballerías sobreviven de manera manuscrita. En este sentido, van surgiendo por toda la Península Ibérica obras como la Flor de Caballerías, de Francisco de Barahona, la Quinta Parte de Belianís de Grecia, o la Selva de Cavalarías Famozas, del lisboeta Antonio de Brito da Fonseca, obras que, por otro lado, están abriendo un amplio panorama a la hora de replantearse los modos de transmisión del género caballeresco.
De esta forma, a consecuencia de nuestras últimas investigaciones llevadas a cabo principalmente en bibliotecas portuguesas, tenemos la suerte de poder seguir ampliando el corpus de libros de caballerías manuscritos con una incorporación esencial para comprender la mayor pervivencia de estos en suelo portugués, en una época en que Portugal estaba bajo la dominación de la corona española (1581-1640). Se trata del Leomundo de Grecia, del escritor madeirense Tristão Gomes de Castro (1539-1611), del cual se había perdido toda pista desde mediados del siglo XVII, fecha de la última noticia dada a conocer por el bibliógrafo portugués João Franco Barreto en su Bibliotheca Lusitana. Éste sólo se limitaba a declarar el título del libro, afirmando a su vez que contenía una dedicatoria a la condesa de Vila-Nova de Ficalho D. Francisca de Aragón.
Del autor se desconoce, por el momento, la mayor parte de su biografía, aunque gracias al genealogista Henrique Henriques de Noronha nos es posible reconstruir a grandes rasgos su personalidad. Hijo primogénito de Christóvão Martins de Agrinhão e Vargas y de Joana Gomes de Castro, Tristão se convirtió a causa de la muerte por parto de su madre en el heredero de la casa de sus abuelos en título de Gomes de Castro. Nacido en la ciudad de Funchal, situada en la isla portuguesa de Madeira, marchó a la corte portuguesa con el fin de completar su educación en palacio, llegando a ser con el paso del tiempo hidalgo de la Casa del rey João III. Elegido caballero de la orden militar de Cristo, pasó a ostentar el cargo de Alférez Mayor de la isla de Madeira. Casó en dos ocasiones. La primera con una dama de la reina Catalina llamada Izabel de Andrada, de la que tuvo dos hijos, João Gomes de Castro y Guiomar de Andrada. La segunda y última vez se unió en matrimonio con Andreza de Abreu, con quien tuvo hasta cinco hijos: Diogo Carreiro de Castro, Antonio Gomes de Castro, Antonia de Abreu, Joana de Abreu y Francisca de Castro. El día 14 de marzo de 1611 acabó sus días nuestro Tristão Gomes de Castro en su Funchal natal a los 71 años de edad, no sin antes dejar tanto un agradable recuerdo de gran caballero erudito como una extendida fama de excelente poeta latino y de autor de numerosas historias de caballerías.
El Leomundo de Grecia se conserva en dos partes en un único manuscrito en el Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Lisboa), Manuscritos da Livraria: cod. 686. Este ejemplar, bastante enriquecedor desde el punto de vista paleográfico, pues se aprecian, al menos, dos letras distintas, una de finales del siglo XVI o principios del XVII, y otra que podemos situar a finales del XVII o incluso inicios del XVIII, contiene 290 folios y está falto de la portada de la primera parte y de las dos primeras hojas del capítulo primero. Como avance de su variado contenido solo resaltamos algunas líneas argumentales, como por ejemplo: la guerra entre el imperio griego y los españoles, con corte en Constantinopla el primero, y Sevilla y Toledo los segundos; y multitud de encantamientos, leyendas, enanos, gigantes, galanteos, torneos, y un sinfín de aventuras maravillosas que pueblan toda la obra.
La redacción del texto se produjo con toda probabilidad entre 1599 y 1611. La primera fecha es la de la creación del condado de Ficalho, en Portugal, por parte del rey Felipe III de España, quien concedió el respectivo título a D. Francisca de Aragón, esposa de D. João de Borja y nuera, por tanto, del que más tarde se convertiría en santo de la Iglesia Católica, S. Francisco de Borja. El año de 1611 viene dado por ser el del fallecimiento de Gomes de Castro. Este libro viene a sumarse, de esta manera, a una rica tradición literaria como es la de los libros de caballerías portugueses en su transmisión manuscrita, que cuenta en la actualidad con hasta ocho textos originales distintos conservados en cincuenta y dos testimonios. Resumiendo, en tierras lusas se conservan un grupo de códices que forman parte de la denominada trilogía de D. Duardos, los cuales retoman el Palmeirim de Inglaterra, de Francisco de Morais, en el punto en que acabó, es decir, desde la destrucción total de la ciudad de Constantinopla debido a la violenta guerra habida entre turcos y cristianos, siendo trasladados los principales personajes de la obra a la Isla Peligrosa por parte del sabio encantador Daliarte. Estos manuscritos son los siguientes: Vida de Primaleão [A] (o Crónica de dom Duardos o Primaleão, conservado en siete manuscritos); Segunda Parte da Crónica do Príncipe dom Duardos [B] (o Duardos I, en cinco manuscritos); y Terceira Parte da Crónica do Príncipe dom Duardos [C] (o Duardos II, con tres ejemplares). Por otro lado, podemos apreciar una obra de enorme éxito y difusión a juzgar por la inmensa cantidad de testimonios existentes. Nos referimos a la História grega [D] (o Crónica do Imperador Beliandro, o Crónica de D. Belindo, conservada en hasta 33 testimonios). Además de estas obras también hemos conservado otras en testimonios únicos, como son la Crónica do Imperador Maximiliano [E], y la Crónica do Príncipe Agesilau e da Rainha Sidónia [F].
Además de este amplio corpus de libros de caballerías manuscritos, sabemos de la existencia de otros a través, sobre todo, de la Bibliotheca Lusitana del erudito Barbosa Machado. Incluimos a continuación una relación de esos libros extraviados de los que no perdemos la esperanza de poder localizar en el transcurso de futuras investigaciones algún ejemplar: las Aventuras do Gigante Dominiscaldo, de Álvaro da Silveira, la História do espantoso cavalleiro da lux -dos partes-, de Francisco Morais Sardinha, un libro de caballerías perdido, de Fernão Lopes de Castanheda, y otra supuesta historia caballeresca de Tristão Gomes de Castro, el Clarindo de Grecia. Por último, es de resaltar un texto verdaderamente interesante porque supone una peculiar forma de difusión de la materia caballeresca, ya que se trata de un único códice que ejemplifica la transmisión manuscrita que debió existir de los libros de caballerías impresos. Este testimonio es una copia manuscrita del siglo XVII ó XVIII del Palmeirim de Inglaterra [G], de Morais.
De acuerdo con este panorama tenemos la posibilidad de observar las muchas incógnitas que todavía quedan por resolver, como la verdadera filiación y conexión entre todos ellos, su lugar dentro de la novelística portuguesa de los siglos XVI, XVII y aún XVIII, o cuáles son las causas del mantenimiento del gusto por la literatura caballeresca en suelo lusitano más allá de las fronteras establecidas por la imprenta y más allá también de lo que parece suceder en el resto de la península y de Europa. Esperamos que el estudio del Leomundo de Grecia de Tristão Gomes de Castro ayude en un futuro a aclarar alguna de estas cuestiones.

Bibliografía esencial
Bibliografía primaria

Barreto, João Franco: Bibliotheca Lusitana, copia del Ms. de la Casa de Cadaval, 6 vols. Lisboa, Biblioteca Nacional, tomo V, [p. 943], B 1206-1211.

Gomes de Castro, Tristão: Leomundo de Grecia. Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Manuscritos da Livraria, cod. 686.

Henriques de Noronha, Henrique: Nobiliário Genealógico d´as Familias que passárão a viver a esta Ilha da Madeira depois do seu descobrimento, que foi no ano de 1420. Lisboa, BN: cod. 1325 (ms.), vol. 2, fols. 3-5.

Bibliografía secundaria

Arquivo Histórico da Madeira, Boletim do Arquivo Regional da Madeira, Série índices dos registos paroquiais, 9, 2002. Ed. de Regina Nóbrega. Edição Secretaria Regional do Turismo e Cultura. (Índice dos registos de Casamentos do concelho de Funchal, Freguesia da Sé (1539-1911).

Centro de Estudos de História do Atlântico (dir. Alberto Vieira): http://www.ceha-madeira.net/

Henriques de Noronha, Henrique: Memórias seculares e eclesiásticas para a composição da História da diocese do Funchal na Ilha da Madeira, Região Autónoma da Madeira, Secretaria Regional do Turismo e Cultura, Centro de Estudos de História do Atlântico, 1996. (Cap. IV, pp. 392-397; cap. VII, pp. 97-100; cap. III, pp. 191-193; cap. VI, pp. 367-368; cap. V, pp. 457-460; cap. VII, p. 465).

Henriques de Noronha, Henrique: Nobiliário Genealógico d´as Familias que passárão a viver a esta Ilha da Madeira depois do seu descobrimento, que foi no ano de 1420. Biblioteca da Câmara Municipal do Funchal, Funchal, 1700, vol. 2, pp. 311-316. (Este mismo texto se puede consultar dentro de la página personal de la familia brasileña Paiva: http://planeta.terra.com.br/lazer/familiapaiva/NobiliariodaIlhadaMadeira/indice_dos_tomos.htm).
Lucía Megías, José Manuel: "Libros de caballerías manuscritos",Voz y Letra, VII/2, 1996, pp. 61-126.

Machado, Diogo Barbosa: Bibliotheca Lusitana historica, critica e chronologica, etc., Lisboa Occidental, 1741- 1759, Coimbra, Atlântida Editora, 1965, 4 vols. Vol IV, p. 764.

Silva, Fernando Augusto da y Meneses, Carlos Azevedo (eds.): Elucidário madeirense, 1921: http://www.ceha-madeira.net/elucidario/elucidario.htm. (vid. Gomes de Castro, Tristão).

«Tristão Gomes de Castro»

«Os livros de cavalarias renascentistas nas histórias da literatura portuguesa»
Aurelio Vargas Díaz-Toledo (Universidad Complutense de Madrid / Centro de Estudios Cervantinos)
Revista de Estudos Ibéricos n.º 3 2006: 233-247
In: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3762.pdf
Neste artigo é mencionado o autor madeirense Tristão Gomes de Castro.

Gomes de Castro (Tristão). Nasceu nesta ilha em 1543, sendo filho de Cristovam Martins de Agrinhão e de D. Joana Gomes de Castro. Era descendente de João Gomes, o Trovador, e administrou a casa vinculada que herdou de seus pais. Fez estudos fora desta ilha, tendo fama entre os seus contemporâneos de homem de larga ilustração. Cultivou a poesia, dizendo vários nobiliarios que foi um excelente poeta latino. Barbosa Machado, na Biblioteca Lusitana, ocupa-se de Tristão Gomes de Castro, citando a obra por ele escrita em dois volumes, Argonautica da Cavallaria, Façanhas de Lesmundo, que ficou inédita. Morreu em 1611.

(...) Neste número o destaque para um livro de cavalarias hoje recuperado, mas do qual se tinha perdido a pista há séculos, nomeadamente 'Argonáutica de Cavalaria', do autor madeirense seiscentista Tristão Gomes de Castro, abordado através de um artigo assinado por Aurelio Vargas Díaz-Toledo, da Universidade Complutense de Madrid(...)

In: http://bprmadeira3.blogspot.com/2008_12_01_archive.html

«Manuel Francisco de Barros e Sousa de Mesquita de Macedo Leitão e Carvalhosa» - Wikipédia

Manuel Francisco de Barros e Sousa de Mesquita de Macedo Leitão e Carvalhosa (Lisboa, 18 de Novembro de 1791Paris, 17 de Janeiro de 1855), mais conhecido por 2.º visconde de Santarém, foi um historiador, diplomata e estadista português que se notabilizou como estudioso da antiga cartografia (termo que criou) e como historiador dos descobrimentos portugueses, produzindo diversas obras destinados a sustentar a primazia da presença portuguesa em várias regiões, com destaque para a costa ocidental africana a sul do cabo Bojador. Exerceu, durante o Verão de 1827, na regência de D. Isabel Maria de Bragança e já fase de desagregação do vintismo, o cargo de Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino, função a que correspondia a chefia do Governo. Em 1828, já sob D. Miguel I, aceitou ser Ministro e Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, ligando-se ao miguelismo, o que implicou o seu exílio para Paris após a vitória liberal. Era membro da Academia Real das Ciências de Lisboa, do Institut de France e de múltiplas academias e organizações científicas estrangeiras, sendo à época um dos intelectuais portugueses com maior projecção internacional.
Biografia
Filho de João Diogo de Barros Leitão de Carvalhosa, 1.º visconde de Santarém, e da sua primeira esposa, Mariana Rita Xavier Porcille O'Kelly Ribeiro Rangel, ficou órfão de mãe aos 3 anos incompletos de idade. Educado por familiares, ingressou no Colégio dos Nobres a 24 de Janeiro de 1803, com apenas 11 anos, frequentando os estudos até 23 de Outubro de 1807.
Quando, face ao avanço das forças napoleónicas comandadas por
Jean-Andoche Junot, em Novembro daquele ano de 1807, a família real portuguesa procurou refúgio no Brasil, o jovem aristocrata também se incorporou no grupo que acompanhou os reis, partindo na companhia de D. Maria Leocádia Barbosa de Sousa, irmã de seu pai e açafata da rainha D. Maria I, e de seu marido Francisco José Rufino de Sousa Lobato, então guarda-roupa da rainha e depois 1.º barão e 1.º visconde de Vila Nova da Rainha.
Tendo-se fixado no
Rio de Janeiro, cedo manifestou grande interesse por investigações históricas, especialmente as referentes à diplomacia, passando a estudar assiduamente os arquivos do Estado e a frequentar o gabinete de manuscritos da Biblioteca Real daquela cidade. Devotado a esse labor, a partir de 1809 principiou a coligir e a ordenar por ordem cronológica e por potência contratante todos os apontamentos e notícias dos documentos diplomáticos relativos às relações entre a Coroa Portuguesa e as nações estrangeiras.
A partir de
1811 esse trabalho foi alargado aos livros e manuscritos que haviam constituído a Real Biblioteca da Ajuda, começada a organizar pelo rei D. José I, que naquele ano, por ordem do príncipe regente D. João, haviam sido enviados para o Brasil.
Também em
1811, foi nomeado conselheiro de embaixada, tendo recebido então ordens para acompanhar o ministro plenipotenciário António Saldanha da Gama, mais tarde 1.º conde de Porto Santo, como adjunto da legação portuguesa ao Congresso de Viena de Áustria. Contudo, quando se preparava para embarcar na corveta que os deveria conduzir à Europa, recebeu ordens para permanecer no Rio de Janeiro, encarregado de redigir memórias sobre os limites das possessões portuguesas na América do Sul e sobre a questão de Olivença. Tais memórias destinavam-se à corte de Londres e à Legação em Viena, tendo como objectivo fundamentar historicamente as posições portuguesas nas disputas que Portugal então mantinha com a corte de Madrid.
Continuando no Brasil entregue aos seus estudos históricos, a
30 de Novembro de 1816, na Capela Real do Rio de Janeiro, casou com Maria Amália de Saldanha da Gama, filha do 6.º conde da Ponte, João de Saldanha da Gama, governador da Baía, já então falecido, e sobrinha do já citado António de Saldanha da Gama.
Continuando adido à carreira diplomática, em Setembro de
1817 foi enviado à embaixada em Paris, regressando ao Brasil no fim desse ano. Foi-lhe então comunicado pelo Ministro dos Estrangeiros, João Paulo Bezerra, que lhe estava reservada um dos postos diplomáticos da Europa.
Por decreto de
6 de Fevereiro de 1818, dia da aclamação de D. João VI de Portugal, sendo ainda desconhecida no Rio do Janeiro a morte de seu pai, o 1.º visconde de Santarém, foi-lhe concedido, por uma vida, o título de seu pai, decreto que foi confirmado a 28 do mesmo mês e ano. Sucedeu a toda a casa paterna e nos cargos que seu pai exercia, sendo em 1819 autorizado a tomar posse da sua herança por seu bastante procurador.
Quando Portugal restabeleceu relações diplomáticas com a Dinamarca, por enviados extraordinários, o visconde de Santarém foi nomeado, por decreto de
22 de Janeiro de 1819, para servir na corte de Copenhaga com o posto de encarregado de negócios. Tendo de ir desempenhar o cargo, ou pelo menos tomar posse, o visconde de Santarém saiu do Rio de Janeiro para a Europa a 9 de Abril desse ano. Por essa altura tinha coligido um tão grande número de documentos diplomáticos, que já constituíam 80 volumes.
No Verão de 1819 visitou a Inglaterra, onde fez várias excursões pelo interior, visitou a biblioteca pública de Plymouth, e passou a Lisboa, fixando residência naquela cidade para se ocupar dos negócios da sua casa, agora mais complexos por causa de inventário e partilhas, e para poder entregar-se a novas investigações diplomáticas nos documentos arquivados na
Torre do Tombo. Para esse fim tinha obtido, por decreto de 31 de Março de 1819, autorização para obter todas as cópias que pedisse.
Foi durante a sua residência em Lisboa, que recebeu de D. João VI a mercê da alcaidaria-mor de Santarém, em sua vida, por alvará de
25 de Agosto de 1819, e carta de 19 de Abril de 1820.
Não aderiu aos ideais da
revolução liberal de 1820, tendo optado por abandonar Portugal. Saiu a muito custo, com 8 pessoas de família, a 30 de Setembro desse ano, com destino à Inglaterra. Desembarcou em Falmouth a 15 de Outubro, seguiu para Londres, e daí para Paris, onde chegou a 21 de Novembro.
Durante a sua permanência em Paris continuou as suas investigações de história da diplomacia portuguesa, examinando 74 códices da Biblioteca Real, além dos manuscritos da Biblioteca do Pantheon, da Biblioteca Mazarini e de outros arquivos de França. Também iniciou a publicação de diversos artigos no periódico de língua portuguesa
Annaes das sciencias, letras e artes, que então se publicava em Paris por iniciativa do desembargador José Diogo de Mascarenhas Neto, correio-mor e vereador do Senado de Lisboa, que também ali estava exilado.
Apesar de exilado em Paris, manteve a sua ligação ao serviço diplomático português, recebendo instruções destinadas ao plenipotenciário de Portugal que foi participar no
Congresso de Laibach, realizado na cidade que hoje é Ljubljana (na altura denominada Laibach e parte do Império Austríaco), de 26 de Janeiro a 12 de Maio de 1821.
Entretanto, rebentou no Rio de Janeiro o
levantamento de 25 de Fevereiro de 1821, que obrigou D. João VI e a família real a voltar para Lisboa. O visconde de Santarém, tendo-se demitido do seu cargo diplomático, regressou também a Lisboa.
Tendo ganhado fama de historiador erudito e especialista em história da diplomacia portuguesa, a
12 de Dezembro de 1821 foi admitido como sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa. Apesar de ter reingressado formalmente na carreira diplomática, manteve-se em Lisboa, onde continuou os seus estudos, consolidando a sua reputação como historiador e um dos mais importantes intelectuais portugueses da época.
Quando
Pedro de Sousa Holstein, o 1.º conde de Palmela, assumiu o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros, em Julho do 1823, o governo nomeou o visconde de Santarém enviado extraordinário e ministro plenipotenciário para os Estados Unidos da América. Contudo, os diplomas de nomeação não chegaram a ser assinados em consequência da recusa terminante do visconde em aceitar a missão. Os motivos da escusa apresentados a D. João VI foram aceites, com a benesse de, apesar da recusa, não ser considerado fora da carreira e com a promessa de que logo que houvesse uma missão vaga na Europa, seria ele o nomeado. Com esta resolução, o visconde de Santarém conservou as honras inerentes ao serviço diplomático.
Por proposta Pedro de Sousa Holstein, já então com o título de
marquês de Palmela, o visconde de Santarém foi nomeado guarda-mor da Torre do Tombo, pelos decretos de 13 e 27 de Julho de 1821, cargo que assumiu com grande entusiasmo e espírito reformador, pois correspondia à sua natural apetência e vocação. O seu trabalho à frente daquela instituição foi a todos os títulos notável.
Após o falecimento de D. João VI, ocorrido a
10 de Março de 1826, e tomando a regência do Reino a infanta D. Isabel Maria de Bragança, o regime vintista entrou numa fase de grande instabilidade, com o campo liberal em crescente retrocesso. Nesse contexto, e sendo o visconde de Santarém considerado um moderado, que não tinha aderido à revolução de 1820, mas que se tinha acomodado aos sucessivos governos do constitucionalismo, num gesto apaziguador da regente, por decreto de 8 de Junho de 1827 foi nomeado Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino.
A esse cargo correspondia a presidência do Governo, que por decreto de
14 de Agosto passou a acumular com a pasta de Ministro da Marinha e Ultramar. Contudo, face à crescente instabilidade política, foi exonerado de todos os cargos a 5 de Setembro daquele mesmo ano, regressando às suas funções na Torre do Tombo.
Quando em Fevereiro do
1828 a regência do Reino foi entregue ao infante D. Miguel, o visconde do Santarém foi convidado a assumir o Ministério dos Negócios Estrangeiros, sendo nomeado por decreto de 3 de Maio do mesmo ano. Esta decisão, particularmente porque conservou a pasta mesmo depois de D. Miguel ter passado de regente a rei, deixou-o inevitavelmente ligado ao miguelismo, o que lhe traria graves consequências após a vitória liberal.
Contudo, mantendo a sua posição de moderação, era favorável a um entendimento com os liberais, o que está bem patente num parecer por ele elaborado e comunicado ao
duque de Lafões em ofício de 21 de Março de 1833, acerca da forma de conceder uma capitulação a D. Pedro. Esta flexibilidade foi vista como quase traição, levando a que D. Miguel, ao partir para Santarém, o demitisse, nomeando Ministro dos Negócios Estrangeiros o conde de São Lourenço, a esse tempo Ministro da Guerra.
Aquele ofício, que os liberais encontraram na Secretaria de Estado após a tomada de Lisboa, foi publicado na Chronica Constitucional de
17 de Setembro do 1833 e faz jus à lucidez de espírito e à perspicácia política do visconde de Santarém.
Apesar da posição moderada que assumiu, D.
Pedro, regente em nome de D. Maria II, exonerou-o do cargo de guarda-mor da Torre do Tombo em Julho de 1833, logo após a tomada de Lisboa pelas forças liberais. Na noite do 24 para 25 daquele mês, José Joaquim dos Reis e Manuel Vaz Parreiras, por ordem vocal que lhes foi dada pelo encarregado da polícia, dirigiram-se à casa do visconde do Santarém e apreenderam toda a correspondência que encontraram. O auto da diligência e inventário dos papéis apreendidos foram remetidos em 8 de Agosto a Cândido José Xavier Dias da Silva por Bernardim de Sousa e Luís Teixeira Homem de Brederode, sendo nomeada uma comissão para proceder ao exame desses papéis.
Quando D. Miguel se viu obrigado a aceitar a
convenção de Évora Monte e a partir para o exílio, o visconde veio a Lisboa, reconheceu o governo constitucional, e pediu regularmente o seu passaporte, o qual lhe foi passado a 11 de Junho de 1834. Nos dias imediatos partiu para Paris, para um exílio de que jamais regressaria.
Em Paris retomou os seus estudos de história portuguesa, produzindo diversas obras para sustentar e apoiar a política ultramarina dos Governos liberais portugueses, frequentemente a pedido destes. Nessa fase da sua vida realizou uma longa e notável campanha a favor dos direitos coloniais portugueses na África e em outros territórios, com base na demonstração da primazia do seu descobrimento face às potências europeias rivais.
Foi cultor da
cartografia, criando o termo numa carta de 8 de Dezembro de 1839, dirigida de Paris ao historiador brasileiro Francisco Adolfo de Varnhagen.
Os seus estudos sobre cartografia histórica são notáveis, mantendo-se até à actualidade como uma das principais fontes para o estudo da matéria. Neste campo, a sua obra
Atlas composé de cartes des XIVe, XV, XVI et XVII siécles pour la plupart inédites, et devant seuvir de preuves a l'ouvrage sur la priorité de la découverte de la Côte Occidentale d'Afrique au dela du Capo Bojador par les portugais, é um verdadeiro monumento bibliográfico que se mantém central para o estudo da evolução da cartografia e da mundividência europeias.
Apesar da sua situação de exilado, o governo português aproveitou o seu talento e o seu estudo para o encarregar de diversas missões literárias, publicando em
1842 o Quadro elementar das relações políticas e diplomáticas de Portugal com as diversas potências do mundo, e em 1846 o Corpo diplomático português. São duas obras valiosas em que relevam os prólogos e as notas com que o autor precede e acompanha cada um dos seus volumes.
Dominando perfeitamente a língua francesa, que empregava de preferência nas suas publicações de história e de geografia, o visconde de Santarém foi determinante na defesa dos direitos coloniais portugueses, e tão profundamente estudou e conheceu esses assuntos, que apesar de não ter posição oficial, era regularmente consultado por
Francisco de Almeida Portugal, o 1.º conde de Lavradio, então embaixador em Londres, que ia a Paris de propósito para se aconselhar sempre que tinha alguma relevante questão colonial para discutir com o governo inglês.
Em
1855 publicou a obra Demonstração dos direitos que tem a Corôa de Portugal sobre os territórios situados na costa Occidental d'Africa, entre o 5.º grau e 12 minutos e o 8.º de latitude meridional, a qual se revelou importante na discussão com a França e a Grã-Bretanha dos direitos coloniais portugueses naquela região.
Quando o rei D.
Pedro V visitou Paris, assistindo nas Tulherias com o imperador Napoleão III a uma recepção oficial, não conhecia pessoalmente o visconde de Santarém, que também ali se encontrava entre os convidados. O imperador, notando isso, apresentou-o ao monarca português, e D. Pedro V pediu-lhe desculpa por lhe não ter falado, justificando-se por somente o conhecer de nome. Instou então para que o procurasse no pavilhão de Flora, onde eram os seus alojamentos, para conversarem sobre os assuntos da especialidade do visconde. Tal como já anteriormente fizera o ministro Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, pediu-lhe que regressasse a Portugal, o que o visconde novamente recusou, alegando que estava em Paris no meio dos seus manuscritos, dos seus mapas o que dificilmente encontraria em Lisboa os elementos de estudo que tinha na capital francesa. Contudo, a razão principal da recusa prendia-se com a relutância do visconde de Santarém, apesar de ter quebrado todas as suas relações com o príncipe proscrito D. Miguel, em aceitar mercê ou graça que pudesse implicar uma recompensa pelo seu distanciamento em relação ao miguelismo.
Faleceu em Paris a
17 de Janeiro de 1855, deixando uma das mais relevantes obras históricas da sua geração, a maior parte da qual publicada em Paris e em muitos casos com tradução para as línguas francesa e inglesa.
O visconde Santarém herdou múltiplos títulos e honras e recebeu vásrias condecorações, pelo que deteve os títulos de Senhor de
Pontével, Ereira e Lapa; Alcaide-mor de Santarém, Golegã e Almeirim; senhor do morgado de Vaqueiros; oficial-mor da Casa Real; guarda-roupa de D. Maria I, comendador da Ordem de Santiago e da Ordem Militar da Torre e Espada, grã-cruz da Ordem Militar de Cristo, grã-cruz da Ordem de Carlos III de Espanha, oficial da Ordem do Cruzeiro do Sul do Brasil, ministro de estado e guarda-mor do Torre do Tombo.
Entre outras organizações científicas e académicas, foi sócio da
Academia Real das Ciências de Lisboa, do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, da Academia das Ciências de Berlim; do Instituto de França e das Sociedades de Geografia de Berlim, Frankfurt, Londres, Paris e São Petersburgo.
Após a morte do autor,
José da Silva Mendes Leal foi encarregado, por decreto de 7 de Outubro de 1857, de coordenar a compilação e edição de parte da obra do visconde de Santarém.
A
Sociedade de Geografia de Lisboa dedicou à sua memória uma sessão solene, realizada em 11 de Janeiro de 1907, a que assistiu o rei D. Carlos. Nessa sessão foi inaugurado um retrato do historiador, oferecido à Sociedade do Geografia pelo seu neto. O elogio histórico do homenageado foi feito pelo vice-presidente da Sociedade, Vicente Almeida de Eça.
Nos Boletins da Sociedade do Geografia de Lisboa de 1904 e 1905 estão publicadas algumas cartas inéditas do visconde de Santarém.
António Baião, director da Torre do Tombo, publicou em Coimbra, no ano de
1909, um opúsculo intitulado O visconde de Santarém, como guarda-mor da Torre do Tombo, onde se põem em relevo os notáveis serviços que o diplomata e escritor prestou àquela instituição.
O seu neto, o 3.º visconde de Santarém, publicou em Lisboa, no ano de
1910, dois volumes intitulados O 2.º Visconde de Santarém: Opúsculos e Esparsos, coligidos e coordenados por Jordão de Freitas, e novamente publicados pelo 3.º visconde de Santarém.
António Sardinha, no auge do Integralismo Lusitano, prefaciou a reedição da sua obra Memória para a história e teoria das Cortes gerais, que em Portugal se celebraram pelos três estados do reino, considerando-a como uma das principais obras da historiografia do nacionalismo português. Esse prefácio, com 250 páginas, é um verdadeiro ensaio paralelo à obra, tendo contribuído em muito para ligar, imerecidamente, o nome do visconde de Santarém às posições nacionalistas mais ultramontanas.
A obra do visconde de Santarém
O Visconde de Santarém, um especialista em paleografia e diplomática, é considerado entre os maiores nomes, se não o maior, da historiografia portuguesa do século XIX. As suas obras, com destaque para Quadro Elementar, são as mais relevantes produzidas na época, assumindo uma dimensão, que embora diferente da de Alexandre Herculano, lhe deveria merecer um maior reconhecimento do que aquele que actualmente goza. É uma obra baseada na extraordinária erudição do seu autor e não na capacidade de interpretação social e política que Alexandre Herculano demonstrou.
A obra com que o visconde de Santarém se estreou na sua carreira de historiador erudito foi a Análise histórico-numismática de uma medalha de ouro do imperador Honório, do quarto século da era cristã, escrita no Rio de Janeiro em
1818 e impressa depois em Falmouth, não se sabe em que ano. Por esse tempo o visconde já trabalhava nos seus estudos diplomáticos, para os quais já em 1822 coleccionara os tratados celebrados por Portugal até aos fins do século XVI, colecção que abrangia 21 volumes.
A sua missão diplomática a Copenhaga, e os sucessos políticos que se seguiram, forçaram a interrupção dos seus estudos, os quais apenas retomaria em
1825, ao ser nomeado guarda-mor da Torre do Tombo. Escreveu e imprimiu então uma obra intitulada Memórias cronológicas e autênticas dos alcaides-mores da vila de Santarém, desde o princípio da monarquia até ao presente. Essa obra assume um carácter pessoal, pois a alcaidaria-mor de Santarém fora dada a seu pai juntamente com o viscondado.
Feito membro da
Société géographique de France (Sociedade Geográfica de França), o visconde de Santarém foi um dos seus mais activos relatores, ocupando-se com grande dedicação e competência das matérias referentes a Portugal e às suas colónias. Pertencia também à Academia e à Sociedade dos Antiquários de Paris e ao Institut de France, honra que dificilmente alcançava um estrangeiro.
A sua obra principal, intitulada Quadro elementar das relações políticas e diplomáticas de Portugal com as diversas potências do mundo, desde o principio da monarquia portuguesa até aos nossos dias, teve, pela sua extensão, uma publicação complexa. Publicada em Paris, os tomos I e II foram apareceram no ano de 1842, a que se seguiram, no ano imediato, o tomo III e o tomo IV (1.ª parte). Em 1844, foi a vez do tomo IV (2.ª parte). Estes primeiros 5 volumes incluem os documentos que dizem respeito as relações de Portugal com a Espanha.
Os tomos V (1815), VI (1850), VII (1851) e VIII [1853) contêm a série dos documentos respeitantes às relações de Portugal com a França, mas o autor foi obrigado a interromper a série e a ocupar-se do que dizia respeito à Inglaterra, e nessa conformidade, imprimiu o tomo XIV, também em Paris, 1853; sendo este o último tomo que se publicou em vida do visconde. Os restantes tomos são póstumos, tendo governo cometido à Academia Real das Ciências de Lisboa a sua edição.
Entre outras, é autor das seguintes obras:
  • Análise histórico-numismática de uma medalha de ouro do imperador Honório, do quarto século da era cristã, Falmouth;
  • Memórias cronológicas e autênticas dos alcaides-mores da vila de Santarém, desde o princípio da monarquia até ao presente, Lisboa, 1825;
  • Notícia dos manuscritos pertencentes ao direito publico externo diplomático de Portugal, e à historia e literatura do mesmo país, que existem na. Biblioteca Real de Paris, e outras da mesma capital, e nos arquivos de França, examinados e coligidos, Lisboa, 1827 (reimpresso em 1865);
  • Memória para a história e theoria das Côrtes geraes, que em Portugal se celebraram pelos três estados do reino; ordenadas e compostas no anno de 1824, Parte I, Lisboa, 1827; Parte II, 1828;
  • Alguns documentos para servirem de prova á primeira parte da Memória para a história e theoria das Côrtes geraes, que em Portugal se celebraram pelos três estados do reino, Lisboa, 1828;
  • Alguns documentos para servirem de prova á segunda parte da Memória para a história e theoria das Côrtes geraes, que em Portugal se celebraram pelos três estados do reino, Lisboa, 1828;
  • Lettre a Mr. Mielle, officier de l'Université de France, etc., sur son projet de l'Histoire religieuse et litteraire des Ordres monastiques et militaires, Paris, 1835;
  • Notes additionelles de Mr. le Vicomte de Santarem à la Lettre qu'il adresse a Mr. le Baron Mielle, Paris, 1836;
  • De l'introduction des procédés relatifs à la fabrication des étoffes de soie dans la Peninsule hispanique sous la domination des Arabes, Paris, 1838;
  • Analyse du Journal de la navigation de la flotte qui est allée à la terre du Brésil de 1530 a 1532 pour Pedro Lopes de Sousa, publiée pour la premiére fois á Lisbonne par Mr. de Varnhagen, Paris, 1840;
  • Introduccão e notas à Chronica do descobrimento e conquista da Guiné, por Azurara, Paris, 1841;
  • Memoria sobre a prioridade dos descobrimentos portuquezes na costa de África Occidental, para servir de illustração á «Chronica da Conquista da Guiné» por Azarara, Paris, 1841 (esta obra foi mandada imprimir pelo governo português em número de 500 exemplares);
  • Recherches sur la priorité de la découverte des pays situés sur la côte Occidental d'Afrique, au-delà du cap Bojador, et sur les progrés de la science qéographique, aprés les navigations des portugais au XV siécle, acompagnées d'un Atlas composé de mappe-mondes, et de cartes pour le plupart inedites, dressées depuis le XI jusqu'au XVII siècle, Paris, 1842 (tradução ampliada da obra anterior, com 1000 exemplares pagos pelo governo português);
  • Notice sur André Alvarez d'Almada et sa Description de la Guiné, Paris, 1842;
  • Quadro elementar das relações políticas e diplomáticas de Portugal com as diversas potências do mundo, desde o principio da monarquia portuguesa até aos nossos dias, 17 tomos, Paris e Lisboa, 1842-1863;
  • Corpo diplomático português, contendo todos os tratados de paz, de aliança, de neutralidade, de trégua, de comércio, de limites, de ajuste de casamentos, de cessões de território e de outras transacções entre a coroa de Portugal e as diversas potencias do mundo, desde o principio da monarquia até aos nossos dias; tomo I. Portugal e Hespanha, Paris, 1846;
  • Notice sur la vie et les travaux de M. da Cunha Barbosa, secrétaire perpetuel de l'Institut historique et géographique du Brésil, separata do Bulletin de la Société de Géographie, de Março de 1847, Paris;
  • Mémoire sur la question de savoir aquelle époque l'Amérique meridionale a cessé d'être réprésentée dans les cartes géographiques comme une ile d'une grande étendue, separata do Bulletin de la Société de Géographie de Março de 1817, Paris;
  • Examen des assertions contenues dans un opuscule intitulé «Sur la Publication des Monuments de la Géographie», 1847; Paris;
  • Florida Blanca (Le Comte de), separata da Encyclopédie des gens du monde, tomo XI, Paris;
  • Recherches historiques, critiques et bibliographiques sur Améric Vespuce et ses voyages, Paris, sem data (o autor publicara anteriormente um esboço deste seu trabalho, com o título Recherches sur Améric Vespuce, et sur ses prétendues découvertes em 1501 et 1503 em separata do Bulletin de Ia Société de Géographie, n.º 11 Paris, 1836);
  • Notice sur l'état actuel de la publication de l'Atlas de Mr. le Vicomte de Santarem, composé de mappe-mondes, de portulans et de cartes historiques, depuis te VI jusqu'au VIII siécle, pour la plupart inedites, tirées des manuscripts des différents bibliotéques de l'Europe, pour servir, de preuves à l'Histoire de la Géographie da moyen-age, et à celle des découvertes des portugais, Paris, 1846;
  • Rapport lu par M. te Vicomte de Santarem à la Societé Géographique sur l'ouvrage de M. Lopes de Lima intitulé: «Ensaios»
  • Essais statistiques sur les possessions portugaises en outre-mer, separata do Bulletin de la Societé de Géographie, Maço de 1846, Paris;
  • Note sur la veritable date des instructions donnés a un des premiers capitaines qui sont allés duns l'Inde aprés Cabral, publicada nos Annales Maritimes de Lisbonne, cn.º 7, 1845 (separata do Bulletin de la Société de Géographie, Setembro de 1846);
  • Rapport sur une Mémoire de M. da Silveira, relativement à la découverte des terres du Prétre Jean de la Guinée par les portugais, Paris, 1846 (a obra de que se trata intitula-se: Memoria chronologica ácêrca do descobrimento das terras do Preste João das Indias, coordenada por Albano da Silveira);
  • Essai sur l'histoire de la Cosmographique et de la Cartographie pendant le moyen age, et sur les progrés de la Géographie après les grandes découvertes du XV siécle, pour servir d'introduction et d'explication á l'Atlas composé de mappe-mondes et de portulans, et d'autres monuments géographiques depuis le VI siécle de notre ére jusqu'au XVII, Paris, tomo I, 1849; II, 1850; III, 1852;
  • Demonstração dos direitos que tem a corôa de Portugal sobre os territórios situados na costa Occidental d'Africa, entre o 5.º grau e 12 minutos e o 8.º de latitude meridional, Lisboa, 1855 (o governo mandou fazer uma tradução em inglês, Londres, 1856, que depois se reimprimiu em 1877).

Referências

  • António Baião, O visconde de Santarém, como guarda-mor da Torre do Tombo, Coimbra, 1909.
  • Manuel Francisco de Barros Carvalhosa, O 2.º Visconde de Santarém: Opúsculos e Esparsos, coligidos e coordenados por Jordão de Freitas, e novamente publicados pelo 3.º visconde de Santarém, Lisboa, 1910.
  • A história da cartografia na obra do 2.º Visconde de Santarém: exposição cartobibliográfica, coordenação de João Carlos Garcia e Maria João Feijão; textos de João Carlos Garcia, Ângelo Cattaneo, Daniel Estudante Protásio. Lisboa: BN, 2006. 105, [7] p.: il. color (ISBN 972-565-414-5).

Ligações externas

In: http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Francisco_de_Barros_e_Sousa_de_Mesquita_de_Macedo_Leit%C3%A3o_e_Carvalhosa

«Reseña de A História da Cartografia na Obra do 2º Visconde de Santarém(...)» - Francisco Roque de Oliveira

Reseña de «A História da Cartografia na Obra do 2º Visconde de Santarém: Exposição Cartobibliográfica» de Garcia, J. C. - por Francisco Roque de Oliveira, do Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. 2007
http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/569/56906313.pdf

«A História da Cartografia na obra do 2º Visconde de Santarém» - João Carlos Garcia (BNP)

In: http://www.bnportugal.pt/agenda/docs-agenda/visconde-santarem.pdf
Trata-se de uma versão reduzida do catálogo da exposição cartobibliográfica realizada em 2006 na Biblioteca Nacional de Portugal.
Poderá consultar também o Caderno entregue à Imprensa.

«2º Visconde de Santarém»

Santarém (Manuel Francisco de Barros e Sousa de Mesquita de Macedo Leitão e Carvalhosa, 2.º visconde de).
n: 18 de Novembro de 1791.
f: 17 de Janeiro de 1855.

Senhor de Pontével, Ereira e Lapa, alcaide-mor de Santarém, Golegã e Almeirim; senhor do morgado de Vaqueiros, oficial-mor da Casa Real, guarda-roupa de D. Maria I, comendador das ordens de S. Tiago e da Torre e Espada e grã-cruz da de Cristo; grã-cruz da de Carlos III, de Espanha, oficial do Cruzeiro do Brasil; ministro de estado, guarda-mor da Torre do Tombo, sócio das Academias Reais das Ciências do Lisboa e de Berlim; do Instituto de França, das Sociedades de Geografia de Berlim, Franquefurte, Londres, Paris, e S. Petersburgo; do instituto Histórico e Geográfico do Brasil, etc.
N. em Lisboa a 18 de Novembro de 1791, fal. em Paris a 17 de Janeiro de 1855. Era filho do 1.º visconde do mesmo título, e da sua primeira mulher.
Órfão de mãe aos 3 anos incompletos de idade, foi aos 11 colocado por sou pai no Colégio dos Nobres em 24 de Janeiro de 1803, onde frequentou os estudos até 23 de Outubro de 1807. Partindo a família real em Novembro seguinte para o Brasil, o jovem estudante também embarcou, indo na companhia de seu tio por afinidade, Francisco José Rufino de Sousa Lobato, guarda-roupa de D. Maria I, e depois 1.º barão e 1.º visconde do Vila Nova da Rainha, casado com D. Maria Leocádia Barbosa de Sousa, irmã do 1.º visconde de Santarém, e açafata da rainha D. Maria I. No Rio de Janeiro começou logo a manifestar grande dedicação por investigações históricas, com especialidade, as referentes à, diplomacia, nos arquivos do Estado, sendo igualmente um dos mais assíduos frequentadores e estudiosos do gabinete de manuscritos e da Biblioteca Real daquela cidade, cujos livros haviam constituído a preciosa biblioteca da Ajuda, começada a organizar pelo rei D. José e que foram enviadas ao Brasil por ordem do príncipe regente D. João em 1811. Em 1809 principiou a coligir e a classificar por ordem cronológica e a dividir por potências todos os apontamentos e notícias dos documentos diplomáticos que encerram as nossas relações com as nações estrangeiras. Em 1811 foi nomeado conselheiro de embaixada para acompanhar o ministro plenipotenciário António Saldanha da Gama, mais tarde conde de Porto Santo, ao congresso de Viena de Áustria. Passaram-se ordens, para que fosse conduzido na corveta que devia trazê-los para a Europa. Mas dias depois, tendo-se considerado que estando ele encarregado da redacção de várias memórias sobre os limites das nossas possessões ao sul da América e sobre Olivença para serem enviadas tanto a Londres como Viena, em consequência das disputas que então tínhamos com a corte de Madrid, se decidiu que ficasse rio Brasil, e que só mais tarde fosse preencher uma das missões vagas. Continuando pois a residir no Brasil, entregue aos seus trabalhos predilectos, enamorou-se pouco depois de D. Maria Amália de Saldanha da Gama, filha do 6.º conde da Ponte, João de Saldanha ria Gama, governador da Baía, já então falecido, e sobrinha do já citado António de Saldanha da Gama, com quem veio a casar a 30 do Novembro de 1816, na capela real do Rio de Janeiro.
Em Setembro de 1817 foi nomeado conselheiro de embaixada em Paris, e voltando ao Brasil no fim desse armo, o ministro dos estrangeiros, João Paulo Bezerra, lhe participou, que lhe estava reservada uma das comissões da Europa, excepto a de Turim, por estar destinada ao conde de Linhares. Por decreto de 6 de Fevereiro de 1818, dia da aclamação de D. João VI, sendo ainda desconhecida no Rio do Janeiro a morte do 1.º visconde de Santarém, foi concedida ao filho uma vida no título de seu pai, decreto que depois foi confirmado pelo do 28 do mesmo mês e ano. Sucedeu a toda a casa paterna e nos cargos que seu pai exercia sondo em 1819 autorizado a tomar posse por seu bastante procurador. Resolvendo-se estabelecer com a Dinamarca, como antigamente relações diplomáticas entre os dois países por enviados extraordinários, foi nomeado o visconde de Santarém, por decreto de 22 de Janeiro do citado ano de 1819, para servir na corte de Copenhaga com o carácter de encarregado de negócios. Tendo de ir desempenhar este cargo, ou pelo menos ir tomar posse, o visconde de Santarém saiu do Rio de Janeiro para a Europa a 9 de Abril desse ano, tendo então já coligido um tão grande número de documentos diplomáticos, que a este tempo já constituíam 80 volumes, na maior parte in-folio. Em Julho ou Agosto achava-se em Inglaterra, onde fez várias excursões pelo interior, visitou a biblioteca pública de Plimouth, e passou a Lisboa, fixando aqui residência para se ocupar dos negócios de sua casa, agora mais complexos por causa de inventário e partilhas, e para poder entregar-se a novas investigações diplomáticas nos abundantes e riquíssimos documentos arquivados na Torre do Tombo, onde por decreto de 31 de Março de 1819, havia ordem para lhe serem dadas todas as cópias que ele pedisse. Foi durante a sua residência em Lisboa, que recebeu de D. João VI a mercê da alcaidaria mor de Santarém, em sua vida, por alvará de 25 de Agosto do mesmo ano, e carta de 19 de Abril de 1820.
Os acontecimentos políticos de 1820, a que não aderiu, mostrando grande predilecção pelos ideais absolutistas, o obrigaram a abandonar Portugal, saindo a muito custo com 8 pessoas de família a 30 de Setembro desse ano em direcção à Inglaterra, e chegando a Falmouth a 15 do mês seguinte, seguiu para Londres, e daí para Paris onde chegou a 21 de Novembro. Durante a sua permanência nesta cidade entregou-se a um trabalho espinhoso, examinando 74 códices da Biblioteca Real, além dos manuscritos da Biblioteca do Pantheon, da Biblioteca Mazarini o outros arquivos de França. Foi por este tempo que nos Annaes das Sciencias, das Artes e das Letras, publicados em Paris, começaram a aparecer alguns escritos do visconde de Santarém. Na Áustria realizava-se então o congresso de Larjbac, e o ilustre diplomata foi quem em Paris recebeu do Brasil certas ordens e instruções, que deviam ser transmitidas ao plenipotenciário de Portugal que fosso assistir àquele congresso. Entretanto rebentou no Rio elo Janeiro a revolução de 25 de Fevereiro de 1821, que obrigou a família real a voltar para Lisboa. 0 visconde de Sentarem, tendo-se demitido do seu caro, regressou também a Lisboa. A Academia Real das Ciências o admitiu como sócio correspondente, a 12 de Dezembro de 1821. Dois anos depois foi-lhe participado pelo conde do Palmela (nomeado ministro dos estrangeiros em Julho do 1823), que o governo o nomeara enviado extraordinário e ministro plenipotenciário para os Estados Unidos. Os diplomas, porém, não chegaram a ser assinados em consequência da recusa persistente e terminante do visconde em aceitar essa missão. Os motivos da escusa apresentados a D. João VI, foram por este benevolamente aceites, de sorte que não só os acolheu, como também lhe mandou declarar que não o consideraria fora da carreira, e que logo que houvesse uma missão vaga na Europa, seria ele o nomeado, conservando-lhe, portanto, as honras inerentes. Por proposta de Palmela, já então com o título de marquês, foi nomeado guarda-mor da Torre do Tombo, pelos decretos de 13 e 27 de Julho de 1821.
Tendo falecido D. João VI, e tomando a regência do reino a infanta D. Isabel Maria, o visconde de Santarém foi nomeado ministro do reino por decreto de 8 de Junho de 1827, acumulando depois os negócios desta pasta com os de marinha e ultramar por decreto de 14 do Agosto do mesmo ano, de ambos os quais, porém, veio a ser exonerado por decreto de 5 do mês seguinte. Entregue a regência do reino ao infante D. Miguel em Fevereiro do 1838 foi distribuída ao visconde do Santarém a pasta importantíssima do ministério dos estrangeiros, por decreto de 13 de Março do mesmo ano, conservando-a mesmo depois de D. Miguel ter passado de regente a rei. Começou então uma época de verdadeiro martírio para esse espírito inteligente e elevado, que tinha bastante lucidez para dar os melhores conselhos, mas que não tinha bastante energia para os fazer triunfar. Via os erros que se cometiam, e não os podia remediar, e envolvia assim a sua responsabilidade efectiva, posto que muitas vezes não tivesse realmente a responsabilidade moral dos erros praticados. Este proceder do ilustre ministro acarretou-lhe a má vontade dos colegas, que repeliam os seus conselhos, e as intrigas que se forjaram contra ele, foram-se avolumando, chegando a tal ponto que D. Miguel ao partir para Santarém, em 1833, o demitiu, nomeando ministro dos estrangeiros o conde de S. Lourenço, a esse tempo ministro da guerra. Julga-se que uma das causas principais deste desvalimento, fora o célebre parecer dado por ele ao duque de Lafões em ofício de 21 de Março de 1833, acerca da forma de conceder uma capitulação a D. Pedro, que chegara a pensar nessa resolução extrema, num momento era que vira a sua causa completamente perdida. Esse ofício que os liberais encontraram na secretaria em Lisboa, e que foi publicado na Chronica Constitucional de 17 de Setembro do 1833, faz honra ao visconde de Santarém, à lucidez do seu espírito e à sua perspicácia politica, mas não contribuiu pouco, decerto, para que no campo dos miguelistas fosse apontado como constitucional declarado e perigoso. D. Pedro, regente em nome de D. Maria II, também o exonerou do cargo de guarda-mor da Torre do Tombo em Julho de 1833. Na noite do 24 para 25 deste mês, José Joaquim dos Reis e Manuel Vaz Parreiras, por ordem vocal que lhes foi dada pelo encarregado da policia, se dirigiram à casa do visconde do Santarém, e apreenderam toda a correspondência que encontraram. O auto da diligência e inventário dos papéis apreendidos foram remetidos em 8 de Agosto a Cândido José Xavier por Bernardim de Sousa e Luís Teixeira Homem de Brederode, sendo nomeada uma comissão para proceder ao exame desses papéis.
Apesar do procedimento severo que D. Miguel tivera com o visconde de Santarém, quando D. Miguel se viu obrigado a aceitar a convenção de Évora Monte e a partir para o exílio, o visconde veio a Lisboa, reconheceu o governo constitucional, e pedindo regularmente o seu passaporte, que lho foi passado a 11 de Junho de 1834, retirou-se para Paris, e nunca mais voltou a Portugal. Vendo-se então naquela cidade, livre dos cuidados da política, e tendo à sua disposição as mais ricas e selectas bibliotecas, voltou a ocupar-se dedicadamente dos seus predilectos estudos, e principiou essa longa e admirável campanha a favor dos direitos e da glória dos portugueses na Africa, e em geral nas províncias por eles descobertas. 0 governo aproveitou o seu talento e o seu estudo para o encarregar de missões puramente literárias, encarregando-o em 1842 de publicar o Quadro elementar das relações politicas e diplomaticas em Portugal com as diversas potências do mundo, etc., e em 1816 o Corpo diplornatico portuguez. São duas publicações valiosas e interessantíssimos os prólogos e as notas com que o autor precede e acompanha cada um dos seus volumes, mas os seus estudos cosmográfico-históricos é que são realmente de extraordinário valor. Manejando perfeitamente a língua francesa que empregava de preferência nas suas publicações de história, de geografia, o visconde de Santarém foi o denodado campeão dos direitos portugueses, e tão profundamente estudou e conheceu esses assuntos, que apesar de não ter posição oficial, era ele sempre o consultado pelo nosso ministro em Londres, conde de Lavradio, que de aquela cidade ia a Paris de propósito para o consultar, sempre que tinha alguma questão importante colonial para discutir com o governo inglês. Quando o rei D. Pedro V andou viajando esteve em Paris, assistindo nas Tulherias com o imperador Napoleão III a uma recepção oficial, não conhecia pessoalmente o visconde de Santarém, que também ali se encontrava confundido na multidão. O imperador, notando isso, apresentou-o ao monarca português, e D. Pedro V pediu-lhe desculpa de lhe não ter falado, mas que somente o conhecia de nome. Instou para que o procurasse todos os dias no pavilhão de Flora, onde eram os seus alojamentos, para conversarem largamente nos assuntos que formavam a preocupação do visconde, a que eram uma das grandes preocupações do moço e estudioso soberano. Nessas longas conversações, D. Pedro V muitas vezes insistiu com o visconde para que voltasse a Portugal, a que ele constantemente se eximiu a acertar o convite, alegando que estava em Paris no meio dos seus manuscritos, dos seus mapas o que dificilmente encontraria em Lisboa os elementos de estudo que tinha na capital francesa. A razão principal da recusa, era, que o visconde de Santarém, mesmo por estar queixoso de D. Miguel a ponto de ter quebrado todas as suas relações com o príncipe proscrito, não queria aceitar mercê ou graça que pudesse implicar como que uma recompensa desse procedimento que só o ressentimento lhe inspirava.
A obra com que o visconde de Santarém parece ter-se estreado na sua longa carreira de erudito, é a Analyse historico-numismatica de uma medalha de ouro do imperador Honorio, do quarto seculo da era christã. Foi escrita no Rio de Janeiro em 1818, e imprimiu-se depois em Falmouth, mas não se sabe em que ano. Por esse tempo trabalhava o visconde ardentemente nos seus estudos diplomáticos, e segundo consta, já em 1822 coleccionara os tratados celebrados por Portugal até aos fins do século XVI, colecção que abrangia 21 volumes. A sua missão de Copenhaga, depois os sucessos políticos que se seguiram, desviaram-lhe a atenção dos estudos em que andava empenhado, e só em 1825, depois, de ter sido nomeado guarda-mor da Torre do Tombo, é que escreveu e imprimiu um novo livro intitulado: Memorias chronologicas e authenticas dos alcaides-móres da villa de Santarem, desde o principio da monarchia até ao presente. Essa Memoria tratava de um assunto, por assim dizer pessoal, pois que a alcaidaria-mor de Santarém fora dada a seu pai juntamente com o viscondado. Membro da Sociedade Geográfica Francesa, o visconde de Santarém foi um dos seus mais activos relatores, ocupando-se sempre com grande predilecção das coisas portuguesas. Sendo tão apreciado no estrangeiro como era em Portugal não só pertencia, conforme dissemos, à Academia Real das Ciências, de Lisboa, como também à Academia e à Sociedade dos Antiquários de Paris, e ao Instituto de França, honra que dificilmente alcança um estrangeiro. Era membro de muitas sociedades cientificas, já acima citadas.

Bibliografia:
Noticia dos manuscriptos pertencentes ao direito publico externo diplomatico de Portugal, e á historia e litteratura do mesmo paiz, que existem na. Bibliotheca Real de Paris, e outras da mesma capital, e nos archivos de França, examinados e colligidos, etc. , Lisboa, 1827; foi reimpressa em 1865; Memoria para a historia e theoria das Côrtes geraes, que em Portugal se celebraram pelos tres estados do reino; ordenadas e compostas no anno de 1824, Parte I, Lisboa, 1827; Parte II, 1828; a estas se juntam 2 opúsculos, publicados em 1828 com o título de Alguns documentos para servirem de prova á primeira parte, etc. e Alguns documentos, etc., de prova à segunda parte; Lettre a M . Mielle, officier de l'Université de France, etc., sur son projet de l'Histoire religieuse et litteraire des Ordres monastiques et militaires, Paris, 1835; a esta carta acrescentava em 1836; Notes additionelles de Mr. le Vicomte de Santarem à Ia Lettre qu'il adresse a Mr. le Baron Mielle; De l'introduction des procédés relatifs à Ia fabrication des étoffes de soie dans Ia Peninsule hispanique sous Ia domination des Arabes, Paris, 1838; Analyse du Journal de Ia navigation de Ia flotte qui est allée à Ia terre du Brésil de 1530 a 1532 pour Pedro Lopes de Sousa, publiée pour Ia premiére fois á Lisbonne par Mr. de Varnhagen, Paris, 1810; Introduccão e notas á Chronica do descobrimento e conquista da Guiné, por Azurara, etc. , Paris, 1811; Memoria sobre a prioridade dos descobrimentos portuquezes na costa de África Occidental, para servir de illustração á «Chronica da Conquista da Guiné» por Azarara, Paris, 1841; foi mandada imprimir pelo governo em número de 500 exemplares, tirando-se 1.000 da que se publicou em francês, mais ampliada, com o título: Recherches sur Ia priorité de Ia découverte des pays situés sur Ia côte Occidental d'Afrique, au-delà du cap Bojador, et sur les progrés de Ia science qéographique, aprés les navigations des portugais au XV siécle, acompagnées d'un Atlas composé de mappe-mondes, et de cartes pour le plupart inedites, dressées depuis le XI jusqu'au XVII siècle, Paris, 1812; Notice sur André Alvarez d'Almada et sa Description de la Guiné, Paris, 1842; Quadro elementar das relações politicas e diplomaticas de Portugal com as diversas potencias do mundo, desde o principio da monarchia portugueza até aos nossos dias; Paris: tomo I e II; 1842; tomo III, e tomo IV (1.ª parte), 1843; torno IV (2.ª parte), 1844; estes 5 volumes incluem os documentos que dizem respeito ás relações de Portugal o Espanha; tomo V, 1815; tomo VI, 1850; tomo VII, 1851; tomo VIII, 1853; neste volume ficou interrompida a série dos documentos concernentes ás relações de Portugal com a França, vendo‑se o autor obrigado por motivos imprevistos a espaçar a continuação, o a ocupar-se imediatamente do que dizia respeito à lnglaterra, e nessa conformidade, imprimiu o tomo XIV, Paris, 1853; foi o último tono que se publicou em vida do visconde, saindo póstumos o XVI e seguintes, cuja publicação o governo cometeu à Academia Real das Ciências; Corpo diplomatico portuguez, contendo todos os tratados de paz, de alliança, de neutralidade, de tregua, de commercio, de limites, de ajuste de casamentos, de cessões de territorio e de outras transacções entre a corôa de Portugal e as diversas potencias do mundo, desde o principio da monarchia até aos nossos dias; tomo I. Portugal e Hespanha, Paris, 1846; Notice sur la vie et les travaux de M. da Cunha Barbosa, secrétaire perpetuel de l'Institut historique et géographique du Brésil, etc. (Extrait du Bulletin de Ia Société de Géographie, Mars, 1847), Paris; Mémoire sur Ia question de savoir aquelle époque l'Amérique meridionale a cessé d'être réprésentée dans les cartes géographiques comme une ile d'une grande étendue (Extrait du Bulletin de Ia Société de Géographie, Mars, 1817), Paris; Examen des assertions contenues dans un opuscule intitulé «Sur Ia Publication des Monuments de la Géographie» publié au mois d'Aout, 1847; Paris; Florida Blanca (Le Comte de); extrait de l'Encyclopédie des gens du monde, tomo XI, 1.e partie, Paris; Recherches historiques, critiques et bibliographiques sur Améric Vespuce et ses voyages, Paris, sem data; o autor publicara anteriormente um esboço deste seu trabalho, com o titulo: Recherches sur Améric Vespuce, et sur ses prétendues découvertes em 1501 et 1503 (Extrait du Bulletin de Ia Société de Géographie, n.º 11) Paris, 1836; Notice sur l'état actuel de la publication de l'Atlas de Mr. le Vicomte de Santarem, composé de mappe-­mondes, de portulans et de cartes historiques, depuis te VI jusqu'au VIII siécle, pour Ia plupart inedites, tirées des manuscripts des différents bibliotéques de l'Europe, pour servir, de preuves à l'Histoirre de la Géographie da moyen­age, et à celle des découvertes des portugais, Paris, 1816; Rapport lu par M. te Vicomte de Santarem à la Societé Géographique sur l'ouvrage de M. Lopes de Lima intitulé: « Ensaios, etc.» ‑ Essais statistiques sur les possessions portugaises en outre‑mer (Extrait du Bulletin de Ia Societé de Géographie, Mars, 1846), Paris; Note sur la veritable date des instructions donnés a un des premiers capitaines qui sont allés duns l'Inde aprés Cabral, publiées dans les Annales Maritimes de Lisbonne, cahier, n.º 7, 1815 (Extrait du BuIletin de Ia Société do Géographie, septembre, 1846); Rapport sur une Mémoire de M. da Silveira, reIativement à Ia découverte des terres du Prétre Jean de Ia Guinée par les portugais, Paris, 1846; a obra de que se trata, intitula‑se: Memoria chronologica ácêrca do descobrimento das terra, do Preste João das Indias, etc. coordenada por Albano da Silveira; Essai sur l'histoire de Ia Cosmographique et de Ia Cartographie pendant le moyen age, et sur les progrés de Ia Géographie après les grandes découvertes du XV siécle, pour servir d'introduction et d'explication á l'Atlas composé de mappe‑mondes et de portulans, et d'autres monuments géographiques depuis le VI siécle de notre ére jus qu'au XVII, Paris, tomo I, 1849; II, 1850; III, 1852, De cada um destes volumes, impressos por ordem do governo, tiraram‑se 600 exemplares. O autor pretendia encerrar toda a obra em 4 tomos. José da Silva Mendes Leal foi encarregado, por decreto de 7 de Outubro de 1857, da sua continuação e parece que se tomara a deliberação de ampliá-la até 6 tomos; Demonstração dos direitos que tem a corôa de Portugal sobre os territorios situados na costa Occidental d'Africa, entre o 5.º grau e 12 minutos e o 8.º de latitude meridional, Lisboa, 1855. O governo mandou fazer uma tradução em inglês, Londres, 1856, que depois se reimprimiu em 1877. A Sociedade de Geografia de Lisboa dedicou à memória do visconde de Santarém uma sessão solene, em 11 de Janeiro de 1907, na majestosa sala Portugal, a que assistiu o rei D. Carlos, sendo inaugurado o retrato daquele ilustre português, que especialmente se dedicou às ciências geográficas deixando‑nos notáveis e valiosas obras. O retrato foi oferecida à Sociedade do Geografia por seu noto, o actual visconde de Santarém. O Elogio histórico foi feito pelo vice‑presidente da Sociedade, o Sr. Vicente Almeida de Eça. Nos Boletins da Sociedade do Geografia de 1904 e 1905, vêm publicadas algumas cartas inéditas do visconde de Santarém. Em 1909, o Sr. António Baião, director da Torre do Tombo, publicou em Coimbra, o seguinte opúsculo: O visconde de Santarem, como guarda-mór da Torre do Tombo. É uma verdadeira homenagem histórica, onde se põem em relevo os notáveis serviços que o ilustre diplomata e escritor prestou áquele arquivo O seu neto, 3.º visconde de Santarém, publicou em Lisboa, 1910, o seguinte: 2.º Visconde de Santarem: Opusculos e Esparsos, colligidos e coordenados por Jordão de Freitas, e novamente publicados pelo 3.º visconde de Santarém; são 2 grossos volumes.

Transcrito por Manuel Amaral

Historie del S.D. Fernando Colombo - Fernando Colón

Colón , Fernando; Ulloa , Alfonso de; Pané , Ramón  - Historie del S.D. Fernando Colombo; : nelle quali s'ha particolare, & v...