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domingo, março 15, 2009

«Dr. Vicente Henriques de Gouveia» - Dr. Manuel Pedro Freitas

O Dr. Vicente Henriques de Gouveia, era natural da freguesia de Câmara de Lobos, onde nasceu a 28 de Setembro de 1893 [1], tendo falecido, depois de prolongada doença, na Casa de Saúde de São João de Deus, a 18 de Fevereiro de 1949 [2], [3].
Era filho de Manuel Henriques de Gouveia e de Henriqueta dos Santos Gouveia. Casou com Rosa Augusta Serra de Gouveia, natural de Elvas, de quem teve dois filhos: Manuel Joaquim Henriques de Gouveia e o Dr. Francisco José Serra Henriques de Gouveia.
Depois de concluir o curso liceal, matriculou-se na Faculdade de Medicina de Coimbra, onde se revelaria um estudante brilhante e onde se licenciou e, onde se terá doutorado [4]. Foi assistente universitário do Instituto de Farmacologia e Terapêutica Experimental da Universidade de Coimbra.
Depois de ter permanecido alguns anos em Coimbra. Regressa à Madeira, onde é nomeado Director do Laboratório Distrital do Funchal.
Publicou vários trabalhos em revistas da especialidade e jornais tanto do conti­nente como da Madeira [5].
Colaborou no Diário de Notícias do Funchal, onde publicou vários trabalhos científicos [6], [7], [8], [9], [10], [11], [12], [13], [14], [15], [16], [17], [18], [19], [20],[21], [22], [23].
Foi colaborador de "O Jornal", onde se estreou na sua edição de 5 de Dezembro de 1942 [24], [25].


[1] CLODE, Luiz Peter. Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses, Sec. XIX-XX, pg. 249, refere-o como tendo nascido na freguesia de Santa Luzia.
[2] Diário de Notícias, 19 de Fevereiro de 1949.
[3] Diário de Notícias, 19 de Fevereiro de 1949. Era primo do Dr. Juvenal de Araújo, João Henriques de Araújo, Dr. Fernão Favila Vieira, Dr. Alberto Henriques de Araújo e Dr. Alvaro Favila Vieira e das Sras. D. Fernanda Favila Vieira Figueir, esposa do Sr. Dr. Gastão de Deus Figueira, e e de D. Manuela Favila Vieira Santa Clara Gomes, esposa do Sr. Miguel Santa Clara Gomes
[4] CLODE, Luiz Peter. Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses, Sec. XIX-XX, pg. 249.
[5] Jornal da Madeira, 27 de Julho de 1952. Coriza espas­módica - suas relações com a asma
[6] Doenças da pele. Diário de Notícias, 23 de Fevereiro de 1932.
[7] Diário de Notícias, 10 de Janeiro de 1933. Onde publica uma resenha dos artigos publicados até então e desde 1930, na imprensa.
[8] Diário de Notícias, 17 de Janeiro de 1933. Publica um artigo relativo a uma conferência dada pelo Prof. Carlos Melo sobre a helioterapia.
[9] Diário de notícias, 18 de Janeiro de 1933.
[10] Diário de Notícias, 24 de Janeiro de 1933.
[11] Diário de Notícias, 31 de Janeiro de 1933.
[12] Diário de Notícias, 7 de Fevereiro de 1933.
[13] Diário de Notícias, 14 de Fevereiro de 1933.
[14] Diário de Notícias, 21 de Fevereiro de 1933.
[15] Diário de Notícias, 28 de Fevereiro de 1933.
[16] Diário de Notícias, 7 de Março de 1933.
[17] Diário de Notícias, 14 de Março de 1933.
[18] Diário de Notícias, 28 de Março de 1933.
[19] Diário de Notícias, 4 de Abril de 1933.
[20] Diário de Notícias, 11 de Abril de 1933.
[21] Diário de Notícias, 21 de Fevereiro de 1934.
[22] Diário de Notícias, 19 de Fevereiro de 1937.
[23] Diário de Notícias, 1 de Junho de 1937.
[24] "O Jornal", 5 de Dezembro de 1942.
[25] "O Jornal", 8 de Janeiro de 1943.

«Eduardo Antonino Pestana» - Dr. Manuel Pedro Freitas

O Dr. Eduardo Antonino Pestana era natural da freguesia de Câmara de Lobos onde nasceu no dia 5 de Setembro de 1891, tendo falecido em Lisboa no dia 9 de Abril de 1963. Era filho de António Pestana e de Carolina Angélica de Faria Pestana.
Depois de ter tirado o curso do seminário diocesano do Funchal (1902-1911), frequenta o Liceu de Jaime Moniz (1911-1912), tira o curso da faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1912-1917), o curso da Escola Normal Superior (1917-1919) e o curso da faculdade de Direito (1913-1919) da mesma Universidade.
Exerceu, em simultâneo, as funções de professor liceal nas disciplinas de Português e Latim e as funções de advogado: entre 1920 e 1926 na cidade do Funchal; entre 1926 e 1927 na cidade da Horta, nos Açores e entre 1927 e 1930 na cidade de Faro.
De Maio de 1930 a Fevereiro de 1934, quando era Ministro da Instrução o Prof. Gustavo Cordeiro Ramos exerceu, em comissão de serviço, o cargo de Director dos Serviços do Ensino Secundário, tendo colaborado na reforma deste ensino decretada em 1932 e na organização dos serviços de saúde escolares, cantinas liceais, correspondência inter-escolar, orfeões liceais, regime de exames, etc., regressando posteriormente ao ensino leccionando primeiramente no liceu Gil Vicente e posteriormente no liceu Pedro Nunes.
Em 1926/1927 deslocou-se à América do Norte onde, nos estados de Nova Iorque e da Califórnia, estudou a organização dos ensinos primário e liceal.
Conferencista notável, fez ouvir a sua fluente palavra a propósito de temas religiosos, jurídicos e didácticos, tanto no Funchal, como em Lisboa e em Sá da Bandeira.
Em 1937, a convite da Sociedade Les Amitiés Latines, fez em Casablanca (Marrocos), no Instituto Maintenon uma conferência subordinada ao tema L’État Nouveau Portugais.
Ao longo da sua vida distinguiu-se também como jornalista e escritor, tendo colaborado em vários jornais e revistas especialmente na Madeira e em Lisboa. De Setembro de 1931 a Fevereiro de 1932 dirigiu o Diário da Manhã, tendo sido também colaborador do Jornal Novidades. De entre a sua vasta obra jornalística, e porque se refere especificamente a Câmara de Lobos, não podemos deixar de destacar um seu artigo publicado na edição dos dias 23 e 28 de Março de 1920 do Diário de Notícias do Funchal onde faz um diagnóstico e aponta soluções para a situação de pobreza na classe piscatória da sua terra natal, que se tivessem merecido a atenção da classe política poderia ter sido alterada radicalmente. Apesar de já possuir algum desfasamento, decorrente das alterações sócio-económicas entretanto verificadas, não deixa de ser um texto de leitura obrigatória para quem tem ou venha a ter responsabilidades na área social do concelho de Câmara de Lobos.
Escreveu e publicou entre outras obras: A Igreja Católica e os Operários, conferência feita em 1916, Ciência da Linguagem, conferência dada em 1917; Ensino - da sua reforma geral e da nova metodologia do Latim, tese para o exame de estado na Escola Normal Superior, em 1919; Canto Antigo, Canto Novo, conferência em 1926; A precedência obrigatória do registo civil e a celebração do casamento religioso, minuta de recurso para o tribunal da Relação, em 1930; A questão da pessoa humana, conferência em 1941.
Em colaboração com o Dr. A. J. de Sá Oliveira publicou Método de Latim - Comentários de Pedro Eneida de Virgílio e de Bello Gallico de Júlio César. Com o Dr. Carlos Moreira, publicou Organização Política e Administrativa da Nação.
Publicou, ainda juntamente com o seu irmão Dr. Sebastião Pestana, em 1951, um livro didáctico sobre o Auto da Alma, de Gil Vicente.
Amante da sua terra, estudou o folclore madeirense e na revista A Língua Portuguesa publicou largos estudos sobre o linguajar ilhéu.
Estes estudos viriam a ser já postumamente, editados em dois volumes pela Câmara Municipal do Funchal: um em 1965 e intitulado Ilha da Madeira I - Folclore Madeirense e o outro em 1970, intitulado Ilha da Madeira II - Estudos Madeirenses.
Revelou-se também o Dr. Eduardo Antonino Pestana como músico, tendo deixado muitas composições musicais que os orfeões procuraram pela sua leveza e graciosidade. São da sua autoria as letras e músicas de canções como: João Dorme; Minha Terra Quem me Dera; Avé-Maria e o triplico Meio-dia e Anoitecer.
Foi condecorado com a Ordem da Instrução Pública.
No dia 23 de Fevereiro de 1966, a Câmara Municipal de Câmara de Lobos presta-lhe homenagem, dando o seu nome ao antigo largo do Poço, tendo a sessão solene de descerramento da placa toponímica tido lugar no dia 26 de Agosto do mesmo ano, num acto que contou com a presença de Elvira Gersão Pestana, viúva do homenageado e com quem havia casado em segundas núpcias [1], [2].

[1] Homenagem a três filhos do concelho de Câmara de Lobos. Jornal da Madeira, 28 de Agosto de 1966.
[2] Jornal da Madeira, 27 de Agosto de 1966.

«João Higino de Barros» - Dr. Manuel Pedro Freitas

João Higino de Barros era natural da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, onde nasceu a 11 de Janeiro de 1883, tendo falecido no Funchal a 11 de Maio de 1941. Era filho de Francisco de Barros e de Isabel Augusta de Barros. Casou com Rosa Brígida de Vasconcelos de Barros de quem houve duas filhas: uma chamada de Leolinda da Soledade de Vasconcelos Barros e outra de Lucília. Iniciou a sua vida profissional como funcionário público, desempenhando durante anos o lugar de fiscal dos produtos agrícolas, passando, em seguida, à situação de empregado da firma Geogi & Cª., onde veio a ocupar um lugar de destaque. À data do seu falecimento era gerente técnico da Sociedade Mercantil Insular Lda. Durante a situação de Sidónio Pais foi membro da Comissão Administrativa da Câmara Municipal do Funchal. Foi um grande protector da Filarmónica dos Artistas Funchalenses, depois Banda Municipal, que, com a colaboração do maestro Gustavo Coelho, conseguiu, durante a sua administração torná-la uma das melhores bandas civis de Portugal. Fez parte da redacção do extinto Diário Popular, dirigiu o Comércio do Funchal e colaborou no Diário de Notícias, no Almanach Ilustrado, no Diário da Madeira. Escreveu, em 1910, de colaboração o romance Uma Tragédia na Madeira e, em 1931, o opúsculo Dez anos nos Artistas, onde faz um balanço da sua actividade à frente dos destinos administrativos da banda e onde justifica a sua saída e o processo judicial que lhe moveu [1], [2], [3].
Luís Marino inseriu-o na sua colectânea de poesias «Musa Insular», com o poema «Duas Marias».

[1] Marino, Luis. Musa Insular., pg. 337
[2] CLODE, Luiz Peter. Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses, séc. XIX-XX, pg. 61
[3] BARROS, J. Higino. Dez Anos nos Artistas. Funchal, 1931.

in http://www.concelhodecamaradelobos.com/dicionario/barros_joao_higino.html

«Padre José Gonçalves de Aguiar» - Dr. Manuel Pedro de Freitas

Era natural da freguesia de Câmara de Lobos, onde nasceu no dia 8 de Outubro de 1831, tendo falecido em Lisboa, pouco antes do ano de 1900. Era filho de Vitorino Gonçalves Rocha e de Vitorina Rosa de Jesus. O apelido de Aguiar herdou-o de seu avô materno. Formou-se em Teologia pela Universidade de Coimbra, a expensas de uma família russa de nome Waxel, tendo posteriormente fixado residência em Lisboa, onde exerceu, para além de outros, o cargo de Desembargador da Cúria Patriarcal e examinador pró-sinodal, re­cusando-se sempre aceitar uma mitra para o que foi insistentemente convidado.
Consagrando-se com ardor a estudos sociais e religiosos, colaborou em várias revistas da especialidade.
Em 1880 publicou a obra “O dogma da imaculada Conceição de Maria Santíssima” e posteriormente, em 1888, o “Tratado de Penitência”. Na sequência da publicação deste último livro, o Papa Leão XIII distinguiu-o com o título de Monsenhor e seu Camareiro de Honra. Embora não se tivesse dedicado assiduamente ao ministério público, publicou também, alguns discursos sacros proferidos em diversas igrejas [1], [2], [3].

[1] Diário da Madeira, 29 de Junho de 1937.
[2] Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. 1, pg. 658.
[3] CLODE, Luiz Peter. Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses, séc. XIX-XX, pag 19.

«Padre Eduardo Clemente Nunes Pereira» - Dr. Manuel Pedro Freitas


O padre Eduardo Clemente Nunes Pereira era natural da freguesia de Câmara de Lobos, onde nasceu na hoje denominada rua de São João de Deus, no dia 23 de Novembro de 1887, tendo falecido no Funchal, a 3 de Março de 1976.
Era filho de João Nunes Pereira, comerciante e de Virgínia Cândida Hortência, ambos naturais do concelho de Câmara de Lobos.
Fez os seus estudos no Liceu do Funchal, onde tirou o curso de letras, tendo concluído no seminário o curso de teologia. A 17 de Maio de 1913, foi ordenado presbítero no Colégio dos Inglesinhos, em Lisboa, tendo celebrado a sua Missa Nova na igreja de São Sebastião de Câmara de Lobos a 13 de Junho de 1913, passando a exercer funções na Sé Catedral. No impedimento dos respectivos párocos, paroquiou, ainda que por curtos períodos, as paróquias da Quinta Grande e Campanário.
No decorrer da 1ª Grande Guerra, e com a entrada de Portugal no conflito, foi, em 1916, chamado para frequentar a Escola de Oficiais Milicianos em Lisboa.
A morte prematura de seu pai obrigou-o a que tivesse de assumir a orientação e apoio familiares pelo que bem cedo teve de repartir a sua actividade, não obstante o seu munus sacerdotal, pelo ensino, pelo jornalismo, pela actividade literária e até de homem público quando desempenhou o cargo de procurador à antiga Junta Geral do Funchal.
O Padre Eduardo Nunes Pereira iniciou-se nas letras na revista Esperança, órgão dos alunos do Seminário. Foi chefe de redacção da Quinzena Religiosa, Madeirense e Boa Nova, estes dois últimos, novas séries do primeiro.
Colaborou em numerosas publicações, nomeadamente na revista Das Artes e da História, Almanaque de Lembranças, Diário da Madeira, Diário de Notícias, etc.
Chefiou a redacção de O Jornal que mais tarde se transformaria no actual Jornal da Madeira e onde foi colaborador durante longos anos. Foi também redactor do Correio da Madeira.
Logo após a implantação da República, que levou ao encerramento do seminário do Funchal, montou um colégio, na Rua do Seminário, em colaboração com o Dr. Manuel Sardinha, para a formação de sacerdotes. Depois, de 1918 a 1936, o Padre Eduardo Nunes Pereira leccionou no Liceu Jaime Moniz, do Funchal. Passou pelo Colégio do Bom Jesus e de 1939 a 1968 foi professor e director do Colégio Lisbonense.
Ainda que a sua obra mais conhecida sejam as Ilhas de Zarco, que nos dão uma visão global da Madeira, desde a sua descoberta e povoamento, deixou um significativo património literário de que se destacam: Delenda Est Cartago; Golpe; Nossa Senhora do Carmo; Como se Vence; Lenda Histórica; Cristóvão Colombo 1957; Infante D. Henrique e Geografia Histórica das Capitanias da Madeira; Piratas e Corsários nas Ilhas Adjacentes (lenda Histórica); Arte Religiosa na Madeira e V Centenário Henriquino sua Projecção na História Madeirense.
É também de assinalar a projecção da sua obra além - fronteiras, como o atestam os honrosos convites para fazer parte da Academia de Ciências, Letras e Artes de S. Fernando (Cadiz - Espanha), dos Institutos Genealógico de S. Paulo e Português de Arqueologia e Etnografia, de Lisboa, de que era sócio correspondente.
Pelo seu intenso labor intelectual, mereceu ainda ser agraciado pelo Presidente da República Portuguesa, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, condecoração que decorreu em solene cerimónia pública no Palácio de S. Lourenço, quando da celebração do "Dia de Portugal" no ano de 1970.
Foi premiado num concurso de amadores de fotografia, realizado em França, pela Sociedade Francesa Agfa-Photo, sendo o seu trabalho exposto ao público durante o mês de Novembro de 1936 num salão de Paris com as 100 fotografias mais bem classificadas.


Bibliografia:
Centenário do Nascimento do Pe. Eduardo Pereira. Diário de Notícias, 24 de Novembro de 1987
PEREIRA, J. Azevedo. Padre Eduardo Clemente Nunes Pereira. Atlântico - Revista de Temas Culturais, nº13, Primavera, 1988.
FREITAS, M Pedro. Grupos Musicais do Concelho de Câmara de Lobos. Girão-Revista de Temas Culturais do Concelho de Câmara de Lobos, Vol. Nº6, 1º semestre de 1991.
Padre Eduardo Clemente Nunes Pereira. Jornal da Madeira, 27 de Julho de 1952.
VAZ, F. Menezes. Nunes Pereiras. Das Artes e da História da Madeira, nº34, 1964.


«José de Barros e Sousa» - Dr. Manuel Pedro Freitas

O Dr. José de Barros e Sousa era natural da freguesia de Câmara de Lobos, onde nasceu no dia 1 de Março de 1859, tendo falecido em Dezembro de 1930, na cidade do Porto [1]. Era filho de José de Barros da Silva [2], sapateiro e trabalhador agrícola e de Valentina Luisa de Sousa, casados em Câmara de Lobos a 18 de Novembro 1857 [3] e residentes no sítio da Torre [4].
Era neto paterno de António de Barros, natural de Câmara de Lobos e de Joaquina Cesária, natural de São Gonçalo e neto materno de João Soares de Sousa e de Valentina Luisa de Sousa, residentes no sítio da Quinta do Leme, em Câmara de Lobos.
Depois de fazer o curso do Liceu do Funchal, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra onde se formou a 23 de Junho de 1884 [5], ingressando em seguida na carreira de Magestrado.
Casou em 1886, na freguesia de Santa Maria Maior, com Maria Alexandra Lomelino, filha de Justiano José Lomelino de Serpa e de Fortunata Augusta de Castro [6], de quem houve:

  • 1. Beatriz de Barros e Sousa, que casou com Belmiro Ribeiro do Amaral, de quem houve [12] :
  • 2. Hugo de Barros e Sousa Ribeiro do Amaral. Nasceu no Porto a 18 de Outubro de 1922 e faleceu a 25 de Setembro de 1975. Casou com Maria Luísa da Veiga Brandão de Brito, de quem houve:
  • 3. Pedro Brandão de Brito Amaral. Nasceu, em São Mamede, Lisboa, a 14 de Outubro de 1951. Casou com Isabel Margarida de Oliveira Costa.
  • 3. Maria Beatriz Brandão de Brito Amaral. Nasceu a 27 de Agosto de 1952. Casou com Jorge Manuel Esteves Proença.
  • 2. Tito de Barros e Sousa Ribeiro do Amaral
  • 1. Aldora de Barros e Sousa
  • 1. Artur de Barros e Sousa.
  • 1. Abílio de Barros e Sousa.
  • 1. Alberto de Barros e Sousa
  • 1. Antonieta de Barros e Sousa

Foi delegado do procurador régio em várias comarcas, entre as quais a da Ponta do Sol [7], foi juiz de Direito na comarca de Santa Cruz [8], na ilha da Madeira e noutras comarcas do continente, nomeadamente na de Resende, donde terá saído em 1909, em virtude de ter sido promovido à 2ª classe [9], na de Oliveira do Hospital, onde se encontrava em Agosto de 1914, altura em que se haveria de mudar para Vila da Feira [10]. Terminaria a sua actividade profissional como desembargador na Relação do Porto, aposentando-se, em 1929, por limite de idade.
Em 1921 publicou um opúsculo intitulado Preceitos de Moral da Infância, de que foram publicadas três edições [11].
Para além desde opúsculo, o nome de José de Barros e Sousa consta, em 1926, como tradutor e editor do livro/opusculo Salvação para Todos escrito por Emile Catzeflis.
Na sua passagem por Vila da Feira, foi por sua iniciativa que se fundou, a 24 de Fevereiro de 1917, a Associação de Assistência as pobres de Espinho, que, na altura ficaria mais conhecida por "Assistência" e que distribuía refeições e tratava de pobres e doentes mais necessitados. Seria esta associação, também conhecida por Associação de Assistência Pública do Concelho de Vila da Feira, que, por Portaria de 24 de Julho de 1937 se transformaria na Misericórdia de Espinho.
Em Setembro de 1925, o Dr. José Barros e Sousa foi um dos elementos fundadores e primeiro presidente do Ramo "Fraternidade", no Porto, da Sociedade Teosófica de Portugal. Este Ramo terá, contudo tido uma vida efémera, não tendo ultrapassado dois anos[13].

[1] Diário da Madeira, 13 de Dezembro de 1930.
[2] Viúvo de Antónia Augusta de Jesus.
[3] Registo de Casamentos de Câmara de Lobos, 1857, L.317, fls. 46vº.
[4] Baptizado na igreja paroquial de Câmara de Lobos a 20 de Março de 1859, L. 309, fls.171.
[5] Data escrita pelo seu próprio punho, nas costas de uma sua fotografia tirada no dia da sua formatura.
[6] Coelhos do Porto Santo. Das Artes e da História da Madeira, nº16, 1953, pg. 49.
[7] Na sua edição de 8 de Julho de 1900, o Diário Popular da conta da forma como o Dr. José de Barros e Sousa se despediu da Ponta do Sol, onde fora Delegado do Ministério Público e, da sua recepção no concelho de Santa Cruz. Onde foi colocado como juiz de Direito.
[8] Em Agosto de 1907, era juiz de Direito da Comarca de Santa Cruz (Diário Popular, 20 de Agosto de 1907).
[9] Diário Popular, Funchal, 17 de Junho de 1909.
[10] Num postal datado de 26 de Agosto e dirigido a sua irmã, Joaquina de Barros de Sousa, informava que ficaria instalado no dia 2 de Setembro seguinte, em Vila da Feira, devendo ser para lá enviada a correspondência, acrescentado que ia vivendo menos mal, mas andava sempre com a casa e com a vida aos trambulhões, isto numa alusão às constantes transferências de uma comarca para outra.
[11] SOUSA (José de Barros e). Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Editorial Enciclopédia Lda. Lisboa e Rio de Janeiro. Vol. 29,pg. 806.
[12]
www.geneall.net.
[13] História Breve do Ramo Dharma 1953-2004.

«João Augusto de Ornelas» - Dr. Manuel Pedro Freitas


Ainda que subsistam algumas dúvidas, é opinião corrente de que João Augusto de Ornelas terá nascido na freguesia do Estreito de Câmara de Lobos a 26 de Junho de 1833, onde se terá também baptizado no mês seguinte ([1],[2]). Contudo, apesar destes dados terem sido escritos pelo seu próprio punho, a verdade é que nunca foi encontrado o correspondente registo, nos livros paroquiais, desconhecendo-se também quem terão sido os seus pais. Aliás, os seus nomes são também omitidos, tanto por ocasião do seu casamento com Adelaide Augusta da Silveira, realizado a 1 de Dezembro de 1866, em cujo assento surge apenas como solteiro, periodicista e natural do Estreito de Nossa Senhora da Graça ([3],[4]), como por ocasião da sua morte, verificada no Funchal, a 11 de Julho de 1886, e em cujo registo, para além de não haver qualquer referência aos seus pais, aponta-o ainda como tendo 57 anos [5], o que põe em causa o ano de 1833, como o correspondente ao do seu nascimento. Todos estes factos e mistérios em torno das suas origens fazem com que vários autores considerem que o seu romance "O Engeitado", possa corresponder a uma sua auto-biografia e, como consequência o apontem como tendo sido enjeitado ou exposto ([6]).
Apesar das circunstâncias que terão rodeado o seu nascimento, João Augusto de Ornelas terá tido uma mocidade e juventude risonha ([7]), até que pouco tempo depois de 1854, foi vítima de um acidente terrível, filho da imprevidência de uns amigos, e que despiedadamente o veio ferir em plena e alegre juventude ([8]), ficando, em consequência, paralítico para o resto da sua vida.
Este terrível golpe actuou profundamente no seu espírito. Nele pôs a nota triste que nunca mais o abandonou, que transluz no seu estilo e que todas as suas obras literárias, principalmente as novelas e romances, manifestamente exprimem. Caía despiedadamente do pedestal em que lhe sorriam as esperanças, em que as aspirações se lhe evolavam da mente como aves sonoras desantranhado-se em melodias e hinos. Ia-se-lhe a saúde; fugia-lhe a mocidade, obscurecia-lhe o horizonte ([9]).
Contudo, João Augusto de Ornelas não só não sucumbiria à sua desventura, como optaria pela luta e durante 30 anos nela e com ela viveu. O trabalho foi o seu médico, a sua consolação, o seu melhor lenitivo, na noite da sua existência mártir. E com ele venceu... Com ele pode viver e conquistar o nome, a posição que tinha entre os jornalistas e escritores portugueses ([10]).
João Augusto de Ornelas terá começado a sua actividade profissional por ser aprendiz de tipógrafo no jornal O Arquivista e na Ordem. Por essa altura terá começado a publicar algumas produções em jornais literários como o Baratíssimo, o Estudo, etc. Em 1854, encontramo-lo a frequentar o Liceu do Funchal ([11]). Em 1857, funda O Direito ([12]), do qual viria a ser seu director durante cerca de 27 anos ([13]). Muito lido desde os primeiros números, pela excelente colaboração que tinha de distintos escritores, este jornal à altura da sua morte, era o mais antigo jornal publicado na Madeira e um dos de mais crédito fora dela ([14]).
Na sua actividade jornalística à frente de O Direito, João Augusto de Ornelas defendeu com paixão e com convicção os seus ideais políticos, o que o fez cometer alguns erros, erros que por vezes lhe viriam escurecer a vida jornalística. Contudo, ao longo da sua vida de jornalista, não deixou de patrocinar com o mais desvelado empenho tudo o que fossem melhoramentos e benefícios para a Madeira, a ponto desta lhe dever muitos e relevantes serviços ([15]). Nas colunas do seu jornal, as questões de interesse local, quando não subordinadas a ideias de ordem política, que geralmente tudo pervertem e deturpam, eram bem tratadas, melhor estudadas e cuidadosamente trabalhadas ([16]).
No Direito, fez a sua aprendizagem, o seu tirocínio e o que ele chamava as suas conquistas. O jornal era o seu "alter-ego", a sua inspiração e a sua aspiração. Neste tirocínio ganhou forças para outros cometimentos ao nível da escrita ([17]).
A sua obra literária é muito vasta não só pelas obras que publicou, como pela colaboração que deixou dispersa por vários jornais. Estreou-se com algumas produções literárias no Estudo, e no Baratíssimo. Cultivou com grande êxito o romance tendo escrito e publicado "A Arrependida" com introdução de Júlio César Machado (Funchal, 1871); "João Augusto de Ornelas e a nova fábrica de açúcar" (Funchal, 1871); "A Coroa de Oiro ou a Honra da Justiça: O que foi e o que é José Cardoso Vieira de Castro" (Funchal, 1871); "Maria: Páginas íntimas", com prólogo de António Augusto Teixeira de Vasconcelos (1873); "A Mão de Sangue", com prefácio de Camilo Castelo Branco (Lisboa,1874) ([18]); "A Justiça de Deus", com prefácio de Manuel Pinheiro Chagas (Funchal, 1877); "A vítima de um Lazarista" (Porto, 1879); "A Companhia Fabril de Açúcar Madeirense, os seus Credores e o sr. Dr. João da Câmara Leme" (Funchal, 1879); "A Madeira e as Canárias" (Funchal, 1884); "A Fábrica de São João" (Funchal, 1879); "O Enjeitado", com introdução de Manuel Pinheiro (Porto, 1886). Publicou ainda outros romances e folhetins no jornal de que era director, como: "Virtude e Crime"; "A Madrasta"; "O Aristrocrata e o Artista"; "Amor e Sacerdócio"; "O Ingrato"; "Um Benefício"; "Espinhos e Rosas" e "Frei João ou uma Época da regência de D. Pedro IV", publicado no Direito, a partir do dia 26 de Janeiro de 1881.
Também se dedicou à poesia tendo versos insertos no livro "Prelúdio Poético" de J. Barros Coelho (Lisboa, 1857) e nas colectâneas: "Flores da Madeira" do cónego Alfredo César de Oliveira e do Dr. José Leite Monteiro (Funchal, 1871); "Album Madeirense de Poesias..." de Francisco Vieira (Funchal, 1884) e na "Musa Insular" de Luís Marino (Funchal, 1954) ([19]).
Em 1881, preparava-se para publicar um livro de biografias de pessoas importantes, o que nunca viria a acontecer ([20]).
Em 1883 teria em preparação trabalhos literários como "O filho segundo"; "Virgínia"; "Os mistérios do cemitério"; "Um baile a benefício"; "Os anos dum príncipe"; "Crime e virtude" e "Horas de Recreio" ([21]).
De todas as suas obras, a mais notável terá sido a "Mão de Sangue" ([22]) prefaciada por Camilo Castelo Branco e da qual, em 1998, foi publicada a sua 3ª edição.
Apesar da importância de João Augusto de Ornelas, como jornalista e escritor, a sorte foi-lhe, contudo, sempre pouco propícia e apesar de ter de lutar com as maiores contrariedades da vida - as privações angustiosas, as torturas sofridas no lar doméstico, as lutas travadas na imprensa, as calúnias e as difamações que contra ele levantaram os seus inimigos - somente deixou de manejar a pena quando a doença o inutilizou inteiramente para o trabalho ([23]).
Por ocasião da sua morte, o Diário de Notícias referindo-se aos últimos anos de vida de João Augusto de Ornelas, salientava que doente, cansado, exausto, infeliz, vergado ao peso da desventura, pobre e precisando de sustento, ele apresentava-se à sua mesa de trabalho, mesa que era um "mare magnum" de papéis; o corpo franzino e quase mirrado, envolto em pobres roupagens e trabalhava para o seu Direito, como lhe chamava, escrevendo, ditando, trabalhando sempre, para poder viver, como vivem aqueles a quem desde o berço, a desventura se propôs torturar-lhe a existência inteira ([24]).
Aliás, uma descrição semelhante é feita pelo Direito ao referir que quem entrasse, nestes últimos anos, na redacção do Direito, via a um canto, saindo de entre um montão de jornais, de livros e de papeis, um vulto arqueado, raquítico, de uma magreza extrema, a cabeça coberta de cabelos quase brancos, em desalinho, faces cavadas, de uma palidez terrosa e doentia, barba esqualida e mal cuidada, enchendo pequenas tiras de papel com uma letra miúda, informe e quase ininteligível.
Há mais de 20 anos que aquele homem estava ali, sentado àquela mesa, redigindo o seu Direito, compondo os seus romances, procurando no trabalho literário proventos para a sua subsistência e consolação e alívio à dura e horrível doença que o prenderá ali. Quase paralítico, alquebrado pelas enfermidades, sem família, envelhecera ali quase sequestrado do mundo, acorrentado àquela banca presidiário de um destino cruel e horrível ([25]).
No fim dos seus dias, já impossibilitado de escrever aproveitava a visita dos seus amigos e de pessoas que o procuravam, para lhes ditar os seus trabalhos literários e de correspondência ([26]).
A vida de João Augusto de Ornelas foi um contínuo labutar, incessante, guiado por um norte que a ninguém fica mal: a vontade de aparecer bem, destacando-se do comum ([27]). Envaidecia-o a opinião que dele formaram os nossos melhores escritores e para alcançá-la e guardá-la incolumo, trabalhou toda a vida, com tenaz e persistente constância ([28]).
No seu espírito culto, no seu coração, no seu modo de viver todo inteiro, em toda a sua vida de homem e de jornalista, manifestou um grande amor pelos pobres. Ele, que era muito pobre, contentava-se com o indispensável e distribuía o que lhe ficava, de boa vontade, sentindo-se bem em fazer bem, como que provando assim que, sabendo que é a desgraça, pelas condições de toda a sua vida, tinha jurado mitigá-la onde ela aparecesse.
Em sua casa dava agasalho, como uma esmola também, aos que o rodeavam, e que até os últimos momentos da sua vida o trataram com carinhoso afecto esforçando-se todos por lhe darem lenitivo as dores cruéis lancinantes que o torturavam sem piedade ([29]).
O pouco que tinha, que com tantos sacrifícios e tanto trabalho podia ganhar, repartia-o de bom grado com os pobres e, ele, que sofria tanto, que toda a sua vida fora vítima das mais cruciantes dores e dos mais fundos desgostos, sentia-se feliz, achava consolação e alívio em minorar com o seu obelo o sofrimento daqueles que pela dor e pela desventura lhe eram irmãos e companheiros. Por isso, morreu pobre, pobríssimo tendo repartido em vida com os desditosos o que o trabalho lhe pudera dar ([30]).
O seu amor pelos desprotegidos fê-lo não só ser sócio fundador da Associação de Beneficência do Funchal, como a apoiar através do seu jornal as instituições de beneficência, como o Asilo da Mendicidade e Orfãos, a cuja Comissão Administrativa chegou a pertencer. Foi aliás a uma destas instituições de beneficência que ficaria a dever os alimentos dos últimos dias da sua vida e o caixão que o levou à terra ([31]).
Possuía a comenda de cavaleiro da Ordem militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa; foi Procurador à Junta Geral do Distrito; Vogal da Comissão Administrativa do Asilo da Mendicidade, cargo que exerceu muito provavelmente desde 1868 ([32], [33]); foi um dos sócios fundadores do Grémio Literário e Recreativo dos Artistas Funchalenses ([34]) onde viria a ocupar a presidência da sua Assembleia Geral ([35]); foi sócio correspondente do Gabinete de Literatura de Pernambuco ([36]); foi sócio correspondente do Instituto de Coimbra, da Real Associação dos Arquitectos e Arqueólogos Portugueses, foi sócio ordinário da Sociedade Geografia de Lisboa e correspondente da de França e foi sócio fundador da Associação dos Jornalistas e Escritores Portugueses.


[1] De acordo com o Diário de Notícias de 26 de Junho de 1874 ele fazia anos nesse dia, o que demonstra a veracidade deste dia e mês de nascimento.
[2] Na rubrica "Noticiário" da edição de 24 de Agosto de 1867 João Augusto de Ornelas refere que nasceu a 26 de Junho de 1933 e foi baptizado nos fins de Julho do mesmo ano, na igreja paroquial de Nossa Senhora da Graça, concelho de Câmara de Lobos, tendo como padrinho João Napumneceno d'Oliveira. Por outro lado, no Assento no seu casamento João Augusto de Ornelas é referido como natural do Estreito de Nossa Senhora da Graça.
[3] MARINO, Luís. Galeria Biográfica - João Augusto de Ornelas. Diário da Madeira, 4 de Fevereiro de 1967. João Augusto de Ornelas era genro José Marciano da Silveira, professor primário, poeta e director de "A Voz do Povo".
[4] ARM Registos Paroquiais, Santa Maria Maior, 1866, Assento nº 43, 1 de Dezembro de 1866.
[5] ARM. Câmara Municipal do Funchal, livro 250, fls. 153, Óbito de 11 de Julho de 1886.
[6] SILVA, A Carvalho. Introdução histórico-literária à 3ª edição. Mão de Sangue, Funchal, 1998.
[7] João Augusto de Ornelas. O Direito, 21 de Julho de 1886.
[8] João Augusto de Ornelas. O Direito, 21 de Julho de 1886.
[9] João Augusto de Ornelas. O Direito, 21 de Julho de 1886.
[10] João Augusto de Ornelas. O Direito, 21 de Julho de 1886.
[11] João Augusto de Ornelas. O Direito, 21 de Julho de 1886.
[12] O Diário de Notícias de 13 de Julho de 1886, num texto relativo à sua morte, refere-se que João Augusto de Ornelas fundou com um cavalheiro muito inteligente desta terra, que ainda existe, para não nos deixar mentir, o Direito.
[13] O nome de João Augusto de Ornelas surge no cabeçalho de "O Direito" como seu director, no dia 8 de Julho de 1858.
[14] João Augusto de Ornelas. Diário de Notícias, 13 de Julho de 1886.
[15] João Augusto de Ornelas. O Direito, 21 de Julho de 1886.
[16] João Augusto de Ornelas. Diário de Notícias, 13 de Julho de 1886.
[17] João Augusto de Ornelas. Diário de Notícias, 13 de Julho de 1886.
[18] De acordo com Luis Marino em Galeria Biográfica, inserta no Diário da Madeira de 4 de Fevereiro de 1967, este romance foi também publicado em folhetim no Jornal "A Ilha", em 1933 e no Comércio do Funchal, que deu à estampa depois em separata em 1946. De acordo SILVA, A. Carvalho, na introdução histórico-literária à 3ª edição da "Mão de Sangue, publicada em 1998, um dos exemplares da 1ª edição desta obra, cujo frontispício, extraído do Dicionário de Camilo Castelo Branco, se publica no presente artigo, encontra-se na Biblioteca Municipal de Sintra.
[19] MARINO, Luís. Galeria Biográfica - João Augusto de Ornelas. Diário da Madeira, 4 de Fevereiro de 1967.
[20] De acordo com o Diário de Notícias de 1 de Setembro de 1881, João Augusto de Ornelas preparava-se para publicar um livro de biografias de pessoas importantes.
[21] SILVA, A Carvalho. Introdução histórico-literária à 3ª edição. Mão de Sangue, Funchal, 1998
[22] SILVA, A Carvalho. Introdução histórico-literária à 3ª edição. Mão de Sangue, Funchal, 1998.
[23] MARINO, Luís. Galeria Biográfica - João Augusto de Ornelas. Diário da Madeira, 4 de Fevereiro de 1967.
[24] João Augusto de Ornelas. Diário de Notícias, 13 de Julho de 1886.
[25] João Augusto de Ornelas. O Direito, 21 de Julho de 1886.
[26] MARINO, Luís. Galeria Biográfica - João Augusto de Ornelas. Diário da Madeira, 4 de Fevereiro de 1967.
[27] João Augusto de Ornelas. Diário de Notícias, 13 de Julho de 1886.
[28] João Augusto de Ornelas. O Direito, 21 de Julho de 1886.
[29] Diário de Notícias, 13 de Julho de 1886.
[30] João Augusto de Ornelas. O Direito, 21 de Julho de 1886.
[31] João Augusto de Ornelas. O Direito, 21 de Julho de 1886.
[32] De acordo com o Diário de Notícias de 20 de Junho de 1877 pedido nesta altura a sua demissão destas funções, desconhecendo-se se o Governador Civil terá ou não aceite
[33] De acordo com o Diário de Notícias de 20 de Junho de 1877, João Augusto de Ornelas há 9 anos vogal da Comissão Administrativa do Asilo da Mendicidade havia pedido a sua exoneração ao Governador Civil, que no entanto ainda não a havia aceite.
[34] De acordo com o Diário de Notícias de 4 de Abril de 1877 João Augusto de Ornelas foi um dos sócios fundadores do Grémio Literário dos Artistas Funchalenses.
[35] De acordo com o Diário de Notícias de 3 de Dezembro de 1878.
[36] De acordo com o Diário de Notícias de 24 de Outubro de 1880, tinha acabado de ser nomeado para essas funções.


«Germano Francisco Dee» - Dr. Manuel Pedro Freitas

Germano Francisco Dee, era o pseudónimo de Germano Francisco de Barros Henriques.
Era natural do Estreito de Câmara de Lobos, onde nasceu em 1805, tendo falecido por cólera em 1856. Era filho de Francisco Policarpo de Barros Henriques e de Luísa de Barros Henriques. Era provavelmente neto paterno de Francisco Policarpo de Barros Henriques e de Ana Antónia Júlia, casados na freguesia do Estreito de Câmara de Lobos em 1774
[1].
Foi escrivão, professor público em Câmara de Lobos, destacando-se ainda como escritor e poeta. De acordo com o poeta Joaquim Pestana, Germano Francisco de Barros Henriques era dotado de grande génio poético, compondo versos com rara facilidade e tendo particular predilec­ção pelo soneto. Seguiu a escola literária de Filinto Elísio. Escreveu um livro intitu­lado "Lições de arte poética"
[2] e colaborou em "A Discussão" e no "Novo Almanaque Luso-Brasileiro". Distinguiu-se ainda como poliglota, falando correctamente latim, francês, inglês e espanhol.

[1] Livro 349 de registos paroquiais - casamentos - da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, fls. 17.
[2] Esta obra não se encontra registada nos arquivos da RAM. Contudo, encontramos sob o título "Lições de Arte Poética, em vista de J. Soares Barbosa e de outros autores, dedicadas ao ... Sr. António Silvino Gonsalves.." uma obra na Biblioteca Nacional, escrita por um anónimo e publicada no Funchal, em 1861, pela Typ. Do Noticioso. Corresponderá este livro ao escrito por Germano Francisco Dee, ainda que publicado após a sua morte?

A UMA DAMA [3]
(Imitado de Victor Hugo)
Donzella, s'eu fôra rei,
oh! de bom grado daria
toda a rica pedraria,
de valor... que nem eu sei!...
E nem só joias, e oiro,
mas outro maior thesoiro:
meu septro e c'roa de rei
por um só olhar dos teus!...
Se rei não fôra, mas Deus,
daria os mares, e a terra,
e os milhões d'astros que encerra
o amplo espaço dos céos;
os sons do mar gemebundo,
a eternidade e o mundo,
tudo, tudo te daria
por um só beijo dos teus!...

[3] Novo Almanach de Lembranças Luso-Brazileiro para o anno de 1873. Lisboa, 1872, pág
195.

AO SUICIDIO [4,5]
Pôde a sábia mão Omnipotente
formar da maça rude esta grandeza,
com tantas perfeições, tanta belleza,
que aos olhos dos mortais é pasmo ingente.
Pôde o barro animar, e de repente
mudar-lhe a velha em nova natureza;
sem que, das obras suas na certeza
o homem reconhece este presente.
Debalde a humana frágil creatura,
ostenta no composto a imagem sua,
quando um Deus imitar em vão procura.
Quem fez os céos, a terra, o sol e a lua?
—Deus!—E o homem que faz?—Com mão impura
dá na própria existencia morte crua!

[4] In Novo Almanach de Lembranças Luso-Brazileiro para o anno de 1877. Lisboa, 1876, pág 159.
De acordo com Joaquim Pestana em nota publicada anexa a este poema, "O author d'estes versos, fallecido em 1856 do cholera morbus, na edade de 57 anos, era natural da fr eguezia do Estreito, filho de Francisco Polycarpo de Barros Henriques e de Luiza de ...
Sabia vários idiomas, entre elles latim, francez, inglez e hespanhol. Residio por muito tempo em Câmara de Lobos, sendo n'esta villa escrivão da Câmara e professor publico.
Assim terminou seus dias no meio d'aquella epidemia, que levou no seu horror 12.000 vitimas!"
[5] MARINO, Luís. Musa Insular, pág.80-81.

«Henrique Henriques de Noronha» - Dr. Manuel Pedro Freitas


Henrique Henriques de Noronha era natural da freguesia de Câmara de Lobos onde nasceu no dia 1 de Março de 1667, tendo falecido no Funchal a 26 de Abril de 1730.
Foi o 3º filho de Pedro Bettencourt Henriques (1632-1687) e D. Mariana de Menezes (1642-1695).
Era neto paterno de António Correia Bettencourt, o instituidor da Capela de Nossa Senhora da Boa Hora, situada em Câmara de Lobos e foi trisavô do 1.º visconde de Torre Bela, Fernando José Correia Henriques Brandão.
Casou na Sé, a 26 de Junho de 1692 com sua prima D. Francisca Maria de Vasconcelos, filha de João Bettencourt Vasconcelos e da sua 2.ª mulher D. Vicência Maria Vasconcelos, de quem houve D. Antónia Joana Francisca Henriques, que haveria de casar com seu primo António Correia Bettencourt Henriques, filho de João Bettencourt Henriques e de D. Inácia de Castel Branco.
Sucedeu na casa vinculada de seu tio, o morgado Inácio de Bettencourt e Câmara.
Era uma inteligência muito culta e dedicou-se especialmente a estudos históricos e genealógicos, sendo considerado uma verdadeira autoridade em assuntos respeitantes à historia madeirense. Enviou alguns trabalhos manuscritos à Academia Real da História Portuguesa, sendo por isso admitido no número dos seus membros.
Diogo Barbosa Machado na “Biliotheca Lusitana” e António Caetano de Sousa na “Historia Genealógica da Casa Real Portuguesa”, ocupam-se com louvor dos trabalhos de Henriques de Noronha e fazem-lhe referências muito elogiosas. Escritas por ele contam-se as “Memórias seculares e eclesiásticas para a composição da história da diocese do Funchal" e um “Nobiliário Genealógico de famílias madeirenses».

«Padre Manuel Juvenal Pita Ferreira» - Dr. Manuel Pedro Freitas

Manuel Juvenal Pita Ferreira, era natural da freguesia de Câmara de Lobos, onde nasceu a 16 de Abril de 1912, tendo falecido a 9 de Outubro de 1963, vítima de doença cancerígena. Era filho de Francisco Ferreira e de Filomena Celeste Pita Ferreira. Seguiu a vida eclesiástica, tendo sido ordenado sacerdote a 25 de Agosto de 1935. A 29 de Setembro do mesmo ano foi nomeado Capelão da Sé Catedral, escrivão do Juízo Eclesiástico e Professor do Seminário. A 5 de Agosto de 1936 passou a exercer o cargo de Secretário interino da Câmara Eclesiástica. Foi também capelão da Capela de Nossa Senhora da Conceição e do Asilo da Mendicidade, desempenhando a partir de 5 de Abril de 1938 o múnus de coadjutor da Ribeira Brava, sendo, em 26 de Outubro de 1940 transferido para idêntico cargo na freguesia de São Vicente. Um ano depois, a 1 de Setembro de 1941, foi colocado como pároco do Porto Santo onde permaneceu nessas funções até Fevereiro de 1945, altura em que foi nomeado pároco de São Gonçalo. Exerceu também o cargo de membro da Comissão Conservadora do Museu de Arte Sacra da Diocese do Funchal. A este propósito, refere o Jornal da Madeira de 10 de Outubro de 1963 que sendo conhecedor profundo da arte eclesiástica, foi convidado a presidir à respectiva comissão diocesana, tendo sido o inspirador, orientador e até arquitecto de algumas belas igrejas madeirenses que ficam, na elegância das suas linhas, elevando hinos ao céu e perpetuando a sua memória e pendor artístico. Nos problemas pastorais tinha sempre uma visão objectiva e actual, dum modo particular no capítulo da catequese às crianças, para quem editou carinhosamente alguns modelos de catecismos. Mercê das qualidades que revelou neste campo foi nomeado para Director do Secretariado Diocesano de catequese, que com ele se fundou[...]. Ainda que a sua obra sacerdotal no campo pastoral, pedagógico e artístico se revelasse suficiente para imortalizar-lhe a memória, a sua obra literária, nomeadamente no campo da história, foi sem dúvida aquela que mais viria a contribuir para essa imortalização. Segundo uma nota de redacção da revista Das Artes e da História da Madeira, a sua maior preocupação era documentar todos os seus estudos, citando, na íntegra, as fontes que julgava fidedignas. Por vezes foi um tanto ousado nas suas conclusões; mas isso em nada o desmerece, porque o seu objectivo não era atingir ninguém. Apenas era seu desejo publicar algumas achegas sobre a história da Madeira a fim de esclarecer pontos que para ele eram obscuros. Segundo, o Diário de Notícias de 10 de Agosto de 1963, não era preocupação do Padre Pita Ferreira fazer história simplesmente, ele ia em busca da verdade, procurando dar novas interpretações a factos que já estavam consumados. Tendo sido um grande entusiasta pela conservação no património artístico madeirense, colaborou, com muita dedicação, nas exposições de Ourivesaria Sacra e Esculturas Religiosas que se realizaram no Funchal nos anos de 1951, 1954, tendo subscrito, juntamente com o Eng. Luís Peter Clode, os catálogos então editados pela Junta Geral. Apesar da morte vir surpreendê-lo numa época da vida em que ainda muito se poderia esperar da sua pena, legou-nos todavia, um conjunto de obras que o consolidam entre os bons escritos madeirenses. De entre as várias obras que publicou podemos citar: Notas para a história da freguesia de Santa Cruz; A Capela do Senhor Jesus e seu retábulo; A ourivesaria sacra da igreja paroquial de S. Gonçalo; A oração dos simples (estudo etnográfico); Notas para a história da Ilha da Madeira - Descobrimento e início do povoamento; O caso de Machim à face dos documentos; Artistas Madeirenses; A relação de Francisco Alcoforado; A ordem Seráfila na Madeira e O Infante D. Fernando, terceiro Santo do arquipélago da Madeira, artigos publicados na revista Das Artes e da História da Madeira. Para além dstas haverá ainda a destacar: A época actual e o ideal vicentino (conferência); Património Artístico da Madeira; Esculturas Religiosas; Santa Missa; O Natal na Madeira; O mais belo presente da Primeira Comunhão; As notas para a história da Madeira no Pelourinho; O Arquipélago da Madeira, Terra do Senhor Infante; O Infante D. Henrique e a Descoberta e Povoamento do Arquipélago da Madeira; Curso de Iniciação Catequística (3 volumes); A Sé do Funchal e Tristão das Damas. Por altura da sua morte aguardava-se a publicação de O Infante D. Fernando, Terceiro Senhor do Arquipélago da Madeira; Notas para a História de Santa Cruz e ainda Achegas para a História do Arquipélago da Madeira, obra que havia dado publicidade em vários artigos publicados no Jornal da Madeira. Preparava também para publicação uma obra de grande vulto, A História da Diocese de Funchal, para o que tinha sido encarregado pelo bispo da Diocese.

A homenagem ao Padre Manuel Juvenal Pita Ferreira Na sua reunião de 11 de Novembro de 1964, a Câmara Municipal de Câmara de Lobos delibera dar o nome do padre Manuel Juvenal Pita Ferreira, à parte, na altura já terraplenada, da estrada de ligação entre Câmara de Lobos e Estreito, passando pelo Covão e que se estendia entre a estrada nacional 101 (junto ao Jardim de São Francisco) e a Panasqueira, no limite entre as freguesias de Câmara de Lobos e Estreito. De acordo com a respectiva deliberação, encontrando-se aberta ao trânsito a estrada municipal que parte da estrada nacional 101 no sítio do Espírito Santo e Calçada ao Lombo de São João, desta vila, cujo traçado remonta há quatro anos e no propósito de interpretar o sentir unânime de todos os seus munícipes, como preito de homenagem à memória do dilecto camaralobense, Padre Manuel Juvenal Pita Ferreira, [...]deliberou [...] por aclamação denominar aquela artéria por Rua do Padre Manuel Juvenal Pita Ferreira. No entanto, dois anos haveriam decorrer até que as respectivas placas toponímicas fossem colocadas, o que vem a acontecer só a 26 de Agosto de 1966, num acto, de que fez parte não só uma sessão solene pública nos paços do concelho, onde também o Dr. Januário Figueira da Silva e o Dr. Eduardo Antonino Pestana, foram homenageados, como ainda o descerramento das placas toponímicas. Ainda que a deliberação de 1964, aparentemente, dê a entender que o nome do padre Manuel Juvenal Pita Ferreira tenha sido dado a toda a extensão da estrada em causa, acreditamos, tal como aliás adianta a notícia do Jornal da Madeira de 27 de Agosto de 1966, que tal só correspondesse à parte na altura aberta, ou seja, entre o actual Jardim de São Francisco e a Panasqueira. Para além disso, na ocasião, só na sua extensão até pouco para além do cemitério é que se encontrava pavimentada, facto, que terá de certo modo condicionado a ligação do nome do Padre Pita Ferreira unicamente a este seu curto trajecto. Posteriormente, na sua sessão de 18 de Maio de 1995, é então deliberado definir com exactidão o fim da extensão da rua Padre Pita Ferreira, fixando-o na Panasqueira, mais precisamente no limite entre as freguesias de Câmara de Lobos e Estreito, local onde passa a ostentar o nome de António Prócoro de Macedo Júnior, para na Ponte do Gato, voltar a mudar a sua denominação para a de Rua João Augusto de Ornelas.
No Funchal, mais precisamente em São Gonçalo, no dia 15 de Outubro de 1964, seriam colocadas as placas toponímicas dando o seu nome ao Largo fronteiro à igreja de São Gonçalo que ele construiu e serviu.
por Manuel Pedro Freitas

Historie del S.D. Fernando Colombo - Fernando Colón

Colón , Fernando; Ulloa , Alfonso de; Pané , Ramón  - Historie del S.D. Fernando Colombo; : nelle quali s'ha particolare, & v...